bunker

Relendo Transmetropolitan aqui (ah aqueles tempos de “quero ser jornalista” e de tardes lendo Hunter Thompson) percebi porque que a maldita revista ainda continua sensacional: o barbudo Warren Ellis escreveu suas melhores linhas nos diálogos de Spider.

You want to know about voting. I’m here to tell you about voting. Imagine you’re locked up in a huge underground nightclub filled with sinners, whores, freaks, and unnameable things that rape pit bulls for fun. And you ain’t allowed out until you all vote for what you want to do tonight. You like to put your feet up and watch ‘Republican Party Reservation.’ They like to have sex with normal people using knives, guns, and brand new sexual organs that you did not know existed. So you vote for television, and everyone else, as far as your eye can see, votes to fuck you with switchblades.

That’s voting. You’re welcome.

- Spider Jerusalem

Toma aqui em português, seu inútil preguiçoso.

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Supermarket

25.08.2008 | Nerdices

Estar sempre à procura de algo pra preencher aquela lacuna de tempo entre uma atividade e outra é das coisas mais comuns quando se mora sozinho. E com a dose certa de descuido essas lacunas acabam tomando o dia inteiro. Revirar pilhas de revistas (já li essa matéria dessa Piauí?) e quadrinhos (esse número de Preacher é aquele do vietnã?) em busca de algo que garanta aqueles vinte minutos enquanto o download de um filme termina faz parte do meu cotidiano.

pella

Ontem esperava terminar de baixar o  último episódio de House Of Saddam - a melhor coisa que descobri semana passada -  e lembrei de Supermarket, já há algumas semanas na fila de leitura . Escrita por Brian Wood (o homem por trás de Demo e DMZ) e ilustrada por Kristian Donaldson (também de DMZ) a mini em quatro partes é sobre Pelle Suzuki, uma típica liberal ativista de boutique cheia de observações sobre o consumismo e o horror da vida capitalista moderna que apesar de não precisar do dinheiro trabalha como balconista numa loja de conveniências. Um dia volta pra casa e encontra seus pais mortos e uma mensagem deixada por eles para que fuja imediatamente. Daí entram perseguições envolvendo yakuzas e a indústria pornô sueca por partes de uma mega-cidade cheia de zonas classificadas por status social de seus moradores. Essa cidade é chamada de Supermarket.

Brian Wood sempre mostrou em seus trabalhos uma veia COMUNA que vai desde o discurso liberal bacanudo e contundente (a crítica ao jornalismo corporativo em Channel Zero é o melhor exemplo disso) até o papo um tanto babaquinha sobre as terríveis coisas que fazemos no dia a dia como comer fast-food e comprar produtos feitos por pobres asiáticos e yada yada. Nas primeiras páginas de Supermarket parece que esse seria o tom da mini inteira mas ainda bem que Wood também gosta de tiros e coisas legais como Yakuzas e mulheres com armas e parte para a ação desenfreada sem muita demora.

A arte de Kristian segue combinando muito bem uma paleta de cores altamente diversificada (pra não dizer COLORIDINHA DEMAIS) com um traço que apesar de indie na natureza abusa de quadros espertos para pintar as cenas dentro da enorme e confusa cidade cheia de letreiros em Helvetica. No final Brian Wood faz lá seu ato de esquerda enquanto monta cenas legais de tiroteio e todo mundo sai ganhando apesar de um desfecho um tanto apressado. Vale a leitura pela arte de Kristian (as capas dele são especialmente deliciosas) e porque apesar de tudo Wood é um puta escritor de ação.

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The Middleman

Há algumas semanas assisto religiosamente The Middleman, série baseada num gibi desconhecido (o que diabos não vem de um gibi hoje em dia?) sobre um super-herói chamado er, Middleman e sua recruta que mistura tramas sci-fi com frescor pulp, referências pop aos montes (é uma verborragia tão grande que o pause se faz necessário aqui e ali) e diálogos que não precisam ser tristemente forçados como em The Big Bang Theory para ganharem a alcunha de nerd E serem realmente engraçados.

Na verdade parece que nos últimos tempos ser nerd é ser cool, né? Daí séries como Chuck e a já citada Big Bang e abusam de referências babaquinhas para criar uma empatia. É como se bastasse dar uma lida em Watchmen e assistir uns filmes do Kevin Smith pra adentrar nesse mundo mágico. Cacete, não existe nerd cool. Existe o geek, aquele endinheirado que compra gadgets e edições encardenadas de Civil War e senta no shopping com enquanto twitta que Dark Knight deveria ter usado melhor a trama de O Longo Dias Da Bruxas (que ele não leu, mas viu no Omelete que tem a ver). Dá no saco, de repente todo mundo conhece Frank Miller e despreza. Mas divago.

O importante é que The Middleman não se preocupa em aparentar alguma coisa lá muito séria. Digamos que é apenas legal ver a protagonista Wendy Watson pilotar caça até o México pra salvar o seu chefe (o Middleman, uma espécie de super-herói) e o seu mentor Ping que foi preso por luchadores mexicanos dentro de uma gaiola criada pela refração da luz num diamante perfeito. Os roteiristas vão amontoando coisas legais na trama sem apelar pra dramas desnecessários entre os personagens e plot twists no estilo lost. E no final funciona como deveria, é sci-fi, comédia e NERD sem encheção de saco.

Aproveita que pouca gente tá assistindo e começa a baixar os episódios. Daqui a alguns anos o DVD vai ser CULT tipo “a melhor série que você não assistiu” ou algo assim. Eu já comecei a ler até o gibi, que também é bem legal. Não sei se existem legendas em português e os releases tem poucos seeds, mas vai na fé que tu consegue.

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sonny e ricardo

Dia desses meu irmão passou uns dias aqui em casa e na cruzada pra mostrar pro garoto o que é cinema de verdade peguei alguns filmes pra fazer uma sessão de tiro e explosões. Entre Starship Troopers (sempre sensacional) e Operação França assistimos Miami Vice do Michael Mann. É, esse mesmo baseado na série cheesy que todo mundo conhece. Tinha visto no cinema alguns anos atrás e gostado muito. Eu sabia que Miami Vice era o tipo de filme que diverte no cinema e deixa a impressão que uma reassistida talvez releve algo mais que você sabe que está lá, só que precisa do clima ideal pra aparecer.

Dessa vez foi a minha bizarra identificação com Sonny Crockett, o marrudo de cabelo estranho que não sabe combinar ternos interpretado por Colin Farrell. Ele possui um ar inerente de falsa preocupação com o que está fazendo enquanto na verdade o foco está mais adiante procurando algo mais naquilo aquilo. Sonny parece saber que está apenas fazendo o seu trabalho (pegar os bandidos) e por mais que ele seja perigoso e desafiador - nada como cruzar Miami abusando de uma Ferrari F430 e trafegar entre paises a bordo de nada singelas Donzis ao som de Mogwai - ainda tem algo muito estranho ali, vai que os bandidos não sejam tão bandidos assim e ele não seja o cara ideal pro serviço. Não é preciso olhar muito ou avaliar a atuação de Ferrell no longa, está tudo ali. É um cara  que mesmo fazendo algo incrivelmente perigoso e aproveitando a viagem com brinquedos legais ainda precisa levar o limite um pouco mais adiante. Precisa fazer aquilo que deixaria até um narco-traficante internacional com medo.

Assim como saí do cinema daquela vez e a minha senhora me olhou e perguntou “Vem cá, você é o Sonny Crockett?”  e eu apenas ri por causa da semelhança física de bruto sem muito jeito após reassistir aprendi com Sonny mais alguns truques e descobri que nossa marrudice é mais do que aparenta. Você riria que se eu disse que Miami Vice me ensinou algumas coisas sobre mim mesmo, mas fazer o quê. Tem coisas que só Miami faz por você. Vai que eu tô vendo coisas demais em lugares estranhos. Hora de deixar crescer o mullet.

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Behold the Olympics

12.08.2008 | 42

A melhor coisa das madrugadas é zapear as tv e ver um esporte random como salto ornamental sincronizado sendo NARRADO. Isso lá é esporte? “Agora a dupla da Coréia do Sul se preparando, olha o salto, OPA, muito bom hein?” Mas aí tem tiro, os caras parecem máquinas - mas os alvos são um tanto bestinhas também, curto aquela parada de HUT-PÁ. Do outro lado tem aqueles caras puxando umas PUTAS velas pra cima e pra baixo fazendo um circuito que só posso presumir que seja imaginário. Se em algum momento alguém gritar GANHEI é capaz de darem a medalha pra ele. Imagina os caras ali na cabine de TV discutindo “quem tá na frente ali? - Ih cara, foca naquele australiano sarado ali e diz que é ele”. E tem os brasileiros naturalizados GEORGIANOS dizendo pra TV que “uma pena nao trazer esse título pro nosso país”.

NENHUM SENTIDO.

Mas aí tem a guerra. A China e o resto.

Ah.

Liguem o LHC, mano. Post em homenagem (emulada) ao barbudo que tá numa killing spree sacana esses dias.

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