Ben Templesmith [ou] Gentleman Corpse
28.05.2007 | Nerdices
Quando Ben Templesmith apareceu em 30 Days of Night com suas ilustrações e cores pesadas casando perfeitamente com o texto rápido de Steve Niles, fiquei atento e desde então o acompanho. Não era todo dia que se via uma arte expressiva e perfeita para o que retrata. E olha que Templesmith estava apenas começando. Vieram continuações, mais colaborações com Niles e não era raro encontrar alguém chamando ele de o melhor ilustrador de quadrinhos atuais.
Não acredito que chega a ser o melhor propriamente dito, mas é o que melhor combina sua arte peculiar - que sempre levanta perguntas sobre o método de criação, devidamente respondidas e exemplificadas por Ben em qualquer opotunidade que tem -  com o texto que retrata. Importante dizer também que sua arte vive em constante e visÃvel evolução e experimentação, felizmente com mais acertos do que erros.
De certo não agrada a todos, é preciso simpatizar com o clima pesado e traços disformes por vezes semelhantes à filmes gore ou noirs de fotografia estourada - como por exemplo em Fell, sua fantástica HQ com o mestre Warren Ellis onde o detetive Richard Fell vive numa cidade que é tão tiva quanto qualquer outra coisa na trama. Depois de ler Fell soube que Templesmith tinha um tÃtulo em que finalmente ilustrava e escrevia. Após ler os primeiros números de Wormwood: Gentlemen Corpse duas coisas ficam evidentes, que Templesmith é um bom roteirista (não tão genial quando Ellis ou eficiente quando Niles) e que começou a explorar seu estilo dentro de um universo que lembra Tim Burton, se esse resolvesse sempre filmar no escuro.

Wormwood é, simplificando, um cadáver movido a um singelo verme  que decidiu deixar algum dos ciclos dos infernos para viver no mundo dos humanos. Acompanhado pelo seu sidekick-robô-feito-de-latas-de-guinness Pendulum (criado pelo próprio Worm) ele divide seu tempo entre obrigações para com o mundo de onde veio e suas bebericagens num strip club. Só aà Templesmith já meteu o pé dentro de um universo cheio de coisas desagradáveis e personagens cada vez mais estranhos (há um fantasma preguiçoso  chamado Trotsky) e mitologia (seja ela nórdica ou cristã) pevertida. Tudo é bem amarrado à primeira vista e você nem estranha muita coisa, porém falta um pouco de ritmo numa história que parece ter muitos momentos de pausa desnecessários. Não que isso seja de todo ruim, é nessas pausas que Ben solta a mão em quadros ilustrados com cores fortes e o retrato do feio de um modo mais feio ainda - finja que isso fez um sentido.
O artista tem um blog onde fala sobre seu processo de criação, tÃtulos futuros, avisa sobre quadros seus colocados para venda e posta fotos diretas da mesa de rascunho para os seus fãs curiosos. Sempre mostrando como trabalha, não tem medo de explicar seus métodos porque sabe que não basta ter photoshop nas mãos pra fazer algo que preste.
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