Das histórias de amor em três minutos [ou] Once
26.01.2008 | Filmes

Dentre os indicados para o Oscar de melhor canção desse ano está um musical irlandês de 2006 chamado Once, com a canção Falling Slowly. O filme é uma espécie de musical indie sobre um compositor irlandês que toca na rua para ganhar um trocado e conhece uma garota tcheca que toca piano. Nada de novo em nenhum aspecto, e aí que o filme se faz interessante, desligando as expectativas de assistir um drama profundo você acaba ficando mais com vontade de escutar as canções e acompanhar o entrosamento do casal enquanto tocam.
Falling Slowly é a primeira canção que o casal toca junto numa loja de instrumentos e aparece mais algumas vezes durante o filme, uma simples cançoneta de amor com refrão desesperado e belo (Algo como “Pegue este barco naufragante / e guie-o pra casa”). Não sei se é só comigo mas geralmente canções que remetem ao mar mesmo que figuramente tendem a me agradar em cheio. Modest Mouse que o diga. Once é chamado de musical, mas no final das contas é mais um filme sobre música e pessoas que não vivem sem ela do que o tradicional filme cheio de números dançantes. Torcida garantida no Oscar.
3 ComentáriosO Coringa morreu. Ledger era um ator mediano e vai ser lembrado como um grande Coringa, vão chamá-lo de ”excelente ator” ao lembrar de sua indicação ao Oscar por Brokeback Mountain. Entre exaltações exageradas é certeza de que poucos a mesma aura que paira sobre Brandon Lee vai pairar sobre ele (e seus filmes) mesmo sendo atores tão diferentes.
Dark Knight agora caminha para ser o blockbuster do ano a passos largos e todos que previam como espetacular o Coringa de Ledger agora aumentarão o hype para proporções gigantescas. Mais uma vez a curiosidade mórbida vai encher os cinemas. A morte prematura do ator virou um grande golpe de marketing involuntário, tanto que de cara achei que a notícia tinha um quê de mentira e talvez fosse algo mais na ótima campanha do filme - uma piada de humor negro. Mas aí as notícias foram pipocando com mais detalhes, versões e o momento de aparecer o Batman na cena do crime passou.
É, sou um espírito de porco, estava esperando que ali no meio do auê aparecesse o Christian Bale (talvez o Gary Oldman), entre os CSI e os paramédicos e encenasse algo que no dia seguinte figuraria entre os blogs de publicidade como “mega campanha viral engana todo mundo”. O marketing me corrompeu e nem na morte mais eu acredito.
4 ComentáriosHaneke, o homem que personifica tudo que há de ruim no cinema dito “de arte” (ou qualquer outro termo que você use), fez um remake quadro a quadro de um grande filme ruim que fez há mais de dez anos chamado Funny Games. Tudo bem, mas é Funny Games, um filme raso, metido a besta e pseudo-intelectual.
É o Eli Roth dos círculos cult.
6 ComentáriosTalvez você fique no paraíso por meia hora
16.01.2008 | Filmes

Talvez o segundo melhor filme do ano passado, Before the Devil Knows You’re Dead é como se Sidney Lumet pegasse todos os medíocres diretores atuais (que acham saber muito de filmes sobre crimes) e desse uma aula seca, intocável e sensacional sobre como é que a coisa funciona. Não precisa de diálogos descolados, de trilha underground ou maneirismos de câmera, utilizando o básico Lumet faz um incrível filme sobre personagens em situações limite. E o homem deve saber algo sobre isso depois de 80 anos vividos.
Utilizando de montagem moderna com idas e vindas no tempo, pra quem acha quem esses diretores velhos sõ sabem deixar a câmera ligada parada em algum lugar, trilha sonora econômica e nem por isso menos impactante além das ótimas atuações de Ethan Hawke e Phillip Seymour Hoffman o filme é um desastre para acontecer. Você vê os personagens caminhando para o final fatídico (e sabe disso porque Lumet mostra logo de cara) e não pode fazer nada. Resta continuar assistindo para saber os detalhes e o que sobrou no final das contas. Raramente sobra muita coisa, por mais que a gente queira.
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Ainda tenho que pegar um desses livros de Dennis Lehane pra ler, se até mesmo Ben Affleck conseguiu livrar-se de anos de filmes ruins e voltar ao tempo que ficou conhecido como roteirista promissor e dirigir um filme interessante deve ter algo muito bom neles. Em Gone Baby Gone não há tanto da mão pesada de Clint Eastwood e Affleck não chega a mostrar um talento fora do normal na direção, há sim um roteiro bem executado (escrito por Affleck e Aaron Stockard, velho companheiro dos tempos de Good Will Hunting) e uma equipe técnica impecável que conduz a história longa sem deixar o ritmo cair.
Assim como Mystic River há um drama em volta de um crime, neste caso um desaparecimento de uma criança - parece que há uma similaridade com um caso real recente, mas não sei direito os detalhes. Um casal de detetives é pago para ajudar na investigação que mobiliza grande parte da força policial de Boston. É aí que entra um dos problemas do filme, Casey Affleck, um tanto unidimensional e sem desenvoltura necessária para o papel de sujeito articulado entre diversos meios da cidade acaba estragando cenas tensas. Só quase no final do filme que ele começa a se encontrar, mas aí é tarde demais.
Fora isso há um filme melancólico e interessnate pontuado discretamente com a boa trilha sonora de Harry Gregson-Williams e diálogos bem escritos. Até mesmo o twist final encaixa perfeitamente na história e em momento algum soa forçado demais. Se encontrar mais roteiros assim pela frente Affleck tem chances reais de se desvincular da palavra Gigli no futuro.
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Nem vou tentar dizer que é complicado demais entender I’m Not There mesmo lendo textos e resenhas sobre o filme porque posso focar apenas na trilha sonora. Vai demorar um pouco pra eu pegar a maioria das citações, das cenas desconexas e das referências que montam o mosaico sobre Dylan. Mas a trilha eu entendi muito bem na primeira vez, mesmo as canções que não conhecia. Não tem erro quando começa a tocar “Going To Acapulco” com Jim Jones gritando tristemente a bela letra, você entende mesmo sem saber quem é Dylan ou de que disco a canção vem.
E vai assim por todo o disco. Você pode não gostar de Pavement, mas Stephen Malkmus canta “Ballad Of a Thin Man”com um senhora banda de apoio que tem ninguém menos que Tom Verlaine, Nels Cline (Wilco) e John Medeski (Medeski, Martin & Wood) isso nem vai importar. O que fica é a canção clássica ainda mais avassaladora. Dá pra pegar todas as faixas e despejar elogios - Jeff Tweedy, Mark Lanegan (subindo ao status de força da natureza) e Cat Power são alguns que se diertem em cima das canções do velho bardo . Se você não assistiu o filme ou nem pretende, escute a trilha. Meu comecinho de ano é dela inteiramente.
Dylan pode parecer complicado demais, seu sei como é o sentimento. Mas é escutando uma canção por vez que vou entendo o meu Bob Dylan, que é bem diferente de qualquer um dos mostrados no filme. Deve ser assim pra todo mundo, eu imagino.
1 ComentárioThey’re going to kill me in the morning
24.10.2007 | Filmes

O western foi o último gênero cinematográfico que aprendi a gostar. Isso foi alguns anos atrás quando comecei a assistir coisas fora do meu radar para ver o que estava perdendo. Desnecessário dizer, mas digo mesmo assim, que fiquei apaixonado pelo gênero e por meses respirei os filmes. Ficava martelando na cabeça qual era a razão de não gostar antes. Acho que precisava estar numa idade ou período certo pra gostar daqueles filmes lentos de homens brabos, honra crua e tiros, muitos tiros.
Falo “daqueles” porque tão comum quanto um filme recente de Coppola é um western de qualidade nos últimos vinte anos, depois da virada do século então só consigo pensar em Deadwood. Mas aí James Mangold resolveu fazer um remake de 3:10 To Yuma. Não sei se a intenção do diretor do esquecido Copland era homenagear, recontar, reviver uma história ou talvez até o gênero. Acabou não sendo nenhuma dessas e sim o melhor western do século - legal poder falar do século quando se ainda está no começo dele, parece até trapaça.
O filme original, que não assisti, é com Glenn Ford como o malvadão Ben Wade e Van Heflin como o fazendeiro Dan Evans. Ben Wade é o papel dos sonhos de muitos atores e quem assume é Russel Crowe, que mostra saber fazer as coisas há anos mas ninguém parece notar. O homem chega a ser incrível na pele de Wade, principalmente nas cenas com Christian Bale, o fazendeiro perneta que aceita levar Wade até a estação onde partirá o trem das 3:10 para a prisão em Yuma. Os dois são a força motriz do filme em diálogos que soariam fracos na mão de outros atores.
Yuma não é só um filme excelente como é da estirpe dos western originais que não fogem da fórmula mocinho bom, cara mau, dinheiro e tiroteio. E isso atualmente é sinal de filme chato e pirotécnico, com razão. É preciso cuidado para que uma cena onde “a mão de deus” (apelido carinhoso para a arma de Ben Wade) entra em ação não vire apenas um disperdício de balas. O tiroteio final é sensacional, culpa também do vilão psicótico Charlie Prince (Ben Foster) que rouba várias cenas e faz um vilão sujo e malvado como se tivesse nascido pra isso.
Fui saber desse filme dias atrás e só assisti pra ver Bale e Crowe juntos, por simples curiosidade. Não esperava que Mangold estava preparando algo tão bom e que fosse uma das melhores surpresas do ano. Sem ficar relegado a gêneros ou rótulos é para qualquer fã de boas atuações e uma história bem contada se divertir e para aqueles que ainda não simpatizam com o western aproveitarem a deixa.
1 ComentárioA única coisa que vou dizer sobre Tropa de Elite
05.10.2007 | Filmes
Na verdade nem vou dizer nada, vou citar algo que li:
Ah, Tropa de Elite também vai agradar todos aqueles que odeiam as discussões em suas faculdades. É um filme extremamente anti-debates em faculdade, este, sim, um rótulo justo. Porque todos os debates em faculdades são estúpidos e todos os temas de faculdade são estúpidos. Eu teria vergonha de discutir Foucault, ou, para dizer a verdade, qualquer autor ou livro em faculdade, depois de ver este filme. Quer dizer, eu já fico com vergonha de estar matriculado numa faculdade depois de ver este filme. Deve ser por isso que é fascista. Boo, intolerante.
Frost, escrevendo a melhor coisa, ou pelo menos a mais engraçada, sobre o Tropa de Elite (depois do blog do Capitão, é claro - que aliás, ostenta um link para o Bunker) entre discussões bobas e exaltadas que acabam esquecendo que o filme é badass e rendeu um novo ícone pra ficar ao lado do Dirty Harry.
2 ComentáriosHey Kowalski, you out there?
25.09.2007 | Filmes

Algumas semanas atrás saiu o DVD de Death Proof, a brincadeira exploitation do Tarantino que se não é um grande filme ao menos serviu pra uma coisa: eu correr atrás de Vanishing Point. Não tinha associado o Dodge branco de Kowalski com algo além daquele clipe do Audioslave antes de ver o filme e agora, bom, agora o filme entrou no top 10 que guardo na cabeça - ao menos por enquanto, sabe como é empolgação, faz tudo parecr bem melhor do que é. Caramba, como é bom.
Vai demorar um bom tempo pra tirar a imagem do last american hero e seu Challenger branco da cabeça. Se o Tarantino só continuar fazendo filmes que façam a gente revirar coisas do passado pra mim tá de bom tamanho. Não vou entrar em discussões que envolvam o termo “mestre” , “cult” ou seja lá como chamem o homem hoje em dia. Vou catar as referências e me divertir com o que é bom. Pensando ingenuamente talvez seja isso que o diretor queria desde o começo.
2 ComentáriosVou ficar na primeira fila
17.09.2007 | Filmes

Porque esse ano tem Coppola depois de quase uma década sem filmes novos e para quem assim como eu nunca assitiu um filme dele no cinema vai ser um presente, daqueles. O teaser é lindo.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
