bunker

Finito

13.09.2007 | Filmes

Visitando algumas galerias no Flickr, um passatempo perfeito para preencher aqueles minutos antes de sair de casa, encontei um álbum só com screenshots de finais de filmes. Muito interessante (e angustiante quando não consigo reconhecer algum). Tem coisa que a gente só encontra mesmo na internet.

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Cashback

10.09.2007 | Filmes

cashback

When you fall asleep you are unaware of sleeping until you awake. During those missing hours, a whole other world comes alive.

A frase acima inicia o curta Cashback, de Sean Ellis, uma belezinha que assisti na noite de domingo seguido pelo longa metragem de mesmo nome que na verdade apenas extende a história e dá mais vazão às belas cenas narradas pelo protagonista. Após terminar o namoro, Ben Willis não consegue mais dormir e decide trocar as novas oito horas livres que acabou de ganhar por dinheiro e começa a trabalhar no turno da noite num supermercado. Aos poucos vai tentando esquecer sua ex-namorada com enormes divagações sobre beleza (ele é estudante de arte), paixão e tempo.

O curta é irretocável em roteiro, trilha sonora e fotografia. Porém o longa metragem acaba denunciando um tom misógino que em certo momento atrapalha o clima contemplativo do filme. O tempo a mais de duração poderia ter sido usado pra sedimentar melhor os personagens, no entanto a edição um pouco apressada em parecer descolada acaba esquecendo isso. Na dúvida, assista o curta. Tem inteiro (com legendas em francês) no Google Video. No Youtube só encontrei a primeira parte.

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Zombies, dude

Fazia tempo, eu digo, muito tempo que um filme desses ditos de terror não me dava medo. Mas falo daquele medo característico que é experimentado pela primeira vez na infância com aqueles incompreensíveis filmes em preto e branco - e fica lá, guardado e só aparece quando algum filme consegue chegar nele. Meda, mesmo. Não confunda com exageros gore de playboys que resolvem torturar meninhas como Eli Roth faz. Falo de coisas como a cena inicial de 28 Weeks Later, o ataque à casa de refugiados, que é uma dessas cenas que vai ficar na minha memória junto com aquele filme de vampiro que me deu tanto medo que pedi pros meus pais me levarem pra casa. Assusta daquele jeito estranho.

Uma cena dessa é rara e não tem lá muita importância pra quem fala de cinema com a mão no queixo e provavelmente só os fãs do gênero vão comentar entusiasticamente. Tocar o terror em cortes rápidos e te fazer encolher na cadeira não é das coisas que conseguem fazer todo dia, Juan Carlos Fresnadillo teve seu momento ali e vai ser difícil repetir. Eu fico aqui com o DVD observando como é que faz uma coisa dessas.

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Watchmen

Alguns posters que vi recentemente me chamaram a atenção, começando com a loucura pop que será I’m Not There brincando com o clássico vídeo de Dylan, passando pelo interessante Eastern Promises, de David Cronenberg, que parece ser casca grossa e continua na mesma linha de A History of Violence (que por sinal tinha uns posters feinhos). Tem também We Own The Night, policial com Walhberg e Phoenix que homenageia os cartazes econômicos e representativos da década de 70 e o dark Sweeney Todd de Tim Burton, que deve fazer escola (mais uma vez). Na tv, o teaser da sensacional Dexter é o mais legal da temporada.

O prêmio de pior fica com Death Sentence, que na cara dura pinta Kevin Bacon como se fosse Mickey Rourke nos cartazes de Sin City, nem ao menos pra imitar um filme bom. Ah, e a imagem ali em cima é do primeiro poster de Watchmen. Snyder resolveu não brincar com fogo e não inovou em nada, ainda.

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Hopkins em Fracture

Gosto de filmes ou séries de tribunal - mas não chego a exageros estilo McBeal ou coisas do tipo, veja bem. Em filmes como esse um bom roteiro e direção segura fazem toda a diferença, ou pelo menos aquela diferença necessária que o separará dos outros do nicho. Em Fracture as diferenças são sutis e bem pontuadas como a calmaria do diretor Gregory Hoblit em segurar as cenas de reviravolta (que obviamente existirão) e extender os diálogos de forma elegante e sem perder o interesse é um ponto alto do filme. Poderia dizer que Antony Hopkins também fez sua parte muito bem mas o velho já não é mais um ator, é uma força da natureza.

Como um promotor ambicioso Ryan Gosling pega o caso de tentativa de assassinato cometido pelo engenheiro Ted Crawford (Hopkins) como o último de sua carreira na promotoria antes de entrar num escritório corporativo. O caso chega nele praticamente ganho, com evidências e até uma declaração do suspeito. Porém aos poucos as evidências vão caindo e o plano inteligente de Crawford aparece - quando o caso chega no tribunal simplesmente não tem como acusá-lo de nada. Roteiro esperto e que utiliza bem suas possibilidades e dois atores empenhados deixam o filme gostoso de se ver. Não é preciso assistir uma obra-prima todo dia, às vezes duas horas de um filme excelente são o bastante.

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“It’s an interesting film (…) but it was pretty much killed by a two-second moment on screen where his wife is being raped and she smiles. That was the end of that movie. You can be certain that she’s not going to be smiling in the rape in my film.”

Dito por Rod Lurie ao comentar sobre sua refilmagem de Straw Dogs, de Peckinpah. Mas que enorme idiota esse homem é.

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Guitar Shop

Sou um melhor tocador de air guitar do que um guitarrista de verdade. Desde os primeiros acordes ouvidos em aparelhos de som analógicos a idéia de tocar guitarra me fascinou, tudo numa guitarra era perfeito pra mim. E um dia, exatamente como naquale cena do Stranger Than Fiction, eu entrei numa loja e comecei a olhar uma por uma, escolhendo com calma qual serviria ao meu propósito musical de garoto apaixonado. Comprei minha primeira guitarra, a que supostamente tomaria o lugar da minha guitarra imaginária.

Mas não consigo enganar a mim mesmo por mais que eu tente e seja bom nisso. Os acordes tocados na Stratocaster nunca soam tão bem quando na minha guitarrinha imaginária que de tudo toca e sempre toca perfeitamente, com direito a corda soltando no meio da música pra fazer o charme de desafinado. É fazendo cara de quem está tocando o som mais potente e belo do mundo que eu toco minha guitarra imaginária sem perdão todo dia, em todo lugar e nos momentos mais improváveis. Sempre estou a tocá-la fazendo aquele som lindo. É uma depêndencia eterna adquirida logo nos primeiros discos escutados.

As guitarras reais não chegam ao pé da minha Gibson ora azul, ora preta, que vira Grestch e depois Fender e por vezes até uma imprevisível Lewis. Guitarras reais não fazem o som único que as cordas invisíveis da minha guitarra faz.

Por isso sempre vou ser um grande guitarrista imaginário.

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Policiais durões

Danny Boyle perdeu o lugar de melhor (ou mais legal, enfim) diretor inglês da atualidade. O maluco do Edgar Wright acaba de subir no ranking com gosto. Já não bastasse a pérola de filmes de zumbi/comédia chamada Shaun of the Dead no currículo agora Wright e seus comparsas Simon Pegg (o inglês baixinho e invocado) e Nick Frost (o gordão nerd) fizeram Hot Fuzz, filme que heroicamente me deixou rouco de rir.

A premissa é ser um filme policial narrando a história do Sergento Nicholas Angel, uma espécie de super policial altamente treinado e que dedicou toda a sua vida à Força (não “A” Força, e sim a Força Policial) e possui os maiores índces em seja qual for a coisa que esses índices meçam. De tão bom ele é convidado a se retirar de Londres - é remanejado para uma cidade do interior, numa tentativa dos chefes de polícia de esconder esse policial exemplar que ofusca todo o resto da Força. O que sobra é uma comédia hilária e sem descanso.

Em sua nova cidade Angel mostra-se um oficial da lei exemplar e logo começa a farejar crime em todos os cantos. Seu novo parceiro é Danny Butterman, nerd viciado em filmes de ação clássicos da testosterona como Caçadores de Emoção e Bad Boys (com ênfase no 2, aquele do megalomaníaco Michel Bay) e aos poucos vai se adptando a rotina.

Porém vários assassinatos brutais começam a ocorrer e por mais que a polícia local queira fazer tudo parecer um acidente Angel sabe que algo está errado e começa a colocar em prática suas super habilidades. Daí pode-se dizer que esse é um filme policial gore, Wright não economiza no sangue e nas referências a clássicos do terror como A Profecia além de um peculiar apuro (leia-se gore) nas cenas de sangue.

Ao longo do filme a edição barulhenta e pretensamente estilosa e que remete diretamente aos filmes policiais recentes do esquemão hollywodiano parece incomodar, mas só na segunda metade do filme que coisa resolve pegar é que a parte hilariante da coisa aparece. É tiroteiro, perseguição, frases de efeito, sangue, tiroteiro, sangue e até referências aqueles filmes antigos do Godzilla (!!) - com uma trilha sonora que inclui Fratellis e Supergrass. O engraçado é que funciona como um filme de ação feito pra esquemão tanto como comédia sacana da melhor qualidade.

Altamente recomendado para quem assiste filmes de ação pra rir e brincar de bangue bangue.

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Desde semana passada estreou nos cinemas nacionais o 28 Weeks Later, filme que muito me interessa assistir assim como o Zodiac, que dipensa comentários. Mas nenhum dos dois filmes estrearam em Belém ainda. E provavelmente nem irão. Temos dez salas de cinemas divididas entre dois shoppings administradas por uma única empresa, a infame Moviecom.

Robert Downey Jr em Zodiac

Atualmente com quatro filmes em cartaz, sendo dois blockbusters (Homem Aranha e o Piratas do Carilho) e outros dois que nem me dou trabalho de saber o nome. Os filmes dos últimos meses que passam embaixo do radar de retorno garantido simplesmente não chegam mais aqui, parece que estamos num buraco isolado que só recebe cópias de filmes que rendem muito - e não que o mercado regional seja ruim, já tivemos três empresas concorrendo entre várias salas, foram vários tiros no pé seguidos que resultaram em falências. Não foi culpa direta do mercado.

A piada de que moro num mato é infelizmente mais atual que nunca. Belém caduca por cinemas, shows, exposições e até mesmo de livrarias - dias desse fechou mais uma.

Vale dizer que nem sempre foi assim, houveram épocas de formidável programação cultural. Nos últimos anos entretanto a coisa desandou de forma tétrica e a cidade definha. Ainda mais para um eremita de gosto duvidoso como eu que não aprecia besteiras para passar o tempo - pra isso fico em casa com meus brinquedos. A falta de filmes decentes nos cinemas me afeta diretamente pois encerra um hábito antigo. Apesar de ser consumidor caseiro de downloads não troco uma boa sessão no telão por meu sistema de vídeo bem menor. Ainda.

Existem duas salas “alternativas” de projeção administradas pelo governo que tentam manter a diversidade, as sessões não raro são concorridas e até projeções de dvd resultam em casa cheia. Tentativas de manter a diversidade que esbarram em limitações orçamentárias e técnicas.

Cada dia que passa o nome deste blog faz mais sentido pra mim.

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kar wai

Estava vendo as estonteantes imagens do novo filme de Wong Kar Wai e pensando em como vai ser incrível esse filme, pela primeira vez vou poder entender de verdade as pequenas nuances nos diálogos, nas palavras do atores dos atores e que não tem jeito: vai ser de tirar o fôlego.

Mas não foi isso que pensei à princípio, vendo a galeria lembrei que nem conhecia os filmes de Kar Wai até ano passado e que se não fosse por conta da minha namorada talvez tivesse assistido e não gostado, seriam apenas mais uns filmes.

A culpa é dela, foi na saída da sessão de 2046 que ela encontrou uma amiga e as duas desataram a elogiar o filme, eu lá meio carrancudo (devia estar numa fase de filmes hardcore, sei lá) e não vendo muita coisa pra se falar sobre o filme, tinha achado era legal e pronto. Mas em certo momento a minha namorada começou um discurso apaixonado, tão fluído, complexo e belo que me chamou a atenção. Aos poucos ela foi falando sobre cada coisinha que ela achou bela, o que achou genial, foi montando uma crítica tão inesperada e bonita que minha carranca desapareceu. Foi ali que percebi o quão avassalador o filme tinha sido pra ela e acabou me contagiando, calado juntei suas observações às minhas e notei que minha carranca era apenas birra adolescente contra o sistema. O filme era belo, quase genial.

Ela me fez perceber isso sem ao menos falar comigo, estava falando por falar, se expressando lindamente, não tinha a intenção de me convencer de nada. Não preciso dizer que esse foi um dos momentos em que fui derrubado pelo amor que tenho por ela. E que eu sou apenas mais um homem bruto que precisa de alguém como ela pra me mostrar a beleza em certas coisas.

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