Faz algum tempo que tenho aqui alguns tÃtulos desse cara chamado Thomas Ott. Estavam aqui amontoados junto com outros trantos tÃtulos coletados que guardo para uma ocasião qualquer que nunca chega. Terminei de lê-los agora depois de tentar encontrar sem sucesso no meio dessa bagunça algo que envolvesse zumbis. A capa de Dead End chamou atenção e parecia um bom acompanhamento para escutar um disco do Kyuss. Nada como um cenário bem montado para terminar uma noite.

Para a minha surpresa não tinha balão algum de texto na história. Um traço forte em preto em branco pintava quadros semelhantes a um storyboard de um filme mudo alemão, se é que usavam storyboards nesses filmes. Deviam usar. E nessa espécie de storyboard de conto de horror a primeira história de Dead End abriu um sorriso em mim. Ao mesmo tempo que amendronta e dita o ritmo da leitura, Ott constrói um universo de horror mais bizarro do que sangrento e sem um mÃnimo de vontade de resolver as coisas de uma forma feliz. Uma mistura de filmes da Hammer com o goru japonês.
Depois de ler o primeiro eu tinha que ler mais, quem era esse cara mesmo e porque eu tinha essas coisas aqui? E assim fui lendo as curtas - 15 páginas - La Douane, La Bête À Cinq Doigts, passando pela mais longa Cinema Panopticum (sensaciona!) e  terminando em Greatings from Hellville. Tudo de certa forma me impressinou, o estilo de Ott, seus roteiros simples que não abrem mão de misturar o bizarro e surreal com cenas slasher da década de 80 e até sua tendência em deixar as suas histórias kafkanianas demais, ou não querendo exagerar tanto dá pra dizer que é uma releitura surreal de alguns episódios de Twilight Zone. Mais do que o necessário para me agradar e proporcionar um bom fim de noite.

Logo depois fui conhecer mais sobre o autor, descobri ele é Suiço nascido em Zurich, colaborou com diversos fanzines e publicações européias na década de 90 e que alguns de seus trabalhos (a maioria dos que li) sairam pra Fantagraphics, que recentemente publicou The Number. Mais um tÃtulo pra procurar.
Um mestre que eu desconhecia completamente e que agora virou referência pra mim quando se trata de artistas europeus de horror. É complicado de achar seus trabalhos por aÃ, então compilei os tÃtulos citados num arquivo rar e botei aqui para aqueles que quiserem conferir se tudo isso que falei se sustenta. Para ler recomendo o este programa, que você apague as luzes e coloque algo recomendado nesta tag do impop pra tocar.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
