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Por algum tempo tive algumas histórias de Sin City como favoritas, me perdoem pois eu ainda não conhecia 100 Balas e achava que aquele universo misógino e cheio de bravatas másculas vazias poderia ser algo definitivo quando se pensa em histórias em quadrinhos com temática policial. Agora eu só consigo olhar praqueles álbuns luxuosos nas livrarias e simpatizar com alguns desenhos, talvez com Marv e sua carranca. No entanto as histórias viraram lixo.

Queria estabelecer esse parâmetro antes de começar a falar sobre 100 Balas pois muita gente vê aquele universo de Sin City como algo supremo e utiliza adjetivos pomposos, ainda mais por conta do hype do filme. Cometem o mesmo erro que eu e não viram pra uma Hq que realmente é noir, que pode ser chamada de policial e reverenciar aqueles filmes como The French Connection, Bullit e Dirty Harry sem a mentalidade tarantinesca de reverenciar. E acima de tudo, tem qualidade de roteiro, de arte e pesa como uma tonelada nas tuas mãos.

O plot é simples: um agente entrega uma maleta com uma arma, 100 balas não-rastreáveis e garante que enquanto você estiver com a maleta estará acima da lei. Quem recebe a maleta ganha também provas irrefutáveis que esclarecem algo que aconteceu na sua vida. Essas provas incriminam pessoas, revelam segredos e abrem feridas passadas.

Durante o tempo que precisar você ficará com a arma e balas e a imunidade proposta pelo agente, sem perguntas. Com essa chance você se vingaria contra a pessoa que arruinou sua vida? Aí é que o roteirista Brian Azarello não deixa a ótima premissa esfriar. Cada personagem que recebe a maleta é único, com sua história pessoal bem construída e personalidade trabalhada em longos e excelentes diálogos. As histórias são bem escritas e dotadas de uma caracterização do cotidiano cruel, minimalista e em alguns momentos bela. São histórias humanas, principalmente. É o melhor adjetivo pra se empregar, são sobre pessoas que carregam aquele ar comum mas que se encontram na linha exata que os separa das outras. E essa linha pode ser apagada com a chance que lhes foi dada. Uma chance de voltar ao que você era. Como o autor diz  “a lot of people being mad at other people” e bam! Temos roteiros de fazer inveja aos melhores livros policias.

O argentino Eduardo Risso faz a arte perfeita para a série. Detalhista, transita entre os ambientes urbanos dando o tom fundamental para as histórias. De acordo com a paisagem temos páginas quentes numa manhã em LA, pesadas numa noite agitada em NY e um clima noir com a cidade desenhada como se fosse um personagem traiçoeiro. É história em quadrinhos da forma mais bem desenhada que já vi, uma junção de arte e roteiro ímpar. Bela demais, cruel demais e densa quando necessária. Perfeita naquilo que se propõe.

No meu mundo de histórias policiais o espaço de 100 balas é agora garantido entre as fundamentais e melhores. Se você lê scans o grupo Vertigem tem disponível até a edição 41. As edições nacionais estão são da Opera Graphica em encardenados de ótimo preço que montam arcos em cada edição. Deixe Sin City pra lá.

  1. Luwig em 13.04.2007
    1

    Conhece ‘Balas Perdidas’ de David Lapham?

    Pois bem, além de estar alocada no meu TOP 10 pessoal, tem os melhores contos policiais que li na vida.

    No Brasil saíram 2 volumes redondinhos pela Via Lettera. Recomendo.

    Hã? Não foi erro de digitação? Você acha mesmo os preços da Opera acessíveis?

    Grande abraço.

  2. renmero em 13.04.2007
    2

    Não são acessíveis, mas também acho preços bons levando em conta os de outras editoras.

  3. ChoKo em 21.04.2007
    3

    achei as comic novels pra comprar por aqui … a mais barata tá 45 dinheiros … e mais cara 75 … vou ter que aprender a ler scans!

  4. Bunker » Pubs [ou] Pixel e Constantine em 25.05.2007
    4

    [...] os títulos trazidos é coisa ingrata, desde 100 balas, os famigerados Sandman até aquele que talvez seja o mais injustiçado de todos em publicações [...]

  5. Rafael Hythloday em 11.09.2008
    5

    Creio que nem seria preciso comentar mais nada. Frank Miller é um artista superestimado. Atualmente estou acompanhando sua mais recente obra pela DC Comics: Batman & Robin, All Star e continuo me decepcionando mais e mais com este que já foi um dos meus escritores favoritos. Hoje sou obrigado a reconhecer que os únicos méritos de Miller são O Cavaleiro das Trevas e suas duas passagens na revista do Demolidor. Comparar Sin City com 100 Balas é até um pecado. A obra caricatural de Frank Miller torna-se facilmente monótona. Não chega aos pés da instigante e dinâmica obra de Azzarello e Rizzo.

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