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Meu Dia de Balboa

15.02.2007 | 42

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Lendo por aí as resenhas saudosistas de Rocky Balboa lembrei da minha época de lutador. Não foi boxe e sim uma arte marcial, o Karatê Tradicional. Mas como todo garoto que entra nesse meio de lutas, treinos e provações eu lembrava do Garanhão Italiano e como era divertido quando criança ver os filmes. Passar por algo parecido já era totalmente diferente.

Comecei a treinar por ordem de meu pai, que ao ver meu sedentarismo por anos resolveu dar um jeito nisso, eu queria judô, ele mandou Karatê pois tinha gostado mais do professor. Comecei a treinar junto com meu irmão, eu com 15, ele com 11. Minha idade já não era a ideal, comecei velho. Os treinos inicias foram traumatizantes. O karatê tradicional é uma arte lenta, que exige meses de treinos de repetição até conseguir fazer algum golpe completo.

Mesmo assim alguns anos depois eu já tinha medalhas e troféus, uma faixa preta e um currículo que me surpreende até hoje com títulos locais e nacionais. Me encontrei na arte como poucas vezes me encontrei em alguma coisa. No entanto ela exigia muito de mim, podia passar oito meses treinando para atingir um nível, bastava parar por um e todo o trabalho ia embora. Aos poucos fui deixando os treinos de lado, participando de cada vez menos campeonatos  -  o fato de estar em plena adolescência contribuia diretamente pra isso. Parar de treinar era uma questão de tempo, outras milhares de coisas enchiam minha cabeça.

Meu último campeonato foi digno de uma luta Balboa. Quase toda a forma de antes havia sido perdia, treinava pouco e fui convidado para participar por ser conhecido como um atleta de nível, era uma competição de poucos participantes. Foi no ginásio da UEPA, a universiade do estado, numa manhã chuvosa de sábado. Estava namorando e seria o a primeira vez que a minha amada me veria lutando. E a última.

Velhos rostos, Senseis conhecidos e um ginásio vazio, era final de ano. Eu sabia que não conseguiria fazer bonito, há tempos nem ansiava mais por títulos e só queria ter um última luta pra deixar a arte de vez, sabe como é, sou daqueles românticos. Esperei a minha vez com um ansiedade pesada, de inciante. Um conhecido de outras competições foi meu oponente, só ele e eu na noss a categoria, me disseram que ele já estava até dando aulas e que queria ficar com o título por conta disso. Fiz o que pude, utilizei tudo que tinha na manga, os golpes que tanto penei pra dominar e as sequências que já tinham me garantido títulos para chegar nos 30 segundo finais perdendo por dois pontos.

E então ele venceu.

Nem todo mundo nasceu pra ser Rocky.

PS: Deixei minha relação com Karatê na gaveta por muito tempo, ultimamente que reconheço como foi bacana ter treinado uma arte. Qualquer dia desses eu volto.

  1. Ian. em 25.02.2007
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    poxa, me fez lembrar de uma história linda que eu pretendo transformar em post. também já pratiquei caratê, contudo a minha inabailidade em lidar com grandes prazos fez com que eu encerrasse minha carreira ainda na faixa amarela. mas nesse curto periodo, pude participar de um campeonato interestilos que lavou a minha alma de menino orfão há três anos. isso em 1994. lembro que o garoto estava todo orgulhoso porque seu pai estava ali torcendo por ele, e eu, que não tinha mais pai, fiquei com um misto de inveja e raiva, e sentindo o dever de ter que mostrar pro mundo e pra mim mesmo que eu já era um homem e que já sabia me virar. nossa, soquei o pobre japa. isso foi a primeira luta, e cheguei na final, quando tomei uns dois ‘mawashi geri’ na cara e fiquei com a prata, mas até aí já esava de alma lavada. foda-se.

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