Flight of The Conchords
10.11.2007 | Séries

Terminei de assistir há uns dias (ou talvez semanas já, tenho que manter um registro dessas coisas de forma melhor) a primeira temporada de Flight of the Conchords, série sobre um duo neo-zelandês de comediantes indie-pop-folk-rapper-acoustic-soul-tun-dun com falsetes e pouco mojo tentando levar a vida em New York, são doze episódios na primeira temporada pela HBO que fizeram certo sucesso na gringa e garantiram contrato pra mais duas.
Comecei com o pé atrás até mesmo porque não conhecia nada da dupla, que já teve EP gravado e programa na BBC, mas logo no primeiro episódio Jermaine Clement e Bret McKenzie mostram-se bons atores apesar de timing esquisito pra comédia (mas que funciona) e as canções soam como se o Tenacious D trocasse o hair metal pelo shoegazer, não, pelo soul-folk, esquece, é um pouco complicado definir as canções quando vão de Bowie à Marvin Gaye passando por reggaeton (!) e rap west side gangsta. Apesar de paródias declaradas as músicas não costumam cair nos clichês do gênero e funcionam muito bem fora do contexto da série - Foux da Fa Fa é hit em algum lugar nesse momento.
Os episódios curtos não prendem-se a uma continuidade exagerada enquanto acompanham o cotidiano da dupla, que na série não é de comédia e sim mais uma banda folk tentando ganhar mais do que um fã e fazer gigs em cada vez lugares maiores enquanto explicam pras pessoas o que tem na Nova Zelândia além de Senhor dos Anéis. Engraçada, sem muitas pretensões a série acabou definindo o que vem a ser o humor neo-zelândes, que não tem nada a ver com o australiano. Seja lá como ele seja. Virei fã da dupla e já escutei os discos e arranhei as canções no violão, altamente recomendável. E que venha a segunda temporada.
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Sou fã antigo de Cowboy Bebop, daqueles de lembrar de um episódio e correr pra assistir outra vez, de decorar as falas (da forma que me compete não sabendo japonês) e recitar sem pestanejar. Hoje lembrei do episódio 6 chamado Sympathy For The Devil, um dos mais tristes da série - e olha que Bebop flerta com a melancolia quase todo tempo entre seus diálogos leves e cool e as cenas dirigidas como um jazz furioso.
A tristeza desse episódio entretanto é um tanto singular: um garoto prodÃgio da gaita (que na verdade já é um senhor, mas por conta de uma doença nunca envelheceu) toca algumas vezes um blues arrastado, sofrido e bonito de um jeito tão caracterÃstico que fico pensando que é talvez o episódio mais bonito de um desenho animado que já assisti. É um daqueles episódios que quando surge o letreiro final escrito see you space cowboy você fica na dúvida se sorri ou entristece de vez. E assim nas madrugadas vou re-assistindo a série e planejando um dia tocar gaita daquele jeito.
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Comecei a assistir Mad Men, nova série assinada por Matthew Weiner, antigo produtor e roteirista de Sopranos que terminou sua primeira temporada recentemente. Pra mim, a mera associação com Sopranos já foi motivo suficiente para procurar a série. Dessa vez não há máfia de New Jersey como pano de fundo e sim uma agência de publicidade em New York na década de 60, uma época em que o mercado ainda não era cheio de hype e a profissão era mal compreendida fora dos grandes centros. O nome Mad Men vem da forma como os publicitários de NY era chamados naquela época.
Nos primeiros episódios a caracterização tÃpica de época chega a transparecer clichês demais: todos os personagens fumam muito, homens casados tem que ter amantes e todas as esposas são donas de casas empalhadas. Dá uma sensação de imitação barata de filmes de época sem muita profundidade ou originalidade. Mas é preciso esperar um pouco que os personagens cresçam e as tramas se desenvolvam, logo os diálogos começam a ficar mais interessantes e você chega a ficar contente em ver vida após Sopranos, até mesmo o protagonista Don Draper (Jon Hamm) começa a mostrar algo mais além da caracterÃstica pose de macho alfa dos anos 60.
Promissora e com vários elementos semelhantes à criação mais famosa de Weiner como personagens em conflito de personalidade e contra o meio em que vivem, Mad Men é o tipo de série não muito comum que toma o tempo necessário para se desenvolver e revelar um charme e elegância raros além de retratar uma época efervescente para a publicidade anterior aos modernetes de faculdades pagas que deixou marcas até hoje.
1 ComentárioDark Passenger
19.10.2007 | Séries

A segunda temporada da sensacional Dexter chega no terceiro episódio (An Inconvenient Lie) resolvendo as tramas da primeira e finalmente mostrando quais rumos a série vai tomar agora. Confesso que ainda fico arrepiado quando aquela musiquinha de suspense toca, não me acostumei ainda. O Dexter de Michael C. Hall continua um personagem frio, com humor bizarro e que lida com tudo que não lhe é normal de forma inusitada - e o que não é normal pra ele, que é um born natural killer, é de certa forma muito comum para todo mundo. É como ver as impressões de um verdadeiro outsider acerca de tudo isso que chamamos de cotidiano.
Nesse episódio tem uma ótima cena onde Dexter resolve usar as reuniões do Narcóticos Anônimos como uma espécie de confessionário para sua personalidade macabra. Seria o equivalente às sessões de terapia de Tony Soprano. Só que Tony era um personagem que não aceitava a imposições vindas de outras pessoas e não conseguia lidar com sua personalidade compulsiva. Dexter absorve tudo de outra forma e sempre busca entender as coisas de seu modo. Para ele é preciso um esforço colossal para viver no mundo como as outras pessoas e é fundamental conhecer sua própria natureza para fazer isso. Uma natureza não muito comum, vale dizer.
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No episódio da semana passada de House (”The Right Stuff” - 4.02) durante as cenas na sala de aula dava pra notar escrito no quadro a frase “Tesla was robbed”. A frase tem tanto a ver com a mais pura verdade, Tesla realmente foi roubado big time por Thomas Edison e por Guglielmo Marconi (até 1943 quando foi provado que sua “invenção” do rádio nada mais era do que uma cópia descarada de Tesla) quanto tem relação com a história do episódio, sobre uma piloto da NASA que oferece $50,000 para House tratar dela anonimamente.
Essa exata quantia foi oferecida por Edison a Tesla durante o perÃodo em que o inventor croata trabalhou em conjunto com o americano - no final das contas Edison não pagou alegando que era tudo uma piada e roubou várias patentes de Tesla.
A quarta temporada de House está divertida, de minutos em minutos eu rio alto, e ainda tem os elementos que fazem da série o meu programa de Tv favorito há anos. Não é em todo lugar que Tesla é homenageado desse jeito.
1 ComentárioComeço de temporada [ou] Californication
01.09.2007 | Séries

Normal nesta época do ano pipocar literalmente centenas de novas séries em tudo que é lugar das emissoras norte-americanas, a maioria não passa de alguns episódios iniciais e deixam a sensação de que mais um pouquinho de audiência iria garantir uma temporada inteira e quem sabe a série desenrolaria. Os roteiristas mais espertos soltam logo os melhores episódios no começo da temporada pra garantir o seu.
É o caso de Californication, dona do tÃtulo mais imbecil do ano e que conta como protagonista o eterno Fox Mulder David Duchovny, que depois de anos fazendo filmes fracos aceitou que o lugar de ex-estrelas da TV é na TV. A série é assinada por Tom Kapinos, ex-roteirista de Dawson’s Creek e a produção é da Showtime, a irmã barulhenta da HBO. Mas não espere a melosidade dos roteiros da série que revelou a Sra Cruise em Californication.
Duchovny é Hank Woody, um escritor de New York que depois de alguns livros de sucesso e direitos vendidos para Hollywood vai morar em LA, a capital da putaria - pelo menos é o que dá a entender com séries como essa e Entourage. Sem escrever alguma coisa há anos e dirigindo seu porsche empoeirado, Hank divide seu tempo entre mulheres, tentar reconquistar a ex-esposa e mais mulheres. Aceita sua condição de escritor “não-praticante” e exercita seu seu ódio crescente por L.A. até que o saldo de sua conta bancária força que alguma coisa seja feita. Duchovny está à vontade no papel de macho alfa padrão com o diferencial de ser escritor e deixa os anos de bureau pra trás.
Junto com a terceira temporada de Weeds, Californication entra como mais uma série que sacaneia a famÃlia americana, os hábitos de hollywood, drogas e sexo com um texto engraçado e na medida pra irritar os mais conservadores. Não é sensacional mas nos três episódios iniciais segura bem os diálogos e não abusa do teor “olha como sou uma série rebelde e falo palavrão” que caracteriza as produções da Showtime. Como as temporadas do canal são pequenas (13 episódios), é mais uma série pra assistir sem muitas esperanças de um novo Sopranos.
2 ComentáriosO Retorno de Studio 60
17.06.2007 | Séries

Assistindo os episódios novos de Studio 60 após um longo hiatus penso nos roteiros inacabados (e os poucos acabados) que tenho aqui no pc, mas penso assim, de relance. O mesmo Aaron Sorkin que algum tempo atrás me mostrou que a televisão por ser sensacional em West Wing agora confronta problemas de audiência e boatos negativos em Studio 60. Como se não ligasse pra isso a cada novo episódio escreve melhor, como se pra mostrar que seu ofÃcio não é para qualquer um e que seu show não será derrubado. Vai dizer, eu romantizo demais as coisas.
Contornar todos os problemas enfrentados em Studio 60 e ainda conseguir juntar tom polÃtico ao drama dos personagens nos episódios recentes - mantendo a série num ritmo de crescente qualidade - foi coisa de gente grande, de macaco velho, diria até. Agora vai ser mais interessante assistir o caminho que ele seguirá até o season finale e os boatos de cancelamento que surgirão. Até lá vou assistir cada episódio como quem reza.
2 ComentáriosResponsability Tv [ou] A Bit Of Fry And Laurie
15.06.2007 | Séries
Depois de tantas temporadas de House só agora fui assistir essa série antiga de Hugh Laurie com Stephen Fry. Viciante.
1 ComentárioTerceiro round [ou] Entourage
13.06.2007 | Séries

Assistir Entourage é como ver na tela as fantasias de moleque em hollywood que muitos tiveram (pelo menos eu tive), isso é fato. Um programa machista, homofóbico, narrow minded e simplista porém incrivelmente divertido e que nos 28 minutos de cada episódio te leva pra outro lugar que não é de todo ruim. Nesta terceira recém terminada temporada o show continuou com a fórmula e não decepcionou, com direito até a sacrifÃcios de estrela de cinema para realizar o projeto dos sonhos.
É como assistir filmes de terror antigos, você sabe que é ruim e pouca gente vai compartilhar contigo que gosta daquilo e se juntar à festa - mas assiste mesmo assim. É divertido demais e não tem como negar que é o tipo de coisa que de vez em quando a gente precisa assistir pra lembrar que o mundo não é feito só de séries ou filmes sérios ou comédias espertas. Tem horas que é mais divertido desligar o cérebro, com dizem por aÃ, e ser levado pela besteira.
4 ComentáriosHouse - Blues de branco
10.06.2007 | Séries

Terminei só agora de assistir a terceira temporada de House, acabei deixando episódios acumularem na empolgação de ver outras coisas. Foi até bom pois pude avaliar calmamente esta terceira temporada.
A desconstrução do personagem que tomou grande parte da segunda temporada deu lugar para um novo ângulo de ver o personagem nos episódios inicias com House “curado” de sua perna e em plena atividade fÃsica e consequentemente intelectual e social. Foi um respiro - como se para mostrar uma outra faceta de House só visÃvel sem o empecilho da perna - antes de tudo voltar ao normal. E por normal pode-se dizer com conflitos cada vez mais acirrados, danos irreversÃveis nos personagens e tramas dignas de HBO, e ei, isso é um elogio imenso!
Alguns episódios fracos impediram o bom fluxo da temporada. Talvez por ser a primeira vez que acompanhei semanalmente e não em maratonas de dvd pude notar que certos episódios não encaixaram-se bem no contexto geral. Pequenas tramas com conotações dramáticas numa tentativa de quebrar o caráter inabalável de House foram amplamente usadas na segunda temporada e a repetição tornou-se um problema nessa terceira.
Claro que tivemos episódios extraordinários. Dessa vez já conhecemos House e os roteiristas optaram por não desenterrar o passado, coisa comum na TV da gringolâdnia, e sim testar as relações entre os personagens até o máximo. Foi ao mesmo tempo assustador e interessante - em vários momentos um House melancólico tomava lugar na tela. Os diálogos continuaram brilhantes da forma caracterÃstica da série, com referências pop, sarcasmo impiedoso e a integridade exemplar que os roteiristas tratam os personagens, coisa rara no esquemão de TV norte-americanco.
Não foi uma temporada hiperativa como a segunda ou fundamental com a primeira porém teve momentos belos (ou hilários como a nova bengala de House) e um season finale que mais uma vez colocou na mesa a questão de House versus deus, gerando a melhor frase da temporada: “I better not see you praying! I don’t want to have to fight for credit on this!”.
Continua uma série acima da média, divertida, com roteiros excepcionais e personagens interessantes, porém o abuso de certas manias tradicionais (como sempre criar um “romance” ou a necesidade constante de antagonismo) prejudicou esta terceira temporada. Mas é pouco para atrapalhar um show tão bom. E vamos ao quarto ano.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
