bunker

O Aldurin previu (sem muito esforço) a quantidade de rotações que o novo disco do Wilco teria em seus falantes e por consequência nos meus. Agora, meses depois das primeiras semanas de rotações exaustivas me encontro naquele momento em que o disco preenche os espaços essenciais, aqueles momentos em que nenhum outro disco deveria tocar a não ser ele. Depois da euforia o disco acha seu lugar e sempre estará lá pra fazer sua parte. Claro que tem discos que não pertecem a um só lugar ou momento, mas isso é para outro show, como diria Penn.

Sky Blue Sky

Maybe the sun will shine today
The clouds will go away

Assim começa o disco (e essa fase é um mantra, é um slogan, um bordão, duas linhas que assim que começam a tocar no meu player eu só sonsigo cantar junto) . Soa bastante simples se comparado aos últimos do Wilco, a única coisa que se destaca é uma aura soul e 70’s reconfortante. As inovações musicais não são a grande qualidade deste disco. Aqui é melhor prestar atenção ao contexto, desde a capa maravilhosa (que quero num quadro imenso, aliás) até os solos soando como se tivessem sido gravados por um técnico de estúdio louco por valvulados.

As canções vão tocando e tudo que consigo pensar é que se é para acordar com um disco e caminhar com ele até a faculdade, que tenha de ser com discos como esse Sky Blue Sky. Com versos claros entoados pela voz já cansada de Tweedy eu só preciso escutar With the sky blue sky / this ride in time wouldn’t seem so bad to me now / Oh if I didn’t die I should be satisfied I survived / it’s good enough for now para caminhar menos preocupado com o dia que irá acontecer. Não é a genialidade de Yankee Hotel Foxtrot que aparece aqui. É algo parecido com o conforto de um velho livro que você não cansa de ler. São os refrãos singelos e tristes (como sempre) que você não cansa de escutar. Atemporal, talvez. Inerente à minha vida, com certeza.

As canções soam sem começo nem fim em certa parte do disco. E isso é ruim e bom ao mesmo tempo. Você nem repara na aparente falta de unidade e nem na sensação de uma pretensão de faixa interligadas. Apenas acontece. Vai que é melhor assim, você vai apenas escutando os momentos mais brilhantes e não ligando pra aparente falta de originalidade. É um disco pra se usar os botões de ir e voltar no player.

I’m walking all by myself
I’m talking to myself
About you

I was singing this song about you
I was thinking about singin this song about you

E ten o final com On and On and On. Daquelas belas maneiras de terminar um disco o Wilco utiliza a esperançosa, a mais triste. Era de se esperar. Depois de tantas canções sobre cotidiano, sobre as relações perdidas e um refrão romântico ali ou acolá é natural sentir esperança. O dia acaba e eu fico com on and on and on yeah. Daqui pro fim do ano, pro fim dos meus dias ainda vou escutar muitas vezes esse disco (I caught myself thinking once again / I have to try to keep my mind out of this/ Try not to pretend) e vou agradecer pela sua companhia toda vez.

  1. Thiago em 05.05.2007
    1

    eu fico lendo seus feeds e há dias pensava “cazzo, por que o gafanhoto não fala de música mais?”… tá explicado, tava me guardando essa surpresa.

    perfeito, renmo… perfeito.

    ‘brigado por pôr em palavras o que eu tenho sentido meio confusamente nos últimos dias.

    abraço!

  2. Biajoni em 08.05.2007
    2

    sabe o que é um meme?
    é todo mundo ficar dizendo que o disco do wilco é soul.
    soul?
    será?
    tem certeza?
    soul como… james brown?
    juro que não vi nada de soul.
    em breve, post sobre isso.
    :>)

  3. renmero em 08.05.2007
    3

    Eu não acho soul, tem uma AURA soul, lembra um pouco.

    É aquele baixão sinuoso, a pegada compassada das primeiras faixas. Pra mim foi isso.

  4. Bunker » Até (IV) em 28.06.2007
    4

    [...] bom para discos, rapaz. Teve Wilco, Adams, Queens of The Stone Age e até o favorito da casa Josh Rouse escolheu a última semana de [...]

  5. Mi [de Camila] em 30.06.2007
    5

    É isso mesmo que eu acho desse disco!

Comente