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Mad Men

30.10.2007 | Séries

Mad Men

Comecei a assistir Mad Men, nova série assinada por Matthew Weiner, antigo produtor e roteirista de Sopranos que terminou sua primeira temporada recentemente. Pra mim, a mera associação com Sopranos já foi motivo suficiente para procurar a série. Dessa vez não há máfia de New Jersey como pano de fundo e sim uma agência de publicidade em New York na década de 60, uma época em que o mercado ainda não era cheio de hype e a profissão era mal compreendida fora dos grandes centros. O nome Mad Men vem da forma como os publicitários de NY era chamados naquela época.

Nos primeiros episódios a caracterização típica de época chega a transparecer clichês demais: todos os personagens fumam muito, homens casados tem que ter amantes e todas as esposas são donas de casas empalhadas. Dá uma sensação de imitação barata de filmes de época sem muita profundidade ou originalidade. Mas é preciso esperar um pouco que os personagens cresçam e as tramas se desenvolvam, logo os diálogos começam a ficar mais interessantes e você chega a ficar contente em ver vida após Sopranos, até mesmo o protagonista Don Draper (Jon Hamm) começa a mostrar algo mais além da característica pose de macho alfa dos anos 60.

Promissora e com vários elementos semelhantes à criação mais famosa de Weiner como personagens em conflito de personalidade e contra o meio em que vivem, Mad Men é o tipo de série não muito comum que toma o tempo necessário para se desenvolver e revelar um charme e elegância raros além de retratar uma época efervescente para a publicidade anterior aos modernetes de faculdades pagas que deixou marcas até hoje.

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Russel Crowe como Ben Wade

O western foi o último gênero cinematográfico que aprendi a gostar. Isso foi alguns anos atrás quando comecei a assistir coisas fora do meu radar para ver o que estava perdendo. Desnecessário dizer, mas digo mesmo assim, que fiquei apaixonado pelo gênero e por meses respirei os filmes. Ficava martelando na cabeça qual era a razão de não gostar antes. Acho que precisava estar numa idade ou período certo pra gostar daqueles filmes lentos de homens brabos, honra crua e tiros, muitos tiros.

Falo “daqueles” porque tão comum quanto um filme recente de Coppola é um western de qualidade nos últimos vinte anos, depois da virada do século então só consigo pensar em Deadwood. Mas aí James Mangold resolveu fazer um remake de 3:10 To Yuma. Não sei se a intenção do diretor do esquecido Copland era homenagear, recontar, reviver uma história ou talvez até o gênero. Acabou não sendo nenhuma dessas e sim o melhor western do século - legal poder falar do século quando se ainda está no começo dele, parece até trapaça.

O filme original, que não assisti, é com Glenn Ford como o malvadão Ben Wade e Van Heflin como o fazendeiro Dan Evans. Ben Wade é o papel dos sonhos de muitos atores e quem assume é Russel Crowe, que mostra saber fazer as coisas há anos mas ninguém parece notar. O homem chega a ser incrível na pele de Wade, principalmente nas cenas com Christian Bale, o fazendeiro perneta que aceita levar Wade até a estação onde partirá o trem das 3:10 para a prisão em Yuma. Os dois são a força motriz do filme em diálogos que soariam fracos na mão de outros atores.

Yuma não é só um filme excelente como é da estirpe dos western originais que não fogem da fórmula mocinho bom, cara mau, dinheiro e tiroteio. E isso atualmente é sinal de filme chato e pirotécnico, com razão. É preciso cuidado para que uma cena onde “a mão de deus” (apelido carinhoso para a arma de Ben Wade) entra em ação não vire apenas um disperdício de balas. O tiroteio final é sensacional, culpa também do vilão psicótico Charlie Prince (Ben Foster) que rouba várias cenas e faz um vilão sujo e malvado como se tivesse nascido pra isso.

Fui saber desse filme dias atrás e só assisti pra ver Bale e Crowe juntos, por simples curiosidade. Não esperava que Mangold estava preparando algo tão bom e que fosse uma das melhores surpresas do ano. Sem ficar relegado a gêneros ou rótulos é para qualquer fã de boas atuações e uma história bem contada se divertir e para aqueles que ainda não simpatizam com o western aproveitarem a deixa.

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Dark Passenger

19.10.2007 | Séries

Dexter

A segunda temporada da sensacional Dexter chega no terceiro episódio (An Inconvenient Lie) resolvendo as tramas da primeira e finalmente mostrando quais rumos a série vai tomar agora. Confesso que ainda fico arrepiado quando aquela musiquinha de suspense toca, não me acostumei ainda. O Dexter de Michael C. Hall continua um personagem frio, com humor bizarro e que lida com tudo que não lhe é normal de forma inusitada - e o que não é normal pra ele, que é um born natural killer, é de certa forma muito comum para todo mundo. É como ver as impressões de um verdadeiro outsider acerca de tudo isso que chamamos de cotidiano.

Nesse episódio tem uma ótima cena onde Dexter resolve usar as reuniões do Narcóticos Anônimos como uma espécie de confessionário para sua personalidade macabra. Seria o equivalente às sessões de terapia de Tony Soprano. Só que Tony era um personagem que não aceitava a imposições vindas de outras pessoas e não conseguia lidar com sua personalidade compulsiva. Dexter absorve tudo de outra forma e sempre busca entender as coisas de seu modo. Para ele é preciso um esforço colossal para viver no mundo como as outras pessoas e é fundamental conhecer sua própria natureza para fazer isso. Uma natureza não muito comum, vale dizer.

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Pop!Tech

Moro num lugar que está exatamente no calendário de grandes congressos e eventos tecnológicos - fico vendo coisas como o Cris Dias dando convites pro Intercon (que acontece em São Paulo) sem me empolgar muito. Acabo acompanhando palestras e apresentações via stream ou relatos de blogueiros que estiveram lá.

Hoje começou a Pop!Tech, uma conferência anual sobre web e tecnologia que cresce bastante em importância e influência a cada ano e uma das que mais permitem interação à distância. No site dá pra assistir palestras do ano passado de Chris Anderson, Thomas Friedman e Richard Dawkins entre outros legendadas em português com auxílio do dotSUB  e as palestras desse ano são transmitidas ao vivo com ótima qualidade, perguntas podem ser enviadas aos palestrantes via email. Não deu pra assistir nenhuma inteira hoje, só vi metade da interessante palestra de Christian Nold sobre mashups de mapas. Daqui a pouco deve estar disponível para download no site.

Para divulgação internacional foram convidados vários blogueiros para atuarem como bridge-bloggers (blogueiros que fazem a ponte entre a conferência e seus países escrevendo na sua língua nativa) e entre eles está o mestre Tiago Dória, que já completou seu liveblogging do primeiro dia. O evento vai até dia 20 e tem boas palestras na agenda. Para quem como eu sente-se um pouco isolado é uma ótima alternativa para se atualizar e espiar um pouco as conferências lá de fora.

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Black And WhiteTem sido um bom ano para discos. Fazia tempo que eu não sentia um cenário desse jeito, dá pra acompanhar direitinho o mainstream sem precisar descer para sites e revistas obscuras para encontrar textos bons sobre alguma coisa, até esctutei pouco post-rock esse ano. Pra completar só faltou mesmo comprar disco em loja. É bom poder ler e escutar discos novos de Bruce Springsteen, Queens of The Stone Age, Foo Fighters e Radiohead. Eu pertenço a esse meio com essas bandas milionárias e que fecham festivais, cresci com tudo isso e ficar falando sobre bandinhas canadenses ou a próxima imitação de alguma banda de pós-punk que apareceu é sacanagem, me sinto até tímido. Meu negócio sempre foi explosão no palco e solo de guitarra.

Mesmo com todos esses discos novos quem está no topo da lista é o The Hives com The Black And White Album. Vazou semana passada, alguns dias depois do Radiohead e acabou me deixando dividido entre o sensacional jazz de anão do Yorke e as batidas empolgantes dos suecos. Tendo o In Rainbows de lado e o Black and White de outro pude analisar melhor quais são minhas reais prioridadades musicais. E no final do dia pode ser um disco genial, canções realmente inovadoras e que ficarão entre as melhores da década mas eu quero saber mesmo é de guitarra e refrão barulhento, riff sacana e bateria incansável. O Hives tem tudo isso no novo disco e ainda um pouco mais.

Começa com Tick Tick Boom e refrão com explosão de canhão ou algo parecido - guitarras altas e vocais brincando com coros e o velho yeah gritado aqui e acolá. Sabe quando a canção dá uma parada, fica só a bateria e o vocal numa batida seca até a guitarra entrar numa explosão? É disso que tô falando, tick tick boom! O single perfeito pra abrir o disco. No disco anterior o Hives flertou mais com o seu lado Devo e acabou deixando de lado o que mais sabem fazer, que são canções de rock impossíveis de se escutar impassível. Em algum momento você vai balançar a cabeça, bater o pé, fazer air guitar com a perna direita ou sei lá, aumentar o volume. A abertura vem Try It Again e You Got It All… Wrong fechando a trinca de abertura barulhenta e perfeita.

Durante o disco inteiro há uma urgência em tocar rápido, alto e cantar sem parar pra respirar. O que poderia virar apenas gritaria e emulação garageira ridícula vira o melhor disco do Hives até agora, encontrando o equilíbrio entre o punk reto, as letras sacanas e os riffs e licks empolgantes com apelo pop. É como se o Electric Six escutasse menos soul e mais punk. Em It Won’t Be Long o vocal é grosso, imitando Interpol ou qualquer outra banda do tipo, por mais que a intenção seja sacanear logo o refrão chega e salva a canção de ficar apenas na sátira. Equilíbrio, gafanhoto, foi isso que o Hives encontrou, não exagerou no tamanho das canções, na sátira, no punk e na vontade de ser barulhento. Talvez a produção mais limpa que se livrou dos barulhinho e teclados cafonas tenha ajudado. O importante é que quase todas as faixas são hits em potencial e não apenas o single como aconteceu no disco anterior.

Este ano mostrou até agora que Springsteen é o chefe que escutamos com atenção, Radiohead é uma das poucas bandas que sabe o que fazer, o Foo Fighters caminha em direção a se tornar uma força da natureza e que nesse meio o Hives passou a perna em todos tocando apenas alto e sem meter a cabeça na bunda (White Stripes e QOSTA) e ainda se divertiu um bocado.

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A fantasia em “Margaret on the Guilhotine” parece pensar mais no que se gostaria que acontecesse do que na determinação de ser violento ou mesmo de personificar a violência de modo teatral. O efeito de “Margaret” não será apenas o de encorajar a resignação melancólica?

“Talvez, mas eu também acredito firmemente na ação. Existe um grande senso de rebelião de porta de casa, a coisa de bater o pé. Acima de tudo, acho que lidar com manipulação de pessoas é muito cansativo. Você envelhece rápido quando tenta vencer todas as discussões da sua vida. Politicamente, me sinto esgotado. Sinto que não há mais manifestações, mais abaixo-assinados para serem endossados. Acho que essas coisas, bem como reuniões de grupos e creches, são muito chatas. São uma perda de tempo. Tenho uma sensação de apatia.”

Interessante quando você fala em “bater o pé”, porque essa fantasia de tirar Mrs Thatcher, como se isso fosse resolver tudo, como se o “mal” neste país não fosse muito mais intelectual e enraizado - bom, isso soa meio infantil e petulante.

“Estou totalmente ciente disso, acredite. E tem algo importante aí. A música é boba, mas também é bem pesada e muio corajosa. E eu me encosto na cadeira e sorrio. Você com certeza percebe que esses elementos sérios colocam a manifestação direta, a canção de protesto tipo “Maggie Maggie Maggie Out Out Out”, no seu lugar, fazendo-a parecere banal e um pouquinho acomodada.”

O problema com as canções de protesto é que o pop sempre foi imediato, espontâneo e pueril. Ele não tem paciência para se arrastar por subcomitês e gazer lobby ou reivindicações de maneira ordeira, através dos canais competentes. O pop não tem programa, não negocia, ele quer o mundo e ele quer agora. E agrada muito mais ouvir que seu inimigo está sendo massacrado. Mesmo que seja só uma fantasia…

“É mesmo? Obviamente você não me escutou. Eu acho possível. Os tempos estão bem ruins. As coisas estão muito incertas. Você não acredita em mim? Tem muito sentimento organizado na Inglaterra neste momento”.

Nesse pedaço da entrevista que Simon Reynolds fez com Morrissey sobre seu primeiro disco solo, Viva Hate, em março de 1988 para a Melody Maker (reproduzida do livro Beijar o Céu, da Conrad - dísponível aqui no original em duas partes) tem algo que parece ter sido perdido há anos nas entrevistas de ídolos pop, principalmente as entrevistas brasileiras. Há um confronto entre entrevistador e entrevistado que apóia-se não somente na música mas também em política e até mesmo na função do pop.

Repare que Morrissey recebe as críticas diretas com respeito e deboche característico, sabendo que a entrevista é um jogo de palavras e que seu adversário oferece sim perigo à sua imagem, não ficando apenas nas cutucadas e observações que tentem irritar o entrevistado na esperança de arrancar uma declaração polêmica. Acho que é isso, nessa entrevista há perigo se você não souber lidar com as perguntas e análises. As entrevistas atuais carecem muito disso.

Geralmente pulo as páginas de entrevistas enfadonhas em revistas como a Rolling Stone, que dispõe de bastante espaço gráfico que poderia ser preenchido por entrevistas boas e realmente contundentes mas fica no marasmo e na auto-indulgência. Antigamente na Revista da MTV (antes dela virar “privatizada”) as entrevistas eram chamadas de “entrevistões” e ocupavam várias páginas tentando mostrar que entrevista boa tem que ser longa e analisar vários aspectos (mesmo que enfadonhos) do artista. Não precisam, não é questão de tamanho ou abrangência, falta mesmo é coragem e inteligência.

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Magnifying Transmitter de Tesla

No episódio da semana passada de House (”The Right Stuff” - 4.02) durante as cenas na sala de aula dava pra notar escrito no quadro a frase “Tesla was robbed”. A frase tem tanto a ver com a mais pura verdade, Tesla realmente foi roubado big time por Thomas Edison e por Guglielmo Marconi (até 1943 quando foi provado que sua “invenção” do rádio nada mais era do que uma cópia descarada de Tesla) quanto tem relação com a história do episódio, sobre uma piloto da NASA que oferece $50,000 para House tratar dela anonimamente.

Essa exata quantia foi oferecida por Edison a Tesla durante o período em que o inventor croata trabalhou em conjunto com o americano - no final das contas Edison não pagou alegando que era tudo uma piada e roubou várias patentes de Tesla.

A quarta temporada de House está divertida, de minutos em minutos eu rio alto, e ainda tem os elementos que fazem da série o meu programa de Tv favorito há anos. Não é em todo lugar que Tesla é homenageado desse jeito.

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O LivroOs leitores mais antigos devem lembrar do Dois Discos, blog deste que vos escreve em parceira com o velho Biajoni. Já fazia bons meses que o blog não era atualizado e numa cerimônia solene encerrei de vez sua carreira ontem. Nunca gostei de deixar blogs ou sites perdidos no limbo na internet, sujeitos a buscas bizarras no google e comentários perdidos.

Dito isso, anuncio que o Dois Discos virou um ebook que reúne todos os textos publicados durante a vida do blog, tem vários maravilhosos do Bia - de discos que eu nem conhecia! - e também vários meus. Ainda é a primeira edição, então pode ter um errinho aqui e acolá. Mas o importante é que o blog agora fica arquivado bonitinho para os antigos leitores e também aos aventureiros que resolverem ler o livrinho.

Baixe seu exemplar desse pequeno projeto (dá pra chamar assim?) que foi bastante divertido enquanto durou. Bia, é meu presente pra você, meu velho! A capa é do Olde, velho camarada de nerdices forísticas que tem fotos lindas no seu Flickr.

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Na verdade nem vou dizer nada, vou citar algo que li:

Ah, Tropa de Elite também vai agradar todos aqueles que odeiam as discussões em suas faculdades. É um filme extremamente anti-debates em faculdade, este, sim, um rótulo justo. Porque todos os debates em faculdades são estúpidos e todos os temas de faculdade são estúpidos. Eu teria vergonha de discutir Foucault, ou, para dizer a verdade, qualquer autor ou livro em faculdade, depois de ver este filme. Quer dizer, eu já fico com vergonha de estar matriculado numa faculdade depois de ver este filme. Deve ser por isso que é fascista. Boo, intolerante.

Frost, escrevendo a melhor coisa, ou pelo menos a mais engraçada, sobre o Tropa de Elite (depois do blog do Capitão, é claro - que aliás, ostenta um link para o Bunker) entre discussões bobas e exaltadas que acabam esquecendo que o filme é badass e rendeu um novo ícone pra ficar ao lado do Dirty Harry.

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Ray

03.10.2007 | Música

Se vivo estivesse Stevie Ray Vaughan completaria hoje 53 anos. Deve ter sido um dia bom, aquele 3 de outubro de 1954 em Dallas.

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