bunker

Uma tirinha

28.11.2007 | Internas

wasteland

É o que vou deixar aqui até conseguir tempo para escrever para os fiéis leitores que ainda tenho. Por mais que pareça besteira fim de ano é sempre um pequeno sufoco e agradeço por ter caras como Randall Munroe fazendo a alegria dos nerds sem tempo. Olho o ícone do Opera entre o Notepad e o Dreamweaver e sei que se abrir o Reader vai ter uma tirinha nova pra me fazer rir um pouco.

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Bohren & der Club of Gore

É como uma velha tradição no meu círculo de conhecidos no messenger de vez em quando nos mega-chats alguém fazer propaganda de uma banda estranha, pouco conhecida e que reúne características que todos ali presentes vão gostar - saber fazer isso direito é complicado, não é toda banda que emplaca. Essa semana o burburinho foi sobre Bohren & der Club of Gore, que me ganharia pelo rótulo de doom-jazz-ambient se em rótulos eu acreditasse. Ao escutar o terceiro disco (de 2000) chamado Sunset Mission até que doom jazz pareceu algo real e não uma associação bizarra de Coltrane e Jesu.

Faixas longas, climáticas e que remetem a uma demorada cena de algum filme noir alemão que me foge à memória. Não raro o clima de filme de terror lembra as cenas onde Hannibal Lecter resolve brincar com a jovem Clarice. A discografia é irregular e pouco acessível, mesmo escutando há dias eu só consigo gostar mesmo de Sunset Mission e de faixas esparsas dos outros quatro discos da banda. Faixas de vinte minutos não são exatamente algo que quando terminam você lembre o começo. Para quem for se aventurar esteja avisado de que o sax sofrendo para se sobrepor ao clima denso de “Painless Steel” é uma das coisas mais tristes de se escutar.

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V RDesign Belém

15.11.2007 | 42

Pra quem ficou em Belém no feriado e não tiver programa pra tarde de amanhã, este que vos escreve falará de blogs, acessibilidade, Dois Discos e o que der no Choque de Design Digital do V RDesign Belém junto com o companheiro Mariano da Libra Design e com o André da Dieutech mediando a discussão. Começa Às 17h na FAZ (Arciprestes Manoel Deodoro, próximo ao Colégio IEEP).

Depois do Choque tem Filhos de Empregada (o Flaming Lips da amazônia) e Attack Fantasma no Palafita como parte da programação do RDesign. Estarei lá também.

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Fazia tempo que um videoclipe me fazia usar o repeat over and over. Chato é que em players de vídeo online geralmente não tem repeat. Tonto, criação da UVA para o single achapante do Battles é um clipe que já devo ter assistido pelo menos umas dezenas de vezes desde que conheci. Não só pela combinação visual utilizando SABRES DE LUZ como pela loucura que é ver o Battles tocando, sinestesia é bobagem. É um daqueles casos de clipe perfeito para a música, mesmo as claras aspirações artiziscas da UVA que remetem a Dan Flavin e Peter Saville não deixaram o resultado final um daqueles vídeos experimentais inassistíveis.

Gravado numa maratona de 11 horas com a banda tocando entre a noite e o amanhecer o vídeo faz um interessante jogo de luz de acordo com a música, nesse caso um mindfuck rítimico que é Tonto. Basta prestar atenção na guitarra barulhenta aos 03:27 ou ao ritmo nauseante que a bateria e o baixo começa a ditar aos 04:30. Quando se tem um cara que já foi do Helmet na bateria é melhor deixar ele fazer o negócio direito - e John Stanier faz a suíte perfeita até terminar o vídeo já lá pelos sete minutos de duração. É longo e você nem percebe quando bate a vontade de assistir denovo. Chapante mesmo.

O Battles tem outro sensacional vídeo, desa vez para a faixa Atlas, Dirigido por Timothy Saccenti é uma pequena pérola nerd-arquitetônica que mostra a banda tocando num cubo que reflete nas paredes o seu próprio interior e utiliza influências diretas da casa de vidro de Philip Johnson e dos richochetes de Dan Graham. Já falei que o primeiro disco do Battles, Mirrored, é excelente? E não me venha com math-rock. Pra quem não conhece nada uma boa maneira de começar é assistindo essa entrevista aqui.

Na era dos vídeos pixelados é bacana assitir coisas que não são apenas mais uma reciclação de Michel Gondry ou alguma gravação de estúdio mal feita.

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Jermaine Clement e Bret McKenzie

Terminei de assistir há uns dias (ou talvez semanas já, tenho que manter um registro dessas coisas de forma melhor) a primeira temporada de Flight of the Conchords, série sobre um duo neo-zelandês de comediantes indie-pop-folk-rapper-acoustic-soul-tun-dun com falsetes e pouco mojo tentando levar a vida em New York, são doze episódios na primeira temporada pela HBO que fizeram certo sucesso na gringa  e garantiram contrato pra mais duas.

Comecei com o pé atrás até mesmo porque não conhecia nada da dupla, que já teve EP gravado e programa na BBC, mas logo no primeiro episódio Jermaine Clement e Bret McKenzie mostram-se bons atores apesar de timing esquisito pra comédia (mas que funciona) e as canções soam como se o Tenacious D trocasse o hair metal pelo shoegazer, não, pelo soul-folk, esquece, é um pouco complicado definir as canções quando vão de Bowie à Marvin Gaye passando por reggaeton (!) e rap west side gangsta. Apesar de paródias declaradas as músicas não costumam cair nos clichês do gênero e funcionam muito bem fora do contexto da série - Foux da Fa Fa é hit em algum lugar nesse momento.

Os episódios curtos não prendem-se a uma continuidade exagerada enquanto acompanham o cotidiano da dupla, que na série não é de comédia e sim mais uma banda folk tentando ganhar mais do que um fã e fazer gigs em cada vez lugares maiores enquanto explicam pras pessoas o que tem na Nova Zelândia além de Senhor dos Anéis. Engraçada, sem muitas pretensões a série acabou definindo o que vem a ser o humor neo-zelândes, que não tem nada a ver com o australiano. Seja lá como ele seja. Virei fã da dupla e já escutei os discos e arranhei as canções no violão, altamente recomendável. E que venha a segunda temporada.

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Bang

08.11.2007 | 42, Séries

Bang!

Sou fã antigo de Cowboy Bebop, daqueles de lembrar de um episódio e correr pra assistir outra vez, de decorar as falas (da forma que me compete não sabendo japonês) e recitar sem pestanejar. Hoje lembrei do episódio 6 chamado Sympathy For The Devil, um dos mais tristes da série - e olha que Bebop flerta com a melancolia quase todo tempo entre seus diálogos leves e cool e as cenas dirigidas como um jazz furioso.

A tristeza desse episódio entretanto é um tanto singular: um garoto prodígio da gaita (que na verdade já é um senhor, mas por conta de uma doença nunca envelheceu) toca algumas vezes um blues arrastado, sofrido e bonito de um jeito tão característico que fico pensando que é talvez o episódio mais bonito de um desenho animado que já assisti. É um daqueles episódios que quando surge o letreiro final escrito see you space cowboy você fica na dúvida se sorri ou entristece de vez. E assim nas madrugadas vou re-assistindo a série e planejando um dia tocar gaita daquele jeito.

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Mark Sandman

Tenho discos aqui que nunca escutei direito mas conheço-os bem, sei até um pouco da história deles. Só não escutei com calma, não sei direito como suas canções começam ou terminam. São como aquelas pessoas que você conhece e talvez até simpatize mas nunca conversou mais de alguns minutos. Tenho vários discos assim, de vez em quando decido escutar um como se deve, pelo menos do jeito que é “como se deve” pra mim: fones de ouvido, boa leitura (mas não tão boa a ponto de fazer esquecer da música) e acompanhando as faixas começarem e terminarem sem confundir,  talvez até decorar algum pedaço de letra aqui e ali. Quando o disco terminar escutar as faixas que chamaram a atenção outra vez. Desse jeito.

Sandbox - The Music of Mark Sandman é um desses discos. Que grande besteira fiz em ignorá-lo por tanto tempo mesmo sendo grande fã de Treat Her Right e Morphine.  São dois discos com várias faixas gravadas com bandas diferentes na época que Sandman era chegado em quase toda banda boa de Boston. Fica a vontade de sair contando pra todo mundo que o homem só tem faixa boa praticamente! “Pessoal, vejam só, Mark Sandman até quando gravava só por gravar cantava daquele jeito pesado e sinuoso!” É escutando várias vezes Jealous Dream (com pegada crooner, sax sujo e letárgico com Mark cantando romanticamente sobre um sonho que talvez não tenha sido um sonho) ou Devil’s Boots (blues de fim de noite calmo que lembra outro Mark, o Lanegan) que eu me redimo de ter deixado o disco na estante por tanto tempo.

Muita gente acha a música dele triste, melancólica e até li uma vez que lembra literatura beat de beira de estrada, mas se tem uma coisa que aprendi escutando blues é que não existe essa coisa de música triste. Existe sim música pra gente triste - e essa pode ser a música mais cheia de sol da terra mas sempre será triste pra quem a escuta. Sandman sabia bem disso.

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