
Em novembro do ano passado a Paramount anunciou a compra dos direitos da graphic novel francesa The Killer (Le Tueur) e colocou ninguém menos do que David Fincher para comandar o projeto. Procurei saber o máximo da obra escrita por Matz e ilustrada por Luc Jacamon quando li a notÃcia mas não encontrei nenhuma edição disponÃvel além de páginas esparsas. Deixei no topo da lista sabendo que se Fincher estava interessado algo muito bom devia ter na história.
Finalmente dias atrás consegui as primeiras edições e reservei um disco de John Lee Hooker para escutar e um bom lugar para sentar. The Killer é sobre um matador de aluguel badass e metódico no auge do seu jogo (game funciona tão bem em inglês e fica estranho em português). Nada muito original pra começar, mas são os detalhes que chamam atenção. A narrativa é excelente e apesar de passar perto de vários clichês dificilmente entrega-se a eles, os painéis são montados com uma estética noir classuda que aproveita de enquadramentos afiados sem desperdÃcio. É uma bela simbiose do roteiro ágil e bem montado de Matz (que na verdade chama-se Alexis Nolent e trabalha na Ubisoft francesa) e Jacamon, que aproveita de tons claros e mostra grande habilidade para sequências de ação.
Uma ótima série que foi publicada entre 96 e 2006 na França e a partir de 2006 nos EUA pela Archaia Studio Press (na primeira edição tem a ótima tagline “a hardboiled noir chronicling one man’s journey through some seriously bad mojo”) em 10 edições. Para quem ficou curioso como eu há uma ótima animação interativa da Submarine Channel que utiliza da graphic novel original para fazer uma nova montagem e proporciona uma leitura interessante. Postei também um pedaço da primeira edição no FRAG!. Agora vamos esperar mais um grande filme.
ComenteDepois de meses abandonado, botei pra rodar o FRAG! junto com o Caio (responsável pels HQs colant) com posts novos e algumas correções de bugs no wordpress, ainda faltam alguns, a integração wp-flickr é um pouco tricky. Atualizações fresquinhas e vários pedaços de HQs novos a caminho. Prometo várias passagens de Transmetropolitan e nenhuma coerência.
1 ComentárioBack to Snowtown [ou] Fell
17.01.2008 | Nerdices

Saiu ontem o número 9 de Fell, depois de meses sem nada novo e especulações de que o formato adotado por Warren Ellis e Ben Templesmith não havia dado certo. Bullshit, foi mais uma questão de agenda entre os dois artistas. Ultimamente não tenho lido tantas HQs quanto gostaria, mas quando Templesmith disse que no dia 16 sairia um número novo eu sabia que teria de reservar a noite para ler Fell com calma e apreciar um bom roteiro de Ellis.
E não teve erro, continuando nas desventuras do detetive Richard Fell  na cidade perdida chamada Snowtown a história dessa vez é em cima de uma situação de reféns e sobre como Fell está se adaptando à cidada, ou seria o contrário? Mais uma grande pequena história contada daquele jeito pesado e tenso de Templesmith. Com mais esse número não resta dúvidas de que Fell, apesar de sua peridiocidade estranha, é um dos melhores tÃtulos dos últimos anos. Tomara que o próximo número não demore.
2 ComentáriosLi há pouco Tag, minisérie em três partes de Keith Giffen e Kody Chamberlain que conheci porque os companheiros do Vertigem começaram a traduzir. Não precisou mais do uma premissa interessante e a arte de Chamberlain para me chamar atenção. Um casal briga na rua e alguém que parece um mendigo encosta no homem e diz “tá contigo” como numa brincadeira de pega-pega e então o homem morre. Ou quase. Clinicamente morto ele anda e fala normalmente, não precisa respirar e seu corpo começa a se deteriorar. Um pequeno conto de horror se inicia, para ser mais especÃfico um conto de zumbi.
A história desenrola-se enquanto Mitch, o contaminado, procura saber o que está acontecendo e tenta não brigar com sua namorada Izumi. Giffen consegue guiar bem a trama como num filme de horror, não esquece de trabalhar os personagens e mantém o interesse no plot sempre crescendo misturando a verborragia de Morrison e a velocidade de Steve Niles sem parecer plástico demais. Das novas HQs de terror que aparecem nos últimos anos Tag é das mais interessantes e que não recorrem a mais do que alguns personagens e trama bem trabalhada. Perfeito para ler numa tarde nublada de sábado.
Como era de se esperar a Universal já comprou os direitos da obra para o cinema e uma continuação já foi publicada. As duas primeiras edições traduzidas já estão no Vertigem com trabalho gráfico impecável de Dews e a qualidade de scans de sempre.
1 ComentárioComeçou a Pop!Tech
18.10.2007 | Nerdices

Moro num lugar que está exatamente no calendário de grandes congressos e eventos tecnológicos - fico vendo coisas como o Cris Dias dando convites pro Intercon (que acontece em São Paulo) sem me empolgar muito. Acabo acompanhando palestras e apresentações via stream ou relatos de blogueiros que estiveram lá.
Hoje começou a Pop!Tech, uma conferência anual sobre web e tecnologia que cresce bastante em importância e influência a cada ano e uma das que mais permitem interação à distância. No site dá pra assistir palestras do ano passado de Chris Anderson, Thomas Friedman e Richard Dawkins entre outros legendadas em português com auxÃlio do dotSUB e as palestras desse ano são transmitidas ao vivo com ótima qualidade, perguntas podem ser enviadas aos palestrantes via email. Não deu pra assistir nenhuma inteira hoje, só vi metade da interessante palestra de Christian Nold sobre mashups de mapas. Daqui a pouco deve estar disponÃvel para download no site.
Para divulgação internacional foram convidados vários blogueiros para atuarem como bridge-bloggers (blogueiros que fazem a ponte entre a conferência e seus paÃses escrevendo na sua lÃngua nativa) e entre eles está o mestre Tiago Dória, que já completou seu liveblogging do primeiro dia. O evento vai até dia 20 e tem boas palestras na agenda. Para quem como eu sente-se um pouco isolado é uma ótima alternativa para se atualizar e espiar um pouco as conferências lá de fora.
1 Comentário
No episódio da semana passada de House (”The Right Stuff” - 4.02) durante as cenas na sala de aula dava pra notar escrito no quadro a frase “Tesla was robbed”. A frase tem tanto a ver com a mais pura verdade, Tesla realmente foi roubado big time por Thomas Edison e por Guglielmo Marconi (até 1943 quando foi provado que sua “invenção” do rádio nada mais era do que uma cópia descarada de Tesla) quanto tem relação com a história do episódio, sobre uma piloto da NASA que oferece $50,000 para House tratar dela anonimamente.
Essa exata quantia foi oferecida por Edison a Tesla durante o perÃodo em que o inventor croata trabalhou em conjunto com o americano - no final das contas Edison não pagou alegando que era tudo uma piada e roubou várias patentes de Tesla.
A quarta temporada de House está divertida, de minutos em minutos eu rio alto, e ainda tem os elementos que fazem da série o meu programa de Tv favorito há anos. Não é em todo lugar que Tesla é homenageado desse jeito.
1 ComentárioChamem Billy Walsh
03.10.2007 | Nerdices
Essa só vai fazer sentido pra quem assisiste Entourage. Christian Bale está negociando para entrar no elenco de Killing Pablo, filme sobre o traficante Pablo Escobar que já conta com Javier Barden. A produção está em andamento há cinco anos e o diretor por enquanto é Joe Carnahan, que vai ter uma chance pra se redimir da grande cagada que foi seu último filme.
Com tantas coincidências deveriam mudar o nome pra MedellÃn, já.
1 ComentárioO inferno pode esperar
02.10.2007 | Nerdices

Depois do sucesso de Preacher o roteirista Garth Ennis não conseguiu realizar algo que fosse tão contundente ou bom quanto para os olhos do grande público, fez minisséries abusando do tom debochado que tanto cultivou nas páginas de sua criação mais famosa e aqui e ali conseguiu escrever algo diferente mas sem chegar perto do prestÃgio de outrora. Dias atrás terminei de ler Chronicles of Woormwood, seu último trabalho que chegou a ganhar um certo burburinho na ocasião de lançamento.
É o tipo de história que só poderia ser escrita por… Garth Ennis. Danny Wormwood é o anti-cristo - o filho do demo, do cão - um playboy cÃnico que não liga pra essa coisa de armageddon, prefere deixar a humanidade decidir seu destino sem interferir, mora em New York e comanda um canal de TV a cabo nos moldes da Showtime. Pronto, aà você tem quase todos os temas favoritos de Ennis só faltando mesmo o western: religião, discursos inflamados, liberdade de expressão e inferno. Não é exatamente uma coisa nova, convenhamos.
A vantagem é que mesmo sem nada de novo a leitura é rápida, engraçada e os diálogos longos de Ennis estão mais lapidados e ainda rendem boas citações aqui e ali. As bizarrices de sempre estão presentes, o melhor amigo de Danny o próprio Jesus Cristo (apesar de um pouco diferente do que estamos acostumados) e o papa, bem, é mais divertido se vocês verem o papa por si mesmos.
Uma minissérie divertida pra passar o tempo sem grandes arroubos de genialidade ou inovações estilÃsticas. A arte de Jacen Burrows é um pouco protocolar nas formas e enquandramentos abusando de planos abertos, o que dá mais espaço pros enormes diálogos de Ennis e fica só nisso. Chronicles of Wormwood tem seis números publicados pela Avatar Press que fecham um arco e é recomendado para fãs de Ennis ou qualquer um que simpatize com sátiras a igreja e religiões entre outras coisas.
1 ComentárioÀs vezes tenho vontade de postar aqui uma ou outra passagem de algum quadrinho que li e por certas limitações como tamanho da imagem ou layout acabo não fazendo. Criei o FRAG! (sou horrÃvel com nomes) para acabar com esse ”problema” de não ter onde colocar pedaços de histórias em quadrinhos que achei interessante. Movido a Wordpress (claro) e Flickr, encontrei um modo bacana de postar imagens grandes sem destruir minha banda e extravasar meu lado nerd de colecionar referências.
Pode colocar nos bookmarks.
1 ComentárioJessica Jones, ex-super-heroÃna
11.09.2007 | Nerdices

Tempos atrás o meu PC ficou no prego e aumentou o tempo livre pra ler algumas coisas atrasadas, se é que isso pode existir, você “atrasar” uma leitura de algo que você mesmo escolheu ler quando desse. De qualquer forma é algo que acontece bastante comigo, todo mês acumulam aqui no sofá ao lado da mesa do PC onde ficam as leituras do mês, os livros novos, os quadrinhos de luxo ($$) da Conrad e outras publicações adquiridas entre uma banca aqui e uma livraria ali até que a pilha fica tão grande que movo o excesso para a pilha dos “para ler um dia” que fica ano pé da mesa do telefone. E assim vai pela casa inteira. Ali dentro do quarto só entra o que já foi lido e devidamente degustado. Mas divago. Eu ia falar de Alias, que estava numa das pilhas.
Alias é a história de Jessica Jones, que um dia já foi super-heroÃna de colant colorido e um nome ridÃculo que não me vem à cabeça agora. Por conta de uma série de eventos traumatizantes, Jessica larga a vida de defensora do bem e aposenta as roupas apertadas. Abre uma agência de detetives onde é a única empregada e decide passar longe do mainstream superheroÃstico. Para Jessica é melhor ficar longe do seu passado. Arrisco logo dizer que Jessica é uma das melhores personagens que já conheci em histórias em quadrinhos. Culpa do roteirista Brian Michael Bendis que em seus famosos longos diálogos permite que o personagem realmente se densenvolva e ganhe novos contornos a cada edição sem ficar chato ou pretensioso demais, você acaba simpatizando com Jessica sem perceber. Um dos diálogos que mais é o de Jessica com um terapeuta na edição #9, até reproduziria aqui, mas ficaria fora de contexto e um tanto sem graça.
Jessica é extremamente atormentada pelo seu passado e vive num estado que varia entre depressão e fúria (rendendo até uma cena quase-histórica com o super-herói de aluguel Luke Cage logo na primeira edição) e você ali lendo acaba sendo levado junto com ela por entre esses estados sem entender muito bem porque ela sente-se assim até entender melhor as coisas no final da série. Se já é angustiante pra nós, quem dirá pra ela. Sem querer, ou talvez não, Bendis escreveu uma das mais adultas histórias em quadrinhos (no sentido de matura e desenvolvida) que existem sem passar muito do limite do universo de super heróis coloridos. Um grande feito se comparada com outras tentativas de outros tÃtulos.
Publicada entre 2001 e 2004 pelo selo Max da Marvel, que abriga as publicações ditas adultas da editora a série teve originalmente 28 volumes que a Panini lançou por aqui na revista mensal Marvel Max até o número 22 e depois completou com um especial chamado “Névoa Púrpura”. Quem ilustra é Michel Gaydos, que encontra o clima certo para o roteiro de Bendis misturando traços pesados com ambientação assim por dizer, indie - coisa que quase no final da série é até ironizada. Na época que comprei Alias não li tudo, e mesmo que tivesse muita coisa teria passado em branco. Por essas e outras que quando aquela vontade de reler algo bate poucas vezes resisto.
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