
Tenho discos aqui que nunca escutei direito mas conheço-os bem, sei até um pouco da história deles. Só não escutei com calma, não sei direito como suas canções começam ou terminam. São como aquelas pessoas que você conhece e talvez até simpatize mas nunca conversou mais de alguns minutos. Tenho vários discos assim, de vez em quando decido escutar um como se deve, pelo menos do jeito que é “como se deve” pra mim: fones de ouvido, boa leitura (mas não tão boa a ponto de fazer esquecer da música) e acompanhando as faixas começarem e terminarem sem confundir, talvez até decorar algum pedaço de letra aqui e ali. Quando o disco terminar escutar as faixas que chamaram a atenção outra vez. Desse jeito.
Sandbox - The Music of Mark Sandman é um desses discos. Que grande besteira fiz em ignorá-lo por tanto tempo mesmo sendo grande fã de Treat Her Right e Morphine. São dois discos com várias faixas gravadas com bandas diferentes na época que Sandman era chegado em quase toda banda boa de Boston. Fica a vontade de sair contando pra todo mundo que o homem só tem faixa boa praticamente! “Pessoal, vejam só, Mark Sandman até quando gravava só por gravar cantava daquele jeito pesado e sinuoso!” É escutando várias vezes Jealous Dream (com pegada crooner, sax sujo e letárgico com Mark cantando romanticamente sobre um sonho que talvez não tenha sido um sonho) ou Devil’s Boots (blues de fim de noite calmo que lembra outro Mark, o Lanegan) que eu me redimo de ter deixado o disco na estante por tanto tempo.
Muita gente acha a música dele triste, melancólica e até li uma vez que lembra literatura beat de beira de estrada, mas se tem uma coisa que aprendi escutando blues é que não existe essa coisa de música triste. Existe sim música pra gente triste - e essa pode ser a música mais cheia de sol da terra mas sempre será triste pra quem a escuta. Sandman sabia bem disso.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.

faz uma cópia pra mim.
(brincadeira, eu sei que vc não ai fazer!)
…
se estiver no msn a tarde, me chama, preciso falar contigo.
se não estiver, me manda um mail.
:>)
Morphine e Mark Sandman são demais!
Cresci com Blues na veia e aprendi uma coisa ou duas sobre música/gente triste: se você estiver ou quiser ficar triste, a música potencializa/ajuda bastante.
Não sei onde me encaixo, sei que se eu deixar a música me leva…
ps: Adorei o post!