bunker

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Depois de meses abandonado, botei pra rodar o FRAG! junto com o Caio (responsável pels HQs colant) com posts novos e algumas correções de bugs no wordpress, ainda faltam alguns, a integração wp-flickr é um pouco tricky. Atualizações fresquinhas e vários pedaços de HQs novos a caminho. Prometo várias passagens de Transmetropolitan e nenhuma coerência.

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Once

Dentre os indicados para o Oscar de melhor canção desse ano está um musical irlandês de 2006 chamado Once, com a canção Falling Slowly. O filme é uma espécie de musical indie sobre um compositor irlandês que toca na rua para ganhar um trocado e conhece uma garota tcheca que toca piano. Nada de novo em nenhum aspecto, e aí que o filme se faz interessante, desligando as expectativas de assistir um drama profundo você acaba ficando mais com vontade de escutar as canções e acompanhar o entrosamento do casal enquanto tocam.

Falling Slowly é a primeira canção que o casal toca junto numa loja de instrumentos e aparece mais algumas vezes durante o filme, uma simples cançoneta de amor com refrão desesperado e belo (Algo como “Pegue este barco naufragante / e guie-o pra casa”). Não sei se é só comigo mas geralmente canções que remetem ao mar mesmo que figuramente tendem a me agradar em cheio. Modest Mouse que o diga. Once é chamado de musical, mas no final das contas é mais um filme sobre música e pessoas que não vivem sem ela do que o tradicional filme cheio de números dançantes. Torcida garantida no Oscar.

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Why so serious?

23.01.2008 | 42, Filmes

O Coringa morreu. Ledger era um ator mediano e vai ser lembrado como um grande Coringa, vão chamá-lo de ”excelente ator” ao lembrar de sua indicação ao Oscar por Brokeback Mountain. Entre exaltações exageradas é certeza de que poucos a mesma aura que paira sobre Brandon Lee vai pairar sobre ele (e seus filmes) mesmo sendo atores tão diferentes.

Dark Knight agora caminha para ser o blockbuster do ano a passos largos e todos que previam como espetacular o Coringa de Ledger agora aumentarão o hype para proporções gigantescas. Mais uma vez a curiosidade mórbida vai encher os cinemas. A morte prematura do ator virou um grande golpe de marketing involuntário, tanto que de cara achei que a notícia tinha um quê de mentira e talvez fosse algo mais na ótima campanha do filme - uma piada de humor negro. Mas aí as notícias foram pipocando com mais detalhes, versões e o momento de aparecer o Batman na cena do crime passou.

É, sou um espírito de porco, estava esperando que ali no meio do auê aparecesse o Christian Bale (talvez o Gary Oldman), entre os CSI e os paramédicos e encenasse algo que no dia seguinte figuraria entre os blogs de publicidade como “mega campanha viral engana todo mundo”. O marketing me corrompeu e nem na morte mais eu acredito.

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Funny, hu

22.01.2008 | Filmes

Haneke, o homem que personifica tudo que há de ruim no cinema dito “de arte” (ou qualquer outro termo que você use), fez um remake quadro a quadro de um grande filme ruim que fez há mais de dez anos chamado Funny Games. Tudo bem, mas é Funny Games, um filme raso, metido a besta e pseudo-intelectual.

É o Eli Roth dos círculos cult.

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Saiu ontem o número 9 de Fell, depois de meses sem nada novo e especulações de que o formato adotado por Warren Ellis e Ben Templesmith não havia dado certo. Bullshit, foi mais uma questão de agenda entre os dois artistas. Ultimamente não tenho lido tantas HQs quanto gostaria, mas quando Templesmith disse que no dia 16 sairia um número novo eu sabia que teria de reservar a noite para ler Fell com calma e apreciar um bom roteiro de Ellis.

E não teve erro, continuando nas desventuras do detetive Richard Fell  na cidade perdida chamada Snowtown a história dessa vez é em cima de uma situação de reféns e sobre como Fell está se adaptando à cidada, ou seria o contrário? Mais uma grande pequena história contada daquele jeito pesado e tenso de Templesmith. Com mais esse número não resta dúvidas de que Fell, apesar de sua peridiocidade estranha, é um dos melhores títulos dos últimos anos. Tomara que o próximo número não demore.

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Talvez o segundo melhor filme do ano passado, Before the Devil Knows You’re Dead é como se Sidney Lumet pegasse todos os medíocres diretores atuais (que acham saber muito de filmes sobre crimes) e desse uma aula seca, intocável e sensacional sobre como é que a coisa funciona. Não precisa de diálogos descolados, de trilha underground ou maneirismos de câmera, utilizando o básico Lumet faz um incrível filme sobre personagens em situações limite. E o homem deve saber algo sobre isso depois de 80 anos vividos.

Utilizando de montagem moderna com idas e vindas no tempo, pra quem acha quem esses diretores velhos sõ sabem deixar a câmera ligada parada em algum lugar, trilha sonora econômica e nem por isso menos impactante além das ótimas atuações de Ethan Hawke e Phillip Seymour Hoffman o filme é um desastre para acontecer. Você vê os personagens caminhando para o final fatídico (e sabe disso porque Lumet mostra logo de cara) e não pode fazer nada. Resta continuar assistindo para saber os detalhes e o que sobrou no final das contas. Raramente sobra muita coisa, por mais que a gente queira.

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Lee Pace

Faz meses que me recomendam Pushing Daisies e só esses dias que parei pra assistir sem nem saber direito o que era a série em si, apenas palavras como morte, Tim Burton e comédia circulavam na minha cabeça por conta das indicações. Uma grata surpresa tive ao assistir o piloto e ver que apesar de ser uma série estranha no cenário atual, diferente de qualquer outra coisa passando na televisão no momento é exatamente o tipo de show que só encontraria espaço numa época onde a TV é uma indústria tão importante quanto a do cinema. Dessas coisas que só acontecem nos anos zero-zero.

Ned tem o dom de dar a vida a seres mortos com o simples toque. Descobre isso ainda criança junto com as limitações que seu dom possui: uma pessoa “ressuscitada” por mais de 60 segundos causa a morte de outra pessoa e se for tocada novamente morre de vez. Desde a narração inicial o tom da série é uma mistura de fantasia disfarçada de realidade, algo como, vejamos, o anacronismo de celulares e computadores nos filmes exploitation de Tarantino-Rodriguez. Você deve ter entendido. E essa fantasia é amaparada por um belo visual que - não tem jeito de não dizer - remete diretamente a obras de Tim Burton como Peixe Grande (pelas histórias do jovem Ned) e Noiva Cadáver (hã, por tratar a morte como comédia).

O mérito da série não reside apenas na sua premissa fantasiosa ou no visual, o roteiro viaja livremente entre a fábula de humor negro narrada com classe e os diálogos sarcásticos de alguns personagens, destaque para o excelente Lee Pace como o protagonista Ned, com bom timing e elegância garante boas cenas, além do que é um dos protagonistas mais bem vestidos da temporada.

A série é criação de Bryan Fuller, o mesmo de Dead Like Me, que também tratava da morte com fantasia e humor sarcásticoe eteve duas temporadas. Após assistir alguns episódios tenho a mesma sensação que tive ao assistir Dead Like Me: a série não é feita para durar, é coisa de algumas temporadas e pronto. E é reconfortante isso, Fuller sabe até que ponto levar suas histórias de morte. Tem séries que não precisam de nove temporadas para fazer história.

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Gone Baby

14.01.2008 | Filmes

Casey Affleck

Ainda tenho que pegar um desses livros de Dennis Lehane pra ler, se até mesmo Ben Affleck conseguiu livrar-se de anos de filmes ruins e voltar ao tempo que ficou conhecido como roteirista promissor e dirigir um filme interessante deve ter algo muito bom neles. Em Gone Baby Gone não há tanto da mão pesada de Clint Eastwood e Affleck não chega a mostrar um talento fora do normal na direção, há sim um roteiro bem executado (escrito por Affleck e Aaron Stockard, velho companheiro dos tempos de Good Will Hunting) e uma equipe técnica impecável que conduz a história longa sem deixar o ritmo cair.

Assim como Mystic River há um drama em volta de um crime, neste caso um desaparecimento de uma criança - parece que há uma similaridade com um caso real recente, mas não sei direito os detalhes. Um casal de detetives é pago para ajudar na investigação que mobiliza grande parte da força policial de Boston. É aí que entra um dos problemas do filme, Casey Affleck, um tanto unidimensional e sem desenvoltura necessária para o papel de sujeito articulado entre diversos meios da cidade acaba estragando cenas tensas. Só quase no final do filme que ele começa a se encontrar, mas aí é tarde demais.

Fora isso há um filme melancólico e interessnate pontuado discretamente com a boa trilha sonora de Harry Gregson-Williams e diálogos bem escritos. Até mesmo o twist final encaixa perfeitamente na história e em momento algum soa forçado demais. Se encontrar mais roteiros assim pela frente Affleck tem chances reais de se desvincular da palavra Gigli no futuro.

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Tradução

09.01.2008 | Internas

Muita gente chega neste blogue procurando o significado de Vi veri veniversum vivus vici que é o título deste post. De agora em diante quem chegar aqui vai saber que em bom potuguês significa “Pelo poder da verdade, eu, enquanto vivi, conquistei o universo”. Eu aprendi a frase no V de Vingança, mas é de outro lugar.

Pronto, os navegantes agora sairão informados daqui e quando eu ver a frase no analytics vou sentir o dever cumprido.

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Nem vou tentar dizer que é complicado demais entender I’m Not There mesmo lendo textos e resenhas sobre o filme porque posso focar apenas na trilha sonora. Vai demorar um pouco pra eu pegar a maioria das citações, das cenas desconexas e das referências que montam o mosaico sobre Dylan.  Mas a trilha eu entendi muito bem na primeira vez, mesmo as canções que não conhecia. Não tem erro quando começa a tocar “Going To Acapulco” com Jim Jones gritando tristemente a bela letra, você entende mesmo sem saber quem é Dylan ou de que disco a canção vem.

E vai assim por todo o disco. Você pode não gostar de Pavement, mas Stephen Malkmus canta “Ballad Of a Thin Man”com um senhora banda de apoio que tem ninguém menos que Tom Verlaine, Nels Cline (Wilco) e John Medeski (Medeski, Martin & Wood) isso nem vai importar. O que fica é a canção clássica ainda mais avassaladora. Dá pra pegar todas as faixas e despejar elogios - Jeff Tweedy, Mark Lanegan (subindo ao status de força da natureza) e Cat Power são alguns que se diertem em cima das canções do velho bardo . Se você não assistiu o filme ou nem pretende, escute a trilha. Meu comecinho de ano é dela inteiramente.

Dylan pode parecer complicado demais, seu sei como é o sentimento. Mas é escutando uma canção por vez que vou entendo o meu Bob Dylan, que é bem diferente de qualquer um dos mostrados no filme. Deve ser assim pra todo mundo, eu imagino.

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