Curto esse tipo de coisa aqui*. Explico. Sou um cara que cresceu baixando coisas e até hoje baixo-as todo dia. Música então nem se fala, sou o que sou por causa dos gigabytes que baixei durante anos. Já escrevi sobre música por dinheiro, essa mesma música que baixei.
Logo, esse tipo de anúncio besta me faz sentir como se estivesse no Scarface e no final conseguisse matar todos os capangas na minha mansão. Cometi um crime e continuo cometendo. Sou um fora-da-lei, um pária, o palhaço, o joker.
Mas continuo pois sou invencível. Ainda mais contra esse tipo de adversário.
*via tiagón
1 ComentárioContinua no próximo episódio
20.05.2008 | 42
Certa vez quando era criança a dublagem de algum programa de TV deixou escapar no momento do “to be continued” uma narração de “continua na semana que vem” ao invés do natural “no próximo episódio”. Achei muito estranho, o que iria acontecer, os personagens iriam ignorar o que aconteceu hoje no episódio de amanhã e semana que vem retomar a situação de onde parou? Parecia uma coisa bastante idiota de se fazer.
Foi aí que descobri que na gringolândia eles não assistiram os programas todo dia como a gente. Era uma cultura semanal, acostumada a passar uma semana esperando pra saber o que aconteceria no seu show favorito. Continuava parecendo idiota pra mim, se eles tinham todos os episódios como a gente por que assistir um por semana? Como eu queria conhecer um gringo só pra poder ligar pra ele e dizer “eu sei como o McGayver sai dessa. E nem te conto o que acontece no episódio depois desse”.
Aprender como funcionava isso foi uma daquelas coisas bestas que você descobre como funciona quando se é criança mas não conta pra ninguém por medo de parecer babaca que nem a fatídica pergunta do dinheiro (”se as pessoas precisam de dinheiro porque não fazem mais e dão pra eleas, pai?”). Acabou que assinaram TV a cabo em casa e comecei a assistir as coisas uma vez na semana - já achando estranho esse negócio de ficar refém diário de um programa. Pra você ver como a gente se acostuma com cada coisa.
E eu aqui esperando o season finale de Lost.
Comente
Ontem reassisti Lock, Stock and Two Smoking Barrels, foi até mais divertido do que a primeira vez. Lembro bem, era ocasião do hype de Snatch e vários conhecidos imitavam aquele sotaque de cigano do Pitt por aí pra impressionar as meninas. Pra pagar de IN eu só fazia comentar do Lock Stock. Claro que eu não sabia porra nenhuma do que falava, era mais uma questão de saber as referências melhor do que os imitadores do Pitt, às vezes funcionava.
Confesso que entendia mais o Snatch do que o Lock Stock (principalmente aquele jogo estranho de poker que era praticamente o centro do filme!), mas era necessário negar isso diante das rodinhas de amigos. Muitas garotas dependiam disso (acreditava eu, apesar de isso nunca ter sido confirmado). Devia é ter treinado melhor o meu sotaque.
Pra você ver como eu não sabia nada a trilha sonora me passou batido. A trilha que tem duas faixas matadoras de James Brown (”The Boss” e “The Payback”) além de Stooges e Dusty Springfield! Mais uma vez eu conhecia mais as bandas que tocavam em Snatch. Corrigi isso com essa reassistida e com a trilha aqui tocando alto, vai ser só isso no Last.fm essa semana. Ritchie pode ter se perdido desde a época dos imitadores do Pitt mas fez bonito nessa trilha.
Agora posso cantar “I’m eighteen with a bullet” feliz e quase redimido das afirmações inflamadas que fiz anteriormente.
1 ComentárioPlayers win and winners play [ou] Cara nova
19.05.2008 | Internas
Está no ar o novo belíssimo layout deste nada humilde blogue. Foi um processo lento, doloroso e regado a muito café ruim para sair da antiga adaptação do tema Greentrack que eu usava para algo novo que eu gostasse - e conseguisse botar no ar. Por mais que diariamente eu engula CSS e XHTML a rodo sempre que começava a escrever algo meu acabava deixando a pasta de lado.
Devo grande parte do empurrão final à nova imagem (linda pacas, por sinal!) que agora está li no header, presente de uma pessoa que prefere não se revelar para não sofrer assédio daqueles que querem saber de onde tanta cresmosidade vem. Tô meio hipnotizado pela ilustração ainda, vira e mexe fico encarando, olhando os detalhes. Eu fiz um pedido na cara dura e ganhei mais do que esperava.
Papo de nerd: usei como base vários temas (K2, alguns do Gecko and Fly e ótimos temas do Chris Pearson - na real foram mais coisas estruturais do que visuais, já que continua quase a mesma coisa), fiz algumas experimentações com tipografia que não deram certo (envolvendo Helvetica) e acabei ficando com o básico. Não uso plugins além do Askimet e apenas uma função foi utilizada ali no sidebar para widgetizar o tema.
Chamei-o de Lucky Day. Quem quiser, pode pegar uma cópia comigo. Faço personalizações. Ou não. Afinal quem vai querer ter um blog igual este? Ainda não validei o CSS devido a alguns problemas antigos de codificação deste blogue que espero resolver um dia. Testado (e rodando direito) em Firefox, Opera, Flock e IE. O Safari e outros eu tive preguiça de abrir.
6 ComentáriosSem ordem de preferência aparente.
- Assisitir o resto dos episódios de Seinfeld.
- Pilotar um avião.
- Escrever um livro sobre zumbis.
- Trabalhar em um estúdio musical.
- Aprender a fazer café decente.
- Pular de bungee jump na Nova Zelândia.
- Assistir um show do Explosions in the Sky.
- Ir na premiere de um filme que eu fiz.
- Just walk aorund na Suiça.
- Escrever uma carta pro Warren Ellis.
- Ler mais de 60% dos livros que possuo.
- Dar pra Ela e pra mais pessoas o meu amor.
- Conseguir completar as palavras-cruzadas do jornal.
- Completar minha coleção de Vagabond e Sandman.
- And on and on and on. 42.
P.S.: Não, isso não é a porra de um meme. Essa do avião é bem coisa de moleque mesmo, na real qualquer coisa grande e que voe serve. Não se diz livro “sobre” zumbis, né? É livro “de” zumbis. Que seja. Na verdade eu queria um show do Pelican na mesma noite de um do Explosions, acho que nunca mais ia escutar música com vocais na vida. Mentira. A Suiça deve ser um saco, mas eu ia me sentir todo pateta andando por lá, visitando escritórios de design frios e pedindo estágio. Nunca que vou ler todos os livros, mas sessenta porcento é uma estimativa boa. Quarenta e Dois, gafanhoto.
3 ComentáriosI Am Iron Man [ou] Nerd em polvorosa
09.05.2008 | Geral

A possibilidade de um filme do Vingadores utilize como base a HQ conhecida como Ultimates é uma coisa que me deixa deveras alegrinho. Com toda a conotação gay que esse tipo de afirmação possa ter. Vamos encarar, super-heróis reunidos é nada mais do que um carnaval de fantasias e poderes exdrúxulos sem conexão alguma combatendo uma coisa sem nenhum sentido também. Mas aí em Ultimates a coisa tem um quê de badassismo bastante elevado (Nick Fury é o SAMMY) e deixa essa coisa toda de lado. Até o THOR, que carrega aquele porrete de nome impronunciável vira um perosnagem OVERPOWER como deve ser e chega arrepiando geral quando lhe cabe sem não antes cobrar sua parte para participar do circo das mass media dos Vingadores. Hell, até o Capitão América - aquele estrelinha - consegue ser interessante em Ultimates. Tu vais entender quando ler. Ver isso no cinema vai ser ÍMPAR, vai vendo.
Na real eu fiquei excitado pacas com aquela última cena do Homem de Ferro. Desce lenha, Stark.
2 ComentáriosSlow Numbers
09.05.2008 | 42
You know, tem uma hora na madrugada que a internet parece parar. Não é bem uma hora, é um momento, não dá pra medir bem esse tipo de coisa. Mas dá pra sentir. É como aquele barulho que algumas pessoas dizem escutar. Tem um momento na madrugada que dá pra escutar o acender das luzes do modem e os sites parecem desabitados, as redes sociais vazias e até o twitter fica deserto.
Dá pra entrar nos perfis alheios em redes sociais e não ser pego no ato. Dá pra vasculhar os arquivos daquele blog e descobrir mais detalhes do autor. Dá pra olhar todos os produtos daquela loja virtual que você nunca compra nada mas sempre recomenda pros conhecidos. Dá pra adicionar novas fotos no seu flickr e tirar dez minutos depois. Dá pra postar naquele fórum gringo as coisas que você odeia. Coisas que você não faria durante o dia ou outros horários são perfeitamente encaixáveis nesse momento de suspensão de bytes. Um bug na matrix.
Dá até pra escutar a parte dois de I Know You do Morphine (que eu pronunciava morfáine e me ensinaram outro dia que é morfíne) no repeat ad infinitum enquanto você termina textos, faz planos que vai esquecer daqui a pouco e balança a cabeça devagarzinho.
Pena que acaba rápido.
1 ComentárioNão compre o Box de Akira
05.05.2008 | Filmes

Semana passada comprei o box de Akira que a Focus Filmes lançou e fiquei todo orgulhoso. Foi um presentinho legal pra mim mesmo que gosto do filme pacas (bons tempos de Locomotion) e o pacote parecia bem feitinho, lembrando as edições gringas remasterizadas e tudo mais com dois discos, cards, camiseta e poster por 59,90.
Eis que nem tudo são flores.
Vamos começar pela camiseta: é um TRANSFER fedido que ainda vem escrito “edição comemorativa de 20 anos” embaixo e tudo mais. Esquema de camiseta do iron de banquinha de rua, tu ficas parecendo atendente de locadora usando o negócio. Seguindo pros discos - que julguei serem o creme da caixa, obviamente.
Ao dar o play no filme original que eu comprei em loja com meu dinheiro suado de dezainer pobre sou submetido a QUATRO SPOTS DE TRINTA SEGUNDOS daquela campanha anti-pirataria da UBV que utiliza argumentos totalmente retardados pra provar que quem compra dvd pirata financia o crime. E o pior: não dá pra dar SKIP ou FF. Sério. Isso quer dizer que toda vez que for assistir o meu DVD EDIÇÃO COMEMORATIVA e ORIGINAL vou ter dois minutos de merda antes do filme começar.
E isso emputece qualquer um. Dá pra supor que quem compra uma edição dessas é porque gosta do filme e pretende assistir algumas vezes e tal. Veja bem, não é um cara que vai na locadora e pega um punhado de dvds recheados de propaganda “OLHA O QUE O ESPERTO DO SEU PAI COMPROU” e mal assiste-os. É um cara que aprecia o filme em questão e quis comprar uma edição mais caprichada pra ter na estante e à disposição pra assistir quando der na cabeça. Mas é tratado como um retardado pela Focus Filmes e toda vez que for assistir o seu dvd original terá dois minutos não-ffáveis de MERDA despejado na sua cabeça.
Quem tá afim de comprar, teje avisado. A caixinha em si é legal, fica bonitinha ali na estante e tudo mais. Eu queria ter percebido isso antes pra avisar. Não comprem essa caixa esperando grandes coisas diferentes daquela que você baixou há um tempo atrás. Aliás, recomendo você autorar o próprio dvdzinho baixado pra guardar e emprestar pros amigos e deixar essa caixa de lado. É o que eu vou fazer. Pega aqui, Focus Filmes.
Pior que cortou todo o tesão que eu tava de falar sobre o filme.
10 ComentáriosVou fazer que nem aquela vez de The Wire. Acabei de assistir o piloto de In Treatment, já que hoje foi daquelas manhãs que a gente acorda cedo demais sem querer e fiquei bastante curioso e empolgado. Deixei passar em branco essa série que foi uma espécie de experimento da HBO entre janeiro e março deste ano com 43 episódios, cinco por semana - cada um com um paciente do terapeuta interpretado por Gabriel Byrne. Grande erro. Episódio piloto muito bom.
Pode contar com mais posts sobre a série.
ComenteO Dia que Achei Aquela história em Quadrinhos
26.04.2008 | Nerdices
Anos e anos de consumo voraz de livros, quadrinhos, discos e toda a parafernália que a cultura pop oferece tendem a confundir a cebeça do nerd, embaralhar as referências e confundir as profundas análises de obras. De repente lembrar o nome do character designer daquele jogo sensacional não é mais tão fácil. Alguns filmes são completamente esquecidos e só quando re-assistindo por descuido que você lembra já ter assistido aquilo. Livros são piores.
Eu fui um cara que começou cedo a consumir tudo o que minhas limitadas verbas ofereciam e naqueles primeiros anos de leituras acompanhadas de dicionários (para não perder nada) e total falta de preocupação em saber quem fez aquilo ou de que ano era coleciono fragmentos de cultura pop não identificados em minha mente. Um fragmento em especial consegui identificar hoje.

Trata-se de uma história em quadrinhos de duas páginas, publicada em alguma Metal Pesado há muitos anos que havia comprado num daqueles encardenados de edições anteriores por um preço modesto. Era a narrativa de um viajante pelas estradas desérticas e empoeiradas dos Estados Unidos. Morando num cidade do interior e louco para me ver livre daquela pequinez, contemplei a pequena história como uma premonição do que um dia eu iria fazer. Na época gostei tanto que destaquei cuidadosamente as duas páginas e carregava no caderno.
Nas indas e vindas do colégio e caminhos cortados pela cidade, perdi o caderno.
Não lembrava o nome do autor nem da história, não havia mais edições a venda na banca e vi que a minha havia sido perdida em algum escambo com amigos. Como havia tanta coisa pra se conhecer naqueles tempos dexei de lado a pequena história e parti para a minha próxima exploração cultural. Com o tempo fui saber que a Metal Pesado era a versão nacional da Heavy Metal, revista ímpar de quadrinhos e que as edições nacionais (assim como tudo de quadrinhos publicados na década de 90) tiveram publicações confusas e escassas. Toda vez que batia os olhos numa Heavy Metal procurava por aquelas duas páginas.
Até que hoje observando os novos torrents no KG vi um de nada menos que 13gb com todas as edições da revista. Meu primeiro pensamento foi de baixar a coisa toda e ir lendo cronologicamente a revista, um dia chegaria na historieta. No descritivo do torrent havia o link para a Heavy Metal Magazine Fan Page e não custava nada dar uma olhada lá, quem sabe um pedaço da minha história apareceria em algum artigo ou coisa assim. Lendo a lista de publicações resolvi passar os olhos no nome das histórias publicadas em cada revista pra ver se algum despertava alguma reação. Foi ali no ano de 97, na edição 5 de novembro, que reconheci Ranx na capa e lendo a lista das história encontrei No Man’s Land, de Jacques De Loustal.
Ranx me lembrava algo e o nome da história poderia muito bem ser aquilo que procurava. O ano estava teoricamente certo. Mandei ver no Google. Encontrei esta página sobre o autor, em especial este artigo que fala sobre as referências da obra de Loustal que Win Wenders usou em Paris, Texas e ali havia um link escrito No Man’s Land. Cliquei e apareceram as duas páginas tão procuradas em baixa resolução e impossíveis de ler, mas eram elas. Achei, enfim.
Achei a história, o autor e a edição em que foi publicada. A revista não foi escaneada (só há até a edição de julho de 97) e não encontrei em nenhum lugar, e olha que procurei. Mas já é um grande alívio identificar a história e conhecer o autor. As duas páginas que encontrei estão com baixa resolução e em francês, minha senhora tentou ler e traduzir mas ficou difícil demais, quiçá impossível. Postei-as no FRAG! para quem quiser olhar melhor a famosa história.
You can’t always get what you want, já dizia a música. Vai que num sebo encontro a revista ou vai que alguém que me lê tem a por aí sobrando a edição 5 de novembro de 1997 da Heavy Metal com o Ranx na capa e me empresta pra uma leitura.
*saiba que achei a história de verdade alguns meses depois de escrever este post.
7 Comentários
If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
