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Joe Carnahan parecia um cara legal. Fez um ótimo filme tenso (Narc) que conseguiu chamar atenção e assumiu (brevemente) a direção de MI3 alguns anos atrás. Foi demitido e parecia que seu próximo projeto seria interessante. Mas Smokin’ Aces é horrível. Menos um “promissor” diretor pra acompanhar.

O elenco é imenso: Ray Liotta, Andy Garcia, Jeremy Piven, Ben Affleck, Ryan Reynolds e até uma participação de Matthew “Jack” Fox, parece que Joe fez bons amigos. A premissa é batida: uma testemunha do FBI está na mira de matadores de aluguel contratados pela máfia. Você imagina um filme tenso policial com máfia, bons diálogos e cenas bonitas de ver, um filme pra fazer Carnahan figurar entre os diretores mais cool. Imaginou errado.

Smokin’ Aces é hiperbólico, abusa de um estilo genérico Guy Ritchie e tudo aquilo que os últimos anos de cinema policial têm usado: edição ágil, explosões realistas, trama envolvendo jogatina, personagens caricatos (com nomes de nacionalidades como “Swedish”) e situações absurdas. Tudo isso usado como se a intenção fosse soar old school quando na verdade você nunca assistiu um filme do Peckinpah até o fim e escolhe sua trilha sonora em coletâneas nuggets. O filme passa mais tempo apresentando personagens do que sendo um filme per se. Quando você acha que agora vai, bem, o filme termina. Pateticamente.

E tem cenas em bares (claro, é mega cool!), diálogos com referências passadas pra dar um background (vazio) aos personagens, pra dar uma familiaridade besta. Muitas armas grandes, ternos, helicópteros, aquele ar pimp e cassinos, é claro. Isso tudo gira em torno de nada praticamente, um amontoado de nonsense policial estilizado. Um elenco imenso desperdiçado, um hilário Jeremy Piven que de tão mal utlizado fica parecendo um gangster emo.

Uma grande bomba.

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Acabei de assistir Antikörper, thiller alemão de 2005 que pode ser encaixado no nicho recente de ótimos thrillers europeus. Mas Antikorper deixa um gosto estranho no final.

Seria apenas mais um filme de serial killer com diálogos pesados e questões sobre assassinato com uma dessas histórias que pintam os assassinos como seres sobrenaturais se o diretor Christian Alvart não fugisse desse estigma rapidamente (“what do you expected, Hannibal Lecter?”) deixando o tema esperado um pouco de lado para mostrar que em teoria o mal (ou agir de forma ruim) é como um vírus, e que pode ser passado de pessoa pra pessoa, basta saber como.

Acompanhando um policial do interior que se envolve no caso de um grande serial killer recém-capturado o filme tem ecos do já citado Silêncio dos Inocentes e Se7en, porém utiliza essas referências com sabedoria e rende cenas onde a tensão só não explode por um fio. O mais estranho do filme é justamente isso: a tensão não chega a dar lugar para a fúria. Há um contenção que parte de algum lugar para cada personagem. É por isso que fica um gosto ruim. O filme consegue provar sua pequena teoria com certo sucesso.

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300 não é um filme de guerra apesar da temática clara. As referências ao risível Tróia e outros “novos épicos” não é válida, 300 não é dessa categoria. É algo mais pra um filme de terror com um punhado de diálogos e ações que remetem à glória, dever e honra. Ou melhor: é um filme de batalha com putas cenas de sangue e belas coreografias. Sabe a cena do abismo no Senhor dos Anéis? É como se fizessem um filme inteiro só com aquela cena.

No entanto não tem como não se empolgar com o Leônidas de Butler: cada grito é respondido, cada ação é repetida e assim as cenas mostram-se um festival de porrada gráfica delícia de se ver na tela. É mais ou menos como se os lutadores do K1 resolvessem usar escudos e capas pra brigar. E ei, isso é bacana!

Fora o grafismo belo não sobra muita coisa que sustente o roteiro fraco (apesar de algumas inserções em relação à Hq que são bem-vindas numa tentaiva de dar sustância pro filme) o negócio é mostrar porrada mesmo, é sangue e espartanos tocando o terror nas termópilas sem dó. Lutar pela liberdade my ass, nesse filme a coisa é gore mesmo. O que no meu caso, é bom demais. Vou assistir de novo.

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Bourne

Enquanto a nerdaiada vai na corda dos super he?ois e nos filmes de videogame fico curioso mesmo é pra ver Bourne, o espião que ensinou James Bond a brigar, voltar pra casa. Paul Greengrass já tem meu respeito.

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Nicky Santoro

04.03.2007 | Filmes

Com o auê do oscar semana passada li em vários lugares sobre os prêmios que Scorsese merecia por seus outros (imensamente melhores) filmes. Dos que que citavam eu só não conseguia garantir o de Casino, não lembrava exatamente se era bom, ruim ou merecia menção. Fui assistir novamente e é um ótimo filme, com o velho Marty tocando o céu em vários momentos, no entanto com quase a mesma competência comentendo cenas fracas a rodo.

Lembrava que DeNiro estava fenomenal nesse filme e não me equivoquei, me surpreendi mesmo foi com Joe Pesci, dono das cenas mais pesadas e com o humor característico de seus personagens em plena forma.

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No matter how big a guy might be, Nicky would take him on. You beat Nicky with fists, he comes back with a bat. You beat him with a knife, he comes back with a gun. And you beat him with a gun, you better kill him, because he’ll keep comin’ back and back until one of you is dead.

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Al Gore

Chega a hora d’eu fazer propaganda desse documentário que demorei pra assistir, mas que valeu cada minuto. Não espere a grande verdade mundial aqui, é basicamente uma mega palestra do ex-futuro presidente do Estados Unidos que reúne de forma clara muita informação acerca do aquecimento global. É um enorme briefing de como as coisas estão, com animações bonitinhas e dados atuais guiado por um homem que sabe o que faz.

Gore é um daqueles oradores clássicos, que dá uma bofetada e depois acalma. Em certo ponto ele revela que sua maior dificuldade em palestrar em vários lugares é identificar os obstáculos locais que farão as pessoas não entederem plenamente seus argumentos, e tem de fazer isso em cada lugar novo. O homem tem uma missão e a cumpre a cada palestra, utilizando seu arsenal de anos de politicagem e ironia com timming perfeito.

Fica então a ordem aqui: baixe o documentário, assista e passe adiante. Não vai doer, não é eco-chato e não vai fazer uma lavagem cerebral. É apenas uma daquelas coisas que precisam ser assistidas.

Baixe via torrent. Não sabe utilizar torrent? O Cardoso explica. Quer legendas? No Legendas.tv tem. Qualquer coisa é só chamar.

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Exiled

30.01.2007 | Filmes

Do cineasta Johnny To eu só assisti alguns filmes, sendo meu favorito o elogiado Election (que por sinal será lançado em dvd por aqui). Pelo que li sobre o diretor sua carreira é cheia de altos e baixos, trabalhos de televisão, filmes pipoca e novelas entre os seus filmes de verdade, neste caso pequena pérolas de ação. Pode-se dizer que ele faz o trabalho sujo pra poder bancar produções como este faroeste moderno Exiled.

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Aqui temos uma homenagem aos velhos spaghetti, com uma piscadela generosa pro mestre Sergio Leone. Desde a cena incial lenta, apresentando os personagens - e que elenco: tem Anthony Wong, Francis Ng e Simon Yam - até o confronto final envolvendo ouro e questões de honra.

A premissa segue os moldes clássicos western mas seguindo as regras da máfia de Hong Kong. Cinco amigos que cresceram juntos na organização se reencontram pois um deles recebe ordem de morte do Chefe, ordem essa a ser cumprida por eles. Antes de cumpri-la, resolvem fazer um último trabalho para deixar dinheiro suficiente para a viúva do amigo. Honra aqui é coisa séria, gafanhoto. Ao prepararem este último trabalho eles acabam entrando em conflito com os intereses do próprio chefe. Aí a coisa engrossa.

Pena que o diretor perca o tom em alguns momentos, cometendo exageros que não descem bem e a trilha sonora que simula o clima western só acerta no ponto lá na metade final do filme quando uma gaita sorrateira começa a tocar. O problema é a homenagem se sobrepondo à história em si, sacrificando a narrativa. Comparando com Election - filme de máfia onde nenhum tiro é disparado - fica a impressão que o diretor acerta mais em cenas em que troca as balas por tensão. O roteiro consegue montar uma história sólida, mas que começa a definhar por conta das cenas de ação exageradas.

O saldo final é um filme de ação competente, com sequências estilosas e bem fotografadas como o assalto ao comboio, o tiroteio na clínica e as cenas no deserto. Mas que por utilizar o tom de homenagem em demasia sacrifica o que poderia ser uma narrativa fluída, elegante e bem amarrada. Prefira Election.

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Bittersweet Life

27.01.2007 | Filmes

Vi hoje na locadora, nem sabia que tinha sido lançado aqui. Dei um sorrisão.

PS: Desde que vi o filme lá só escuto a trilha sonora direto. Viciei. Tem um tango maroto, tema com cello deliciosamente triste, piano letárgico apropriando-se de Chopin e um clima melancólico e belo. Deu vontade de ver o filme outra vez.

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Ils (Them)

26.01.2007 | Filmes

Desses novos filme que tentam, a maioria em vão, resgatar os velhos tempos de fitas slasher onde uma história era contada, os personagens eram desenvolvidos e a sensação de que tudo foi apenas uma desculpa para amontoar sequências gore não era presente o filme francês  Ils é o exemplar mais interessante.

Primeiro o plot: casal que mora em casarão antigo na Romênia é atacado por invasor. E é isso. O roteiro é inspirado em material real e por se passar num país tradicionalmente macabro ganha contornos mais realistas, mas sem abusar dos mesmo. Esqueça citações cult - nem todo filme precisa estar atolado em referências - no roteiro e nas cenas. O que faz o filme aqui é o ritmo, a montagem, a trilha econômica e um tom minimalista que opta por não ser explícito em vários casos e acerta. É um filme de terror quase sem sangue. A presença de velhos truques é um alívio, pois se eles existem são para serem usados e subvertidos. Quem tenta inventar dificilmente sai com algo minimamente assitível.

Um bom modo de entender o funcionamento do longa é o seu epílogo, que funciona como um pequeno curta dentro da história. Sem utilizar de maneirismos de câmera ou arroubos de tecnologia a dupla de diretores David Moreau e Xavier Palud faz miséria com o básico. A impressão de que eles foram cortando o desnecessário e mesmo assim alcançam o que se espera desse tipo de filme.

A ironia é que junto com Haute Tension o cinema francês entrega nesta década dois ótimos filmes do terror moderno, justo o tipo de cinema menos provável a tal coisa. E não só são dois filmes que sustentam o gênero que parecia fadado a continuações e remakes como desarmam os argumentos de que o gênero já estava desgastado eternamente.

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Assisti este final de semana Who’s Afraid of Virginia Wolf, primeiro filme do velhote Nichols diretor do excelente Closer.

Não conhecia nada da peça original e me espantei com a roliça Elizabeth Taylor num papel insuportável como esposa do com o cínico e arrogante Richard Burton - ótimas atuações. Simpático mesmo só o personagem de George Segal, que é idiota, mas íntegro.

É um filme justamente sobre essas pessoas que não se suportam, e nesse caso são dois intelectuais cheios de ironia adolescente. Acho que foi por isso que não me agradou, intelectuais imaturos raramente ficam bem na tela, e o que salva aqui é a qualidade dos atores apenas, o roteiro apesar de ótimos momentos não tem um ritmo digerível.

You take the trouble to construct a civilization, to build a society based on the principles of… of principle. You make government and art and realize that they are, must be, both the same. You bring things to the saddest of all points, to the point where there is something to lose. Then, all at once, through all the music, through all the sensible sounds of men building, attempting, comes the Dies Irae. And what is it? What does the trumpet sound? Up yours.

O filme é arrastado, pesado, cheio de diálogos com múltiplos sentidos que cansam após a primeira hora, o que o roteiro tem de interessante começa ficar monótono. Mesmo com a as linhas onde Taylor e Burton trocam sarcasmo garantindo ótimas risadas não tem como aguentar cenas como aquela fora do resturante - sonolenta e histéria, se a intenção era ser dramático e pesado, apenas fica entediante. Coisa de teatro, por isso fico longe deles.

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