
Sou um melhor tocador de air guitar do que um guitarrista de verdade. Desde os primeiros acordes ouvidos em aparelhos de som analógicos a idéia de tocar guitarra me fascinou, tudo numa guitarra era perfeito pra mim. E um dia, exatamente como naquale cena do Stranger Than Fiction, eu entrei numa loja e comecei a olhar uma por uma, escolhendo com calma qual serviria ao meu propósito musical de garoto apaixonado. Comprei minha primeira guitarra, a que supostamente tomaria o lugar da minha guitarra imaginária.
Mas não consigo enganar a mim mesmo por mais que eu tente e seja bom nisso. Os acordes tocados na Stratocaster nunca soam tão bem quando na minha guitarrinha imaginária que de tudo toca e sempre toca perfeitamente, com direito a corda soltando no meio da música pra fazer o charme de desafinado. É fazendo cara de quem está tocando o som mais potente e belo do mundo que eu toco minha guitarra imaginária sem perdão todo dia, em todo lugar e nos momentos mais improváveis. Sempre estou a tocá-la fazendo aquele som lindo. É uma depêndencia eterna adquirida logo nos primeiros discos escutados.
As guitarras reais não chegam ao pé da minha Gibson ora azul, ora preta, que vira Grestch e depois Fender e por vezes até uma imprevisÃvel Lewis. Guitarras reais não fazem o som único que as cordas invisÃveis da minha guitarra faz.
Por isso sempre vou ser um grande guitarrista imaginário.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.

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