Começo de temporada [ou] Californication
01.09.2007 | Séries

Normal nesta época do ano pipocar literalmente centenas de novas séries em tudo que é lugar das emissoras norte-americanas, a maioria não passa de alguns episódios iniciais e deixam a sensação de que mais um pouquinho de audiência iria garantir uma temporada inteira e quem sabe a série desenrolaria. Os roteiristas mais espertos soltam logo os melhores episódios no começo da temporada pra garantir o seu.
É o caso de Californication, dona do tÃtulo mais imbecil do ano e que conta como protagonista o eterno Fox Mulder David Duchovny, que depois de anos fazendo filmes fracos aceitou que o lugar de ex-estrelas da TV é na TV. A série é assinada por Tom Kapinos, ex-roteirista de Dawson’s Creek e a produção é da Showtime, a irmã barulhenta da HBO. Mas não espere a melosidade dos roteiros da série que revelou a Sra Cruise em Californication.
Duchovny é Hank Woody, um escritor de New York que depois de alguns livros de sucesso e direitos vendidos para Hollywood vai morar em LA, a capital da putaria - pelo menos é o que dá a entender com séries como essa e Entourage. Sem escrever alguma coisa há anos e dirigindo seu porsche empoeirado, Hank divide seu tempo entre mulheres, tentar reconquistar a ex-esposa e mais mulheres. Aceita sua condição de escritor “não-praticante” e exercita seu seu ódio crescente por L.A. até que o saldo de sua conta bancária força que alguma coisa seja feita. Duchovny está à vontade no papel de macho alfa padrão com o diferencial de ser escritor e deixa os anos de bureau pra trás.
Junto com a terceira temporada de Weeds, Californication entra como mais uma série que sacaneia a famÃlia americana, os hábitos de hollywood, drogas e sexo com um texto engraçado e na medida pra irritar os mais conservadores. Não é sensacional mas nos três episódios iniciais segura bem os diálogos e não abusa do teor “olha como sou uma série rebelde e falo palavrão” que caracteriza as produções da Showtime. Como as temporadas do canal são pequenas (13 episódios), é mais uma série pra assistir sem muitas esperanças de um novo Sopranos.
2 ComentáriosHopeless romantic [ou] Richard Hawley
01.09.2007 | Discos
Assim como no fim do ano passado passei meses escutando Coles Corner (que tentei escrever sobre aqui) vou ficar bons meses escutando Lady’s Bridge, quinto álbum deste senhor chamado Richard Hawley, conhecido apenas por ter tocado no Pulp - injustamente, já que sua carreira solo é nada menos do que excepcional e na minha opinião bem melhor do que sua ex-banda. O nome do disco é referência à Sheffield, sua cidade natal na Inglaterra, assim como os nomes de seus dois discos anteriores (Lowedges e Coles Corner).
Hawley canta as canções que eu escutaria pelo resto da vida. Com sua voz grave, entoada como um Cash mais boêmio ou um Elvis que nunca deixou de ser romântico ele canta sobre perdas, reoconquistas e sobre o amor que tanto acredita sempre com arranjos melodiosamente irresistÃveis e refrãos que não deixam a alternativa de não cantarolar junto. Como Costello certa vez disse existem poucos temas e poucas notas para um músico uma canção, mas parece ser o bastante. Hawley prova isso em 11 canções e pouco mais de 48 minutos.
Como sempre as letras continuam belas, na faixa de abertura “Valentine” ele canta “Bring me to the light of the morning / And take me through this night till the dawning / Oh I see a warning in your eyes” com aquele tom alto e poderoso de trovador que sabe o que está cantando, mais na frente em “Dark Road” ele setencia “It’s a long dark road, that I call my home” como se nunca tivessem escrito canções desse tipo. Não há muitos músicos por aà que ainda fazem discos assim.
Comente
If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
