Atire primeiro, pergunte depois [ou] 100 Balas
11.04.2007 | Nerdices
Por algum tempo tive algumas histórias de Sin City como favoritas, me perdoem pois eu ainda não conhecia 100 Balas e achava que aquele universo misógino e cheio de bravatas másculas vazias poderia ser algo definitivo quando se pensa em histórias em quadrinhos com temática policial. Agora eu só consigo olhar praqueles álbuns luxuosos nas livrarias e simpatizar com alguns desenhos, talvez com Marv e sua carranca. No entanto as histórias viraram lixo.
Queria estabelecer esse parâmetro antes de começar a falar sobre 100 Balas pois muita gente vê aquele universo de Sin City como algo supremo e utiliza adjetivos pomposos, ainda mais por conta do hype do filme. Cometem o mesmo erro que eu e não viram pra uma Hq que realmente é noir, que pode ser chamada de policial e reverenciar aqueles filmes como The French Connection, Bullit e Dirty Harry sem a mentalidade tarantinesca de reverenciar. E acima de tudo, tem qualidade de roteiro, de arte e pesa como uma tonelada nas tuas mãos.
O plot é simples: um agente entrega uma maleta com uma arma, 100 balas não-rastreáveis e garante que enquanto você estiver com a maleta estará acima da lei. Quem recebe a maleta ganha também provas irrefutáveis que esclarecem algo que aconteceu na sua vida. Essas provas incriminam pessoas, revelam segredos e abrem feridas passadas.
Durante o tempo que precisar você ficará com a arma e balas e a imunidade proposta pelo agente, sem perguntas. Com essa chance você se vingaria contra a pessoa que arruinou sua vida? Aà é que o roteirista Brian Azarello não deixa a ótima premissa esfriar. Cada personagem que recebe a maleta é único, com sua história pessoal bem construÃda e personalidade trabalhada em longos e excelentes diálogos. As histórias são bem escritas e dotadas de uma caracterização do cotidiano cruel, minimalista e em alguns momentos bela. São histórias humanas, principalmente. É o melhor adjetivo pra se empregar, são sobre pessoas que carregam aquele ar comum mas que se encontram na linha exata que os separa das outras. E essa linha pode ser apagada com a chance que lhes foi dada. Uma chance de voltar ao que você era. Como o autor diz “a lot of people being mad at other people” e bam! Temos roteiros de fazer inveja aos melhores livros policias.
O argentino Eduardo Risso faz a arte perfeita para a série. Detalhista, transita entre os ambientes urbanos dando o tom fundamental para as histórias. De acordo com a paisagem temos páginas quentes numa manhã em LA, pesadas numa noite agitada em NY e um clima noir com a cidade desenhada como se fosse um personagem traiçoeiro. É história em quadrinhos da forma mais bem desenhada que já vi, uma junção de arte e roteiro Ãmpar. Bela demais, cruel demais e densa quando necessária. Perfeita naquilo que se propõe.
No meu mundo de histórias policiais o espaço de 100 balas é agora garantido entre as fundamentais e melhores. Se você lê scans o grupo Vertigem tem disponÃvel até a edição 41. As edições nacionais estão são da Opera Graphica em encardenados de ótimo preço que montam arcos em cada edição. Deixe Sin City pra lá.
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If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.

Conhece ‘Balas Perdidas’ de David Lapham?
Pois bem, além de estar alocada no meu TOP 10 pessoal, tem os melhores contos policiais que li na vida.
No Brasil saÃram 2 volumes redondinhos pela Via Lettera. Recomendo.
Hã? Não foi erro de digitação? Você acha mesmo os preços da Opera acessÃveis?
Grande abraço.
Não são acessÃveis, mas também acho preços bons levando em conta os de outras editoras.
achei as comic novels pra comprar por aqui … a mais barata tá 45 dinheiros … e mais cara 75 … vou ter que aprender a ler scans!
[...] os tÃtulos trazidos é coisa ingrata, desde 100 balas, os famigerados Sandman até aquele que talvez seja o mais injustiçado de todos em publicações [...]
Creio que nem seria preciso comentar mais nada. Frank Miller é um artista superestimado. Atualmente estou acompanhando sua mais recente obra pela DC Comics: Batman & Robin, All Star e continuo me decepcionando mais e mais com este que já foi um dos meus escritores favoritos. Hoje sou obrigado a reconhecer que os únicos méritos de Miller são O Cavaleiro das Trevas e suas duas passagens na revista do Demolidor. Comparar Sin City com 100 Balas é até um pecado. A obra caricatural de Frank Miller torna-se facilmente monótona. Não chega aos pés da instigante e dinâmica obra de Azzarello e Rizzo.