
Ontem reassisti Lock, Stock and Two Smoking Barrels, foi até mais divertido do que a primeira vez. Lembro bem, era ocasião do hype de Snatch e vários conhecidos imitavam aquele sotaque de cigano do Pitt por aà pra impressionar as meninas. Pra pagar de IN eu só fazia comentar do Lock Stock. Claro que eu não sabia porra nenhuma do que falava, era mais uma questão de saber as referências melhor do que os imitadores do Pitt, às vezes funcionava.
Confesso que entendia mais o Snatch do que o Lock Stock (principalmente aquele jogo estranho de poker que era praticamente o centro do filme!), mas era necessário negar isso diante das rodinhas de amigos. Muitas garotas dependiam disso (acreditava eu, apesar de isso nunca ter sido confirmado). Devia é ter treinado melhor o meu sotaque.
Pra você ver como eu não sabia nada a trilha sonora me passou batido. A trilha que tem duas faixas matadoras de James Brown (”The Boss” e “The Payback”) além de Stooges e Dusty Springfield! Mais uma vez eu conhecia mais as bandas que tocavam em Snatch. Corrigi isso com essa reassistida e com a trilha aqui tocando alto, vai ser só isso no Last.fm essa semana. Ritchie pode ter se perdido desde a época dos imitadores do Pitt mas fez bonito nessa trilha.
Agora posso cantar “I’m eighteen with a bullet” feliz e quase redimido das afirmações inflamadas que fiz anteriormente.
1 ComentárioNão compre o Box de Akira
05.05.2008 | Filmes

Semana passada comprei o box de Akira que a Focus Filmes lançou e fiquei todo orgulhoso. Foi um presentinho legal pra mim mesmo que gosto do filme pacas (bons tempos de Locomotion) e o pacote parecia bem feitinho, lembrando as edições gringas remasterizadas e tudo mais com dois discos, cards, camiseta e poster por 59,90.
Eis que nem tudo são flores.
Vamos começar pela camiseta: é um TRANSFER fedido que ainda vem escrito “edição comemorativa de 20 anos” embaixo e tudo mais. Esquema de camiseta do iron de banquinha de rua, tu ficas parecendo atendente de locadora usando o negócio. Seguindo pros discos - que julguei serem o creme da caixa, obviamente.
Ao dar o play no filme original que eu comprei em loja com meu dinheiro suado de dezainer pobre sou submetido a QUATRO SPOTS DE TRINTA SEGUNDOS daquela campanha anti-pirataria da UBV que utiliza argumentos totalmente retardados pra provar que quem compra dvd pirata financia o crime. E o pior: não dá pra dar SKIP ou FF. Sério. Isso quer dizer que toda vez que for assistir o meu DVD EDIÇÃO COMEMORATIVA e ORIGINAL vou ter dois minutos de merda antes do filme começar.
E isso emputece qualquer um. Dá pra supor que quem compra uma edição dessas é porque gosta do filme e pretende assistir algumas vezes e tal. Veja bem, não é um cara que vai na locadora e pega um punhado de dvds recheados de propaganda “OLHA O QUE O ESPERTO DO SEU PAI COMPROU” e mal assiste-os. É um cara que aprecia o filme em questão e quis comprar uma edição mais caprichada pra ter na estante e à disposição pra assistir quando der na cabeça. Mas é tratado como um retardado pela Focus Filmes e toda vez que for assistir o seu dvd original terá dois minutos não-ffáveis de MERDA despejado na sua cabeça.
Quem tá afim de comprar, teje avisado. A caixinha em si é legal, fica bonitinha ali na estante e tudo mais. Eu queria ter percebido isso antes pra avisar. Não comprem essa caixa esperando grandes coisas diferentes daquela que você baixou há um tempo atrás. Aliás, recomendo você autorar o próprio dvdzinho baixado pra guardar e emprestar pros amigos e deixar essa caixa de lado. É o que eu vou fazer. Pega aqui, Focus Filmes.
Pior que cortou todo o tesão que eu tava de falar sobre o filme.
8 ComentáriosInside [ou] GORE
19.04.2008 | Filmes

A melhor forma de assistir esse Inside (À l’intérieur) é sabendo o mÃnimo sobre o filme do jeito que eu fiz. Apenas vi que tinha a Beatrice Dalle, possÃvel trama de horror e diretores franceses estreantes. Não sabia nada mais sobre o plot, não vi ver trailer ou screenshots. Dalle e horror já foi mais do que o suficiente pra despertar o interesse. Se for o suficiente pra você também, vá assistir o filme e volte pra ler o resto depois. Se não, espero não estragar tanto a coisa.
O complicado vai ser dizer pra vocês que Inside é o mais incrÃvel gore movie deste século sem entrar em mais detalhes. Tente lembrar daqueles filmes que iniciaram a mania slasher há mais de vinte anos, lembre as sensações que eles causaram na sua mente ainda nova no mundo mundo cinema de horror, como foi assustador ver Michael Myers caminhando imponentemente atrás de sua irmã desesperada. Quero que você tenha em mente essas sensações, seja com Halloween ou com qualquer outro filme que tenha feito as honras de abrir as portas do horror pra você porque é DESSE tipo de coisa que Inside é feito. Não é só um filme de horror para fãs ou aqueles calejados no gênero, é uma obra de arte cinematográfica que utiliza do horror para atingir a perfeição.
Tentando ainda deixar de lado mais detalhes - mesmo com a injeção absurda de hype que injetei no parágrafo acima - a grande qualidade de Inside é manter a trama plana, minimalista e focada em personagens que não necessitam de diálogos de duas páginas para se deifinirem na tela. No começo ainda há alguns cocoetes dos filmes de horror modernos e eu já estava me preparando para um uma velha trama requentada com twist esperto no final quando a coisa descarrilhou de vez e me deixou quieto.
Utilizando de poucos cenários e personagens os diretores Julien Maury e Alexandre Bustillo pulam do simples drama numa cena para um suspense sangrento na outra. E logo depois abrem a torneira de sangue de vez. Chega a ficar tão assustador que, sério, você vai tomar um susto ou virar a cabeça pro lado em algum momento do filme. E tudo isso sem precisar de artifÃcios bestas no estilo Hostel para “chocar” ou “impressionar” o telespectador. Apenas uma história terrÃvel sendo contada, sem aquela macacada de Funny Games de tentar teorizar sobre a violência no cinema. E cacete, é desse jeito que um filme de horror deveria ser, rápido, denso e não se preocupando em chocar ninguém enquanto conta sua história. Polêmica e discussões rasas é pra quem quer ganhar prêmios ou um remake.
O saldo final é uma experiência emocional de tirar o fôlego. Eu não sabia o que esperar e fui me surpreendendo a rodo durante o desenrolar da trama. É digno de todos os clichês que um resenhista pode utilizar, até daquele que você vai querer dormir de luz acesa.
2 ComentáriosNetwork [ou] This story of Howard Beale
17.04.2008 | Filmes

He’s saying that life is bullshit. It is.
What are you screaming about?
Algumas semanas atrás o Nemo falou sobre esse Network, do Siney Lumet com roteiro de Paddy Chayefsky. Não conhecia muita coisa tanto o diretor quanto o roteirista e pareceu-me uma boa oportunidade para sanar a curiosidade sobre ambos. O filme é uma sátira ao corporativismo bilionários das redes de televisão e da total venda de valores morais a favor de alguns pontos de audiência. Tudo bem que não soa tão inovador hoje em dia, porém é empolgante ver que ainda é um ótimo filme e me fez tanto gargalhar quanto deixar de lado quaisquer aspirações a roteirista que eu possua. Escrever algo assim é coisa de gente grande.
Basta pegar os diálogos, que mesmo depois de mais de trinta anos e tratanto de um assunto que evoluiu tanto continuam rápidos, afiados e excelentes. Os personagens conseguem realmente discutir a própria trama em que se encontram sem apelar para truques ou cacoetes narrativos tão comuns ao cinema dessa época. Diabos, tão comuns ao cinema de hoje em dia. Apesar de alguns momentos fracos no roteiro e certas cenas com notável aspiração artÃstica pedante o saldo final ainda é incrÃvel e mais um achado para as minhas listas de citações.
Comente[REC] - Puta Madre
30.03.2008 | Filmes
Assisti ontem esse filme de horror espanhol que foi bem comentado na época do lançamento do trailer por causa desse vÃdeo com as reações um tanto exageradas do público. Parece mais um dia de trabalho para uma equipe de reportagem que acompanha uma noite de bombeiros em Barcelona até que durante uma das chamadas coisas estranhas acontecem. Nem dá pra contar muito sem estragar grande parte do filme. Só adianto que é sangria, gafanhoto.

Filmado num esquema de handycam (coisa que nunca me agradou muito) semelhante ao recente hypado Cloverfield esse filme parece que vai ser daqueles que regulam a sangria e tremem bastante a câmera pra esconder o orçamento baixo. A cena do primeiro ataque é bem isso, chega a ser até um pouco trash pra falar a verdade. Só depois daà que a coisa fica interessante, dá pra compreender melhor o cenário e reconhecer os personagens e se envolver de fato com a história. Não há muita tensão, o negócio é mais na base do susto e de não dar o braço a torcer pra explicar a coisa. Downhill total, do jeito que devia ser.
É justamente essa a parte legal do filme, quando ele resolve deixar de lado as explicações desnecessárias pra cair na porradeira e gritaria desenfreada. Mesmo que espanhol seja uma lÃngua horrÃvel no quesito grito de horror - convenhamos, puta madre pra todo lado chega a causar riso certas horas. Com todas as correrias e gritarias a câmera dificilmente perde o rumo, sempre conseguindo focar bem a ação e com uma fotografia que esconde e revela o necessário sem muita enrolação. Ponto pro esquema de câmera na mão, dessa vez funcionou.
O final é desesperador e bem feito, não insulta o espectador como de praxe nem fecha a porta na tua cara e paga de bonzão. Dá abertura para outras interpretações da história e ainda envolve assuntos que tem tudo a ver com o tema do filme para deixar a coisa mais macabra (só assistindo mesmo pra saber do que estou falando). Com mais essa dupla de diretores parece que horror vai ser comandado por duplas de diretores europeus agora.
3 ComentáriosWristcutters, a Love Story
17.03.2008 | Filmes

Logo de cara esse filme parece mais uma comédia indie cheia de “estilo”, melancolia adolescente com referências meio obscuras e diretor com nome esquisito. E de fato o é, mas tem seus momentos legais aqui e ali. Patrick Fugit, de Almost Famous é um suicida que corta os pulsos ao som de Tom Waits (a cançoneta é Dead and Lovely, do Real Gone de 2004, de nada) e vai parar numa espécie de purgatório para suicidas que é bem parecido com o mundo dos vivos, só que um pouquinho pior.
E por lá vai vivendo, entre bebedeiras e conversas com outros defuntos descobre que sua namorada suicidou-se meses após ele (é como dizem, suicÃdios sempre vêm em três) e decide ir atrás dela para hum, viver feliz pra sempre. Aà o filme vira um road movie indie. Entre situações e personagens estranhos (o próprio Tom Waits faz um ponta) o filme perde-se um pouco na sua premissa inicial e acaba ficando um pouco chato. Vale as músicas do Gogol Bordello que tocam aqui e ali e algum do Gram Parsons acolá.
Não vai mudar sua vida nem nada, mas entrete e não força tanto a barra como o último filme indie hypado da temporada. Você sabe qual. O roteiro é baseado num livro de Etgar Keret que virou até gibi antes de virar filme, vou dar uma procurada.
2 ComentáriosMuito Barulho [ou] Redacted
14.03.2008 | Filmes

Dia desses saiu um dvdrip desse novo filme do De Palma que se me lembro bem foi aplaudido de pé em Cannes e coisa assim. Estava curioso pra ver mas não tanto a ponto de ler resenhas ou ver trailers, soube apenas que era algo envolvendo a guerra no Iraque.
Não é um filme de guerra com tiros e explosões, coisa que logo nos primeiros minutos ele mostra diretamente. Esse papo de “olha telespectador esse filme não vai ser como você espera” está tão saturado que não me convenceu muito bem, ainda fiquei esperando a hora das cenas de batalha. E elas não vieram. Ao invés disso vieram cenas montadas com câmeras de mão e de imagens de segurança, entrecortadas com uma espécie de documentário francês sobre a ocupação americana no Iraque mostrando o dia a dia de um pelotão pouco exemplar e sua missão de vigiar uma barricada dia a dia.
Fiquei meio preocupado e triste, perdi meu filme de tiro pra comer pipoca e ganhei um crossover de Michael Moore com Jarhead com toques de Cloverfield, com tudo de bom e ruim que isso proporciona - na verdade mais com a parte ruim. O pelotão em questão é composto dos esterótiopos de soldados acéfalos que estão ali “porque soldado obece ordem” e soldados com um pouco de integridade mas nenhuma vontade de fazer algo que preste ou ir contra o sistema, que seja.
Como já tinha reservado a noite pra esse filme assisti inteiro mesmo já sabendo o que viria: polÃtica rasa, panfletarismo besta e violência extrema. O filme grita, grita e grita que aquilo tudo é uma barbárie e que está errado utilizando montagens espertas de câmera e cenas violentas de um jeito bem Haneke de fazer esse tipo de coisa. A gente já viu isso antes, já leu e já sabe como funciona, caramba, é preciso mesmo que mais alguém grite no nosso ouvido clichês e não forneça ao menos uma alternativa para o problema? Explicitar é bastante conveniente e gera palmas em Cannes, pelo visto. Tentar resolver ou algo que o valha não.
ComenteA Bunch of Old Men
26.02.2008 | Filmes

Os Coen levando o oscar com aquela cara nerd e prontos pra soltar um piada interna foi o que valeu a noite onte no Oscar. Aida bem que peguei o finalzinho e só vi o que interessa, melhor direção e filme. E os nerds ganharam, já disseram por aà que os geeks e nerds são cool hoje em dia, uma grande besteira, sempre fomos cool. Vocês é que não perceberam.
O final irretocável de No Country for Old Men causa discórdia e fúria por aÃ, eu sou daqueles que viu a perfeição no desfecho (ou falta de, já gritariam alguns). Mas vem cpa, era pra ser o que? Uma cena bem western com tiros e talvez alguma redenção amarga? Era para o Chigurh deixar sua presa ir embora ou morresse? Mesmo depois de várias passagens durante o filme explicitarem as intenções dos diretores não era pra se surpreender com a mão pesada com que terminam o filme. E qualquer um que já foi assaltado na rua ou algo parecido deveria entender muito bem o monólogo de Tommy Lee.
Mas quem ficou perdido no final ou esperava mais dificilmente mudará de opinião e eu que não forçarei a barra. Apenas espero uma chance para reassistir o filme e guardar o dvd na estante. Os oscars não fazem tanta diferença.
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Em novembro do ano passado a Paramount anunciou a compra dos direitos da graphic novel francesa The Killer (Le Tueur) e colocou ninguém menos do que David Fincher para comandar o projeto. Procurei saber o máximo da obra escrita por Matz e ilustrada por Luc Jacamon quando li a notÃcia mas não encontrei nenhuma edição disponÃvel além de páginas esparsas. Deixei no topo da lista sabendo que se Fincher estava interessado algo muito bom devia ter na história.
Finalmente dias atrás consegui as primeiras edições e reservei um disco de John Lee Hooker para escutar e um bom lugar para sentar. The Killer é sobre um matador de aluguel badass e metódico no auge do seu jogo (game funciona tão bem em inglês e fica estranho em português). Nada muito original pra começar, mas são os detalhes que chamam atenção. A narrativa é excelente e apesar de passar perto de vários clichês dificilmente entrega-se a eles, os painéis são montados com uma estética noir classuda que aproveita de enquadramentos afiados sem desperdÃcio. É uma bela simbiose do roteiro ágil e bem montado de Matz (que na verdade chama-se Alexis Nolent e trabalha na Ubisoft francesa) e Jacamon, que aproveita de tons claros e mostra grande habilidade para sequências de ação.
Uma ótima série que foi publicada entre 96 e 2006 na França e a partir de 2006 nos EUA pela Archaia Studio Press (na primeira edição tem a ótima tagline “a hardboiled noir chronicling one man’s journey through some seriously bad mojo”) em 10 edições. Para quem ficou curioso como eu há uma ótima animação interativa da Submarine Channel que utiliza da graphic novel original para fazer uma nova montagem e proporciona uma leitura interessante. Postei também um pedaço da primeira edição no FRAG!. Agora vamos esperar mais um grande filme.
ComenteDas histórias de amor em três minutos [ou] Once
26.01.2008 | Filmes

Dentre os indicados para o Oscar de melhor canção desse ano está um musical irlandês de 2006 chamado Once, com a canção Falling Slowly. O filme é uma espécie de musical indie sobre um compositor irlandês que toca na rua para ganhar um trocado e conhece uma garota tcheca que toca piano. Nada de novo em nenhum aspecto, e aà que o filme se faz interessante, desligando as expectativas de assistir um drama profundo você acaba ficando mais com vontade de escutar as canções e acompanhar o entrosamento do casal enquanto tocam.
Falling Slowly é a primeira canção que o casal toca junto numa loja de instrumentos e aparece mais algumas vezes durante o filme, uma simples cançoneta de amor com refrão desesperado e belo (Algo como “Pegue este barco naufragante / e guie-o pra casa”). Não sei se é só comigo mas geralmente canções que remetem ao mar mesmo que figuramente tendem a me agradar em cheio. Modest Mouse que o diga. Once é chamado de musical, mas no final das contas é mais um filme sobre música e pessoas que não vivem sem ela do que o tradicional filme cheio de números dançantes. Torcida garantida no Oscar.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
