They’re going to kill me in the morning
24.10.2007 | Filmes

O western foi o último gênero cinematográfico que aprendi a gostar. Isso foi alguns anos atrás quando comecei a assistir coisas fora do meu radar para ver o que estava perdendo. Desnecessário dizer, mas digo mesmo assim, que fiquei apaixonado pelo gênero e por meses respirei os filmes. Ficava martelando na cabeça qual era a razão de não gostar antes. Acho que precisava estar numa idade ou perÃodo certo pra gostar daqueles filmes lentos de homens brabos, honra crua e tiros, muitos tiros.
Falo “daqueles” porque tão comum quanto um filme recente de Coppola é um western de qualidade nos últimos vinte anos, depois da virada do século então só consigo pensar em Deadwood. Mas aà James Mangold resolveu fazer um remake de 3:10 To Yuma. Não sei se a intenção do diretor do esquecido Copland era homenagear, recontar, reviver uma história ou talvez até o gênero. Acabou não sendo nenhuma dessas e sim o melhor western do século - legal poder falar do século quando se ainda está no começo dele, parece até trapaça.
O filme original, que não assisti, é com Glenn Ford como o malvadão Ben Wade e Van Heflin como o fazendeiro Dan Evans. Ben Wade é o papel dos sonhos de muitos atores e quem assume é Russel Crowe, que mostra saber fazer as coisas há anos mas ninguém parece notar. O homem chega a ser incrÃvel na pele de Wade, principalmente nas cenas com Christian Bale, o fazendeiro perneta que aceita levar Wade até a estação onde partirá o trem das 3:10 para a prisão em Yuma. Os dois são a força motriz do filme em diálogos que soariam fracos na mão de outros atores.
Yuma não é só um filme excelente como é da estirpe dos western originais que não fogem da fórmula mocinho bom, cara mau, dinheiro e tiroteio. E isso atualmente é sinal de filme chato e pirotécnico, com razão. É preciso cuidado para que uma cena onde “a mão de deus” (apelido carinhoso para a arma de Ben Wade) entra em ação não vire apenas um disperdÃcio de balas. O tiroteio final é sensacional, culpa também do vilão psicótico Charlie Prince (Ben Foster) que rouba várias cenas e faz um vilão sujo e malvado como se tivesse nascido pra isso.
Fui saber desse filme dias atrás e só assisti pra ver Bale e Crowe juntos, por simples curiosidade. Não esperava que Mangold estava preparando algo tão bom e que fosse uma das melhores surpresas do ano. Sem ficar relegado a gêneros ou rótulos é para qualquer fã de boas atuações e uma história bem contada se divertir e para aqueles que ainda não simpatizam com o western aproveitarem a deixa.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.

Primeiro western feito depois que eu nasci que conseguiu me agradar. Sergio Leone aprova esse filme.