bunker

Sem ordem de preferência aparente.

- Assisitir o resto dos episódios de Seinfeld.
- Pilotar um avião.
- Escrever um livro sobre zumbis.
- Trabalhar em um estúdio musical.
- Aprender a fazer café decente.
- Pular de bungee jump na Nova Zelândia.
- Assistir um show do Explosions in the Sky.
- Ir na premiere de um filme que eu fiz.
- Just walk aorund na Suiça.
- Escrever uma carta pro Warren Ellis.
- Ler mais de 60% dos livros que possuo.
- Dar pra Ela e pra mais pessoas o meu amor.
- Conseguir completar as palavras-cruzadas do jornal.
- Completar minha coleção de Vagabond e Sandman.
- And on and on and on. 42.

P.S.: Não, isso não é a porra de um meme. Essa do avião é bem coisa de moleque mesmo, na real qualquer coisa grande e que voe serve. Não se diz livro “sobre” zumbis, né? É livro “de” zumbis. Que seja. Na verdade eu queria um show do Pelican na mesma noite de um do Explosions, acho que nunca mais ia escutar música com vocais na vida. Mentira. A Suiça deve ser um saco, mas eu ia me sentir todo pateta andando por lá, visitando escritórios de design frios e pedindo estágio. Nunca que vou ler todos os livros, mas sessenta porcento é uma estimativa boa. Quarenta e Dois, gafanhoto.

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Slow Numbers

09.05.2008 | 42

You know, tem uma hora na madrugada que a internet parece parar. Não é bem uma hora, é um momento, não dá pra medir bem esse tipo de coisa. Mas dá pra sentir. É como aquele barulho que algumas pessoas dizem escutar. Tem um momento na madrugada que dá pra escutar o acender das luzes do modem e os sites parecem desabitados, as redes sociais vazias e até o twitter fica deserto.

Dá pra entrar nos perfis alheios em redes sociais e não ser pego no ato. Dá pra vasculhar os arquivos daquele blog e descobrir mais detalhes do autor. Dá pra olhar todos os produtos daquela loja virtual que você nunca compra nada mas sempre recomenda pros conhecidos. Dá pra adicionar novas fotos no seu flickr e tirar dez minutos depois. Dá pra postar naquele fórum gringo as coisas que você odeia. Coisas que você não faria durante o dia ou outros horários são perfeitamente encaixáveis nesse momento de suspensão de bytes. Um bug na matrix.

Dá até pra escutar a parte dois de I Know You do Morphine (que eu pronunciava morfáine e me ensinaram outro dia que é morfíne) no repeat ad infinitum enquanto você termina textos, faz planos que vai esquecer daqui a pouco e balança a cabeça devagarzinho.

Pena que acaba rápido.

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Why so serious?

23.01.2008 | 42, Filmes

O Coringa morreu. Ledger era um ator mediano e vai ser lembrado como um grande Coringa, vão chamá-lo de ”excelente ator” ao lembrar de sua indicação ao Oscar por Brokeback Mountain. Entre exaltações exageradas é certeza de que poucos a mesma aura que paira sobre Brandon Lee vai pairar sobre ele (e seus filmes) mesmo sendo atores tão diferentes.

Dark Knight agora caminha para ser o blockbuster do ano a passos largos e todos que previam como espetacular o Coringa de Ledger agora aumentarão o hype para proporções gigantescas. Mais uma vez a curiosidade mórbida vai encher os cinemas. A morte prematura do ator virou um grande golpe de marketing involuntário, tanto que de cara achei que a notícia tinha um quê de mentira e talvez fosse algo mais na ótima campanha do filme - uma piada de humor negro. Mas aí as notícias foram pipocando com mais detalhes, versões e o momento de aparecer o Batman na cena do crime passou.

É, sou um espírito de porco, estava esperando que ali no meio do auê aparecesse o Christian Bale (talvez o Gary Oldman), entre os CSI e os paramédicos e encenasse algo que no dia seguinte figuraria entre os blogs de publicidade como “mega campanha viral engana todo mundo”. O marketing me corrompeu e nem na morte mais eu acredito.

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V RDesign Belém

15.11.2007 | 42

Pra quem ficou em Belém no feriado e não tiver programa pra tarde de amanhã, este que vos escreve falará de blogs, acessibilidade, Dois Discos e o que der no Choque de Design Digital do V RDesign Belém junto com o companheiro Mariano da Libra Design e com o André da Dieutech mediando a discussão. Começa Às 17h na FAZ (Arciprestes Manoel Deodoro, próximo ao Colégio IEEP).

Depois do Choque tem Filhos de Empregada (o Flaming Lips da amazônia) e Attack Fantasma no Palafita como parte da programação do RDesign. Estarei lá também.

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Bang

08.11.2007 | 42, Séries

Bang!

Sou fã antigo de Cowboy Bebop, daqueles de lembrar de um episódio e correr pra assistir outra vez, de decorar as falas (da forma que me compete não sabendo japonês) e recitar sem pestanejar. Hoje lembrei do episódio 6 chamado Sympathy For The Devil, um dos mais tristes da série - e olha que Bebop flerta com a melancolia quase todo tempo entre seus diálogos leves e cool e as cenas dirigidas como um jazz furioso.

A tristeza desse episódio entretanto é um tanto singular: um garoto prodígio da gaita (que na verdade já é um senhor, mas por conta de uma doença nunca envelheceu) toca algumas vezes um blues arrastado, sofrido e bonito de um jeito tão característico que fico pensando que é talvez o episódio mais bonito de um desenho animado que já assisti. É um daqueles episódios que quando surge o letreiro final escrito see you space cowboy você fica na dúvida se sorri ou entristece de vez. E assim nas madrugadas vou re-assistindo a série e planejando um dia tocar gaita daquele jeito.

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Mark Sandman

Tenho discos aqui que nunca escutei direito mas conheço-os bem, sei até um pouco da história deles. Só não escutei com calma, não sei direito como suas canções começam ou terminam. São como aquelas pessoas que você conhece e talvez até simpatize mas nunca conversou mais de alguns minutos. Tenho vários discos assim, de vez em quando decido escutar um como se deve, pelo menos do jeito que é “como se deve” pra mim: fones de ouvido, boa leitura (mas não tão boa a ponto de fazer esquecer da música) e acompanhando as faixas começarem e terminarem sem confundir,  talvez até decorar algum pedaço de letra aqui e ali. Quando o disco terminar escutar as faixas que chamaram a atenção outra vez. Desse jeito.

Sandbox - The Music of Mark Sandman é um desses discos. Que grande besteira fiz em ignorá-lo por tanto tempo mesmo sendo grande fã de Treat Her Right e Morphine.  São dois discos com várias faixas gravadas com bandas diferentes na época que Sandman era chegado em quase toda banda boa de Boston. Fica a vontade de sair contando pra todo mundo que o homem só tem faixa boa praticamente! “Pessoal, vejam só, Mark Sandman até quando gravava só por gravar cantava daquele jeito pesado e sinuoso!” É escutando várias vezes Jealous Dream (com pegada crooner, sax sujo e letárgico com Mark cantando romanticamente sobre um sonho que talvez não tenha sido um sonho) ou Devil’s Boots (blues de fim de noite calmo que lembra outro Mark, o Lanegan) que eu me redimo de ter deixado o disco na estante por tanto tempo.

Muita gente acha a música dele triste, melancólica e até li uma vez que lembra literatura beat de beira de estrada, mas se tem uma coisa que aprendi escutando blues é que não existe essa coisa de música triste. Existe sim música pra gente triste - e essa pode ser a música mais cheia de sol da terra mas sempre será triste pra quem a escuta. Sandman sabia bem disso.

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A fantasia em “Margaret on the Guilhotine” parece pensar mais no que se gostaria que acontecesse do que na determinação de ser violento ou mesmo de personificar a violência de modo teatral. O efeito de “Margaret” não será apenas o de encorajar a resignação melancólica?

“Talvez, mas eu também acredito firmemente na ação. Existe um grande senso de rebelião de porta de casa, a coisa de bater o pé. Acima de tudo, acho que lidar com manipulação de pessoas é muito cansativo. Você envelhece rápido quando tenta vencer todas as discussões da sua vida. Politicamente, me sinto esgotado. Sinto que não há mais manifestações, mais abaixo-assinados para serem endossados. Acho que essas coisas, bem como reuniões de grupos e creches, são muito chatas. São uma perda de tempo. Tenho uma sensação de apatia.”

Interessante quando você fala em “bater o pé”, porque essa fantasia de tirar Mrs Thatcher, como se isso fosse resolver tudo, como se o “mal” neste país não fosse muito mais intelectual e enraizado - bom, isso soa meio infantil e petulante.

“Estou totalmente ciente disso, acredite. E tem algo importante aí. A música é boba, mas também é bem pesada e muio corajosa. E eu me encosto na cadeira e sorrio. Você com certeza percebe que esses elementos sérios colocam a manifestação direta, a canção de protesto tipo “Maggie Maggie Maggie Out Out Out”, no seu lugar, fazendo-a parecere banal e um pouquinho acomodada.”

O problema com as canções de protesto é que o pop sempre foi imediato, espontâneo e pueril. Ele não tem paciência para se arrastar por subcomitês e gazer lobby ou reivindicações de maneira ordeira, através dos canais competentes. O pop não tem programa, não negocia, ele quer o mundo e ele quer agora. E agrada muito mais ouvir que seu inimigo está sendo massacrado. Mesmo que seja só uma fantasia…

“É mesmo? Obviamente você não me escutou. Eu acho possível. Os tempos estão bem ruins. As coisas estão muito incertas. Você não acredita em mim? Tem muito sentimento organizado na Inglaterra neste momento”.

Nesse pedaço da entrevista que Simon Reynolds fez com Morrissey sobre seu primeiro disco solo, Viva Hate, em março de 1988 para a Melody Maker (reproduzida do livro Beijar o Céu, da Conrad - dísponível aqui no original em duas partes) tem algo que parece ter sido perdido há anos nas entrevistas de ídolos pop, principalmente as entrevistas brasileiras. Há um confronto entre entrevistador e entrevistado que apóia-se não somente na música mas também em política e até mesmo na função do pop.

Repare que Morrissey recebe as críticas diretas com respeito e deboche característico, sabendo que a entrevista é um jogo de palavras e que seu adversário oferece sim perigo à sua imagem, não ficando apenas nas cutucadas e observações que tentem irritar o entrevistado na esperança de arrancar uma declaração polêmica. Acho que é isso, nessa entrevista há perigo se você não souber lidar com as perguntas e análises. As entrevistas atuais carecem muito disso.

Geralmente pulo as páginas de entrevistas enfadonhas em revistas como a Rolling Stone, que dispõe de bastante espaço gráfico que poderia ser preenchido por entrevistas boas e realmente contundentes mas fica no marasmo e na auto-indulgência. Antigamente na Revista da MTV (antes dela virar “privatizada”) as entrevistas eram chamadas de “entrevistões” e ocupavam várias páginas tentando mostrar que entrevista boa tem que ser longa e analisar vários aspectos (mesmo que enfadonhos) do artista. Não precisam, não é questão de tamanho ou abrangência, falta mesmo é coragem e inteligência.

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O LivroOs leitores mais antigos devem lembrar do Dois Discos, blog deste que vos escreve em parceira com o velho Biajoni. Já fazia bons meses que o blog não era atualizado e numa cerimônia solene encerrei de vez sua carreira ontem. Nunca gostei de deixar blogs ou sites perdidos no limbo na internet, sujeitos a buscas bizarras no google e comentários perdidos.

Dito isso, anuncio que o Dois Discos virou um ebook que reúne todos os textos publicados durante a vida do blog, tem vários maravilhosos do Bia - de discos que eu nem conhecia! - e também vários meus. Ainda é a primeira edição, então pode ter um errinho aqui e acolá. Mas o importante é que o blog agora fica arquivado bonitinho para os antigos leitores e também aos aventureiros que resolverem ler o livrinho.

Baixe seu exemplar desse pequeno projeto (dá pra chamar assim?) que foi bastante divertido enquanto durou. Bia, é meu presente pra você, meu velho! A capa é do Olde, velho camarada de nerdices forísticas que tem fotos lindas no seu Flickr.

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Alguns textos meus  publicados aqui no Bunker ou no Dois Discos estão lá no blog de música da Samsung já faz algum tempo -  em breve material novo também vai ser publicado. Conto com a companhia dos anfitriões Phelipe Cruz, Inagaki e o grande compadre Ian nos posts sobre música e MP3. É como o Daniell diz quando fala sobre o Morfina “Também estou no Morfina, mas tem gente muito melhor lá”.

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11.09.2007 | 42

Num breve cochilo que tirei à tarde sonhei que estava assitindo uma apresentação acústica do Foo Fighters tocando as faixas mais belas do In Your Honor, era numa loja de discos (daqueles grandões) e o som estava incrivelmente bom, cada arrastar nas cordas ecoava alto. Como se não fosse o bastante logo depois apareceram os senhores do Teenage Fanclub para tocar umas canções. No canto do palco, encostado numa pilha de discos estava Bill Murray, com um sorriso imenso. Do meu lado, ela dançava de olhos fechados. Eu, patético, cantarolava as canções do jeito que podia.

Acordar é complicado.

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