Vou fazer que nem aquela vez de The Wire. Acabei de assistir o piloto de In Treatment, já que hoje foi daquelas manhãs que a gente acorda cedo demais sem querer e fiquei bastante curioso e empolgado. Deixei passar em branco essa série que foi uma espécie de experimento da HBO entre janeiro e março deste ano com 43 episódios, cinco por semana - cada um com um paciente do terapeuta interpretado por Gabriel Byrne. Grande erro. Episódio piloto muito bom.
Pode contar com mais posts sobre a série.
ComenteO Dia que Achei Aquela história em Quadrinhos
26.04.2008 | Nerdices
Anos e anos de consumo voraz de livros, quadrinhos, discos e toda a parafernália que a cultura pop oferece tendem a confundir a cebeça do nerd, embaralhar as referências e confundir as profundas análises de obras. De repente lembrar o nome do character designer daqele jogo sensacional não é mais tão fácil. Alguns filmes são completamente esquecidos e só quando re-assistindo por descuido que você lembra já ter assistido aquilo. Livros são piores.
Eu fui um cara que começou cedo a consumir tudo o que minhas limitadas verbas ofereciam e naqueles primeiros anos de leituras acompanhadas de dicionários (para não perder nada) e total falta de preocupação em saber quem fez aquilo ou de que ano era coleciono fragmentos de cultura pop não identificados em minha mente. Um fragmento em especial consegui identificar hoje.

Trata-se de uma história em quadrinhos de duas páginas, publicada em alguma Metal Pesado há muitos anos que havia comprado num daqueles encardenados de edições anteriores por um preço modesto. Era a narrativa de um viajante pelas estradas desérticas e empoeiradas dos Estados Unidos. Morando num cidade do interior e louco para me ver livre daquela pequenez, comtemplei a pequena história como uma premonição do que um dia eu iria fazer. Na época gostei tanto que destaquei cuidadosamente as duas páginas e carregava no caderno.
Nas indas e vindas do colégio e caminhos cortados pela cidade, perdi o caderno.
Não lembrava o nome do autor nem da história, não havia mais edições a venda na banca e vi que a minha havia sido perdido em algum escambo com amigos. Como havia tanta coisa pra se conhecer naqueles tempos dexei de lado a pequena história e parti para a minha próxima exploração cultural. Com o tempo fui saber que a Metal Pesado era a versão nacional da Heavy Metal, revista Ãmpar de quadrinhos e que as edições nacionais (assim como tudo de quadrinhos publicados na década de 90) tiveram publicações confusas e escassas. Toda vez que batia os olhos numa Heavy Metal procurava por aquelas duas páginas.
Até que hoje observando os novos torrents no KG vi um de nada menos que 13gb com todas as edições da revista. Meu primeiro pensamento foi de baixar a coisa toda e ir lendo cronologicamente a revista, um dia chegaria na historieta. No descritivo do torrent havia o link para a Heavy Metal Magazine Fan Page e não custava nada dar uma olhada lá, quem sabe um pedaço da minha história apareceria em algum artigo ou coisa assim. Lendo a lista de publicações resolvi passar os olhos no nome das histórias publicadas em cada revista pra ver se algum despertava alguma reação. Foi ali no ano de 97, na edição 5 de novembro, que reconheci Ranx na capa e lendo a lista das história encontrei No Man’s Land, de Jacques De Loustal.
Ranx me lembrava algo e o nome da história poderia muito bem ser aquilo que procurava. O ano estava teoricamente certo. Mandei ver no Google. Encontrei esta página sobre o autor, em especial este artigo que fala sobre as referências da obra de Loustal que Win Wenders usou em Paris, Texas e ali havia um link escrito No Man’s Land. Cliquei e apareceram as duas páginas tão procuradas em baixa resolução e impossÃveis de ler, mas eram elas. Achei, enfim.
Achei a história, o autor e a edição em que foi publicada. A revista não foi escaneada (só há até a edição de julho de 97) e não encontrei em nenhum lugar, e olha que procurei. Mas já é um grande alÃvio identificar a história e conhecer o autor. As duas páginas que encontrei estão com baixa resolução e em francês, minha senhora tentou ler e traduzir mas ficou difÃcil demais, quiçá impossÃvel. Postei-as no FRAG! para quem quiser olhar melhor a famosa história.
You can’t always get what you want, já dizia a música. Vai que num sebo encontro a revista ou vai que alguém que me lê tem a por aà sobrando a edição 5 de novembro de 2007 da Heavy Metal com o Ranx na capa e me empresta pra uma leitura.
5 ComentáriosInside [ou] GORE
19.04.2008 | Filmes

A melhor forma de assistir esse Inside (À l’intérieur) é sabendo o mÃnimo sobre o filme do jeito que eu fiz. Apenas vi que tinha a Beatrice Dalle, possÃvel trama de horror e diretores franceses estreantes. Não sabia nada mais sobre o plot, não vi ver trailer ou screenshots. Dalle e horror já foi mais do que o suficiente pra despertar o interesse. Se for o suficiente pra você também, vá assistir o filme e volte pra ler o resto depois. Se não, espero não estragar tanto a coisa.
O complicado vai ser dizer pra vocês que Inside é o mais incrÃvel gore movie deste século sem entrar em mais detalhes. Tente lembrar daqueles filmes que iniciaram a mania slasher há mais de vinte anos, lembre as sensações que eles causaram na sua mente ainda nova no mundo mundo cinema de horror, como foi assustador ver Michael Myers caminhando imponentemente atrás de sua irmã desesperada. Quero que você tenha em mente essas sensações, seja com Halloween ou com qualquer outro filme que tenha feito as honras de abrir as portas do horror pra você porque é DESSE tipo de coisa que Inside é feito. Não é só um filme de horror para fãs ou aqueles calejados no gênero, é uma obra de arte cinematográfica que utiliza do horror para atingir a perfeição.
Tentando ainda deixar de lado mais detalhes - mesmo com a injeção absurda de hype que injetei no parágrafo acima - a grande qualidade de Inside é manter a trama plana, minimalista e focada em personagens que não necessitam de diálogos de duas páginas para se deifinirem na tela. No começo ainda há alguns cocoetes dos filmes de horror modernos e eu já estava me preparando para um uma velha trama requentada com twist esperto no final quando a coisa descarrilhou de vez e me deixou quieto.
Utilizando de poucos cenários e personagens os diretores Julien Maury e Alexandre Bustillo pulam do simples drama numa cena para um suspense sangrento na outra. E logo depois abrem a torneira de sangue de vez. Chega a ficar tão assustador que, sério, você vai tomar um susto ou virar a cabeça pro lado em algum momento do filme. E tudo isso sem precisar de artifÃcios bestas no estilo Hostel para “chocar” ou “impressionar” o telespectador. Apenas uma história terrÃvel sendo contada, sem aquela macacada de Funny Games de tentar teorizar sobre a violência no cinema. E cacete, é desse jeito que um filme de horror deveria ser, rápido, denso e não se preocupando em chocar ninguém enquanto conta sua história. Polêmica e discussões rasas é pra quem quer ganhar prêmios ou um remake.
O saldo final é uma experiência emocional de tirar o fôlego. Eu não sabia o que esperar e fui me surpreendendo a rodo durante o desenrolar da trama. É digno de todos os clichês que um resenhista pode utilizar, até daquele que você vai querer dormir de luz acesa.
2 ComentáriosToda vez que me der vontade de assistir Cowboy Bebop eu vou fazê-lo. Assim sem mais nem menos. Porque eu já tentei escrever sobre essa série várias vezes e tudo que ganhei foi mais um episódios pra reassistir e ficar BESTA de tão legal e genial que o negócio é.
Você devia fazer o mesmo.
3 ComentáriosUm pouco sobre vilões [e] Wanted
18.04.2008 | Nerdices
Foi assim, eu vi o trailer e gostei do negócio, vi que foi adaptado de uma HQ e resolvi ler. Aà Wanted, de Mark Millar e JG Jones acabou se tornando a mais divertida leitura de quadrinhos que tive nos últimos meses. Não foi por falta de aviso de amigos e resenhas internets afora que deixei de ler antes, foi por não saber que era tão legal.
Wanted é sobre vilões, ou super vilões. E a coisa mais interessante de muitas histórias em quadrinhos são os vilões, afinal eles sempre mudam, encontram novas formas de atingir o super-herói e traçam planos dia a dia para conquistar o que desejam. Vilões são disciplinados, possuem motivações impetuosas e sacanas para o que querem atingir. Apesar de geralmente serem um mero adereço cômico numa história sobre a jornada em busca da paz e igualdade mundial daquele super-herói marrudo eles não raro são a coisa mais interessante da trama.

Pega o Coringa, o joker, o palhaço. Em séries como The Killing Joke ele consegue ser mais divertido, profundo e complexo do que dez Batmans jamais seriam. Tem Arkham Asylum também, onde o festival de freaks aprisionados pelo morcego levam a uma viagem conturbada pelo imaginário do Cavaleiro de Gotham e mostram que sem eles o morcego não é nada. É apenas um cara com a cueca por cima da calça pulando de prédio em prédio e dando socos em ladrões de bolsas.
Por serem a parcela má da história os vilões tendem a perder no final. Na era de ouro, prata, etc dos quadrinhos isso era regra. Não importa o quanto eles conseguissem chegar perto de dominar o mundo no último momento seu plano mirabolante e minuciosamente executado iria falhar. E se não falhasse? E aà que começa Wanted, num mundo onde os vilões acabaram com os amigos da vizinhança e os vigilantes de nomes duvidosos e poderes idem. Um mundo onde os vilões sádicos se juntaram numa única organização e dominam secretamente o mundo varrido de super-heróis.
E porra, isso é legal pacas. Vê só, é o começo perfeito pra uma história que claramente não está nem aà para caras bons e maus e quer apenas divertir o leitor com ação, piadas e humor negro. Mark Millar resolveu pegar apenas as partes legais de uma saga de colant de quadrinhos: as cenas de ação, diálogos mirabolantes e engraçados e as mulheres fatais. Não precisa explicar de onde vieram os poderes daquele cara, é apenas um tiroteio descerebrado em quadrinhos em cima de uma tÃpica história de um cara que descobre ser o filho do maior assassino do mundo (que foi morto) e é chamado pelos vilões para receber a herança do velho, não sem antes cumprir algumas clásulas contratuais. Normal e divertido.
O suficiente pra ser lido escutando um bom disco do Monster Magnet. No filme os super-vilões vão dar lugar a uma “fraternidade de assassinos blábláblá”. Vai cortar grande parte da diversão logo de cara. Mas you know, é hollywood.
ComenteNetwork [ou] This story of Howard Beale
17.04.2008 | Filmes

He’s saying that life is bullshit. It is.
What are you screaming about?
Algumas semanas atrás o Nemo falou sobre esse Network, do Siney Lumet com roteiro de Paddy Chayefsky. Não conhecia muita coisa tanto o diretor quanto o roteirista e pareceu-me uma boa oportunidade para sanar a curiosidade sobre ambos. O filme é uma sátira ao corporativismo bilionários das redes de televisão e da total venda de valores morais a favor de alguns pontos de audiência. Tudo bem que não soa tão inovador hoje em dia, porém é empolgante ver que ainda é um ótimo filme e me fez tanto gargalhar quanto deixar de lado quaisquer aspirações a roteirista que eu possua. Escrever algo assim é coisa de gente grande.
Basta pegar os diálogos, que mesmo depois de mais de trinta anos e tratanto de um assunto que evoluiu tanto continuam rápidos, afiados e excelentes. Os personagens conseguem realmente discutir a própria trama em que se encontram sem apelar para truques ou cacoetes narrativos tão comuns ao cinema dessa época. Diabos, tão comuns ao cinema de hoje em dia. Apesar de alguns momentos fracos no roteiro e certas cenas com notável aspiração artÃstica pedante o saldo final ainda é incrÃvel e mais um achado para as minhas listas de citações.
ComenteHellsing [ou] Bizarria for export
14.04.2008 | Nerdices

Assisti ontem o quarto OVA de Hellsing que tinha baixado um bom tempo e havia esquecido nos confins do hd. Nada como uma madrugada de sono perdida pra desafogar as animações da lista. Comecei a assistir Hellsing quando na ocasião do lançamento do primeiro OVA o burburinho foi tão grande e o trailer do negócio parecia bastante interessante que resolvi engrossar o coro. Sou um vendido mesmo. Mas tenho que falar de Hellsing, o negócio é bizarro demais pra deixar passar em branco.
Baseado no mangá de Kouta Hirano, a animação é sobre uma organização protestante secreta que limpa o solo da Inglaterra de vampiros malucões e outros tipos de freaks. É tudo que você precisa saber, afinal de contas eu já esqueci mais da metade da história e não fez falta nenhuma ao assistir o episódio recente. Tenha em mente que o negócio do anime é estilo e ultraviolência, não conteúdo.
O vampirão chefe da Hellsing chama-se Arucard (nada mais do que drácula com R ao contrário [na época do lançamento muita gente reclamou que os tradutores chamaram o Alucard de Arucard - mas na cara que faz mais sentido, já que os dubladores japoneses não conseguem pronunciar o L direito, a chefe da Hellsing chama-se Integra Fairbrooks Wingates Hellsing, juro que assistir os dubladores tentando pronunciar esse nome pomposamente é a coisa mais engraçada da história dos animes] pra tu sentires o drama que o cara carrega) e é um dos personagens mais overpower que existem.
O cara simplesmente aguenta saraivadas de balas de exércitos nazistas inteiros e depois levanta e mata todos. Falar em nazismo, o autor do mangá tem um fetiche insano por oficias sádicos da SS - se bem que todo personagem é sádico, até os bonzinhos ganham se momento de sangria desatada. Na verdade Hellsing é uma enorme masturbação sangrenta da cabeça insana de Hirano, misturando conceitos facistas (bem pesquisados, em dado momento um personagem nazista canta “Denn wir fahren gegen Engelland” a plenos pulmões), sadismo, igreja católica (não lembro direito, mas parece que há uma organização chamada Escariote dentro do vaticano que mata zumbis e coisas do tipo), sangue e erotismo violento ele fez de Hellsing o tipo de obra que tem todos os elementos doentes que permeiam o imaginário gore japonês.
E faz sucesso pacas. Cada episódio do OVA é aguardado com ânsia por nerds em todo o mundo, chega ao extremo de gente que mal tem noção de japônes assitir o RAW só pra dizer que viu antes de todo mundo. Eu iria teorizar sobre esse tipo de obra fazer tanto sucesso hoje em dia mesmo não tendo nada que preste em nenhum elemeto da narrativa e apenas um visual bem cuidado e que vezes beira o espetacular. Mas o final das contas resume-se que sangria visualmente estilizada misturada com bizarrices extremas parece sempre fazer sucesso. Ainda mais na esfera dos assistidores de animes, que são calejados no assunto. Melhor deixar pra lá então.
2 ComentáriosDevia continuar desenhando
07.04.2008 | Nerdices
O Frank Miller participou da produção de Sin City e parecer ter tomado gosto da coisa assumindo a direção de The Spirit, que caso você não conheça é um gibi sensacional de Will Eisner. Até aà tudo bem, Sin City é um filme que vai do mediano ao ruim adaptado de uma HQ péssima e aquele visual foi legal nos primeiras meses mas hoje em dia é bastante over. Mas todo mundo já esqueceu a bagaça.
Mas aà saÃram umas imagens da produção de The Spirit.
Não vou dar uma de purista e elogiar a o gibi como se tivesse lido várias historinhas dele na infância e tudo mais. Só fui ter conhecimento de Eisner até um tempo atrás, pra falar a verdade. Mas calma lá, vendo essas imagens só consigo pensar numa reposta como essa. Que negócio horrÃvel. Vai ser um pastiche de Sin City (e se achando o máximo por causa disso) com aquilo que com certeza o Miller vai chamar nas entrevistas de “noir” e aquela ar Dicky Tracy. Vai vendo.
Dessa vez ninguém vai elogiar “a estética recolucionária e inovadora” do filme. Pode anotar, nem a Scarlett vai consgeuir salvar esse filme.
P.S: Lá no impop tem Omega Massif, pequeno gafanhoto.
5 Comentários
Tempos atrás eu escrevi um pouco sobre esse negócio de post rock aqui neste blog. Até no Dois Discos tem textos sobre o estilo, a partir de hoje continuo espalhando o amor lá no Impop, junto com o mestre gafanhoto Tiagón e o recém conhecido José Carlos, d’O Primo. Como a carta de intenções do blog diz:
impop pode ser rock. desde que não seja besta. nem vazio. nem hypado. impop pode ser irônico e dar uma detonada, se estiver na pilha; mas a verdade é que não tem muito sentido perder tempo com o que não vale a pena.
Nada mais perfeito pra mim. Vejo vocês lá também.
ComenteThis is Your Captain Speaking
03.04.2008 | Internas
Senhoras e senhores este nada humilde blog agora conta com o maquinário do novo (e excelente) Wordpress 2.5 com um set de plugins customizados porcamente por este que vos escreve e o dashboard utilizando o tema Fluency Admin for my own pleasure. Continuemos com a programação normal agora.
Confesso que lendo este guia aqui não pude deixar de seguir o passo três. Com o novo maquinário talvez aumente a vontade de terminar o novo layout.
Comente
If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
