Dead Between The Walls [ou] Desert Session
13.06.2008 | Música
Clipes no deserto sempre são interessantes de ver. Desde os clássicos do Kyuss (e por que não do Queens Of The Stone Age?) passando por aquele do Rob Zombie que me foge o nome agora (mas que tem uma mina sensacional dançando) até chegar nesse Dead Between The Walls do Pelican. Lindo pra cacete, pesta homenagem a Green Machine do Kyuss (olhas eles aÃ) e fotografia que fica num jogo de revelar uma banda entrosada pacas tocando enquanto não mostra muito de seus integrantes. Aliás, bela fotografia, meu caro.
Um Camino, um barbudo, três caras empunhando suas SG e um baterista insano. Além de claro a música que pesa duas toneladas do Pelican, é só dar uma olhada nos vÃdeos ao vivo que tem no tubo pra sacar que os caras curtem a porrada sonora que causam no palco como ninguém. É aquela história de misturar técnica com paudurescência nÃvel 10. O clipe tem tudo isso aÃ. Assisti três vezes seguidas. Em tempos de quadradinho no computador pra assistir vÃdeo fica cada vez mais raro uma banda que resolva fazer algo que empolgue. Sendo assim declaro assim o vÃdeo do mês aqui em casa.
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Tempos atrás eu escrevi um pouco sobre esse negócio de post rock aqui neste blog. Até no Dois Discos tem textos sobre o estilo, a partir de hoje continuo espalhando o amor lá no Impop, junto com o mestre gafanhoto Tiagón e o recém conhecido José Carlos, d’O Primo. Como a carta de intenções do blog diz:
impop pode ser rock. desde que não seja besta. nem vazio. nem hypado. impop pode ser irônico e dar uma detonada, se estiver na pilha; mas a verdade é que não tem muito sentido perder tempo com o que não vale a pena.
Nada mais perfeito pra mim. Vejo vocês lá também.
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Nem vou tentar dizer que é complicado demais entender I’m Not There mesmo lendo textos e resenhas sobre o filme porque posso focar apenas na trilha sonora. Vai demorar um pouco pra eu pegar a maioria das citações, das cenas desconexas e das referências que montam o mosaico sobre Dylan. Mas a trilha eu entendi muito bem na primeira vez, mesmo as canções que não conhecia. Não tem erro quando começa a tocar “Going To Acapulco” com Jim Jones gritando tristemente a bela letra, você entende mesmo sem saber quem é Dylan ou de que disco a canção vem.
E vai assim por todo o disco. Você pode não gostar de Pavement, mas Stephen Malkmus canta “Ballad Of a Thin Man”com um senhora banda de apoio que tem ninguém menos que Tom Verlaine, Nels Cline (Wilco) e John Medeski (Medeski, Martin & Wood) isso nem vai importar. O que fica é a canção clássica ainda mais avassaladora. Dá pra pegar todas as faixas e despejar elogios - Jeff Tweedy, Mark Lanegan (subindo ao status de força da natureza) e Cat Power são alguns que se diertem em cima das canções do velho bardo . Se você não assistiu o filme ou nem pretende, escute a trilha. Meu comecinho de ano é dela inteiramente.
Dylan pode parecer complicado demais, seu sei como é o sentimento. Mas é escutando uma canção por vez que vou entendo o meu Bob Dylan, que é bem diferente de qualquer um dos mostrados no filme. Deve ser assim pra todo mundo, eu imagino.
1 ComentárioBohren & der Club of Gore
17.11.2007 | Música

É como uma velha tradição no meu cÃrculo de conhecidos no messenger de vez em quando nos mega-chats alguém fazer propaganda de uma banda estranha, pouco conhecida e que reúne caracterÃsticas que todos ali presentes vão gostar - saber fazer isso direito é complicado, não é toda banda que emplaca. Essa semana o burburinho foi sobre Bohren & der Club of Gore, que me ganharia pelo rótulo de doom-jazz-ambient se em rótulos eu acreditasse. Ao escutar o terceiro disco (de 2000) chamado Sunset Mission até que doom jazz pareceu algo real e não uma associação bizarra de Coltrane e Jesu.
Faixas longas, climáticas e que remetem a uma demorada cena de algum filme noir alemão que me foge à memória. Não raro o clima de filme de terror lembra as cenas onde Hannibal Lecter resolve brincar com a jovem Clarice. A discografia é irregular e pouco acessÃvel, mesmo escutando há dias eu só consigo gostar mesmo de Sunset Mission e de faixas esparsas dos outros quatro discos da banda. Faixas de vinte minutos não são exatamente algo que quando terminam você lembre o começo. Para quem for se aventurar esteja avisado de que o sax sofrendo para se sobrepor ao clima denso de “Painless Steel” é uma das coisas mais tristes de se escutar.
2 ComentáriosTonto Tonto Tonto Tonto
11.11.2007 | Música
Fazia tempo que um videoclipe me fazia usar o repeat over and over. Chato é que em players de vÃdeo online geralmente não tem repeat. Tonto, criação da UVA para o single achapante do Battles é um clipe que já devo ter assistido pelo menos umas dezenas de vezes desde que conheci. Não só pela combinação visual utilizando SABRES DE LUZ como pela loucura que é ver o Battles tocando, sinestesia é bobagem. É um daqueles casos de clipe perfeito para a música, mesmo as claras aspirações artiziscas da UVA que remetem a Dan Flavin e Peter Saville não deixaram o resultado final um daqueles vÃdeos experimentais inassistÃveis.
Gravado numa maratona de 11 horas com a banda tocando entre a noite e o amanhecer o vÃdeo faz um interessante jogo de luz de acordo com a música, nesse caso um mindfuck rÃtimico que é Tonto. Basta prestar atenção na guitarra barulhenta aos 03:27 ou ao ritmo nauseante que a bateria e o baixo começa a ditar aos 04:30. Quando se tem um cara que já foi do Helmet na bateria é melhor deixar ele fazer o negócio direito - e John Stanier faz a suÃte perfeita até terminar o vÃdeo já lá pelos sete minutos de duração. É longo e você nem percebe quando bate a vontade de assistir denovo. Chapante mesmo.
O Battles tem outro sensacional vÃdeo, desa vez para a faixa Atlas, Dirigido por Timothy Saccenti é uma pequena pérola nerd-arquitetônica que mostra a banda tocando num cubo que reflete nas paredes o seu próprio interior e utiliza influências diretas da casa de vidro de Philip Johnson e dos richochetes de Dan Graham. Já falei que o primeiro disco do Battles, Mirrored, é excelente? E não me venha com math-rock. Pra quem não conhece nada uma boa maneira de começar é assistindo essa entrevista aqui.
Na era dos vÃdeos pixelados é bacana assitir coisas que não são apenas mais uma reciclação de Michel Gondry ou alguma gravação de estúdio mal feita.
1 Comentário
Tenho discos aqui que nunca escutei direito mas conheço-os bem, sei até um pouco da história deles. Só não escutei com calma, não sei direito como suas canções começam ou terminam. São como aquelas pessoas que você conhece e talvez até simpatize mas nunca conversou mais de alguns minutos. Tenho vários discos assim, de vez em quando decido escutar um como se deve, pelo menos do jeito que é “como se deve” pra mim: fones de ouvido, boa leitura (mas não tão boa a ponto de fazer esquecer da música) e acompanhando as faixas começarem e terminarem sem confundir, talvez até decorar algum pedaço de letra aqui e ali. Quando o disco terminar escutar as faixas que chamaram a atenção outra vez. Desse jeito.
Sandbox - The Music of Mark Sandman é um desses discos. Que grande besteira fiz em ignorá-lo por tanto tempo mesmo sendo grande fã de Treat Her Right e Morphine. São dois discos com várias faixas gravadas com bandas diferentes na época que Sandman era chegado em quase toda banda boa de Boston. Fica a vontade de sair contando pra todo mundo que o homem só tem faixa boa praticamente! “Pessoal, vejam só, Mark Sandman até quando gravava só por gravar cantava daquele jeito pesado e sinuoso!” É escutando várias vezes Jealous Dream (com pegada crooner, sax sujo e letárgico com Mark cantando romanticamente sobre um sonho que talvez não tenha sido um sonho) ou Devil’s Boots (blues de fim de noite calmo que lembra outro Mark, o Lanegan) que eu me redimo de ter deixado o disco na estante por tanto tempo.
Muita gente acha a música dele triste, melancólica e até li uma vez que lembra literatura beat de beira de estrada, mas se tem uma coisa que aprendi escutando blues é que não existe essa coisa de música triste. Existe sim música pra gente triste - e essa pode ser a música mais cheia de sol da terra mas sempre será triste pra quem a escuta. Sandman sabia bem disso.
2 ComentáriosA fantasia em “Margaret on the Guilhotine” parece pensar mais no que se gostaria que acontecesse do que na determinação de ser violento ou mesmo de personificar a violência de modo teatral. O efeito de “Margaret” não será apenas o de encorajar a resignação melancólica?
“Talvez, mas eu também acredito firmemente na ação. Existe um grande senso de rebelião de porta de casa, a coisa de bater o pé. Acima de tudo, acho que lidar com manipulação de pessoas é muito cansativo. Você envelhece rápido quando tenta vencer todas as discussões da sua vida. Politicamente, me sinto esgotado. Sinto que não há mais manifestações, mais abaixo-assinados para serem endossados. Acho que essas coisas, bem como reuniões de grupos e creches, são muito chatas. São uma perda de tempo. Tenho uma sensação de apatia.”
Interessante quando você fala em “bater o pé”, porque essa fantasia de tirar Mrs Thatcher, como se isso fosse resolver tudo, como se o “mal” neste paÃs não fosse muito mais intelectual e enraizado - bom, isso soa meio infantil e petulante.
“Estou totalmente ciente disso, acredite. E tem algo importante aÃ. A música é boba, mas também é bem pesada e muio corajosa. E eu me encosto na cadeira e sorrio. Você com certeza percebe que esses elementos sérios colocam a manifestação direta, a canção de protesto tipo “Maggie Maggie Maggie Out Out Out”, no seu lugar, fazendo-a parecere banal e um pouquinho acomodada.”
O problema com as canções de protesto é que o pop sempre foi imediato, espontâneo e pueril. Ele não tem paciência para se arrastar por subcomitês e gazer lobby ou reivindicações de maneira ordeira, através dos canais competentes. O pop não tem programa, não negocia, ele quer o mundo e ele quer agora. E agrada muito mais ouvir que seu inimigo está sendo massacrado. Mesmo que seja só uma fantasia…
“É mesmo? Obviamente você não me escutou. Eu acho possÃvel. Os tempos estão bem ruins. As coisas estão muito incertas. Você não acredita em mim? Tem muito sentimento organizado na Inglaterra neste momento”.
Nesse pedaço da entrevista que Simon Reynolds fez com Morrissey sobre seu primeiro disco solo, Viva Hate, em março de 1988 para a Melody Maker (reproduzida do livro Beijar o Céu, da Conrad - dÃsponÃvel aqui no original em duas partes) tem algo que parece ter sido perdido há anos nas entrevistas de Ãdolos pop, principalmente as entrevistas brasileiras. Há um confronto entre entrevistador e entrevistado que apóia-se não somente na música mas também em polÃtica e até mesmo na função do pop.
Repare que Morrissey recebe as crÃticas diretas com respeito e deboche caracterÃstico, sabendo que a entrevista é um jogo de palavras e que seu adversário oferece sim perigo à sua imagem, não ficando apenas nas cutucadas e observações que tentem irritar o entrevistado na esperança de arrancar uma declaração polêmica. Acho que é isso, nessa entrevista há perigo se você não souber lidar com as perguntas e análises. As entrevistas atuais carecem muito disso.
Geralmente pulo as páginas de entrevistas enfadonhas em revistas como a Rolling Stone, que dispõe de bastante espaço gráfico que poderia ser preenchido por entrevistas boas e realmente contundentes mas fica no marasmo e na auto-indulgência. Antigamente na Revista da MTV (antes dela virar “privatizada”) as entrevistas eram chamadas de “entrevistões” e ocupavam várias páginas tentando mostrar que entrevista boa tem que ser longa e analisar vários aspectos (mesmo que enfadonhos) do artista. Não precisam, não é questão de tamanho ou abrangência, falta mesmo é coragem e inteligência.
ComenteSe vivo estivesse Stevie Ray Vaughan completaria hoje 53 anos. Deve ter sido um dia bom, aquele 3 de outubro de 1954 em Dallas.
1 ComentárioPague o que quiser pelo novo do Radiohead
01.10.2007 | Música
É isso, a banda disponibilizou a pré-venda do disco novo chamado In Rainbows tanto em formato box-set mega-luxo com direito a vinil, fotos e etc quanto o download. Você paga o que quiser pelo download. O que quiser. Dia 10 de outubro (que parece tão distante agora) o download será liberado e os disco “fÃsico” lançado.
Na sua cabecinha insana já vem a pergunta “e seu eu não quiser pagar nada?” Não precisa. Tem coisas que só o Radiohead faz por você. Eu já comprei o meu download.
1 ComentárioThe Autumn Defense
28.09.2007 | Música
Já não bastasse fazer parte do Wilco, os multiinstrumentistas John Stirratt e Pat Sansone (que já produziu discos do Josh Rouse) ainda tocam seu projeto pararelo chamado Autumn Defense como quem não quer nada - e os discos saem sem muito alarde, recheados de canções bonitas. Pra você ver como o Wilco é uma banda abençoada.
Com esse tipo de álbum eu ligo o sempre amigo botão repeat o dia inteiro e toco o country calmo e bucólico com ares de Neil Young das antigas (como se eu fosse muito velho pra dizer algo assim) do duo até sem perceber começar a contarolar as letras junto. Vale dar uma olhada no vÃdeo da bela Spend Your Life, tocada num programa de TV, aqui tem mais vÃdeos do mesmo programa e entrevista com a banda.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
