bunker

The Mix UpFaz uns dias que escuto direto esse disco que deixei passar em branco do Beastie Boys. É como uma festa mojuda tocando alto nos falantes. Os beasties tocam suítes puramente sly e funkadelic, só pra depois tocar um trip hop acidental com forte pegada psicodélica e viajante. Sensacional. Já era bem legal aquele disco de 96, The In Sound From Way Out!, só com temas instrumentais. Esse The Mix-Up é uma continuação subvertida da mesma idéia.

E como de praxe, eu chego atrasado nessas coisas bacanas (o disco é do ano passado). Não faz mal, as audições seguidas de “The Gala Event” vão cuidar do atraso.

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Taí mais uma dessas coisa que acontecem sem querer. Esse Black Keys já tem alguns discos e só fui saber deles há poucos dias quando um compadre recomendou recente Attack & Release depois deu ter pedido indicações musicais decentes, estava numa pegada indie-electro-new-rave-remix por causa de um trampo, meio que a coisa estava me corroendo e precisava de paudurescência e guitarreira para espantar esses blips e blops todos. E foi em cheio, justamente o que eu precisava esse Black Keys.

É um duo guitarra/vocal e bateria de Ohio com quatro discos desde 2002 (e eu não conhecia!) que desce a lenha na distorção setentista e nos riffs longos de quem escutou muito Jimi Hendrix ou Faces ao aprender os primeiros acordes. Ainda não escutei os discos anteriores mas dizem que tem uma pegada bluesy mais pesada. Quase perfeito o negócio deve ser então.

Hoje escolhi a soul “Lies” e sua letra meio hippie como favorita, mas ontem mesmo eu não largava de “Psychotic Girl” com batida legal e banjo apoiando um refrão gospel genial. Sem falar no tecladinho. Te dizer que desse Attack & Release fica difícil escolher uma só faixa como melhor, toda vez que escuto o disco escolho uma diferente, da abertura climática e estranha de “All You Ever Wanted” até a balada oldschool rasgada “Things Ain’t Like They Used To Be” as faixas são de uma cremosidade pra quem aprecia a barulheira que uma SG faz quando bem tocada.

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Blueberry Pies

19.03.2008 | Discos

myblueberrynights_coveraaa.jpgPor enquanto a melhor trilha sonora que escutei esse ano disparado é do maravilhoso My Blueberry Nights - eu já sabia que o filme ia ser bom. Além de ter Norah Jones no filme mostrando ser ótima atriz ela também canta a sweet faixa de abertura “The Story”, daí vem Cat Power (que também faz uma ponta no filme) com “Living Proof” e os temas desérticos blueseiros de Ry Cooder aqui e acolá intercalados com souls matadores de Otis Reading, Ruth Brown e Amos lee. Coisa fina é pouco.

Esses soul (difícil escrever sobre soul sem lembrar daquela piada de High Fidelity) são a delícia cremosa da trilha, Kar Wai é daqueles que dificilmente erra na escolha de uma canção, só ver seus filmes anteriores. Não seria no seu primeiro filme em inglês que ele iria deslizar. A cena em que toca “Try A Little Tenderness” de Otis Reading é daquelas pra assistir várias vezes no youtube depois de anos. A canção já é um daquelas pérolas souls totalmente sofridas e avassaladoras por si só, junto com o filme de Kar Wai vira sacanagem.

No entanto a minha favorita é “Looking Back” de Nat King Cole na voz de Ruth Brown. Não sei explicar, mas acho que quando moleque revirando as fitas k7 antigas dos meu pais devo ter escutado Ruth Brown antes (ou Nat King Cole), ao escutar no filme eu já conhecia aquilo e meio que fiquei cantarolando. Soul geralmente é assim, difícil de esquecer.

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Black And WhiteTem sido um bom ano para discos. Fazia tempo que eu não sentia um cenário desse jeito, dá pra acompanhar direitinho o mainstream sem precisar descer para sites e revistas obscuras para encontrar textos bons sobre alguma coisa, até esctutei pouco post-rock esse ano. Pra completar só faltou mesmo comprar disco em loja. É bom poder ler e escutar discos novos de Bruce Springsteen, Queens of The Stone Age, Foo Fighters e Radiohead. Eu pertenço a esse meio com essas bandas milionárias e que fecham festivais, cresci com tudo isso e ficar falando sobre bandinhas canadenses ou a próxima imitação de alguma banda de pós-punk que apareceu é sacanagem, me sinto até tímido. Meu negócio sempre foi explosão no palco e solo de guitarra.

Mesmo com todos esses discos novos quem está no topo da lista é o The Hives com The Black And White Album. Vazou semana passada, alguns dias depois do Radiohead e acabou me deixando dividido entre o sensacional jazz de anão do Yorke e as batidas empolgantes dos suecos. Tendo o In Rainbows de lado e o Black and White de outro pude analisar melhor quais são minhas reais prioridadades musicais. E no final do dia pode ser um disco genial, canções realmente inovadoras e que ficarão entre as melhores da década mas eu quero saber mesmo é de guitarra e refrão barulhento, riff sacana e bateria incansável. O Hives tem tudo isso no novo disco e ainda um pouco mais.

Começa com Tick Tick Boom e refrão com explosão de canhão ou algo parecido - guitarras altas e vocais brincando com coros e o velho yeah gritado aqui e acolá. Sabe quando a canção dá uma parada, fica só a bateria e o vocal numa batida seca até a guitarra entrar numa explosão? É disso que tô falando, tick tick boom! O single perfeito pra abrir o disco. No disco anterior o Hives flertou mais com o seu lado Devo e acabou deixando de lado o que mais sabem fazer, que são canções de rock impossíveis de se escutar impassível. Em algum momento você vai balançar a cabeça, bater o pé, fazer air guitar com a perna direita ou sei lá, aumentar o volume. A abertura vem Try It Again e You Got It All… Wrong fechando a trinca de abertura barulhenta e perfeita.

Durante o disco inteiro há uma urgência em tocar rápido, alto e cantar sem parar pra respirar. O que poderia virar apenas gritaria e emulação garageira ridícula vira o melhor disco do Hives até agora, encontrando o equilíbrio entre o punk reto, as letras sacanas e os riffs e licks empolgantes com apelo pop. É como se o Electric Six escutasse menos soul e mais punk. Em It Won’t Be Long o vocal é grosso, imitando Interpol ou qualquer outra banda do tipo, por mais que a intenção seja sacanear logo o refrão chega e salva a canção de ficar apenas na sátira. Equilíbrio, gafanhoto, foi isso que o Hives encontrou, não exagerou no tamanho das canções, na sátira, no punk e na vontade de ser barulhento. Talvez a produção mais limpa que se livrou dos barulhinho e teclados cafonas tenha ajudado. O importante é que quase todas as faixas são hits em potencial e não apenas o single como aconteceu no disco anterior.

Este ano mostrou até agora que Springsteen é o chefe que escutamos com atenção, Radiohead é uma das poucas bandas que sabe o que fazer, o Foo Fighters caminha em direção a se tornar uma força da natureza e que nesse meio o Hives passou a perna em todos tocando apenas alto e sem meter a cabeça na bunda (White Stripes e QOSTA) e ainda se divertiu um bocado.

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The Thrills

Faz quase duas semanas que escuto direto o último disco do The Thrills, Teenager, não que ele seja muito bom ou genial, na realidade tem algumas faixas até um pouco chatas e que merecem um next no player. Mas o problema é que sou um coração mole, daqueles que não tem coragem pra ficar passando as faixas do disco só pra poder escutar mais uma vez aquele refrão meloso. E como esses caras gostam de uns versos bem doces! Nesse disco abandonaram mais o instrumental pesado com várias cordas e barulhinhos para se concentrar no básico do pop ensolarado que tocam. Nada de firulas de estúdio, eles devem ter pensado, vamos tocar só com o básico em cada canção e nos ater aos refrãos. Ótima escolha, eu diria, se estivesse lá.

Pra quem padece de um coração mole de vez em quando (quiçá todo tempo) como este escriba, o disco tem boas chances de acompanhá-lo por semanas até perder um pouco da graça ou a crise de fofura passar. Enquanto isso minhas caminhadas matinais vão ficando um pouco mais assoviáveis.

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ishallexterminate.jpgAlguns anos atrás o Electric Six era the next best thing em todo lugar com o Hit “Danger! High Voltage” e virei fã tanto pelo som deles ser pra escutar alto nas noites de sábado quanto por ter sido um dos primeiros dicos que baixei no começo das minhas aventuras pelo mundo do p2p quando Soulseek era a minha biblioteca. O álbum de estréia era insano na mistura de disco com guitarras altas e letras sacanas, as apresentações ao vivo também eram poderosas e os videoclipes eram engraçados. O Electric Six tinha tudo pra ficar nos holofotes. Não ficou.

Dois discos foram lançados sem alarde (Señor Smoke e Switzerland) e a banda sumiu. Apesar de algumas faixas bem bacanas, os dois discos são um poço de mesmice que não conseguia manter o pique da estréia. Mas parece que a sorte vai mudar pro Electric dessa vez com o lançamento de I Shall Exterminate Everything Around Me That Restricts Me from Being the Master (melhor título do ano!) que possui uma trinca de abertura pra ser escutada sem moderação (”It’s Showtime”, “Down at McDonnelzz” e “Dance Pattern”). As longas 16 faixas acabam desviando um pouco a atenção de mais canções bacanas como “Dirty Looks” e “Randy’s Hot Tonight” - dava pra fechar em 10 e ter um disco mais redondo. Pouca gente vai escutar e nas festas não vai fazer muito sucesso. Mas coitados dos meus fones de ouvidos e dos vizinhos.

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StarsO disco mais novo do Stars, In Our Bedroom After War, pode não ser tão belo e assustador (ao menos pra mim) quanto o disco anterior porém a banda continua das coisas mais bonitas de se escutar entre as baboseiras indies de cada dia, ainda mais porque quase no meio do disco tem “My Favourite Book” - que é pra cantarolar junto com a voz irresistível de Torquil Campbell e entrega os quatro minutos pop perfeitos mais grudentos da semana.

Pra mim, maravilha.

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ladysbridge.jpgAssim como no fim do ano passado passei meses escutando Coles Corner (que tentei escrever sobre aqui) vou ficar bons meses escutando Lady’s Bridge, quinto álbum deste senhor chamado Richard Hawley, conhecido apenas por ter tocado no Pulp - injustamente, já que sua carreira solo é nada menos do que excepcional e na minha opinião bem melhor do que sua ex-banda. O nome do disco é referência à Sheffield, sua cidade natal na Inglaterra, assim como os nomes de seus dois discos anteriores (Lowedges e Coles Corner).

Hawley canta as canções que eu escutaria pelo resto da vida. Com sua voz grave, entoada como um Cash mais boêmio ou um Elvis que nunca deixou de ser romântico ele canta sobre perdas, reoconquistas e sobre o amor que tanto acredita sempre com arranjos melodiosamente irresistíveis e refrãos que não deixam a alternativa de não cantarolar junto. Como Costello certa vez disse existem poucos temas e poucas notas para um músico uma canção, mas parece ser o bastante. Hawley prova isso em 11 canções e pouco mais de 48 minutos.

Como sempre as letras continuam belas, na faixa de abertura “Valentine” ele canta “Bring me to the light of the morning / And take me through this night till the dawning / Oh I see a warning in your eyes” com aquele tom alto e poderoso de trovador que sabe o que está cantando, mais na frente em “Dark Road” ele setencia “It’s a long dark road, that I call my home” como se nunca tivessem escrito canções desse tipo. Não há muitos músicos por aí que ainda fazem discos assim.

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Quêm me lê há um tempo já deve ter percebido que Josh Rouse é uma presença constante nas minhas audições e listas de recomendações. Faz quase dois meses que ele lançou Country Mouse, City House e assim como Subtítulo e o EP delicioso She’s Spanish, I’m American as rotações deste no meu player já foram muitas e assim será por um bom tempo. A razão de ter demorado pra escrever sobre o disco talvez deva-se pelo sentimento que tenho quando escuto: que é preciso relaxar um pouco. Música pop não é pra ser deglutida em altos índices semanais e não deve ser empurrada com promessas de que vai salvar a sua vida - tanto que tem discos que nem precisam disso - a música deve ser descoberta.

Depois de brincar com novos ritmos em Subtítulo e abusar de canções com poucos elementos, em alguns casos até instrumental, Rouse voltou pra casa, chamou a velha banda e pôs-se a fazer o pop que tanto fez antes de se mudar pra Espanha. Flertando ligeiramente com o soul, seja pelo modo de cantar ou pelo balanço timído de algumas melodias a voz de Rouse vai do mais alto canto até o leve sussurar de frases como I need you back/ Baby, i miss my rolling stone com a desenvoltura de quem já gravou quase dez discos e ainda consegue escrever canções como Snowy, coisa que não é pra todo mundo. Não é preciso mais do que nove canções pra fazer um disco simples, alegre, e por que não, doce.

Fico pensando em quem descobrir este disco agora vai ter mais nove pra escutar e por um bom tempo vai escutar as canções que me acompanham há anos tudo de uma vez, lucky bastards. Eu por outro lado fico na esperança de que qualquer dia desses vou conseguir tocar Nice To Fit In (que o Ian disse que também gostaria de tocar) e ficar contente pra caramba. E que mais dez discos venham por aí.

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Os lenhadores do Pelican

Fica meio complicado falar sobre o Pelican sem escrever que eles tocam uma espécie de metal instrumental - post-metal, talvez? Complicado porque para muitos a palavra Metal passa longe de algo que se deva manter no player junto com o hype da semana. Como sou um ouvinte ocasional de velhos discos de metal sempre de olho em algo mais novo aqui e ali do estilo não tive esse preconceito contra o Pelican na ocasião do lançamento do primeiro EP. Chapei com as camadas sonoras e o peso descomunal de duas guitarras, baixo e uma bateria tão pesada que parece trincar os fones durante uma virada.

O disco fenomenal veio em 2005 com The Fire In Our Throats Will Beckon the Thaw onde o peso aliou-se à uma atmosfera contemplativa e orgânica (por mais que não goste de usar “orgânico” ao falar de música) de beleza melancólica, canções longas com um pé no progressivo - mas bem de leve - e o peso arrebatador que não permitia respiros ocasionais fora do momento certo, dá pra dizer que o disco ditava o ritmo do seu jeito. Foi com esse disco que o Pelican saiu das publicações especializadas e até apareceu em círculos de metal “moderno” como uma possível next big thing. Mas desde o primeiro EP a identidade sonora única da banda estava definida e era uma questão de tempo até sair um disco tão bom quanto esse - ou então caísse na mesmice que permeia o estilo.

Há poucas semanas saiu City Of Echoes, que vinha sendo cunhado em shows há um bom tempo e para os fãs já tinha material conhecido. A mudança de atmosfera é logo perceptível: as canções não são tão longas, não há mais tanto espaço para trabalhar as melodias até o peso ensurdecedor cair de uma vez. Mas isso não significa que eles estejam tocando mais rápido ou coisa assim. O espaço para contemplação deu vez ao baque seco dos andamentos menos progressivos e mais focados em riffs altos. Um bom exemplo é a incrível Lost in the Headlights onde a bateria começa barulhenta até ser amparada por riffs oldschool tocados com um quê stoner pra fazer a cabeça balançar sem perceber.

A cozinha é um espetáculo à parte. O baixo possui um tom estranho um pouco agudo e distorcido fácil de identificar e sempre preenche os (poucos) espaços deixados pelas guitarras sem deixar a sensação de “massa sonora” desaparecer. A bateria continua densa e com um ritmo pulsante - quando o bumbo duplo começa a atordoar não tem jeito, é melhor prestar atenção e deixa-se levar pelo peso. City Of Echoes não chega a ser tão belo e completo quanto o disco anterior porém mostra que o poder de fogo do Pelican não está perto do fim e entrosamento perfeito de seus instrumentos ainda é das coisas mais singulares na música atual, é como escutar algo de Josh Homme - dá pra reconhecer na primeira parte de riff.

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