bunker

Algum tempo atrás escrevi esse post sobre uma história em quadrinhos que eu procurava. Rendeu comentários bacanas como o do mestre Luwig e de Guga Schultze, um cara que seria apenas mais um comentador neste nada humilde blog se não fosse o seu segundo comentário postado hoje em que disse ter achado a tal história de Loustal, Terra de Ninguém, e que estava disposto a me enviar!

Pra tu ver como a internet é uma coisa linda, esse negócio de geração web e era da informação. Quando não são os companheiros do Impop mandando uma bordoada atrás da outra em forma de discos via shared do google reader, email e twitter é alguém comentando em algum post antigo e me trazendo boas novas. Algumas horas atrás o Guga enviou as duas páginas em alta resolução e depois de anos pude ler a história que apenas constava em fragmentos na minha cabeça em frases como “A mais simples paisagaem emitia uma poesia indefinível, uma sensação de melancolia benevolente.”

É como reler um conto que você quera saber decorado mas só pode ler uma vez. Achar a cena perfeita num filme japonês que te custou meses assistindo filmes do Ozu.

Fica aqui o meu agradecimento ao novo companheiro Guga (que também escreve, veja só) e disponibilizo a tão falada história de forma legível e numa página única lá no FRAG! e clicando aqui você pode baixar o .cbr para ler no seu programa leitor favorito de quadrinhos as páginas separadas em resolução mais alta ainda. Coisa de colecionador. Epic win.

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Alguns anos atrás lembro que li alguns números soltos em algumas revistas da Panini da fase de Brian Miachel Bendis em Daredevil após o reboot do título (em 1998 a numeração que vinha desde 1964 voltou para o número um novamente) e fiquei com a impressão que um dia teria que ler aqui direito, havia algo muito interessante sendo feito ali. Era diferente do que já havida lido sobre o personagem pelas mãos de Frank Miller. Fui saber depois por resenhas que essa fase de Bendis inaugurou praticamente uma nova mitologia pro personagem, mudou a forma como ele seria percebido pelo grande público. Minha curiosidade aumentou.

Como era só uma questão de oportunidade meses atrás peguei quase todos os números publicados (atualmente no 110) e faz alguns dias que comecei a ler. Antes de chegar na fase Bendis tive de passar por terríveis números escritos por Kevin Smith e ilustrados por uns caras que faziam escolhas bizarras (em um dos números o rosto do Murdock parecia a de uma criança de sete anos). Fui lendo apenas os recaps sem muita atenção até chegar ali no número 26, o primeiro com roteiro de Bendis. Enfim a coisa começou de verdade.

Eu já sei por alto o que vai acontecer, culpa de anos lendo aqui e ali algo sobre o personagem, mas ler número por número mostra-se uma experiência mais recompensadora. A queda do Kingpin e o começo do maior inferno pessoal que Murdock passará é praticamente um épico dos quadrinhos modernos. Há toques de Mario Puzo na narrativa detalhada que utiliza longos diálogos para contar histórias de crime assim como um aspecto trágico eminente digno de um bom episódio de Sopranos. Eu imaginei que seria bom porém não esperava que fosse tanto, que me revelasse um Daredevil que nada tem de colorido ou saltitante quanto a versão para o cinema. O traço pesado e realista de Alex Maleev contribui pra que essa imagem suma, o seu Daredevil é soturno e vive numa Hell’s Kitchen suja e nada amigável.

Ainda estou ali pelo número cinquenta e pouco e ainda há muita coisa pra ler. Virou um hábito diário folhear alguns números. Acho que não aguentaria esperar os anos que levaram para que tudo fosse publicado.

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Assisti o segundo episódio de True Blood, nova série da HBO criada por Alan Ball, o homem por trás de Six Feet Under. Baseada na série de romances The Southern Vampire Mysteries, a série se passa num mundo onde os vampiros se revelaram aos humanos após a criação de um sangue sintético pelos japoneses em busca de aceitação na sociedade para viverem em sua vida de bebedor de sangue em paz. É uma premissa bacana, interessante em vários aspectos e vendo os nomes envolvidos na produção eu esperava algo legal.

Mas não foi bem assim, meses atrás o episódio piloto vazou e deu pra ver que a premissa foi mal aproveitada e os personagens não passavam de um amontoado de clichês. Pensei que o segundo episódio melhoraria um pouco as coisas, conhecendo o ritmo lento de Six Feet Under. Porém parece que pra cada uma coisa bacana que aparece na série ao menos três ruins vem junto e minhas esperanças ficaram mais baixas. O que poderia ser uma série inteligente de fantasia sobre vampiros está se tornando uma espécie de Buffy com mais sangue e rednecks - claro que tem o ar HBO aqui e ali com a mistura de sexo e violência com assuntos vampirescos, mas até isso não é lá grande coisa. Por fidelidade a casa continuarei assistindo, mas acho que não vai melhorar muito.

Por enquanto a melhor coisa da série é a sua abertura. Criada pela mesma agência que fez a de Six Feet Under, Dexter e House mistura várias imagens que compõem o cenário sulista-sujo da série como religião, vampiros, rednecks ao som do country blues dark “Bad Things” de Jace Everett. Essa abertura é diferente da mostrada no piloto, que apesar de um tanto crua focava num outro lado da temática da série, mas com a mesma canção de fundo. Já tá no meu player.

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Faz semanas que tô trabalhando no III Festival Se Rasgum e ainda não tive a manha de postar aqui sobre o negócio - que era algo que eu queria fazer faz um tempo já. Você que me lê de outro lugar que não seja Belém provavelmente não deve conhecer as festas da Dançum Se Rasgum. Elas começaram em inferninhos abarrotados de indies e música delícia e se transformaram num puta festival anual que é o justo carregador de maior festival alternativo da Amazônia (e olha que nem tô sendo pago o tanto quanto o mané do Doda pra falar isso). A constante em toda a trajetória da Se Rasgum é a música fodidamente boa e a vontade de fazer neguinho ficar sem ar de tanto pular. É pra indie suar mesmo.

Te dizer que foram as primeiras festas que me meti na vida anos atrás. Belém não era uma cidade lá muito grande no quesito variedade cultural e eu, um cara que tinha começado a morar sozinho e estava procurando algo pra preencher a lacuna dos finais de semana encontrei essas festas por acaso. O pessal falava que “rolavam a cada quinze dias num lugar bacana e tocava Pixies e Strokes e umas paradas lá que não reconheci mas eram legais”. Isso faz uma pá de anos, quando strokes era sei lá, o sinônimo absoluto de hype e baixar mp3 indie exigia horas de pesquisa e sorte no download.

Dessas festas abarrotadas começaram os shows (hoje históricos) de bandas nacionais. Um desses, o do Sapatos Bicolores em 2005,  por muito tempo ficou como o o maior show de rock que vi. Tocaram tanto só pela vontade de deixar geral dançando que acabaram as músicas que eles sabiam, só pra tu ter uma noção. Dancei absurdamente com a minha senhora o rockabilly dos caras numa madrugada quente sem parar. Ainda tiveram vários shows do Wander (lembro que no primeiro cantei o show inteiro, coisa digna de fã do legião), Autoramas, Los Pirata, Nervoso e Superguidis (o melhor show que já assisti em flashes) que não só destruiram tudo como me deixaram dolorido no dia seguinte. As festas Se Rasgum são tão importantes na minha formação cultural quanto Hemingway ou Bukowski. É minha HBO das festas de rock.

E dos shows infernais surgiu o Festival Se Rasgum, que desde 2006 bota Belém no calendário de festivais alternativos nacionais e continua destruindo tudo. É uma coisa única na região e agora na terceira edição se tornou um evento indispensável pra quem quer ver algumas das mais legais bandas nacionais - e gringas também, ano passado os stoners do Nashville Pussy espirraram whisky em todo mundo. O festival desse ano tem tanto os suecos do Shout Out Louds (ah, esses caras vão derreter no calor daqui) Canastra quanto Montage, passando por Curumin e Do Amor só pra dizer alguns nomes bacanas que vão tocas nos três dias de shows. E é a primeira vez que oficialmente tô participando das engrenagens da coisa. Todo o material gráfico e web é culpa da Libra Design, o estúdio que acolhe este escriba e ainda tô metendo a mão em outras coisas aqui e ali (espere otras cosas más nos próximos dias).

Depois de anos indo pras festas e shows agora posso ver melhor como as coisas funcionam e bater um papo com os caras que fincaram a bandeira de cidade da boa música em Belém. A correria pra botar o site no ar, pra aprovar isso e aquilo, saber que banda vai tocar que dia, esquematizar ações e ainda escolher bandas pra olhar de perto tem sido sensacional. Então semana que vem nos dias 19, 20 e 21 eu estarei lá, e se você estiver aqui em Belém, não vai ter lugar melhor pra estar.

No site tem todas as infos necessárias e lá no escritório estaremos vendendo ingressos também, checa o endereço no site. Chega lá pra gente tomar um café.

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Ray

Desde que o homem começou a anunciar em seu blog sobre o seu novo trabalho eu fiquei interessado e finalmente tive tempo de ler o primeiro número hoje. Ben Templesmith além de um grande ilustrador de horror (e de crime também) também se mostrou um autor competente em Wormwood - com muito a aprender, mas promissor. Essa mini chamada Welcome to Hoxford é mais um trabalho solo seu e logo nas primeiras páginas ele mostra que aperfeiçou sua escrita traço consideravelmente.

Nessa espécie de versão própria de Asylum Arkham Templesmith conta a história de Raymond Delgado, um homem com diversas condições psiquiátricas diagnosticadas e um psicopata condenado perpetuamente sem chances de condicional ou algo do tipo levado para Hoxford Correctional Facility and Mental Institution.

Administrado independentemente por um conglomerado russo e lar de diversos criminosos violentos com condições mentais diversas que recebem tratamentos pouco convencionais, Hoxford é o último lugar que uma pessoa sã pensaria em chegaria perto.

Pronto, taí o cenário perfeito para o autor encenar cenas de horror a rodo e ainda adicionar tons sobrenaturais a trama enquanto revela mais detalhes grotescos do seu pertubado protagonista. No ritmo que iniciou, parece que as quatro edições previstas não serão o suficiente para Templesmith mostrar tudo que deseja em Hoxford. Para ler escutando Bohren & der Club of Gore.

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Tenho que dizer que é uma boa época pra se acompanhar séries, filmes e tudo mais que possa ser baixado na internet em alta qualidade. Já era bastante legal poder assistir episódios dias após sua exibição na gringa, então o negócio foi se especializando e tem séries que assisto no mesmo dia em que passam lá com um delay mínimo de um par de horas. Aí episódios pilotos começaram a vazar e season premieres também.

Agora antes mesmo de estrear lá eu já assisti um, ou até quatro, episódios vazados semanas antes da estréia oficial. Você tem que amar os rippers ninja e seus contatos dentro dos estúdios. Faz anos que me mudei de casa e abandonei a TV a cabo e não sinto a menor falta. Diabos, até as olimpíadas eu baixei.

Tudo isso pra dizer que seguindo a tradição do ano passado - se não me engano vazaram os quatro primeiros episódios da segunda temporada - Dexter começa antes da data anunciada com uma season premiere excelente de sua terceira temporada. Parece que haverá um cuidado de evitar o que aconteceu na temporada anterior onde muitos episódios foram descambando pra um clichê terrível e o jogo de gato e rato a lá Death Note mostrou-se várias vezes desgastado.

Pelo primeiro episódio dá pra notar que vai ser como a primeira temporada, mais focada nos demônios de Dexter do que nos resultados das experiências que ele teria lidando com situações adversas (convenhamos, esse artificio narrativo é coisa de série em fim de carreira). A narração em off voltou mais incisiva do que nunca e parece que teremos ótimos monólogos outra vez. Até mesmo o plot que se começou está parecendo muito promissor pra mim. Senhoras e senhores, talvez seja uma temporada formidável.

Aproveitando, outra série favorita da casa que começou oficialmente sua quinta temporada lá fora e vai ser mais uma companhia semanal nos meus players é Entourage. Se você não assiste é um bom momento pra correr atrás dessa série que é a minha dose semanal obrigatória de putaria e piadas movidas a testosterona pura. Hail Ari Gold!

(eita, Californication também vazou)

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Hoje lendo os feeds acumulados do excelente The Art Of Title Sequence vi no post sobre a abertura de Dawn Of The Dead (minha favorita de filmes de zumbi, quiçá de todos de horror) a música “The Dead Flag Blues” do Gospeed You! Black Emperor, que o autor do post colocou como um extra para o clima apocalíptico da abertura do filme.

Eu nem lembrava como era incrível essa faixa que abre F#A# (ou seja lá como é que se escreve o nome desse negócio), disco de estréia do Godspeed. Ela conta com um monólogo pesado e melancólico de Lee Marvin sobre um cenário apocalíptico que faz arrepiar. O instrumental característico do Godspeed entra logo depois e não melhora muito a coisa.

The car is on fire and there’s no driver at the wheel, and the sewers are all muddied with a thousand lonely suicides. And a dark wind blows.

The government is corrupt and we’re all so many drunks with the radio on and the curtains drawn. We’re trapped in the belly of this horrible machine, and the machine is bleeding to death.

The sun has fallen down, and the billboards are all leering. And the flags are dead at the top of their poles.
It went like this — the buildings toppled in on themselves. Mothers, clutching babies, picked through the rubble and pulled out their hair.

The skyline was beautiful on fire, all twisted metal stretching upwards, everything washed in a thin orange haze.
I said, “Kiss me, you’re beautiful, these are truly the last days,” and you grabbed my hand. And we fell into it like a daydream, or a fever.

We woke up one morning, and we fell a little further. For sure it’s the valley of death; I open up my wallet, and it’s full of blood.

Godspeed You! Black Emperor - The Dead Flag Blues

Esse monólogo (que pode ou não ser do real Lee Marvin) faz parte de um filme inacabado chamado “Incomplete Movie About Jail” de Efrim, um dos membros do Godspeed. Taí um grande filme que ninguém verá. Escute e baixe a mp3 acima e concorde comigo.

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Qualquer um que tenha lido um artigo inteiro e qualquer revista nos últimos anos sobre a invasão americana no Iraque deve ter percebido que diversas manobras millitares em solo iraquiano foram no mínimo atrapalhadas para um exército supostamente bem treinado e de recursos altamente avançados. Quem testemunhou isso de perto foi o repórter Evan Wright, que em 2003 escreveu para a Rolling Stone uma série de artigos que retratam como uma das maiores forças de elite do mundo, neste caso os marines do batalhão bravo da Recon, foi subaproveitada e mal guiada durante os 40 primeiros dias de invasão.

Estes artigos viraram um livro e recentemente a HBO exibiu a série em sete partes chamada Generation Kill, baseada nesse livro e mais uma obra de David Simon depois de terminar sua épica The Wire. Primeiro é preciso saber que os fuzileiros da FORECON são uma força especial altamente treinada em diversas técnicas de combate. São os caras que podem destruir uma cidade inteira sem sofrer nenhuma baixa. Isso em condições de combate e comando em campo de batalha ideais, coisa que nos eventos retratados na série (que ficam exatamente na linha entre real e ficcional) eles não tiveram.

Desde o primeiro episódio ainda concentrados num campo no Kuwait esperando para invadir o Iraque e lidando com a idéia de que a guerra termine antes mesmo deles precisarem entrar nela, até os dias de patrulha em Bagdá os fuzileiros sentem-se subaproveitados e mal guiados por uma cadeia de comando cheio de idiotas. Como eles mesmos dizem a certa altura, são como Ferraris dentro de uma arena de monster trucks, fazendo missões estúpidas e de alto risco. Caras treinados ao custo de alguns milhões de dólares por fuzileiro servindo como policiais em bloqueio de estradas.

Comentários táticos a parte (e eu poderia falar só sobre isso por vários parágrafos) a série entrega vários momentos hilários nos diálogos de fuzileiros entediados fazendo um trabalho que não foram treinados para - e confesso que poucas coisas são tão engraçadas quanto humor de fuzileiros: uma mistura de racismo, misoginia e machismo que é essencial tanto para mantê-los prontos pra atirar em alguém quanto para expressar seus patriotismo e companheirismo, acredite. Desde o capitão babaca apelidado de Capitão América, passando pelo sargento Colbert aka The Iceman (que após a “tomada” de uma pista de pouso totalmente abandonada exclama “That was fuckin’ ninja!”) ao hiperativo Cabo Ray  os episódios me fizeram rir como poucas séries esse ano conseguiram.

É, eu tenho um senso de humor deteriorado. Mas e você que gosta de Teatro Mágico?

Mais uma série que só poderia ter vindo da grande mãe chamada HBO, sempre disposta a oferecer produções sem paumolismo para mim e você e que assim como Band Of Brothers (apesar de serem coisas bastante diferentes) deixa a vontade de reassistir e guardar em dvd. Junto com House Of Saddam da BBC (em parceira também com a HBO) monta um cenário mais completo do que foi a invasão no Iraque e a queda de Saddam. Stay frosty.

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