God hates fangs [ou] True Blood
17.09.2008 | Séries

Assisti o segundo episódio de True Blood, nova série da HBO criada por Alan Ball, o homem por trás de Six Feet Under. Baseada na série de romances The Southern Vampire Mysteries, a série se passa num mundo onde os vampiros se revelaram aos humanos após a criação de um sangue sintético pelos japoneses em busca de aceitação na sociedade para viverem em sua vida de bebedor de sangue em paz. É uma premissa bacana, interessante em vários aspectos e vendo os nomes envolvidos na produção eu esperava algo legal.
Mas não foi bem assim, meses atrás o episódio piloto vazou e deu pra ver que a premissa foi mal aproveitada e os personagens não passavam de um amontoado de clichês. Pensei que o segundo episódio melhoraria um pouco as coisas, conhecendo o ritmo lento de Six Feet Under. Porém parece que pra cada uma coisa bacana que aparece na série ao menos três ruins vem junto e minhas esperanças ficaram mais baixas. O que poderia ser uma série inteligente de fantasia sobre vampiros está se tornando uma espécie de Buffy com mais sangue e rednecks - claro que tem o ar HBO aqui e ali com a mistura de sexo e violência com assuntos vampirescos, mas até isso não é lá grande coisa. Por fidelidade a casa continuarei assistindo, mas acho que não vai melhorar muito.
Por enquanto a melhor coisa da série é a sua abertura. Criada pela mesma agência que fez a de Six Feet Under, Dexter e House mistura várias imagens que compõem o cenário sulista-sujo da série como religião, vampiros, rednecks ao som do country blues dark “Bad Things” de Jace Everett. Essa abertura é diferente da mostrada no piloto, que apesar de um tanto crua focava num outro lado da temática da série, mas com a mesma canção de fundo. Já tá no meu player.
1 ComentárioO Retorno Serial Killer Favorito da América
09.09.2008 | Séries
Tenho que dizer que é uma boa época pra se acompanhar séries, filmes e tudo mais que possa ser baixado na internet em alta qualidade. Já era bastante legal poder assistir episódios dias após sua exibição na gringa, então o negócio foi se especializando e tem séries que assisto no mesmo dia em que passam lá com um delay mÃnimo de um par de horas. Aà episódios pilotos começaram a vazar e season premieres também.
Agora antes mesmo de estrear lá eu já assisti um, ou até quatro, episódios vazados semanas antes da estréia oficial. Você tem que amar os rippers ninja e seus contatos dentro dos estúdios. Faz anos que me mudei de casa e abandonei a TV a cabo e não sinto a menor falta. Diabos, até as olimpÃadas eu baixei.
Tudo isso pra dizer que seguindo a tradição do ano passado - se não me engano vazaram os quatro primeiros episódios da segunda temporada - Dexter começa antes da data anunciada com uma season premiere excelente de sua terceira temporada. Parece que haverá um cuidado de evitar o que aconteceu na temporada anterior onde muitos episódios foram descambando pra um clichê terrÃvel e o jogo de gato e rato a lá Death Note mostrou-se várias vezes desgastado.
Pelo primeiro episódio dá pra notar que vai ser como a primeira temporada, mais focada nos demônios de Dexter do que nos resultados das experiências que ele teria lidando com situações adversas (convenhamos, esse artificio narrativo é coisa de série em fim de carreira). A narração em off voltou mais incisiva do que nunca e parece que teremos ótimos monólogos outra vez. Até mesmo o plot que se começou está parecendo muito promissor pra mim. Senhoras e senhores, talvez seja uma temporada formidável.
Aproveitando, outra série favorita da casa que começou oficialmente sua quinta temporada lá fora e vai ser mais uma companhia semanal nos meus players é Entourage. Se você não assiste é um bom momento pra correr atrás dessa série que é a minha dose semanal obrigatória de putaria e piadas movidas a testosterona pura. Hail Ari Gold!
(eita, Californication também vazou)
ComenteComo invadir um paÃs [ou] Generation Kill
01.09.2008 | Séries

Qualquer um que tenha lido um artigo inteiro e qualquer revista nos últimos anos sobre a invasão americana no Iraque deve ter percebido que diversas manobras millitares em solo iraquiano foram no mÃnimo atrapalhadas para um exército supostamente bem treinado e de recursos altamente avançados. Quem testemunhou isso de perto foi o repórter Evan Wright, que em 2003 escreveu para a Rolling Stone uma série de artigos que retratam como uma das maiores forças de elite do mundo, neste caso os marines do batalhão bravo da Recon, foi subaproveitada e mal guiada durante os 40 primeiros dias de invasão.
Estes artigos viraram um livro e recentemente a HBO exibiu a série em sete partes chamada Generation Kill, baseada nesse livro e mais uma obra de David Simon depois de terminar sua épica The Wire. Primeiro é preciso saber que os fuzileiros da FORECON são uma força especial altamente treinada em diversas técnicas de combate. São os caras que podem destruir uma cidade inteira sem sofrer nenhuma baixa. Isso em condições de combate e comando em campo de batalha ideais, coisa que nos eventos retratados na série (que ficam exatamente na linha entre real e ficcional) eles não tiveram.
Desde o primeiro episódio ainda concentrados num campo no Kuwait esperando para invadir o Iraque e lidando com a idéia de que a guerra termine antes mesmo deles precisarem entrar nela, até os dias de patrulha em Bagdá os fuzileiros sentem-se subaproveitados e mal guiados por uma cadeia de comando cheio de idiotas. Como eles mesmos dizem a certa altura, são como Ferraris dentro de uma arena de monster trucks, fazendo missões estúpidas e de alto risco. Caras treinados ao custo de alguns milhões de dólares por fuzileiro servindo como policiais em bloqueio de estradas.
Comentários táticos a parte (e eu poderia falar só sobre isso por vários parágrafos) a série entrega vários momentos hilários nos diálogos de fuzileiros entediados fazendo um trabalho que não foram treinados para - e confesso que poucas coisas são tão engraçadas quanto humor de fuzileiros: uma mistura de racismo, misoginia e machismo que é essencial tanto para mantê-los prontos pra atirar em alguém quanto para expressar seus patriotismo e companheirismo, acredite. Desde o capitão babaca apelidado de Capitão América, passando pelo sargento Colbert aka The Iceman (que após a “tomada” de uma pista de pouso totalmente abandonada exclama “That was fuckin’ ninja!”) ao hiperativo Cabo Ray  os episódios me fizeram rir como poucas séries esse ano conseguiram.
É, eu tenho um senso de humor deteriorado. Mas e você que gosta de Teatro Mágico?
Mais uma série que só poderia ter vindo da grande mãe chamada HBO, sempre disposta a oferecer produções sem paumolismo para mim e você e que assim como Band Of Brothers (apesar de serem coisas bastante diferentes) deixa a vontade de reassistir e guardar em dvd. Junto com House Of Saddam da BBC (em parceira também com a HBO) monta um cenário mais completo do que foi a invasão no Iraque e a queda de Saddam. Stay frosty.
4 ComentáriosFighting Evil So You Don’t Have To
24.08.2008 | Séries
Há algumas semanas assisto religiosamente The Middleman, série baseada num gibi desconhecido (o que diabos não vem de um gibi hoje em dia?) sobre um super-herói chamado er, Middleman e sua recruta que mistura tramas sci-fi com frescor pulp, referências pop aos montes (é uma verborragia tão grande que o pause se faz necessário aqui e ali) e diálogos que não precisam ser tristemente forçados como em The Big Bang Theory para ganharem a alcunha de nerd E serem realmente engraçados.
Na verdade parece que nos últimos tempos ser nerd é ser cool, né? Daà séries como Chuck e a já citada Big Bang e abusam de referências babaquinhas para criar uma empatia. É como se bastasse dar uma lida em Watchmen e assistir uns filmes do Kevin Smith pra adentrar nesse mundo mágico. Cacete, não existe nerd cool. Existe o geek, aquele endinheirado que compra gadgets e edições encardenadas de Civil War e senta no shopping com enquanto twitta que Dark Knight deveria ter usado melhor a trama de O Longo Dias Da Bruxas (que ele não leu, mas viu no Omelete que tem a ver). Dá no saco, de repente todo mundo conhece Frank Miller e despreza. Mas divago.
O importante é que The Middleman não se preocupa em aparentar alguma coisa lá muito séria. Digamos que é apenas legal ver a protagonista Wendy Watson pilotar caça até o México pra salvar o seu chefe (o Middleman, uma espécie de super-herói) e o seu mentor Ping que foi preso por luchadores mexicanos dentro de uma gaiola criada pela refração da luz num diamante perfeito. Os roteiristas vão amontoando coisas legais na trama sem apelar pra dramas desnecessários entre os personagens e plot twists no estilo lost. E no final funciona como deveria, é sci-fi, comédia e NERD sem encheção de saco.
Aproveita que pouca gente tá assistindo e começa a baixar os episódios. Daqui a alguns anos o DVD vai ser CULT tipo “a melhor série que você não assistiu” ou algo assim. Eu já comecei a ler até o gibi, que também é bem legal. Não sei se existem legendas em português e os releases tem poucos seeds, mas vai na fé que tu consegue.
4 ComentáriosVôo 627 [ou] Fringe
16.06.2008 | Séries

Essa Fringe é a nova série do atual guru do hype pop JJ Abrams. O termo “fringe” quer dizer algo que está bastante além do normal. Seria um modo mais elegante de chamar aquilo que conhecemos na cultura pop como “sobrenatural” dentro do campo da ciência, são as experiências não ortodoxas e acontecimentos sem explicação racional. Pode colocar toda aquelas coisas legais como viagem no tempo, teletransporte, e yada yada yada dentro desse fringe. Lembrou X-files? Pois é.
Prevista para a próxima temporada de séries o episódio duplo do piloto vazou ontem (com uma qualidade assustadoramente excelente, que me faz duvidar um pouco desse “vazamento”) e acabei de assistir. Pensei que de alguma forma me impressionaria - não daquele jeito que foi com Lost “caramba, tenho que assistir essa série até final!” - mas pelo menos alguma empolgação.
Porém não teve nada de especial, a série parte de um acontecimento bizarro dentro de um avião (dessa vez é o vôo 627) onde as pessoas simplesmente, er, derretem. Agentes do FBI começam a investigação e um deles acaba por sofrer uma acidente e somente um certo Dr pode ajudá-lo. Esse Dr chama-se Walter Bishop e é uma espécia de Einsten com mentalidade de Dr. Fraknstein.
Ainda não há aquele diferencial que vai gerar burburinho como flashbacks, flashfowards, câmera na mão, monstro gigante ou algo assim. Narrativa simples, personagens um tanto padrões e um ar de X-Files e Lost, claro: passado enigmático, grande coorporação com algo a esconder e experimentos bizarros (o tal Fringe do tÃtulo).
Piloto fraco que não me deixo com muitas esperanças. Mas como no mundo de Abrams as coisas tendem a ficar loucas de vez em quando, vamos ver o que os próximos episódios trazem. Produtores comentaram que a série vai seguir uma linha meio Twilight Zone e que possÃveis crossovers com Lost, Heroes e porque não, Cloverfield podem ocorrer. O universo de Abrams parece que vai se conectar de vez.
ComenteSlice of Cappicola
07.06.2008 | Séries
Sensacional como é, sempre vale reassistir algum episódio de Sopranos. No terceiro episódio da terceira temporada Tony consegue descobrir uma ligação entre seus ataques de pânico e sua infância. O diálogo sobre isso é uma amostra do tipo de roteiro que essa série tinha e porque ela fica lá em cima no meu top 5.
1 ComentárioMelfi:Â That’s why you short-circuited. Puberty. Witnessing not only your mother and father’s sexuality, but also the violence and blood so closely connected to the food you were about to eat. And also, the thought that someday you might be called up on to bring home the bacon… Â like your father.
Tony: All this from a slice of cappicola?
- Kind of like Proust’s madeleines.
- What?
- Marcel proust wrote a seven- volume classic, “Remembrance of Things Past”. He took a bite of a madeleine. It’s a kind of a tea cookie he used to have when he was a child. And that one bite unleashed a tide of memories of his childhood and ultimately of his entire life.
- This sounds very gay. I hope you’re not saying that.
- No! Understanding root causes will make you less vulnerable to future episodes.
- My fucking head is swimming here.
Vou fazer que nem aquela vez de The Wire. Acabei de assistir o piloto de In Treatment, já que hoje foi daquelas manhãs que a gente acorda cedo demais sem querer e fiquei bastante curioso e empolgado. Deixei passar em branco essa série que foi uma espécie de experimento da HBO entre janeiro e março deste ano com 43 episódios, cinco por semana - cada um com um paciente do terapeuta interpretado por Gabriel Byrne. Grande erro. Episódio piloto muito bom.
Pode contar com mais posts sobre a série.
ComenteVale registrar a volta da minha empolgação com Lost nesta quarta temporada. Se as duas anteriores conseguiram estragar um começo promissor com fillers intermináveis e pequenos mistérios que não eram importantes de verdade, tanto que ninguém lembra deles, esta temporada conseguiu reativar aquela tensão semanal de anos atrás. E essa tensão e empolgação surge com um tanto de alÃvio, entre tantas outras coisas a série foi aquela que iniciou-me no num novo ciclo de nerdices há quase quatro anos e apesar de temporadas sem graça e episódios ruins continuo gostando bastante da série e seus personagens.

O que eu precisava mesmo daquele episódio do Desmond pra fritar minha cabeça e provocar a leitura de blogs além-mar desenfreadamente. Nem o flashfoward do final da terceira temporada tinha sido tão interessante.
A introdução da viagem no tempo foi providencial, manteve os telespctadores casuais e reanimou os antigos que assim como eu só assistiam por inércia. Dentre tantas referências encontradas previamente na série arrisco dizer que a viagem no tempo é a mais empolgante de todas, dane-se o lostzilla. Como sempre para amparar o roteiro as referências vão de The Lorenz Invariant e o conceito de tempo e espaço imaginário passando por Minkowski, uma configuração matemática sobre combinações de dimensões que me foge completamente mas é teoricamente incrÃvel.
É claro que fico apenas na parte dos conceitos que li na wikipedia e o que encontrei na minha empoeirada coleção de Scientiffic Americans, no entanto são conceitos de alma nerd que empolgam este ecriba - assim como qualquer outro escriba nerd que você conheça. Nada como um pouco de pesquisa e leitura para poder entender aquela anotação no caderno do Faraday, de longe o personagem novo mais interessante que surgiu, ficando junto com o escocês brotha Desmond como os personagens mais legais da série. Que venham paradoxos temporais, dessa vez vale a pena acompanhar.
3 ComentáriosContos do Fazedor de Tortas [ou] Pushing Daisies
15.01.2008 | Séries

Faz meses que me recomendam Pushing Daisies e só esses dias que parei pra assistir sem nem saber direito o que era a série em si, apenas palavras como morte, Tim Burton e comédia circulavam na minha cabeça por conta das indicações. Uma grata surpresa tive ao assistir o piloto e ver que apesar de ser uma série estranha no cenário atual, diferente de qualquer outra coisa passando na televisão no momento é exatamente o tipo de show que só encontraria espaço numa época onde a TV é uma indústria tão importante quanto a do cinema. Dessas coisas que só acontecem nos anos zero-zero.
Ned tem o dom de dar a vida a seres mortos com o simples toque. Descobre isso ainda criança junto com as limitações que seu dom possui: uma pessoa “ressuscitada” por mais de 60 segundos causa a morte de outra pessoa e se for tocada novamente morre de vez. Desde a narração inicial o tom da série é uma mistura de fantasia disfarçada de realidade, algo como, vejamos, o anacronismo de celulares e computadores nos filmes exploitation de Tarantino-Rodriguez. Você deve ter entendido. E essa fantasia é amaparada por um belo visual que - não tem jeito de não dizer - remete diretamente a obras de Tim Burton como Peixe Grande (pelas histórias do jovem Ned) e Noiva Cadáver (hã, por tratar a morte como comédia).
O mérito da série não reside apenas na sua premissa fantasiosa ou no visual, o roteiro viaja livremente entre a fábula de humor negro narrada com classe e os diálogos sarcásticos de alguns personagens, destaque para o excelente Lee Pace como o protagonista Ned, com bom timing e elegância garante boas cenas, além do que é um dos protagonistas mais bem vestidos da temporada.
A série é criação de Bryan Fuller, o mesmo de Dead Like Me, que também tratava da morte com fantasia e humor sarcásticoe eteve duas temporadas. Após assistir alguns episódios tenho a mesma sensação que tive ao assistir Dead Like Me: a série não é feita para durar, é coisa de algumas temporadas e pronto. E é reconfortante isso, Fuller sabe até que ponto levar suas histórias de morte. Tem séries que não precisam de nove temporadas para fazer história.
Comente
Consegui os DVDs da quarta temporada de The Wire após ter desistido de baixar os episódios em praticamente qualquer tracker que encontrei. Estranho o que acontece com a série, é uma das melhores atuais (senão a melhor) da HBO, recomendada por todos que já assistiram e com crÃticas elogiosas em todo lugar porém mesmo assim as campanhas publicitárias do canal são fracas e a audiência lá fora é inexpressiva - só agora para a quinta e final temporada que estréia agora em janeiro que o canal começou uma campanha maior almejando o Emmy ou reconhecimento maior. Muito pouco para o que The Wire é e pela marca que vai deixar no filão de séries policiais.
O maior problema da série é que ela não faz amigos. Não tem fim de temporada com cenas de alÃvio e de olha-como-tudo-deu-certo-no-final, os roteiristas tomam a contramão do esquemão e entregam uma temporada que deixa um gosto estranho no final porque as coisas mostradas ali são reais não importa o lugar, pode ser em Baltimore ou aqui no Rio de Janeiro - mudam os jogadores mas o jogo é o mesmo. É como assistir filmes de Peckinpah ou até mesmo de Spike Lee, não tem perdão ou saÃda fácil na maior parte das vezes para os personagens que vivem no jogo, seja o traficante de alto nÃvel que se acha um CEO de alguma empresa ou o Chefe de PolÃcia que resolveu legalizar as drogas no seu distrito.
Já falei algumas vezes sobre a série aqui, logo que assisti o primeiro episódio previ que aquela era uma série diferente e que merecia atenção, na segunda temporada declarei minha fanboyzice e agora nesta quarta continuo com ela lá no topo da minha lista e esperando a última temporada de um dos melhores shows que já assisti.
Comente

If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
