bunker

Anos e anos de consumo voraz de livros, quadrinhos, discos e toda a parafernália que a cultura pop oferece tendem a confundir a cebeça do nerd, embaralhar as referências e confundir as profundas análises de obras. De repente lembrar o nome do character designer daqele jogo sensacional não é mais tão fácil. Alguns filmes são completamente esquecidos e só quando re-assistindo por descuido que você lembra já ter assistido aquilo. Livros são piores.

Eu fui um cara que começou cedo a consumir tudo o que minhas limitadas verbas ofereciam e naqueles primeiros anos de leituras acompanhadas de dicionários (para não perder nada) e total falta de preocupação em saber quem fez aquilo ou de que ano era coleciono fragmentos de cultura pop não identificados em minha mente. Um fragmento em especial consegui identificar hoje.

Trata-se de uma história em quadrinhos de duas páginas, publicada em alguma Metal Pesado há muitos anos que havia comprado num daqueles encardenados de edições anteriores por um preço modesto. Era a narrativa de um viajante pelas estradas desérticas e empoeiradas dos Estados Unidos. Morando num cidade do interior e louco para me ver livre daquela pequenez, comtemplei a pequena história como uma premonição do que um dia eu iria fazer. Na época gostei tanto que destaquei cuidadosamente as duas páginas e carregava no caderno.

Nas indas e vindas do colégio e caminhos cortados pela cidade, perdi o caderno.

Não lembrava o nome do autor nem da história, não havia mais edições a venda na banca e vi que a minha havia sido perdido em algum escambo com amigos. Como havia tanta coisa pra se conhecer naqueles tempos dexei de lado a pequena história e parti para a minha próxima exploração cultural. Com o tempo fui saber que a Metal Pesado era a versão nacional da Heavy Metal, revista ímpar de quadrinhos e que as edições nacionais (assim como tudo de quadrinhos publicados na década de 90) tiveram publicações confusas e escassas. Toda vez que batia os olhos numa Heavy Metal procurava por aquelas duas páginas.

Até que hoje observando os novos torrents no KG vi um de nada menos que 13gb com todas as edições da revista. Meu primeiro pensamento foi de baixar a coisa toda e ir lendo cronologicamente a revista, um dia chegaria na historieta. No descritivo do torrent havia o link para a Heavy Metal Magazine Fan Page e não custava nada dar uma olhada lá, quem sabe um pedaço da minha história apareceria em algum artigo ou coisa assim. Lendo a lista de publicações resolvi passar os olhos no nome das histórias publicadas em cada revista pra ver se algum despertava alguma reação. Foi ali no ano de 97, na edição 5 de novembro, que reconheci Ranx na capa e lendo a lista das história encontrei No Man’s Land, de Jacques De Loustal.

Ranx me lembrava algo e o nome da história poderia muito bem ser aquilo que procurava. O ano estava teoricamente certo. Mandei ver no Google. Encontrei esta página sobre o autor, em especial este artigo que fala sobre as referências da obra de Loustal que Win Wenders usou em Paris, Texas e ali havia um link escrito No Man’s Land. Cliquei e apareceram as duas páginas tão procuradas em baixa resolução e impossíveis de ler, mas eram elas. Achei, enfim.

Achei a história, o autor e a edição em que foi publicada. A revista não foi escaneada (só há até a edição de julho de 97) e não encontrei em nenhum lugar, e olha que procurei. Mas já é um grande alívio identificar a história e conhecer o autor. As duas páginas que encontrei estão com baixa resolução e em francês, minha senhora tentou ler e traduzir mas ficou difícil demais, quiçá impossível. Postei-as no FRAG! para quem quiser olhar melhor a famosa história.

You can’t always get what you want, já dizia a música. Vai que num sebo encontro a revista ou vai que alguém que me lê tem a por aí sobrando a edição 5 de novembro de 2007 da Heavy Metal com o Ranx na capa e me empresta pra uma leitura.

  1. marcos em 27.04.2008
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    Ué, qualquer cliente torrent deixa você escolher quais arquivos baixar, não precisa de todos os 13Gb.

  2. renmero em 27.04.2008
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    Mas quando pensei em baixar não sabia em que edição estava a história que eu procurava, Marcos.

    Pensei em pegar a coisa toda e ir lendo até encontrá-la. Porém de nada ia adiantar, já que a edição não foi escaneada.

  3. marcos em 28.04.2008
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    Ah sim, claro, meu comentário partiu do princípio de que agora você já sabia qual edição era, e só precisava baixar aquela. E, desculpe, mas não reparei mesmo no parágrafo que você falava que não havia sido scanneada, não associei com o torrent, e sim com a busca no google…

  4. Luwig em 29.04.2008
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    Costumo dizer que fui alfabetizado lendo quadrinhos e não indo a escola. Minha curiosidade por aqueles “quadrados recheados com bonequinhos e balões” era tão grande que simplesmente pedia todas as noites a minha mãe que me ensinasse os sons daquelas palavras antes de dormir e durante o dia, a empregada.

    Logo ganhei um alfabeto de plástico e comecei a construir e imitar as palavras que via nos “gibis” (hoje odeio com todas as minhas forças esse termo).

    Sério, no Jardim II já era alfabetizado e isso assustava pra caramba os outros. Mas não se enganem, nunca caiu no meu gosto a louvável ‘Turma da Mônica’ e seus genéricos.

    Me pergunto hoje se já era velho para meu tempo. Anos mais tarde, minha irmã caçula nasceu para sanar tal dúvida.

    Lógico, algumas coisas se perderam ou simplesmente não sobreviveram ao tempo (algo similar ao que te aconteceu). Assim, muitas das “primeiras HQs” não existem mais no meu modesto acervo, apenas na memória.

    Exemplos:

    1) Novos Titãs: considero em caráter oficial, minha primeira incursão nas HQs. Lembro que a trama girava em torno do Irmão Sangue e a principal referência que trago hoje é o chocante arremesso de (uma altura enorme) um Robin praticamente decrépito a um - não sei definir exatamente - “musgo-vivo-horripilante” (mas não era o Monstro do Pântano);

    2) Heróis da TV: era fã da época em que Hank McCoy fazia parte dos Vingadores e das histórias finais com o nosso ilustre Dr. Henry “Indiana” Walton Jones, Jr.;

    3) Batman: talvez meu primeiro contato com o personagem nos quadrinhos e início de sua publicação na Editora Abril. Ainda tenho algumas, como as que traziam (em formatinho) o ‘Ano Um’ de Frank Miller. No entanto me fascina o episódio em que Bruce e Dick estavam presos (algemados e sem seus cintos de utilidades) a uma ponte em Gotham. Lembro bem da exaustão de ambos e a vil impossibilidade de fuga. Gostaria muito de tê-la ou ao menos saber qual é a edição (original) para poder ao menos procurá-la nos sebos virtuais;

    4) Super-Homem: a revista não era nem minha e sim de um primo do interior. Entendo bem seu medo hoje: deixar uma criança perto de sua coleção. Clark aqui, lutava com um homem forte, albino e com roupas negras rasgadas.

    (Quem? RESPOSTA: “Solomon Grundy morreu numa sexta-feira!”)

    Só anos mais tarde resolvi acompanhar suas histórias, mais precisamente no péríodo do ‘Exílio’. Na minha ótica, até hoje uma das melhores sagas do Último Filho de Krypton;

    5) Superamigos: aquela Tropa dos Lanternas Verdes era tudo! Pode-se dizer que, a época, era minha “equipe de super-heróis” favorita. Precedida dos X-Men das ‘Superaventuras Marvel’ e aquela inesquecível edição em que enfrentavam o Arcade e o fim da mesma trazia um incauto personagem cego enfrentando diversas armadilhas numa mansão. Hoje sei que esta última foi produzida por ninguém menos que Dennis O´Neil e David Mazzucchelli.

    Bem, paro por aqui, caso contrário, não há hora nem limite para o término desse comentário.

    Só uma coisa…

    Lógico que à época também não gravava nomes de equipes criativas nem tão pouco havia senso crítico ali. Isso só veio junto com os pêlos no sovaco.

    Abração.

  5. renmero em 29.04.2008
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    Luwig, que comentário bacana! Você ainda lembra de muita coisa. O que fui lembrando a internet (amém) conseguiu me arrumar.

    Cara, prometo que ainda termino nessa depcada aquele post dos filmes.

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