Walking Dead [ou] Morrendo na Praia
31.01.2007 | Nerdices
Ontem li os quinze primeiros números de Walking Dead, séria da Image que foi lançada aqui pela HqManiacs. O roteirista Robert Kirkman disse em entrevistas e prefácios que sua intenção era fazer uma história com moldes clássicos dos filmes de George Romero. Passou longe dessa vez.
Os primeiros números são interessantes, lembrando bastante 28 Days Later, e resolve não entregar as razões de como o mundo foi tomado por zumbis ou como o Governo simplesmente desapareceu. A arte de Tony Moore é bem acabada e detalhista e como a série utiliza apenas preto, branco e cinza o tom tenso é predominante.
 E logo depois dos primeiros três números só sobra mesmo a arte pra segurar o leitor pois o roteiro de Kirkman começa a afundar em clichês, personagens reacionários e truques de narrativa infantis. O que poderia ser uma boa história vai pelo ralo, as relações entre os personagens são tediosas, não há diálogos bem escritos ou argumentos que se sustentem por mais de uma página. Os conflitos nas relações sociais (coisa que seria o tom da série, segundo Kirkman) são imaturos e não chegam a mexer na ferida como era esperado.
Depois do número sete Moore é substituÃdo por Charlie Adlar - este possui um traço mais disperso e pesado, dando um tom ainda mais sombrio à série - mas continua fazendo as (ótimas) capas e chegou a ganhar o prêmio Eisner por elas. Lá pelo número treze Kirkman começa a encontrar um tom mais maduro pro seu texto e o interese é renovado, em parte. A sensação que fica é que ao tentar evitar clichês - que não devem ser de todo evitados, mas sim reinventados - o roteirista começa a criar situações inconsequentes que podem ou render coisa boa ou descambar mais uma vez. Atualmente a série está no número 34. Vale a conferida pra quem gosta do tema.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
