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Essa é uma pergunta que muitos, muitos, muitos estão fazendo. Então dou privilégio a esse espaço para informar e comentar a trilha-sonora de meu novo livro, à venda no site Os Vira Lata. O livro, “Virgínia Berlim - Uma Experiência”, vem com um CD de brinde, para quem não sabe. Veja as canções:

1 - “Must I Paint You a Picture” - Billy Bragg

2 - “Opened Once” - Jeff Buckley

3 - “I Don´t Stand a Ghost of a Chance With You” - Chet Baker

4 - “Ennui” - Lou Reed

5 - “Where Were You” - Vic Chesnutt

6 - “Lament” - Nick Cave

7 - “Asshole” - Tom Petty

8 - “Berlin” - Lou Reed

9 - “Be Mine” - Donovan

10 - “Ice” - Daniel Lanois

11 - “Bed” - Lou Reed

12 - “Green Arrow” - Yo La Tengo

É claro que não é à toa que o nome de Virgínia tem “Berlim” - sim, a obra e a trilha são influências diretas do disco clássico de Lou Reed, lançado depois de “Transformer”. Muitas acham que “Transformer” é o disco de estréia solo de Reed, mas não é. O primeiro disco dele depois do Velvet foi um homônimo, fraco. Nele havia uma pequena e boa canção chamada… “Berlin”.  Como “Transformer” fez algum sucesso, Reed podia continuar na mesma linha, lançando “Transformer II”, “Walk on the Wild Side II”, e assim por diante. Porém, ele decidiu fazer algo diferente e cometeu “Berlin”, o disco, onde reaproveitou a boa música do disco de estréia e criou uma história (sim, o disco é conceitual, mas de maneira fragmentada) triste e emocionada, onde se encontra a música talvez mais triste da história do pop-rock mundial, “The Kids” - com um coro arrepiante de crianças chorando.

Bem, a linha de ligação com meu livro começa na alteração de tom. Se Sexo Anal - Uma Novela Marrom era um romance cru, realista, com tom de cinema e algum humor (as pessoas vêem mais humor que eu no livro), decidi que a mudança total de rumo seria o melhor a fazer. Podia fazer a continuação de “Sexo Anal” (que muitos aguardam), mas iria ficar preso a um modelo. Retomei então um romance sem fim, que já havia chegado a 400 páginas e no qual eu trabalhava há 10 anos - e decidi finaliza-lo. Foi “Virgínia Berlim”.

A influência de Reed e do disco Berlim já acontecia no primeiro tratamento - o livro tem um final bastante parecido com o “final” da história do disco. E Reed usa muitas figuras de linguagem, conta histórias dentro da história, faz referências a elementos da cultura geral… Eu também faço isso no livro. E Reed, amante de Chandler, consegue em suas obras, de maneira geral, um tom noir - que eu também queria. Esses talvez sejam os principais elementos de ligação entre o disco de Reed e meu livro.

Curiosamente, nenhuma das duas canções de “Berlin” que aparecem na trilha do livro são da gravação original. “Berlin”, a canção, é do disco de estréia de Reed; e “The Bed” é a gravação do disco “The Raven” - que tem a participação da sensacional Jane Scarpantoni. “Ennui” é de “Sally Can´t Dance” - disco de Reed nunca lançado no País. No embalo, para costurar a história, fui procurar outras canções. Como tecnicamente a última canção do disco é “The Bed” (”Green Arrow” é instrumental, como um “end theme”), pensei que a primeira devesse dialogar com ela. Assim, apareceu “Must I Paint You a Picture?” do Billy Bragg. Com um tom de esperança, a música é uma das mais belas já gravadas, e traz o verso que diz que “as maiores verdades são ditas na cama”.

Na sequência, queria uma música de desesperança sem ranço e surgiu a ambígüa “Opened Once” do Jeff Buckley - mais triste ainda quando sabemos que o cara morreu, certo?

A música do Chet Baker tinha que ser encaixada pois é citada no texto, pelo narrador. E as outras canções, depois dela, alternam justamente as expectativas do narrador no livro sobre o relacionamento com Virgínia. Uma hora ele a ama profundamente, noutra se acha um idiota. Num momento ele quer muito que ela esteja com ela, noutro quer que ela suma. Essa tensão aparece talvez primeiramente no disco na canção de Chesnutt, ampliada nas seguintes, de Cave e Petty.

Ao assumir o amor e pedir que Virgínia seja realmente sua (dele), em “Be Mine”, acontece a tragédia - “Ice”, do Lanois.

E assim, a história, enfim, você deve saber apenas e tão somente lendo o livro. E ouvindo a trilha. 

- Biajoni

  1. baxt em 12.07.2007
    1

    Oi Bia, agora me explica porque vc usou a capa do My Funny Valentine como capa do livro? Fiquei mais curiosa ainda depois de ver esse texto aqui e descobri que não há referencia ao disco. Bjs!

  2. masajeserotico » O que há na trilha-sonora de Virgínia Berlim? em 17.07.2007
    2

    [...] mas en Biajoni traido usted por [...]

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