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Tempos atrás o meu PC ficou no prego e aumentou o tempo livre pra ler algumas coisas atrasadas, se é que isso pode existir, você “atrasar” uma leitura de algo que você mesmo escolheu ler quando desse. De qualquer forma é algo que acontece bastante comigo, todo mês acumulam aqui no sofá ao lado da mesa do PC onde ficam as leituras do mês, os livros novos, os quadrinhos de luxo ($$) da Conrad e outras publicações adquiridas entre uma banca aqui e uma livraria ali até que a pilha fica tão grande que movo o excesso para a pilha dos “para ler um dia” que fica ano pé da mesa do telefone. E assim vai pela casa inteira. Ali dentro do quarto só entra o que já foi lido e devidamente degustado. Mas divago. Eu ia falar de Alias, que estava numa das pilhas.

Alias é a história de Jessica Jones, que um dia já foi super-heroína de colant colorido e um nome ridículo que não me vem à cabeça agora. Por conta de uma série de eventos traumatizantes, Jessica larga a vida de defensora do bem e aposenta as roupas apertadas. Abre uma agência de detetives onde é a única empregada e decide passar longe do mainstream superheroístico. Para Jessica é melhor ficar longe do seu passado. Arrisco logo dizer que Jessica é uma das melhores personagens que já conheci em histórias em quadrinhos. Culpa do roteirista Brian Michael Bendis que em seus famosos longos diálogos permite que o personagem realmente se densenvolva e ganhe novos contornos a cada edição sem ficar chato ou pretensioso demais, você acaba simpatizando com Jessica sem perceber. Um dos diálogos que mais é o de Jessica com um terapeuta na edição #9, até reproduziria aqui, mas ficaria fora de contexto e um tanto sem graça.

Jessica é extremamente atormentada pelo seu passado e vive num estado que varia entre depressão e fúria (rendendo até uma cena quase-histórica com o super-herói de aluguel Luke Cage logo na primeira edição) e você ali lendo acaba sendo levado junto com ela por entre esses estados sem entender muito bem porque ela sente-se assim até entender melhor as coisas no final da série. Se já é angustiante pra nós, quem dirá pra ela. Sem querer, ou talvez não, Bendis escreveu uma das mais adultas histórias em quadrinhos (no sentido de matura e desenvolvida) que existem sem passar muito do limite do universo de super heróis coloridos. Um grande feito se comparada com outras tentativas de outros títulos.

Publicada entre 2001 e 2004 pelo selo Max da Marvel, que abriga as publicações ditas adultas da editora a série teve originalmente 28 volumes que a Panini lançou por aqui na revista mensal Marvel Max até o número 22 e depois completou com um especial chamado “Névoa Púrpura”. Quem ilustra é Michel Gaydos, que encontra o clima certo para o roteiro de Bendis misturando traços pesados com ambientação assim por dizer, indie - coisa que quase no final da série é até ironizada. Na época que comprei Alias não li tudo, e mesmo que tivesse muita coisa teria passado em branco. Por essas e outras que quando aquela vontade de reler algo bate poucas vezes resisto.

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