bunker

Lee Pace

Faz meses que me recomendam Pushing Daisies e só esses dias que parei pra assistir sem nem saber direito o que era a série em si, apenas palavras como morte, Tim Burton e comédia circulavam na minha cabeça por conta das indicações. Uma grata surpresa tive ao assistir o piloto e ver que apesar de ser uma série estranha no cenário atual, diferente de qualquer outra coisa passando na televisão no momento é exatamente o tipo de show que só encontraria espaço numa época onde a TV é uma indústria tão importante quanto a do cinema. Dessas coisas que só acontecem nos anos zero-zero.

Ned tem o dom de dar a vida a seres mortos com o simples toque. Descobre isso ainda criança junto com as limitações que seu dom possui: uma pessoa “ressuscitada” por mais de 60 segundos causa a morte de outra pessoa e se for tocada novamente morre de vez. Desde a narração inicial o tom da série é uma mistura de fantasia disfarçada de realidade, algo como, vejamos, o anacronismo de celulares e computadores nos filmes exploitation de Tarantino-Rodriguez. Você deve ter entendido. E essa fantasia é amaparada por um belo visual que - não tem jeito de não dizer - remete diretamente a obras de Tim Burton como Peixe Grande (pelas histórias do jovem Ned) e Noiva Cadáver (hã, por tratar a morte como comédia).

O mérito da série não reside apenas na sua premissa fantasiosa ou no visual, o roteiro viaja livremente entre a fábula de humor negro narrada com classe e os diálogos sarcásticos de alguns personagens, destaque para o excelente Lee Pace como o protagonista Ned, com bom timing e elegância garante boas cenas, além do que é um dos protagonistas mais bem vestidos da temporada.

A série é criação de Bryan Fuller, o mesmo de Dead Like Me, que também tratava da morte com fantasia e humor sarcásticoe eteve duas temporadas. Após assistir alguns episódios tenho a mesma sensação que tive ao assistir Dead Like Me: a série não é feita para durar, é coisa de algumas temporadas e pronto. E é reconfortante isso, Fuller sabe até que ponto levar suas histórias de morte. Tem séries que não precisam de nove temporadas para fazer história.

Comente