bunker

Sentei tarde na frente computador. Costumo sentar logo que chego do trabalho pra dar uma nevegada geral, arrumar os downloads e me jogar no sofá pra assistir algo. Hoje demorei no trabalho, apareceu um livro pra editar que além de grande e chato tem milhares de imagens com legendas minuciosas. O meu pesadelo.

Logo que liguei o msn passei os olhos pela lista e chamei o Pedro, tinha uma introdução de uma canção que queria mostrar pra ele, com uma bateria gostosa, bem swing. Logo depois que mando a intro o Velho aparece com um arquivo pra me passar, sem dizer nada. “Virgínia Final”. Aceito e me ajeito na cadeira, escolho uns discos pra tocar.

O arquivo tem quase cinquenta páginas, digo pra ele que se esperar um tempo posso dar uma impressão apressada, gosto de fazer isso com os textos dele, responder logo o que achei. O cara é tão atencioso comigo, sempre responde meus comentários e janelas abertas no messenger, escreve bem pra caralho e manda os escritos pra mim assim do nada, ás vezes acho que ele me adotou. É o mínimo que posso fazer. Ele diz que vai sair e que eu mande um email depois. Sou péssimo com emails. Começo a ler o texto dele.

Tá tocando Coltrane e Ellington, um disco que estava mofando aqui no hd há tempos. Nem presto muita atenção ao som, só quando o piano resolve entrar num linha suave e sacana que desvio a atenção do texto. O disco toca fluído, pego só algumas passagens gostosas, que até combinam com o texto. Sexta à noite e eu me divertindo com Ellington e um texto novo do Velho. O disco termina com “The Feeling of Jazz”, uma fodida canção leve e extremamente cool. Até paro de ler pra encostar na cadeira e escutar melhor o sax, o baixo, o bumbo suave e o piano, ah o piano.

A canção acaba e volto a ler, começa a tocar “Way Down In The Hole” do Tom Waits - lembrei eu tava escutando essa canção pois toca na abertura de The Wire. Aí eu entro num parágrafo do texto em que o personagem central desaba melancolicamente dentro de seus pensamentos. Waits cantando if you walk with Jesus / he’s gonna save your soul com uma sofrida entonação. Eu fico meio calmo, meio triste, pensativo. Tento voltar a ler o texto e mal consigo achar onde parei. Resolvo ler o parágrafo inteiro outra vez. É lindo, bem escrito, direto e sem piedade. A canção vai chegando ao fim (you gotta help me keep the devil / way down in the hole) e um coro faz um “uuuh” no finalzinho que me derruba de vez.

Engato o texto e termino de ler em algumas canções, lindo, lindo, tem umas historinhas que entram nos parênteses, historinhas deliciosas, e tem pequenos fragmentos da genialidade do Velho, fragmentos perfeitos. Lembro que quase chorei. Boto “Way Down In The Hole” pra tocar outra vez. É isso, é essa sensação que eu senti. Mando Waits e Biajoni se foderem, acabar com a minha noite desse jeito. É complô. Malditos.

  1. Biajoni em 24.02.2007
    1

    :>)
    filhão, lindo.
    mas ainda espero o e-mail com o que achou do livro.
    a sua opinião é extremamente importante.
    :>*

  2. karen em 24.02.2007
    2

    Oi!O Bia sempre fala de vc,mas não tive a oportunidade de ler nada seu, até hoje.
    Fiquei emocionada com o texto, essa combinação do livro com a música foi ótima…um abraço.(karen do Bia!)

  3. Thiago em 24.02.2007
    3

    ah, esse Velho!

    =D

  4. Ian. em 25.02.2007
    4

    é um livro novo do Biajoni? ele sabe que eu não fui muito com a cara de ‘Sexo Anal’, mas gosto bastante dele. Há alguns dias aconteceu uma coisa excelente, na manhã após aquela nossa conversa sobre a Paz, eu estava saindo do banho e me pego pensando no sonho do Josh & Paz aqui em Sampa, e você aqui conosco, e também chamaria o Biajoni, e na minha viagem eu ficava enrolando no inglês pra tentar explicar para mr. Rouse qual era o significado do ‘about me’ do velho no Orkut. o foda foi quando eu fui pro computador e tinha acabado de chegar um comentário no meu blog de um cara que nunca comenta lá. adivinhe quem era?

  5. Bunker » Vírginia Berlim, eu te amo. em 15.06.2007
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    [...] de botar na roda seu novo livro, Vírginia Berlim. Já li umas três vezes, na primeira escrevi este post - coisa mais sincera que escrevi em tempos. Vou encomendar os meus, depois do presente que era Sexo [...]

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