Um pouco sobre vilões [e] Wanted
18.04.2008 | Nerdices
Foi assim, eu vi o trailer e gostei do negócio, vi que foi adaptado de uma HQ e resolvi ler. Aà Wanted, de Mark Millar e JG Jones acabou se tornando a mais divertida leitura de quadrinhos que tive nos últimos meses. Não foi por falta de aviso de amigos e resenhas internets afora que deixei de ler antes, foi por não saber que era tão legal.
Wanted é sobre vilões, ou super vilões. E a coisa mais interessante de muitas histórias em quadrinhos são os vilões, afinal eles sempre mudam, encontram novas formas de atingir o super-herói e traçam planos dia a dia para conquistar o que desejam. Vilões são disciplinados, possuem motivações impetuosas e sacanas para o que querem atingir. Apesar de geralmente serem um mero adereço cômico numa história sobre a jornada em busca da paz e igualdade mundial daquele super-herói marrudo eles não raro são a coisa mais interessante da trama.

Pega o Coringa, o joker, o palhaço. Em séries como The Killing Joke ele consegue ser mais divertido, profundo e complexo do que dez Batmans jamais seriam. Tem Arkham Asylum também, onde o festival de freaks aprisionados pelo morcego levam a uma viagem conturbada pelo imaginário do Cavaleiro de Gotham e mostram que sem eles o morcego não é nada. É apenas um cara com a cueca por cima da calça pulando de prédio em prédio e dando socos em ladrões de bolsas.
Por serem a parcela má da história os vilões tendem a perder no final. Na era de ouro, prata, etc dos quadrinhos isso era regra. Não importa o quanto eles conseguissem chegar perto de dominar o mundo no último momento seu plano mirabolante e minuciosamente executado iria falhar. E se não falhasse? E aà que começa Wanted, num mundo onde os vilões acabaram com os amigos da vizinhança e os vigilantes de nomes duvidosos e poderes idem. Um mundo onde os vilões sádicos se juntaram numa única organização e dominam secretamente o mundo varrido de super-heróis.
E porra, isso é legal pacas. Vê só, é o começo perfeito pra uma história que claramente não está nem aà para caras bons e maus e quer apenas divertir o leitor com ação, piadas e humor negro. Mark Millar resolveu pegar apenas as partes legais de uma saga de colant de quadrinhos: as cenas de ação, diálogos mirabolantes e engraçados e as mulheres fatais. Não precisa explicar de onde vieram os poderes daquele cara, é apenas um tiroteio descerebrado em quadrinhos em cima de uma tÃpica história de um cara que descobre ser o filho do maior assassino do mundo (que foi morto) e é chamado pelos vilões para receber a herança do velho, não sem antes cumprir algumas clásulas contratuais. Normal e divertido.
O suficiente pra ser lido escutando um bom disco do Monster Magnet. No filme os super-vilões vão dar lugar a uma “fraternidade de assassinos blábláblá”. Vai cortar grande parte da diversão logo de cara. Mas you know, é hollywood.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
