bunker

fringe

Essa Fringe é a nova série do atual guru do hype pop JJ Abrams. O termo “fringe” quer dizer algo que está bastante além do normal. Seria um modo mais elegante de chamar aquilo que conhecemos na cultura pop como “sobrenatural” dentro do campo da ciência, são as experiências não ortodoxas e acontecimentos sem explicação racional. Pode colocar toda aquelas coisas legais como viagem no tempo, teletransporte, e yada yada yada dentro desse fringe. Lembrou X-files? Pois é.

Prevista para a próxima temporada de séries o episódio duplo do piloto vazou ontem (com uma qualidade assustadoramente excelente, que me faz duvidar um pouco desse “vazamento”) e acabei de assistir. Pensei que de alguma forma me impressionaria - não daquele jeito que foi com Lost “caramba, tenho que assistir essa série até final!” - mas pelo menos alguma empolgação.

Porém não teve nada de especial, a série parte de um acontecimento bizarro dentro de um avião (dessa vez é o vôo 627) onde as pessoas simplesmente, er, derretem. Agentes do FBI começam a investigação e um deles acaba por sofrer uma acidente e somente um certo Dr pode ajudá-lo. Esse Dr chama-se Walter Bishop e é uma espécia de Einsten com mentalidade de Dr. Fraknstein.

Ainda não há aquele diferencial que vai gerar burburinho como flashbacks, flashfowards, câmera na mão, monstro gigante ou algo assim. Narrativa simples, personagens um tanto padrões e um ar de X-Files e Lost, claro: passado enigmático, grande coorporação com algo a esconder e experimentos bizarros (o tal Fringe do título).

Piloto fraco que não me deixo com muitas esperanças. Mas como no mundo de Abrams as coisas tendem a ficar loucas de vez em quando, vamos ver o que os próximos episódios trazem. Produtores comentaram que a série vai seguir uma linha meio Twilight Zone e que possíveis crossovers com Lost, Heroes e porque não, Cloverfield podem ocorrer. O universo de Abrams parece que vai se conectar de vez.

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Sensacional como é, sempre vale reassistir algum episódio de Sopranos. No terceiro episódio da terceira temporada Tony consegue descobrir uma ligação entre seus ataques de pânico e sua infância. O diálogo sobre isso é uma amostra do tipo de roteiro que essa série tinha e porque ela fica lá em cima no meu top 5.

Melfi: That’s why you short-circuited. Puberty. Witnessing not only your mother and father’s sexuality, but also the violence and blood so closely connected to the food you were about to eat. And also, the thought that someday you might be called up on to bring home the bacon…  like your father.

Tony: All this from a slice of cappicola?

- Kind of like Proust’s madeleines.

- What?

- Marcel proust wrote a seven- volume classic, “Remembrance of Things Past”. He took a bite of a madeleine. It’s a kind of a tea cookie he used to have when he was a child. And that one bite unleashed a tide of memories of his childhood and ultimately of his entire life.

- This sounds very gay. I hope you’re not saying that.

- No! Understanding root causes will make you less vulnerable to future episodes.

- My fucking head is swimming here.

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Prevendo

28.04.2008 | Séries

Vou fazer que nem aquela vez de The Wire. Acabei de assistir o piloto de In Treatment, já que hoje foi daquelas manhãs que a gente acorda cedo demais sem querer e fiquei bastante curioso e empolgado. Deixei passar em branco essa série que foi uma espécie de experimento da HBO entre janeiro e março deste ano com 43 episódios, cinco por semana - cada um com um paciente do terapeuta interpretado por Gabriel Byrne. Grande erro. Episódio piloto muito bom.

Pode contar com mais posts sobre a série.

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Vale registrar a volta da minha empolgação com Lost nesta quarta temporada. Se as duas anteriores conseguiram estragar  um começo promissor com fillers intermináveis e pequenos mistérios que não eram importantes de verdade, tanto que ninguém lembra deles, esta temporada conseguiu reativar aquela tensão semanal de anos atrás. E essa tensão e empolgação surge com um tanto de alívio, entre tantas outras coisas a série foi aquela que iniciou-me no num novo ciclo de nerdices há quase quatro anos e apesar de temporadas sem graça e episódios ruins continuo gostando bastante da série e seus personagens.

A constante de faraday

O que eu precisava mesmo daquele episódio do Desmond pra fritar minha cabeça e provocar a leitura de blogs além-mar desenfreadamente. Nem o flashfoward do final da terceira temporada tinha sido tão interessante.

A introdução da viagem no tempo foi providencial, manteve os telespctadores casuais e reanimou os antigos que assim como eu só assistiam por inércia. Dentre tantas referências encontradas previamente na série arrisco dizer que a viagem no tempo é a mais empolgante de todas, dane-se o lostzilla. Como sempre para amparar o roteiro as referências vão de The Lorenz Invariant e o conceito de tempo e espaço imaginário passando por Minkowski,  uma configuração matemática sobre combinações de dimensões que me foge completamente mas é teoricamente incrível.

É claro que fico apenas na parte dos conceitos que li na wikipedia e o que encontrei na minha empoeirada coleção de Scientiffic Americans, no entanto são conceitos de alma nerd que empolgam este ecriba - assim como qualquer outro escriba nerd que você conheça. Nada como um pouco de pesquisa e leitura para poder entender aquela anotação no caderno do Faraday, de longe o personagem novo mais interessante que surgiu, ficando junto com o escocês brotha Desmond como os personagens mais legais da série. Que venham paradoxos temporais, dessa vez vale a pena acompanhar.

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Lee Pace

Faz meses que me recomendam Pushing Daisies e só esses dias que parei pra assistir sem nem saber direito o que era a série em si, apenas palavras como morte, Tim Burton e comédia circulavam na minha cabeça por conta das indicações. Uma grata surpresa tive ao assistir o piloto e ver que apesar de ser uma série estranha no cenário atual, diferente de qualquer outra coisa passando na televisão no momento é exatamente o tipo de show que só encontraria espaço numa época onde a TV é uma indústria tão importante quanto a do cinema. Dessas coisas que só acontecem nos anos zero-zero.

Ned tem o dom de dar a vida a seres mortos com o simples toque. Descobre isso ainda criança junto com as limitações que seu dom possui: uma pessoa “ressuscitada” por mais de 60 segundos causa a morte de outra pessoa e se for tocada novamente morre de vez. Desde a narração inicial o tom da série é uma mistura de fantasia disfarçada de realidade, algo como, vejamos, o anacronismo de celulares e computadores nos filmes exploitation de Tarantino-Rodriguez. Você deve ter entendido. E essa fantasia é amaparada por um belo visual que - não tem jeito de não dizer - remete diretamente a obras de Tim Burton como Peixe Grande (pelas histórias do jovem Ned) e Noiva Cadáver (hã, por tratar a morte como comédia).

O mérito da série não reside apenas na sua premissa fantasiosa ou no visual, o roteiro viaja livremente entre a fábula de humor negro narrada com classe e os diálogos sarcásticos de alguns personagens, destaque para o excelente Lee Pace como o protagonista Ned, com bom timing e elegância garante boas cenas, além do que é um dos protagonistas mais bem vestidos da temporada.

A série é criação de Bryan Fuller, o mesmo de Dead Like Me, que também tratava da morte com fantasia e humor sarcásticoe eteve duas temporadas. Após assistir alguns episódios tenho a mesma sensação que tive ao assistir Dead Like Me: a série não é feita para durar, é coisa de algumas temporadas e pronto. E é reconfortante isso, Fuller sabe até que ponto levar suas histórias de morte. Tem séries que não precisam de nove temporadas para fazer história.

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Bodie

Consegui os DVDs da quarta temporada de The Wire após ter desistido de baixar os episódios em praticamente qualquer tracker que encontrei. Estranho o que acontece com a série, é uma das melhores atuais (senão a melhor) da HBO,  recomendada por todos que já assistiram e com críticas elogiosas em todo lugar porém mesmo assim as campanhas publicitárias do canal são fracas e a audiência lá fora é inexpressiva - só agora para a quinta e final temporada que estréia agora em janeiro que o canal começou uma campanha maior almejando o Emmy ou reconhecimento maior.  Muito pouco para o que The Wire é e pela marca que vai deixar no filão de séries policiais.

O maior problema da série é que ela não faz amigos. Não tem fim de temporada com cenas de alívio e de olha-como-tudo-deu-certo-no-final, os roteiristas tomam a contramão do esquemão e entregam uma temporada que deixa um gosto estranho no final porque as coisas mostradas ali são reais não importa o lugar, pode ser em Baltimore ou aqui no Rio de Janeiro - mudam os jogadores mas o jogo é o mesmo. É como assistir filmes de Peckinpah ou até mesmo de Spike Lee, não tem perdão ou saída fácil na maior parte das vezes para os personagens que vivem no jogo, seja o traficante de alto nível que se acha um CEO de alguma empresa ou o Chefe de Polícia que resolveu legalizar as drogas no seu distrito.

Já falei algumas vezes sobre a série aqui, logo que assisti o primeiro episódio previ que aquela era uma série diferente e que merecia atenção, na segunda temporada declarei minha fanboyzice e agora nesta quarta continuo com ela lá no topo da minha lista e esperando a última temporada de um dos melhores shows que já assisti.

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Jermaine Clement e Bret McKenzie

Terminei de assistir há uns dias (ou talvez semanas já, tenho que manter um registro dessas coisas de forma melhor) a primeira temporada de Flight of the Conchords, série sobre um duo neo-zelandês de comediantes indie-pop-folk-rapper-acoustic-soul-tun-dun com falsetes e pouco mojo tentando levar a vida em New York, são doze episódios na primeira temporada pela HBO que fizeram certo sucesso na gringa  e garantiram contrato pra mais duas.

Comecei com o pé atrás até mesmo porque não conhecia nada da dupla, que já teve EP gravado e programa na BBC, mas logo no primeiro episódio Jermaine Clement e Bret McKenzie mostram-se bons atores apesar de timing esquisito pra comédia (mas que funciona) e as canções soam como se o Tenacious D trocasse o hair metal pelo shoegazer, não, pelo soul-folk, esquece, é um pouco complicado definir as canções quando vão de Bowie à Marvin Gaye passando por reggaeton (!) e rap west side gangsta. Apesar de paródias declaradas as músicas não costumam cair nos clichês do gênero e funcionam muito bem fora do contexto da série - Foux da Fa Fa é hit em algum lugar nesse momento.

Os episódios curtos não prendem-se a uma continuidade exagerada enquanto acompanham o cotidiano da dupla, que na série não é de comédia e sim mais uma banda folk tentando ganhar mais do que um fã e fazer gigs em cada vez lugares maiores enquanto explicam pras pessoas o que tem na Nova Zelândia além de Senhor dos Anéis. Engraçada, sem muitas pretensões a série acabou definindo o que vem a ser o humor neo-zelândes, que não tem nada a ver com o australiano. Seja lá como ele seja. Virei fã da dupla e já escutei os discos e arranhei as canções no violão, altamente recomendável. E que venha a segunda temporada.

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Bang

08.11.2007 | 42, Séries

Bang!

Sou fã antigo de Cowboy Bebop, daqueles de lembrar de um episódio e correr pra assistir outra vez, de decorar as falas (da forma que me compete não sabendo japonês) e recitar sem pestanejar. Hoje lembrei do episódio 6 chamado Sympathy For The Devil, um dos mais tristes da série - e olha que Bebop flerta com a melancolia quase todo tempo entre seus diálogos leves e cool e as cenas dirigidas como um jazz furioso.

A tristeza desse episódio entretanto é um tanto singular: um garoto prodígio da gaita (que na verdade já é um senhor, mas por conta de uma doença nunca envelheceu) toca algumas vezes um blues arrastado, sofrido e bonito de um jeito tão característico que fico pensando que é talvez o episódio mais bonito de um desenho animado que já assisti. É um daqueles episódios que quando surge o letreiro final escrito see you space cowboy você fica na dúvida se sorri ou entristece de vez. E assim nas madrugadas vou re-assistindo a série e planejando um dia tocar gaita daquele jeito.

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Mad Men

30.10.2007 | Séries

Mad Men

Comecei a assistir Mad Men, nova série assinada por Matthew Weiner, antigo produtor e roteirista de Sopranos que terminou sua primeira temporada recentemente. Pra mim, a mera associação com Sopranos já foi motivo suficiente para procurar a série. Dessa vez não há máfia de New Jersey como pano de fundo e sim uma agência de publicidade em New York na década de 60, uma época em que o mercado ainda não era cheio de hype e a profissão era mal compreendida fora dos grandes centros. O nome Mad Men vem da forma como os publicitários de NY era chamados naquela época.

Nos primeiros episódios a caracterização típica de época chega a transparecer clichês demais: todos os personagens fumam muito, homens casados tem que ter amantes e todas as esposas são donas de casas empalhadas. Dá uma sensação de imitação barata de filmes de época sem muita profundidade ou originalidade. Mas é preciso esperar um pouco que os personagens cresçam e as tramas se desenvolvam, logo os diálogos começam a ficar mais interessantes e você chega a ficar contente em ver vida após Sopranos, até mesmo o protagonista Don Draper (Jon Hamm) começa a mostrar algo mais além da característica pose de macho alfa dos anos 60.

Promissora e com vários elementos semelhantes à criação mais famosa de Weiner como personagens em conflito de personalidade e contra o meio em que vivem, Mad Men é o tipo de série não muito comum que toma o tempo necessário para se desenvolver e revelar um charme e elegância raros além de retratar uma época efervescente para a publicidade anterior aos modernetes de faculdades pagas que deixou marcas até hoje.

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Dark Passenger

19.10.2007 | Séries

Dexter

A segunda temporada da sensacional Dexter chega no terceiro episódio (An Inconvenient Lie) resolvendo as tramas da primeira e finalmente mostrando quais rumos a série vai tomar agora. Confesso que ainda fico arrepiado quando aquela musiquinha de suspense toca, não me acostumei ainda. O Dexter de Michael C. Hall continua um personagem frio, com humor bizarro e que lida com tudo que não lhe é normal de forma inusitada - e o que não é normal pra ele, que é um born natural killer, é de certa forma muito comum para todo mundo. É como ver as impressões de um verdadeiro outsider acerca de tudo isso que chamamos de cotidiano.

Nesse episódio tem uma ótima cena onde Dexter resolve usar as reuniões do Narcóticos Anônimos como uma espécie de confessionário para sua personalidade macabra. Seria o equivalente às sessões de terapia de Tony Soprano. Só que Tony era um personagem que não aceitava a imposições vindas de outras pessoas e não conseguia lidar com sua personalidade compulsiva. Dexter absorve tudo de outra forma e sempre busca entender as coisas de seu modo. Para ele é preciso um esforço colossal para viver no mundo como as outras pessoas e é fundamental conhecer sua própria natureza para fazer isso. Uma natureza não muito comum, vale dizer.

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