bunker

Capa30 Days Of Night é a HQ fundamental da dupla Steve Niles, o atual mestre das histórias em quadrinhos de terror americano e Ben Templesmith, ilustrador favorito deste escriba possuidor do traço mais gore existente atualmente, senão o único. Foi também o título que concedeu fama aos dois, coisa que aconteceu por dois fatores - pra ser direto e claro: a arte então inovadora de Templesmith e o roteiro rápido de Niles ao escrever sobre Barrow, uma cidade no Alaska que é atacada por um grupo de vampiros sacanas justamente no período de 30 dias no inverno em que o sol não nasce.

O clima pesado e opressor numa HQ de terror (obras como Arkham Asylum e Kid Eternity não entram nessa categoria por não serem especificamente de gênero) ainda não havia chegado chegado no nível que 30 Days apresenta. E clima é fundamental, é pouco provável que uma história toda colorida sobre vampiros sanguinários tivesse tanto impacto quanto os tons escuros e o sangue negro jorrante de 30 Days. A arte de Templesmith é um misto de pintura, traços grossos e nenhuma concessão nas cenas de ação. Imagine se o mestre Alex Ross resolvesse deixar os colantes de lado depois de assistir alguns filmes do Rob Zombie e começasse a pintar histórias de terror e dá pra traçar uma comparação pra arte de Templesmith.

Vampiro gente fina.

A narrativa acompanha tanto os dentuços chupadores de sangue envolvidos em conspirações (vampiro que se preze tem que estar envolvido em várias tramas seculares) quanto os pobres residentes de Barrow liderados pelo casal de xerifes que tentam se proteger como podem no velho american way (com armas grandes e aquelas explosões todas). O único defeito de 30 Days é correr demasiadamente na parte final e antecipar a conclusão que acaba soando um pouco forçada. É uma característica dos primeiros trabalhos de Niles conseguir montar uma boa história porém correr em algumas partes e deixar aquela sensação de “já acabou?”. Entretanto no saldo geral dá pra relevar esse deslize final diante das outras qualidades da HQ sem soar muito fanboy, vai por mim que dá pra ficar apreensivo e realmente sentir medo lendo a história.

Depois do sucesso de 30 Days a dupla lançou uma continuação direta chamada Dark Days que ainda apresenta todos os elementos da obra original e vale a leitura. Vieram também outros títulos que levam a marca 30 Days como Dead Space, Spreading the Disease, Bloodsucker Tales, Return to Barrow e um título anual que apresenta uma história one-shot dentro do universo de 30 Days. Oscilando entre qualidade atestada e meros caça-níquel esses títulos não são necessariamente fundamentais para o leitor curioso - alguns são até bastante ruins - maldita mania de charfurdar em sucesso até o último centavo, tanto que daqui a alguns meses um filme baseado na obra será lançado. O melhor mesmo é ficar com a obra original e apenas a sua continuação direta.

  1. bunker » Don’t Drop The Soap [ou] Welcome to Hoxford em 09.09.2008
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    [...] e finalmente tive tempo de ler o primeiro número hoje. Ben Templesmith além de um grande ilustrador de horror (e de crime também) também se mostrou um autor competente em Wormwood - com muito a aprender, mas [...]

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