[REC] - Puta Madre
30.03.2008 | Filmes
Assisti ontem esse filme de horror espanhol que foi bem comentado na época do lançamento do trailer por causa desse vÃdeo com as reações um tanto exageradas do público. Parece mais um dia de trabalho para uma equipe de reportagem que acompanha uma noite de bombeiros em Barcelona até que durante uma das chamadas coisas estranhas acontecem. Nem dá pra contar muito sem estragar grande parte do filme. Só adianto que é sangria, gafanhoto.

Filmado num esquema de handycam (coisa que nunca me agradou muito) semelhante ao recente hypado Cloverfield esse filme parece que vai ser daqueles que regulam a sangria e tremem bastante a câmera pra esconder o orçamento baixo. A cena do primeiro ataque é bem isso, chega a ser até um pouco trash pra falar a verdade. Só depois daà que a coisa fica interessante, dá pra compreender melhor o cenário e reconhecer os personagens e se envolver de fato com a história. Não há muita tensão, o negócio é mais na base do susto e de não dar o braço a torcer pra explicar a coisa. Downhill total, do jeito que devia ser.
É justamente essa a parte legal do filme, quando ele resolve deixar de lado as explicações desnecessárias pra cair na porradeira e gritaria desenfreada. Mesmo que espanhol seja uma lÃngua horrÃvel no quesito grito de horror - convenhamos, puta madre pra todo lado chega a causar riso certas horas. Com todas as correrias e gritarias a câmera dificilmente perde o rumo, sempre conseguindo focar bem a ação e com uma fotografia que esconde e revela o necessário sem muita enrolação. Ponto pro esquema de câmera na mão, dessa vez funcionou.
O final é desesperador e bem feito, não insulta o espectador como de praxe nem fecha a porta na tua cara e paga de bonzão. Dá abertura para outras interpretações da história e ainda envolve assuntos que tem tudo a ver com o tema do filme para deixar a coisa mais macabra (só assistindo mesmo pra saber do que estou falando). Com mais essa dupla de diretores parece que horror vai ser comandado por duplas de diretores europeus agora.
3 ComentáriosChaves Pretas [ou] Same Old Thing
26.03.2008 | Discos

Taà mais uma dessas coisa que acontecem sem querer. Esse Black Keys já tem alguns discos e só fui saber deles há poucos dias quando um compadre recomendou recente Attack & Release depois deu ter pedido indicações musicais decentes, estava numa pegada indie-electro-new-rave-remix por causa de um trampo, meio que a coisa estava me corroendo e precisava de paudurescência e guitarreira para espantar esses blips e blops todos. E foi em cheio, justamente o que eu precisava esse Black Keys.
É um duo guitarra/vocal e bateria de Ohio com quatro discos desde 2002 (e eu não conhecia!) que desce a lenha na distorção setentista e nos riffs longos de quem escutou muito Jimi Hendrix ou Faces ao aprender os primeiros acordes. Ainda não escutei os discos anteriores mas dizem que tem uma pegada bluesy mais pesada. Quase perfeito o negócio deve ser então.
Hoje escolhi a soul “Lies” e sua letra meio hippie como favorita, mas ontem mesmo eu não largava de “Psychotic Girl” com batida legal e banjo apoiando um refrão gospel genial. Sem falar no tecladinho. Te dizer que desse Attack & Release fica difÃcil escolher uma só faixa como melhor, toda vez que escuto o disco escolho uma diferente, da abertura climática e estranha de “All You Ever Wanted” até a balada oldschool rasgada “Things Ain’t Like They Used To Be” as faixas são de uma cremosidade pra quem aprecia a barulheira que uma SG faz quando bem tocada.
2 ComentáriosBlueberry Pies
19.03.2008 | Discos
Por enquanto a melhor trilha sonora que escutei esse ano disparado é do maravilhoso My Blueberry Nights - eu já sabia que o filme ia ser bom. Além de ter Norah Jones no filme mostrando ser ótima atriz ela também canta a sweet faixa de abertura “The Story”, daà vem Cat Power (que também faz uma ponta no filme) com “Living Proof” e os temas desérticos blueseiros de Ry Cooder aqui e acolá intercalados com souls matadores de Otis Reading, Ruth Brown e Amos lee. Coisa fina é pouco.
Esses soul (difÃcil escrever sobre soul sem lembrar daquela piada de High Fidelity) são a delÃcia cremosa da trilha, Kar Wai é daqueles que dificilmente erra na escolha de uma canção, só ver seus filmes anteriores. Não seria no seu primeiro filme em inglês que ele iria deslizar. A cena em que toca “Try A Little Tenderness” de Otis Reading é daquelas pra assistir várias vezes no youtube depois de anos. A canção já é um daquelas pérolas souls totalmente sofridas e avassaladoras por si só, junto com o filme de Kar Wai vira sacanagem.
No entanto a minha favorita é “Looking Back” de Nat King Cole na voz de Ruth Brown. Não sei explicar, mas acho que quando moleque revirando as fitas k7 antigas dos meu pais devo ter escutado Ruth Brown antes (ou Nat King Cole), ao escutar no filme eu já conhecia aquilo e meio que fiquei cantarolando. Soul geralmente é assim, difÃcil de esquecer.
ComenteO post abaixo é de número 300 deste Bunker segundo as contagens do infalÃvel Wordpress. Já faz alguns anos (cinco?) que escrevo blogs, antes deste devo ter tido uns três ou quatro que sumiram em alguma limpeza de banco de dados internets afora. Enfim consegui manter um blogue por tanto tempo. São 300 posts servidos: alguns legais, outros não, alguns pessoais e apaixonados, outros birrentos e blasés. Mas é tudo meu.
Se você me lê há tanto tempo quanto escrevo: muito obrigado. Agora continuemos com o blues, seja aqui, no Twitter ou no lifestream que faço no Tumblr.
3 ComentáriosVale registrar a volta da minha empolgação com Lost nesta quarta temporada. Se as duas anteriores conseguiram estragar um começo promissor com fillers intermináveis e pequenos mistérios que não eram importantes de verdade, tanto que ninguém lembra deles, esta temporada conseguiu reativar aquela tensão semanal de anos atrás. E essa tensão e empolgação surge com um tanto de alÃvio, entre tantas outras coisas a série foi aquela que iniciou-me no num novo ciclo de nerdices há quase quatro anos e apesar de temporadas sem graça e episódios ruins continuo gostando bastante da série e seus personagens.

O que eu precisava mesmo daquele episódio do Desmond pra fritar minha cabeça e provocar a leitura de blogs além-mar desenfreadamente. Nem o flashfoward do final da terceira temporada tinha sido tão interessante.
A introdução da viagem no tempo foi providencial, manteve os telespctadores casuais e reanimou os antigos que assim como eu só assistiam por inércia. Dentre tantas referências encontradas previamente na série arrisco dizer que a viagem no tempo é a mais empolgante de todas, dane-se o lostzilla. Como sempre para amparar o roteiro as referências vão de The Lorenz Invariant e o conceito de tempo e espaço imaginário passando por Minkowski, uma configuração matemática sobre combinações de dimensões que me foge completamente mas é teoricamente incrÃvel.
É claro que fico apenas na parte dos conceitos que li na wikipedia e o que encontrei na minha empoeirada coleção de Scientiffic Americans, no entanto são conceitos de alma nerd que empolgam este ecriba - assim como qualquer outro escriba nerd que você conheça. Nada como um pouco de pesquisa e leitura para poder entender aquela anotação no caderno do Faraday, de longe o personagem novo mais interessante que surgiu, ficando junto com o escocês brotha Desmond como os personagens mais legais da série. Que venham paradoxos temporais, dessa vez vale a pena acompanhar.
3 ComentáriosWristcutters, a Love Story
17.03.2008 | Filmes

Logo de cara esse filme parece mais uma comédia indie cheia de “estilo”, melancolia adolescente com referências meio obscuras e diretor com nome esquisito. E de fato o é, mas tem seus momentos legais aqui e ali. Patrick Fugit, de Almost Famous é um suicida que corta os pulsos ao som de Tom Waits (a cançoneta é Dead and Lovely, do Real Gone de 2004, de nada) e vai parar numa espécie de purgatório para suicidas que é bem parecido com o mundo dos vivos, só que um pouquinho pior.
E por lá vai vivendo, entre bebedeiras e conversas com outros defuntos descobre que sua namorada suicidou-se meses após ele (é como dizem, suicÃdios sempre vêm em três) e decide ir atrás dela para hum, viver feliz pra sempre. Aà o filme vira um road movie indie. Entre situações e personagens estranhos (o próprio Tom Waits faz um ponta) o filme perde-se um pouco na sua premissa inicial e acaba ficando um pouco chato. Vale as músicas do Gogol Bordello que tocam aqui e ali e algum do Gram Parsons acolá.
Não vai mudar sua vida nem nada, mas entrete e não força tanto a barra como o último filme indie hypado da temporada. Você sabe qual. O roteiro é baseado num livro de Etgar Keret que virou até gibi antes de virar filme, vou dar uma procurada.
2 ComentáriosMuito Barulho [ou] Redacted
14.03.2008 | Filmes

Dia desses saiu um dvdrip desse novo filme do De Palma que se me lembro bem foi aplaudido de pé em Cannes e coisa assim. Estava curioso pra ver mas não tanto a ponto de ler resenhas ou ver trailers, soube apenas que era algo envolvendo a guerra no Iraque.
Não é um filme de guerra com tiros e explosões, coisa que logo nos primeiros minutos ele mostra diretamente. Esse papo de “olha telespectador esse filme não vai ser como você espera” está tão saturado que não me convenceu muito bem, ainda fiquei esperando a hora das cenas de batalha. E elas não vieram. Ao invés disso vieram cenas montadas com câmeras de mão e de imagens de segurança, entrecortadas com uma espécie de documentário francês sobre a ocupação americana no Iraque mostrando o dia a dia de um pelotão pouco exemplar e sua missão de vigiar uma barricada dia a dia.
Fiquei meio preocupado e triste, perdi meu filme de tiro pra comer pipoca e ganhei um crossover de Michael Moore com Jarhead com toques de Cloverfield, com tudo de bom e ruim que isso proporciona - na verdade mais com a parte ruim. O pelotão em questão é composto dos esterótiopos de soldados acéfalos que estão ali “porque soldado obece ordem” e soldados com um pouco de integridade mas nenhuma vontade de fazer algo que preste ou ir contra o sistema, que seja.
Como já tinha reservado a noite pra esse filme assisti inteiro mesmo já sabendo o que viria: polÃtica rasa, panfletarismo besta e violência extrema. O filme grita, grita e grita que aquilo tudo é uma barbárie e que está errado utilizando montagens espertas de câmera e cenas violentas de um jeito bem Haneke de fazer esse tipo de coisa. A gente já viu isso antes, já leu e já sabe como funciona, caramba, é preciso mesmo que mais alguém grite no nosso ouvido clichês e não forneça ao menos uma alternativa para o problema? Explicitar é bastante conveniente e gera palmas em Cannes, pelo visto. Tentar resolver ou algo que o valha não.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
