Michael Desolation Jones
13.03.2007 | Nerdices
Desolation Jones foi a primeira hq de Warren Ellis que li, e foi um ótimo começo. Michael Jones é um agente secreto britânico auto-destruitivo e preguiçoso que se alistava em todos os experimentos cirúrgicos bizarros da Agência só para conseguir uns meses de folga. Até que um desses experimentos tirou-lhe o sono por um ano junto com a pigmentação da pele, o teste de Desolação. Aposentado, mora em LA, cidade que a Agência usa como “casa-prisão” para todos aqueles que sofreram com testes e agora estão aposentados. Uma comunidade de ex-agentes que carregam as chagas de uma vida dentro da Agência e tiram um extra prestando serviços dentro dos limites da cidade.
Partindo de um cenário quase surreal como esse (muitos dos personagens que aparecem não são menos estranhos que Jones, acredite) Ellis começa a construir uma história urgente quando um velho Coronel chama Jones para recuperar um de seus mimos de sua coleção pornô que foi roubado. É o começo da entrada de Jones numa trama pesada, com referências obscuras e clima muito parecido com os filmes de David Fincher.
A arte de J. H. Williams III constrói os cenários, passagens e personagens de uma rude, fragmentada e em alguns momentos bela. Jones sofre de bugs congnitvos, ele começa a ver anjos flutuando no céu entre outras ilusões (fruto de experimentos passados), e Williams não perde a oportunidade de desenhar detalhadamente tais cenas num traço pesado com fotografia estourada.
A história evolui até revelar detalhes da vida de Jones e construir sua personalidade - que de certa forma pode-se equiparar ao Dr. House em certos diálogos - e sem perder o ritmo entrega o desfecho da trama digna de blockbuster. Isso se blockbusters tratassem de temas como pornografia, relações humanas bizarras e experimentos cientÃficos. Hora de ler mais Warren Ellis.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.

[...] Meu primeiro contato (tardio) com Warren Ellis foi em Desolation Jones, que falei sobre aqui. Comecei a ler mais coisas do autor até que cheguei num tÃtulo recente, ainda em publicação. Não só isso me chamou a atenção (a possibilidade de acompanhar todo mês e poder opinar em fóruns) mas como o nome do ilustrador era nada menos que Ben Templesmith, o homem por trás de 30 Dias de Noite e Criminal Macabre. Templesmith é o tipo de artista que você gosta de cara ou rejeita, tem um estilo muito peculiar de retratar ambientes reais e pessoas - apesar de sua fama ter sido pelos desenhos hardcore de vampiros - que mistura pintura, photoshop, texturas secas e uma sensação de tristeza inerente. [...]