bunker

Nos últimos dias tivemos end season de Lost, CSI e Heroes. Outras séries acompanhadas por este guardião do bunker como Prison Break e Battlestar Galactica já tiveram seus fins de temporada um pouco antes. O calendário começa a ficar escasso, daqui pra setembro (ou no caso de Lost, fevereiro) são bons meses que tenho pra balancear o espaço livre com mais filmes e leituras - pode apostar que mais hqs vão pipocar aqui. A espera deve ser recompensando com a aguardada segunda temporada de Dexter, a série mais sensacional da atualidade.

O Flashfoward de Lost

Quando a discussão sobre baixar séries versus Tv a cabo começou a tomar lugar em fóruns e newsgroups pouco entrei de fato no falatório - não assistia nenhum dos meios naquele tempo. Dois anos de baixação direta de episódios, shows, programas de Tv e filmes não sinto falta nenhuma da Tv a cabo e da convencional, a não ser claro quando é pra assitir reprises ou filmes um pouco difícies de encontrar. Não há melhor Tv do que a internet, e isso só pode ser afirmado de alguns meses pra cá com o absurso advento do Bittorrent e da crescente qualidade dos legenders amadores. Some a isso a facilidade de montar um bom sistema de vídeo via pc-tv ou com um player divx.

Quem tem uma agenda conturbada ou simplesmente gosta de fazer o próprio horário nem titubeia em escolher os downloads à grade da tv a cabo. Não é um questão de poder assistir primeiro as coisas, é de poder assistir à vontade quando quiser já que a qualidade dos dois é quase igual - isso sem mencionar que muitas séries pessimamente distribuídas aqui são facilmente encontradas para download. Os aparelhos de dvr ainda não são tão comuns no brasil quanto lá fora e a cada mês que os preços continuam altos a Tv a cabo perde mais telespectadores para os downloads. E arrisco dizer que aqueles que começam a baixar dificilmente voltam.

P.S.: Sobre os finais das séries citadas, recomendo este post do Luwig.

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Bullshit!

17.05.2007 | Séries

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O que mais gosto no programa Penn & Teller: Bullshit! é que os dois pegam temas que sempre achei bullshit e com classe e a malandragem de mágicos de Las Vegas primeiramente dão espaço a quem o defende e daí começam a desmontar com ceticismo e a fúria de quem só quer dizer que aquilo é uma besteira sem tamanho mas antes precisa argumentar até o fatídico momento em que nada resta para argumentar: resta apenas dizer um alto e claro “This Is Bullshit”.

E já se passaram quase cinco temporadas tratando sobre quase tudo que se possa imaginar (aliens, PETA, fengh Shui, bíblia, medicina alternativa, creacionismo, guerra contra as drogas, prostituição e etc) com poucos deslizes - é comum o teor liberal panfletário demais atrapalhar o que poderiam ser argumentos irretocáveis, some a isso também certa falta embasamento científico mais apurado em certos momentos - e fenomenais passagem como a do célebre programa sobre a Histeria Ambiental onde eles conseguem que um abaixo assinado contra o Hidróxido de Oxigênio (um nome fancy para água) ganhe várias assinaturas num protesto de ambientalistas radicais. Simplesmente genial.

A questão que sempre fica é: depois de tantas temporadas, como sempre tem algum idiota que assina os releases e aceita defender seu ponto de vista idiota diante das câmeras de um programa chamado Bullshit que tem fama de sacanear homericamente esse tipo de gente? Penn mesmo responde em certa altura da quarta temporada: eles acham cegamente que estão certos. E para a satisfação de Penn, Teller e minha o mundo é cheio de gente assim.

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Larry

Estava com vontade de dar uma olhada nessa série há tempos e como liberei um tempo peguei a primeira temporada. Larry David, o protagonista, para quem não conhece é o comediante co-criador de Seinfeld. A gênese de Curb Your Enthusiasm série vem do mockumentary de quase mesmo título Larry David: Curb Your Enthusiasm que mostra o dia a dia do socialmente inapto Larry e suas desventuras em LA.

Incapaz de se encaixar em algum estreótipo ou comportamento comum (não que isso seja algo ruim), Larry acaba sempre por cometer equívocos e não raro fazendo as coisas piorarem mais ainda. É um show sobre aquelas situações bizarras e chatas que acontecem o tempo todo com pessoas normais mas que em Larry acontecem em níveis extraordinários. Guardadas as devidas proporções (Larry é milionário e recluso por opção, ah se eu pudesse) é claro. É o “sobre nada” elevado ao máximo.

O humor aqui vem das situações inusitadas e constrangedoras (como em The Office) que a cada episódio retratam Larry e sua esposa (a excelente Cheryl Hines) como um casal atípico no meio de LA tentando lidar socialmente com todo tipo de coisa que por natureza são chatas: funerais, festas, vizinhos, jantares e reuniões. Em alguns momentos só mesmo Larry David faz rir com suas observações estupefatas diante de certos comportamentos e situações. A série vai de ordinária a genial em apenas algumas linhas de diálogo.

Atualmente na quinta temporada com previsão de uma sexta ainda este ano, Curb é daquelas séries que demorei pra assistir mas gostei de cada episódio e os dvds vão morar num lugar na estante perto da própria Seinfeld e daqueles filmes velhos do Woody Allen.

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Já decidi. No meu top 5 de séries The Wire acaba de ocupar o segundo lugar logo depois de Sopranos. A escalação segue com West Wing, House e Seinfeld. E se tratando de um top 5 tão pessoal e cheio de picuinhas entre seus integrantes uma série vir assim do nada sem antes nem figurar no top 10 é coisa excepcional. Sim, estou soando que nem aqueles freaks.

A segunda temporada de The Wire é espetacular, pega os moldes da primeira e vira para um dos grandes problemas da cidade: as docas, uma das principais formas de entrada de sujeira. Tirando um pouco o foco das ruas e das drogas hand-to-hand a coisa fica em cima dos grandões responsáveis pela entrada no país de literalmente toneladas de drogas, mulheres, carros e todo tipo de contrabando.

Mais uma vez os personagens são um caso à parte: McNulty (protagonista) entra numa fase de auto-destruição e quase perde o emprego de vez (”what the fuck did i do?”), Lester Freamon continua o seu legado de Natural Police, Herc e Carver vão pra rua fazer o que sabem melhor: rip and run. Continuando o império do tráfico em West Baltimore Stringer Bell é o traficante da nova era, que aplica conceitos de mercado no dia a dia de sua organização. Personagens novos como The Greek não ficam atrás com o seu jeito old school de fazer as coisas.

E as relações de cadeia de comando - tanto nas esferas públicas quanto nas do crime - continuam sujas e cada vez mais intrincadas. É tudo tão minucioso e cru que fica suspeito eu tentar resumir aqui sem cair em uma cacetada de clichês.

Pode soar meio estranho pra você, mas esse universo é tão fascinante e pesado que fica difícil não sair comentando. Ótimos atores em grandes personagens, num roteiro clássico por natureza. Sabe aquel história de que a tv é o novo cinema? Não poderia ter um exemplar melhor do que esta série.

Frustrante é saber que essa de quase cinco temporadas nem ao menos uma chegou perto do Brasil. Nem um dvd, nada na HBO, nada de grupos legendando, nada. Um disperdício de material desse nível.

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No episódio dessa semana de House temos aquele que pode ser o mais triste momento do personagem atual preferido deste que vos escreve. Sofrendo da eterna descrença no ser humano, Dr. House sempre arruma um modo de fazer sua equipe/amigos se revelarem nada menos do que pessoas mesquinhas perante situações limite, provando suas teorias acerca do comportamento humano.

Mr House

A parte triste é que dessa vez ele errou profundamente. E por mais difícil que seja para ele admitir, foi uma coisa irreversível. E nesse ponto os roteiristas são muito bons, poucas vezes desfazem ocorridos. Sempre fazem questão de deixar marcas nos personagens, coisa pouco comum na tv. Fica cada vez não gostar desse personagem que segue numa busca pessoal impossível de não acompanhar.

Há outro momento interessante também. House é um músico amador e neste episódio revela que toca piano desde a escola e tem uma composição inacabada, por não saber como continuá-la. O paciente é um garoto prodígio do piano e após escutar o dedilhado de House prontamente evolui a melodia, fazendo a composição completa soar quase perfeita. House apenas cala e sorri. Pode não significar muito pra quem está de fora, mas é daqueles momentos que você vê reunidas todas as razões de assistir uma série como essa.

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Venho tentando escrever sobre a primeira temporada de The Wire há uns bons dias. É a melhor série policial desde Sopranos. Só isso é motivo suficiente pra você correr e assistir. Na verdade eu arrisco até dizer que é melhor que Sopranos. Não tem personagem ruim, não tem episódio tapa-buraco, roteiro falho ou piscadela de olhos. É tudo tão denso, bem escrito e ao mesmo tempo engraçado que cada episódio funciona como um filme.

Treze ótimos filmes sobre o cotidiano de homens e mulheres que escolheram por vontade ou não ser policiais, sobre as instituições, o crime organizado, a burocracia, a rebeldia, os horizontes de quem só conhece o lado “errado” da lei, a formação da personalidade de quem se vê na obrigação de defender a sociedade, tudo isso. Nem vou tentar apelar pra aquele papo de verdade crua, corro o rico abissal de começar a falar besteira, se já não falei o suficiente. Comecei a escrever esse texto umas dezenas de vezes, e as linhas acima são que acho o melhor modo de escrever sobre a série.

waits or not

Outra coisa que me impediu de escrever foi que a cada momento que sentava e começava a digitar dava vontade de escutar Tom Waits, dono da canção que toca na abertura da série: Way Down In The Hole, do disco Frank’s Wild Years, um dos quatro que tenho do velho Tom aqui, e um dois dois que nem tinha escutado desde que baixei, há uns bons anos. Estou escutando tanto que viciei, de vez em quando começo a escutar o disco e quando vejo já estou na segunda audição, e ansiando por uma terceira. Ainda não tinha acontecido isso comigo, não com o estranho Waits.

Rusted brandy in a diamond glass
everything is made from dreams
time is made from honey slow and sweet
only the fools know what it means
temptation, temptation, temptation

Cada arranjo estranho, levada confusa, letra incompressível é motivo rodar o disco outra vez. Não quero que nenhum detalhe passe batido. Quero decorar cada refrão, entonação um pouco engraçada, assoviar por aí e alguém me perguntar “ei, que música legal, o que é?” e eu só dar um sorriso. Quero ter esse disco pra poder andar sonolento pela manhã até chegar na faculdade escutando as lamúrias e invenções da voz bizarra desse cara.

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Entourage

13.02.2007 | Séries

Assisti as a primeira e segunda temporada de Entourage, série da HBO produzida por Mark (Marky) Wahlberg, sobre a vida de um astro em ascenção em Hollywood com direito a todos os mimos do showbizz e participação de vários convidados especiais como James Cameron e Scarlett Johansson. Para uma lista completa, dá uma olhada aqui.

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Pensei que seria mais uma daquelas séries bobas que resolvem narrar o cotidiando dos astros e como eles também são gente yada yada yada - um The O.C em hollywood. E na verdade a série é assim, mas não se leva a sério o suficiente para tentar ir além disso, ponto pros roteiristas. Os episódios voam (30 minutos só, em comparação com os usuais 50 da HBO) e a primeira temporada - que está sendo lançada por aqui esse mês - não deixa outra escolha a não ser continuar assistindo, os personagens são carismáticos e caricatos, gritam demais, discutem demais, e acabam divertindo por conta disso. Acabei viciando, é engraçado demais pra não assistir.

Pros fominhas de estrelas é prato cheio pra sacar um monte de histórias dos astros (cortesia do Whalberg), como funciona o star system nos dias atuais e como a velha relação entre empresário-astro ainda é tumultuada. E por falar em empresário, o melhor personagem disparado da série é Ari Gold, empresário do astro protagonista Vinny Chase (o canastrão Adrian Grenier) interpretado por Jeremy Piven. Caricato, hiperativo e hilariante é o ponto alto de cada episódio quando resolve insultar todo mundo ou liderar reuniões estratégicas. Pense num Kramer em hollywood. Quase isso. Ou melhor, péssimo exemplo. É mais original que isso.

Pensei que seria uma série pra assitir e sair detonando depois, mas já devia ter aprendido que quando se trata de HBO até Wahlberg consegue fazer alguma coisa que preste. A terceira temporada já está na metade e volta em abril. Vou esperar com a pipoca.

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The Wire

13.02.2007 | Séries

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- I got to ask you. If every time Snotboogie would grab the money and run away, why’d you even let him in the game?
- What?
- If Snotboogie always stole the money, why’d you let him play?
- You got to, this is America, man.

Acabei de assistir o piloto. Eu acho que vou gostar muito dessa série. Muito.

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Terminei de assistir os 24 episódios da segunda temporada da série que nas últimas semanas ocupou bastante meu tempo, tanto assistindo os capítulos em mini-maratonas, lendo reviews, elucidadando pequenas citações ou quebrando a cabeça construindo diálogos e linhas de pensamento que sejam tão estilosos e sarscásticos como os do Dr House. Acabei me viciando de forma saudável como só tinha acontecido anteriormente em West Wing.

Se na primeira temporada a construção do personagem foi o suficiente para garantir o material dos episódios nessa segunda a sua desconstrução moral, física e intelectual foi o que moveu os melhores momentos da série. Seja confrontando relações do passado e mostrando um House romântico ou estabelendo mudanças de caráter para o futuro, o Dr House é o personagem mais complexo, divertido, sacana e humano desde que Tony Soprano apareceu nas telas, acredito já ter dito isso aqui.

Teve House se drogando ao extremo, com dores crônicas, experimentando carpe diem, destruindo amizades, renascendo e finalmente no episódio final teve Greg House contra si mesmo, num episódio de formidável meta-linguagem Hugh Laurie mostrou nuances antes não vistas na série e entregou o melhor episódio até o momento, com direito a alucinações trincadas e interessantes. Foi de dar um nó na cabeça, para satisfação de todos. Enveredando por uma psicanálise rasteiras, os roteiristas conseguiram juntar as narrativas de cada episódio com conflitos de personagens sem perder o fio da meada.

Nesta temporada também teve mais momentos “caseiros” , mostrando o que House gosta de tocar, escutar e como se comporta em casa - as semelhanças com Sherlock Holmes resaltadas pelo Nemo foram mais além, nos episódios em que House divide a casa com o Wilson temos vários momentos semelhantes às conversas de Holmes e Watson, guardando os devidos termos.

Comecei a terceira temporada, mantendo o ritmo e prestes a entrar em sincronia com o calendário atual da série, para minha tristeza.

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Estava assistindo a primeira temporada da excelente (porém já cancelada) Huff e num episódio daqueles chaves começa a tocar “Delicate”, daquele que um dia eu subjuguei e continuo fazendo-o, Damien Rice. A questão é que a canção já tocou pelo menos umas quatro vezes em séries e filmes que assisti e sempre penso que é do Ryan Adams, outro grande figurante de canções em todo lugar.

Então toda vez que a canção toca na tela, eu boto o primeiro disco do Rice pra tocar, pois já comecei várias vezes a escutar e nunca termino. O segundo tá aqui, mas ainda não cheguei nele. E as canções descem bem, parece que vou aproveitar a experiência e pimba! O cara começa a imitar o Adams e eu boto o 48 Hours pra tocar. Fica assim, por mais que o garoto Damien tente ele não consegue passar de canções que boto pra tocar até sentir vontade de escutar Ryan Adams.

E sobre Huff, me surpreendeu bastante. Mesmo já existindo Nip Tuck para preencher o mundo dos mega-profissionais-em-crise a série possui ótimas atuações da dupla Hank Azaria e Oliver Platt (um dos maiores coadjuvantes que conheço) e um tom cínico delicioso, os pequenos momentos de alucinação do protagonista Dr. Huff são muito bacanas. Não é uma West Wing, mas garante bons momentos.

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