This Is My Luck
19.06.2008 | Geral
Ontem eu caminhava apressadamente a caminho da faculdade para fazer mais uma daquelas provas que salvariam o meu semestre, repassando mentalmente vários tópicos estudados enquanto tentava empurrar essa música pra fora da cabeça quando vejo um cara grandão, tÃpico garoto de academia, fechar o carro estacionado e caminhar em minha direção com a determinação de um búfalo com uma missão a cumprir. Se não fosse a minha total leseira no momento com certeza teria percebido que toda aquela determinação tinha um intuito muito ruim e vinha em minha direção.
A poucos metros de distância eu já tinha descartado o cara como algo perigoso, talvez ele tivesse visto algo na portaria de algum prédio e fosse lá fazer onda, porém o olhar que ele deu pra mim quando chegou na distância certa de soltar um enorme gancho de direita não deixou dúvidas. Eu era a missão a cumprir. E o gancho veio, como se estivesse num ringue ele calculou a distância certa para deixar pouco espaço para um contra-ataque e ainda se proteger de mim. Ele parecia ter esquecido que eu estava desatento, pensando em Pierre Lévy e só notei a merda quando estava praticamente mergulhado nela. Qualquer reação minha seria um tanto desesperada, um contra-ataque parecia fora de questão. Por um reflexo quase que involuntário movi a cabeça para a esquerda e para trás e desviei de um punho que certamente iria acabar com o meu queixo sem cerimônia alguma. Deu pra sentir a brisa passando no meu rosto. O cara era gigante em relação a mim, que já não sou lá muito pequeno.
Calcular a distância não só serviu pra ele fazer um ataque eficiente como para deixá-lo em posição privilegiada após a falha do seu gancho para mais um golpe, dessa vez na minha barriga com o braço esquerdo. Como se fosse um boneco inclinei totalmente para frente e para baixo quando senti a porrada no estômago. Eu ia dizer que é engraçado o quanto de coisa que a gente consegue pensar nessas horas, mas na verdade tinha três coisas em mente naquele momento: 1 - esse cara estava determinado a me bater por um bom perÃodo de tempo e parar para conversar não era opção, 2 - por que justo nesse dia eu carregava na minha mochila além do notebook dois livros grandes 3 - eu não ia conseguir revidar esses golpes dele, não na atual forma sedentária em que me encontro, com alguns quilos a mais e total desatenção.
Ao virar o rosto para a direita percebi pessoas do outro lado da rua parando de andar pra olhar a situação. Lembrei do notebook e vi que era ou correr ou fazer alguma coisa, ver se aqueles anos de karatê serviria pra alguma coisa. Aguentar uma surra eu consigo, mas danificar o notebook era impensável. Pra mim bastava alguns curativos, pra ele, semanas na assistência. Me joguei na direção do grandão, segurei o seu pulso direito que já estava a caminho de mais um soco no meu rosto, joguei pro lado e puxei pra baixo num movimento só, fazendo o cara se inclinar um pouco e ficar na posição perfeita para levar uma cotovelada no nariz que doeu tanto em mim que quase pensei que tinha acertado um dente.
Aà a coisa ficou um a um, ia dizer que na hora pensei “IT’S ON NOW, BITCH!” mas estava com outras preocupações na mente. Com a cotovelada ele se afastou, aproveitei para proteger minhas costas e ficar em posição para terminar aquela brincadeira, ou seja, atingir as bolas dele. O cara tinha algum treino, após a cotovelada nem ao menos passou a mão no rosto, apenas se recuperou do golpe e quando viu que eu estava em posição pra fritar os ovos dele afastou-se os centÃmentros necessários para que a minha perna direita passasse voando no vazio. O mais patético é que nem consegui levantá-la direito, se tivesse acertado era capaz de fazer quase nenhum efeito. Não dava mais pra usar as pernas.
Ele veio como um foguete pra cima de mim, protegendo o rosto com a mão direita e soltando a esquerda num jab incrivelmente lento. Foi o único momento em que realmente pensei que poderia vencer dele, quando vi aquele jab lerdo vindo em minha direção, mais uma vez segurei o pulso dele e puxei em minha direção, dessa vez soltando o mesmo gancho que ele usou pra começar a brincadeira direto no rosto dele. Pegou em cheio e quase estraçalhou a minha mão, esse cara parecia feito de pedra. Ainda segurando o seu braço direito aproveitei para esticá-lo e fazer uma coisa que poderia dar muito certo ou muito errado: com a minha mão direita aberta, me abaixei um pouco e usei a força (parca) das pernas para ganhar o impuslo necessário para empurrar a mão contra cotovelo dele. Só quando senti minha mão dar de encontro com aquele pedaço de osso que ele devia chamar de cotovelo lembrei que ele era um cara malhado e com certeza eu teria que ser bem mais forte para causar alguma dor fazendo isso. Mas funcionou, incrivelmente funcionou. Escutei um CLAC baixo e senti as pernas dele arquearem, nesse momento usei o meu cotovelo direito outra vez na cara dele, dessa vez com certeza eu atingi algum dente. Doeu pra caralho em mim.
Então ele se jogou contra a minha cintura num misto de desespero cego, parecendo um jogador da NFL. Game Over. Eu ia cair de costas e foder todo o notebook. Com certeza esse cara sabia algo de jiu jÃtsu e ia montar em cima de mim e me maltratar como se tivesse dois martelos nas mãos. Eu não tinha força para desviar ou segurá-lo em pé. Me abaixei o que pude e segurei a cabeça dele, já encostada na minha barriga. Da forma que pude. Escutei meus sapatos arrastarem na calçada. Ele apertou os braços em volta da minha cintura, eu soltei um gemido rouco. Senti ele folgar os braços e se afastar. Era o momento pra eu ganhar fôlego. Como se prevendo isso ele rapidamente afastou-se um pouco, passou a perna direita atrás das minhas e virou o braço contra o meu peito  fazendo com que eu fosse de encontro ao chão, fazendo um barulho seco que a sua cabeça faz quando bate contra o concreto. Perdi.
Eu já esperava ele se jogar contra mim no chão, mas isso não vi isso acontecer. Apaguei totalmente. Acordei na faculdade, jogado em um banco de corredor com o nariz escorrendo litros de sangue, catarro e suor. Tudo doÃa. Que nem aquela piada “dói quando eu respiro, doutor”. Do outro lado vi a minha mochila em pé, parecia intacta. Ao me ver acordando reconheci Rodolfo (ou Moranis, como costumo chamar) vindo em minha direção.
- Tu tá bem cara? Eu tava vindo pra cá quando vi um cara te dando porrada no chão, e um pessoal tentando apartar. Tu parecia morto, cara. Como tá se sentindo, que porra foi essa?
Não respondi. Não havia o que responder. Ia dizer que estava caminhando e um gigante começou a me bater do nada? Soaria tão rÃduculo quanto foi. Encostei minha cabeça no banco outra vez. Tentei respirar compassadamente.
Continua.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.

Isso é ficção, não é? Diz pra mim que é ficção.
Se não for… que coisa, rapaz! Só não fico mais preocupado porque, pra conseguir escrever tanto, você não deve estar tão ruim assim, hehehe.
Conta o resto da história!
Ficção? Estou torcendo para que seja. Se for é muito bom. Se nõ for, está doendo até em mim.
É ficción! Ainda há de chegar o dia em que apanharei até ficar inconsciente de um gorila. Ou não.
Ficou bom pra caramba! Espero ansiosamente a continuação.
Você fez mesmo karatê ou algum tipo de arte marcial?
Já tava indo pedir foto da sua cara deformada no MSN, grande decepção.
Obrigado pelo elogio kirp, e sim, eu já pratiquei karatê.
hard, pega aqui a foto. AQUI Ó.
Aliás, óbvio que isso não foi real. Numa situação dessas qualquer Ãndio teria sua zarabatana em mãos, diz aÃ.
sou da gangue do TACAPE.