bunker

Richard Fell

Meu primeiro contato (tardio) com Warren Ellis foi em Desolation Jones, que falei sobre aqui. Comecei a ler mais coisas do autor até que cheguei num título recente, ainda em publicação. Não só isso me chamou a atenção (a possibilidade de acompanhar todo mês e poder opinar em fóruns) mas como o nome do ilustrador era nada menos que Ben Templesmith, o homem por trás de 30 Dias de Noite e Criminal Macabre. Templesmith é o tipo de artista que você gosta de cara ou rejeita, tem um estilo muito peculiar de retratar ambientes reais e pessoas - apesar de sua fama ter sido pelos desenhos hardcore de vampiros - que mistura pintura, photoshop, texturas secas e uma sensação de tristeza inerente.

Fell conta a história do detetive Richard Fell após ser transferido por motivos desconhecidos para a Snowtown, uma feral city estranha, hostil e que parece uma fotografia antiga: tudo está lá, mas sem cor, desbotado e apenas para lembrar algo que já existiu. Uma cidade suja cheia de pessoas amargas e com um distrito policial decadente. Um lugar esquecido quase comandado por suas próprias regras. Mesmo assim Richard aceita seu destino pesarosamente.

Snowtown

Cada edição (atualmente na #8) conta uma história fechada, baseada em alguma notícia real onde Warren Ellis se “inspira” e monta o cenário que Richard Fell trabalha como detetive, são histórias estranhas, que soam como lendas urbanas mas que exemplificam que às vezes a realidade é mais bizarra do que qualquer coisa que se possa imaginar. É o tipo de formato que satisfaz a leitura, não apela para uma continuidade exagerada, com histórias fragmentadas: cada edição é fechada e proporciona uma imersão completa (seja pela narrativa ímpar de Ellis ou pelos tons asfixiantes de Templesmith) no universo estranhamente familiar de Snowtown.

Warren aproveita para testar novos caminhos em sua narrativa: os post-its que Richard usa, as fotos que costuma tirar, as cenas roterizadas como se fossem para o cinema. Até mesmo os sensacionais diálogos de interrogatórios que Ellis adora escrever ganham contornos novos. Até mesmo Templesmith utiliza de uma definição mais acentuada em certas passagens, fugindo um pouco de seu trabalho anterior.

Richard Fell usa a máxima de que “Everybody is hiding something”. Tem uma habilidade notável em ler pessoas e faz o possível para se adaptar numa cidade que não aceita muito bem novos moradores. Ciente de onde está se metendo trava uma luta pessoal contra o ambiente hostil que gera momentos como a cinza declaração dita após utilizar de meios não convencionais para solucionar um caso: “Every time you take one… i’m going to take one back”. Pode soar até simplista, mas dentro da abandonada Snowtown, cada palavra tem um peso diferente.

Fell é um daqueles motivos que me deixam contente por ter voltado a ler quadrinhos.

  1. Bunker » Back to Snowtown [ou] Fell em 17.01.2008
    1

    [...] ontem o número 9 de Fell, depois de meses sem nada novo e especulações de que o formato adotado por Warren Ellis e Ben [...]

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