bunker

brmc

No excelente Howl o Black Rebel Motorcycle Club deixou a guitarreira distorcida Bloody Valentine de lado em prol de violões blues pesados, gaita, coros e um canto sofrido, áspero e que tal qual uma caminhada pelo deserto não deixava sobreviventes. Howl foi o título mais apropriado para o álbum com as canções que mostrava que não adianta distorção e barulho quando pra derrubar alguém um dedilhado e as linhas certas são o suficiente. Quando a demolidora sensação de vastidão solitária te enche por completo. Era o blues da velha América, aquele que está em todo lugar, como diria o velho Nix.

Uma pena que no novo disco voltaram às guitarras. Em Baby 81 há a velha guitarreira dos primeiros discos, ainda com um pouco do blues de branco melancólico, mas perdeu-se algo. Não tem mais a beleza seca de outrora. Aquele uivo não continuou. Melhor re-escutar as velhas canções.

Black Rebel Motorcycle Club - Restless Sinner

Restless sinner, rest in sin,
He’s got no face to hold him in
He feels his day’s as dark as night,
He’s been waiting with the blind just to find a place to hide his ghost

No open lies, no consequence,
The door’s been closed since he’s walked in
The fight’s been raging so many days,
He’ll greet you with a cross and a sickle as he helps you in.

1 Comentário

Ainda vou aprender a escutar direito os amigos. O Aldurin recomendou esse tal de Willy Mason, um trovador de voz forte que toca um folk classudo e atemporal faz tempo. Nem prestei muita atenção e coloquei na fila dos discos sem muita prioridade. Grande erro, gafanhoto. Grande erro.

Mason

Hoje carreguei o mp3 player com o disco do rapaz, estava escutando Islands direto e precisava de canções menos cheias de barulhos. Antes de escutar no player o disco nem tinha sido rodado no computador. A primeira canção de If The Ocean Gets Rough me derrubou. Como pode um garoto como esse ter uma voz tão pesada, tão densa e cheia de sabedoria? com 22 anos? Acredito que até o próprio ao sair da puberdade um dia acordou e sentiu o tom mais pesado, pegou o violão cantarolou ecoando sua nova voz grave, assustado deu um sorriso daqueles largos e meio esquizofrênicos que damos às vezes.

Não foi só a voz desse garoto que me impressionou, as letras bem acabadas que caminham sem medo por temas pesados - ah, os grandes temas! - são pra cantar junto, pra decorar e citar pedaços pros amigos. Como se não bastasse ainda tem um instrumental enxuto, com um violino (é sacanagem uma voz dessas amparada por um violino) aparecendo de vez em quando. Lá na sua fazenda de búfalos um idoso Neil Young deve ter exclamado um damm bem caipira ao escutar Willy pela primeira vez.

He’s the kind of guy that was always afraid of affection
and when the walls closed around
he would always respond with aggression
but he woke up today with a pain in his head
remembered a dream oh what was it they said
oh, this was the world that i wanted

- The World That I Wanted

Peço desculpas á quem já havia feito a recomendação do moleque e não fui atrás. A cada audição eu me desculpo e agradeço. Olhando a discografia vejo que ele tem vários discos, pra minha sorte. Já entrou no seleto clube de trovadores que acompanho com afinco.

4 Comentários

Hollywood Hotel

20.03.2007 | Música

Quando crescer quero ser baterista de jazz, mama. Devo ter pensado isso pela primeira vez quando assisti aquele filme do The Wonders. Fiquem com quem tem a manha de comandar uma orquestra inteira com as baquetas e ainda fazer graça:


Porque humilhar desse jeito é coisa de espartano.

(estou ocupado pacas esses dias, tem trocentas bandas novas e filmes pra falar sobre mas Pierre Lévy tá me ocupando a cabeça de jeito)

1 Comentário

efband.jpg

Tem bandas que precisam apenas de um momento pra me conquistar. Um disco inteiro vai depender daquele momento em que serei supreendido e me apaixonarei. Se for uma daquelas surpresas impossíveis de descrever, o disco ganha status de salvador de vidas na hora.

Ef é uma banda da Suécia que ontem me fez o dia. A linha instrumental esparsa da primeira faixa de Give Me Beauty…or Give Me Death! ainda era muito genérica quando largou tudo e tocou o céu no exato momento em que um cello ARREBATADOR veio segurar quebra de ritmo num crescendo que me assustou a ponto de parar no meio da rua por um segundo. Daí eu já estava contente em escutar aquela faixa e provavelmente ficaria com aquela canção na cabeça o dia inteiro.

No entanto veio a bela “Hello Scotland” com seus épicos 12 minutos. Começando timidamente com um piano infantil (ou seja lá qual for o nome desse instrumento) e já apresentando meu amigo cello logo nos primeiros minutos pra deixar aura letárgica que remete a Explosions In The Sky completa. A explosão de guitarras e bateria seca cai lá pelos cinco minutos e o cello choroso vai levando sozinho a melodia. Mais um momento em que me arrepiei. Sem contar que os vocais entram suavemente e vão até o fim da canção acompanhando o cello.

Um disco que se olhado de forma geral é fraco perto de uma beleza irretocável do último do Explosions In The Sky, mas que tem seus momentos e ainda conta com o trunfo de vocais (e do cello!) que poucas bandas instrumentais sabem utilizar. Se abandonarem mais a letargia e investirem nos ótimos vocais, essa banda vai longe.

2 Comentários

Dia desses estava a tentar explicar pra um amigo como a música ambient tinha umas vertentes muito boas, coisas que passavam longe dos padrões de críticos moderninhos que insistem em colocar o estilo como música de aeroporto. A minha favorita é a mistura de post-rock com ambientações cristalinas, formando quase-canções belas, frágeis e donas de uma peculiaridade assombrosa.

Muitos integrantes de ótimas bandas de post rock encabeçam projetos eletrônicos no estilo One-man-band. O caso do The Album Leaf, projeto de Jimmy LaValle que descobri pelo Last.Fm e devo ter garimpado quase toda a discografia. Gosto de pensar que é um dos meus segredos musicais mais bem guardados. Ou era.

Jimmy LaValle

É o tipo de música que nas primeiras audições vai fugir incrivelmente de ti. No fim do disco vais pensar que nem escutou nada. Isso acontece muito comigo, o caso clássico aqui é do Robert Johnson, que sempre tento escutar e acabo assimilando nada. Coisa quase genética, gafanhoto. Mas é uma questão de tempo. Um dia o disco vai te afogar sem dó. Aí nem vai ter como escrever sobre pra tentar passar a sensação.

O último disco do Jimmy é diferente dos anteriores, Into The Blue Again é de 2006 e tem um padrão de canções mais robusto, fugindo do ambient e entrando num post-rock de levadas e ritmos acelerados com vários instrumentos aparecendo pra encher as canções, linhas eletônicas belas, bem construídas, vocais pop harmônicos, leves e que derrubam de vez os barulhos estranhos do ambient de outrora. Coisa fina demais pra tocar em aeroporto.

Into the Blue Again

http://www.mediafire.com/?rt14zzdh0mj
http://www.demonoid.com/files/details/1510604/15097116/

3 discos + EP
http://www.demonoid.com/files/details/1211467/26419953/

6 Comentários

Welcome Ghosts

05.03.2007 | Música

Pra começar uma daquelas semanas puxadas os favoritos da casa Explosions In The Sky ao vivo no Conan (o programa que eu assistiria religiosamente se passasse aqui) tocando um pouco do último disco: All Of Sunden I Miss Everyone. Falei um pouco dele aqui.

1 Comentário

E a gente tem que fazer o dia passar mais rápido. O som tá ruinzinho, mas dá pra escutar McCoy Tyner desafiando a gravidade com seu piano.

Comente

Disco do dia

26.01.2007 | Discos, Música

Acordei escutando o único álbum da atriz francesa Julie Delpy, que só tinha visto canhtar deliciosamente no final de Before Sunset. O disco é gostoso, em canções como Mr Unhappy Julie brinca com o ouvinte, misturando francês, inglês e enrolando o vocal, este, é gostoso, sussurante, denso e elegante.

Muito delícia, é um pouco folk com bateria e refrão pop. Nada melhor pra acordar.

Comente

O disco fenomenal dessa banda que espanta muita gente por causa do rótulo post-jazz é a minha resenha dessa semana no DD. Vai lá e vê que post-jazz é coisa de crítico afeminado.

2 Comentários

Sou um apreciador de riffs, muitas vezes a canção tem uma letra terrível ou uma bateria de dar nojo de tão ruim mas o riff é tão poderoso que só resta sorrir e sair fazendo air guitar por aí. Uma das minhas grandes motivações em continuar minhas buscas pela música pesada é o riff, se pensar bem.

Daí que comecei a escutar este Black Stone Cherry e tem uns riffs porradas, gafanhoto.  É gibson puxada em dó tocando num valvulado com a ajuda de um big muff acolá - ou seja, o céu. Tudo bem que tem uma montanha de clichês típicos do metal (e do stoner também) em cada canção mas as guitarras compensam e os andamentos clássicos do tum-rum-rum-dum são pra deixar o titio aqui feliz por pelo menos por um punhado de canções ou quando eu quiser escutar um riff afudê bem tocado.

Procurei uma foto descolada pra colocar aqui mas eles insistem num visual “sou sujo e feio, mas tô com a banda”, esse negócio meio southern caipira-beberrão-que-toca-guitarra. Não que seja importante, claro, estamos aqui por causa do som *cof cof*. Clica na logo aqui embaixo que dá pra stremear umas faixas no site, depois não reclama que é hard rock farofento.

3 Comentários

« Página Anterior - Próxima Página »