bunker

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Dia desses saiu um dvdrip desse novo filme do De Palma que se me lembro bem foi aplaudido de pé em Cannes e coisa assim. Estava curioso pra ver mas não tanto a ponto de ler resenhas ou ver trailers, soube apenas que era algo envolvendo a guerra no Iraque.

Não é um filme de guerra com tiros e explosões, coisa que logo nos primeiros minutos ele mostra diretamente. Esse papo de “olha telespectador esse filme não vai ser como você espera” está tão saturado que não me convenceu muito bem, ainda fiquei esperando a hora das cenas de batalha. E elas não vieram. Ao invés disso vieram cenas montadas com câmeras de mão e de imagens de segurança, entrecortadas com uma espécie de documentário francês sobre a ocupação americana no Iraque mostrando o dia a dia de um pelotão pouco exemplar e sua missão de vigiar uma barricada dia a dia.

Fiquei meio preocupado e triste, perdi meu filme de tiro pra comer pipoca e ganhei um crossover de Michael Moore com Jarhead com toques de Cloverfield, com tudo de bom e ruim que isso proporciona - na verdade mais com a parte ruim. O pelotão em questão é composto dos esterótiopos de soldados acéfalos que estão ali “porque soldado obece ordem” e soldados com um pouco de integridade mas nenhuma vontade de fazer algo que preste ou ir contra o sistema, que seja.

Como já tinha reservado a noite pra esse filme assisti inteiro mesmo já sabendo o que viria: política rasa, panfletarismo besta e violência extrema. O filme grita, grita e grita que aquilo tudo é uma barbárie e que está errado utilizando montagens espertas de câmera e cenas violentas de um jeito bem Haneke de fazer esse tipo de coisa. A gente já viu isso antes, já leu e já sabe como funciona, caramba, é preciso mesmo que mais alguém grite no nosso ouvido clichês e não forneça ao menos uma alternativa para o problema? Explicitar é bastante conveniente e gera palmas em Cannes, pelo visto. Tentar resolver ou algo que o valha não.

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