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Watchmen

Alguns posters que vi recentemente me chamaram a atenção, começando com a loucura pop que será I’m Not There brincando com o clássico vídeo de Dylan, passando pelo interessante Eastern Promises, de David Cronenberg, que parece ser casca grossa e continua na mesma linha de A History of Violence (que por sinal tinha uns posters feinhos). Tem também We Own The Night, policial com Walhberg e Phoenix que homenageia os cartazes econômicos e representativos da década de 70 e o dark Sweeney Todd de Tim Burton, que deve fazer escola (mais uma vez). Na tv, o teaser da sensacional Dexter é o mais legal da temporada.

O prêmio de pior fica com Death Sentence, que na cara dura pinta Kevin Bacon como se fosse Mickey Rourke nos cartazes de Sin City, nem ao menos pra imitar um filme bom. Ah, e a imagem ali em cima é do primeiro poster de Watchmen. Snyder resolveu não brincar com fogo e não inovou em nada, ainda.

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Hopkins em Fracture

Gosto de filmes ou séries de tribunal - mas não chego a exageros estilo McBeal ou coisas do tipo, veja bem. Em filmes como esse um bom roteiro e direção segura fazem toda a diferença, ou pelo menos aquela diferença necessária que o separará dos outros do nicho. Em Fracture as diferenças são sutis e bem pontuadas como a calmaria do diretor Gregory Hoblit em segurar as cenas de reviravolta (que obviamente existirão) e extender os diálogos de forma elegante e sem perder o interesse é um ponto alto do filme. Poderia dizer que Antony Hopkins também fez sua parte muito bem mas o velho já não é mais um ator, é uma força da natureza.

Como um promotor ambicioso Ryan Gosling pega o caso de tentativa de assassinato cometido pelo engenheiro Ted Crawford (Hopkins) como o último de sua carreira na promotoria antes de entrar num escritório corporativo. O caso chega nele praticamente ganho, com evidências e até uma declaração do suspeito. Porém aos poucos as evidências vão caindo e o plano inteligente de Crawford aparece - quando o caso chega no tribunal simplesmente não tem como acusá-lo de nada. Roteiro esperto e que utiliza bem suas possibilidades e dois atores empenhados deixam o filme gostoso de se ver. Não é preciso assistir uma obra-prima todo dia, às vezes duas horas de um filme excelente são o bastante.

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Queria ver juntarem essa galera toda pra fazer algo de realmente útil que não envolvesse nenhum tipo de remuneração direta ou indireta. Seria lindo, já pensou? Blogueiros realmente ajudando alguma causa sem pensar em banner, pageview e essas… seria quase uma volta às BBSs.

Nix sintetizando muito bem a minha opinião sobre os milhares de camps que aconteceram nas últimas semanas que contaram com alguns blogueiros (argh) que de fato possuem blogs interessantes e que são referência em suas áreas. Porém a impressão que ficou - e que de fato dev ter acontecido -  é que esses encontros resultaram em nada a não ser novos modos de enfiar adsense em mais lugares do blog. Tudo muito bonito, antenado e cheio das tecnologias de ponta, mas inútil.

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Continuando a minha rampage de leitura de quadrinhos dos últimos tempos cheguei em Kill your boyfriend, de Grant Morrison e Philip Bond. Plot bastante simples: garota conhece garoto e os dois misturam a vontade de conhecer o mundo de um e a filosofia anárquica do outro e saem pela Inglaterra fazendo o que querem, incluindo matar o namorado da garota. “Shake a person up enough and what they thought was a personality starts to separate. We can be anything.

O tom subversivo do texto de Morrison guia o leitor rapidamente pelas sessenta páginas da Hq que assemelha-se bastante com a história de Mickey e Mallory Knox, os assassinos daquele filme de Oliver Stone. Entre questionamentos juvenis (”I bet Plato didn’t ever suspect he’d stop me watching Top of the Pops.”) e diálogos sobre a liberdade sem lei (”We believe the only true art objects are the gun and the bomb.”), Morrison não perde tempo para criticar o que puder, de política a arte e fez uma história que acabou virando referência para diálogos pop em quadrinhos. Divertido, instigante e diferente de grande parte do que se vê por aí, mesmo tendo sido publicada em 1995, o título é um pequeno clássico na carreira do roteirista.

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Planetary é o que pode-se chamar de épico dos quadrinhos modernos. Warren Ellis e John Cassaday misturaram física quântica, pulps, cinema japonês e sabe-se lá o que mais de referências numa história original e que reverencia grandes ícones da cultura pop do século passado. Parece que antes do século passado terminar Ellis resolveu escrever sobre (quase) tudo que considera indispensável na cultura pop.

Numa de minhas histórias favoritas (publicada em Planetary #13), que se passa num flashback no começo do século XX, o protagonista Elijah Snow encontra dentro de um castelo na alemanha o mapa para a central da Conspiração, uma organização de pessoas excepcionais que se juntaram para ajudar a humanidade e que guardam segredos de um século inteiro de atividades.

Até aí tudo bem, porém o castelo não é apenas um lugar normal, é claramente o mesmo lugar onde um certo doutor fez experimentos científicos que resultaram em Frankenstein e a “Conspiração” nada mais é do que o grupo outrora conhecido como Liga Extraordinária, escrita por Alan Moore (outra obra que também utiliza diversas referências para criar algo absurdamente excelente) e chefiada pelo detetive Sherlock Holmes. O próprio.

O encontro de Snow e Holmes é sem dúvida uma das melhores cenas já feitas em quadrinhos, e isso não é palavra de quem cada vez mais admira o trabalho de Warren Ellis, falo aqui como quem cresceu lendo as histórias do detetive da baker street. Em 2006 a Wizard colocou a história em seu ranking “The 100 Best Single Issues Since You Were Born” na posição 20. Atualmente a Pixel publica as histórias de Planetary na revista mensal Pixel Magazine.

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Quêm me lê há um tempo já deve ter percebido que Josh Rouse é uma presença constante nas minhas audições e listas de recomendações. Faz quase dois meses que ele lançou Country Mouse, City House e assim como Subtítulo e o EP delicioso She’s Spanish, I’m American as rotações deste no meu player já foram muitas e assim será por um bom tempo. A razão de ter demorado pra escrever sobre o disco talvez deva-se pelo sentimento que tenho quando escuto: que é preciso relaxar um pouco. Música pop não é pra ser deglutida em altos índices semanais e não deve ser empurrada com promessas de que vai salvar a sua vida - tanto que tem discos que nem precisam disso - a música deve ser descoberta.

Depois de brincar com novos ritmos em Subtítulo e abusar de canções com poucos elementos, em alguns casos até instrumental, Rouse voltou pra casa, chamou a velha banda e pôs-se a fazer o pop que tanto fez antes de se mudar pra Espanha. Flertando ligeiramente com o soul, seja pelo modo de cantar ou pelo balanço timído de algumas melodias a voz de Rouse vai do mais alto canto até o leve sussurar de frases como I need you back/ Baby, i miss my rolling stone com a desenvoltura de quem já gravou quase dez discos e ainda consegue escrever canções como Snowy, coisa que não é pra todo mundo. Não é preciso mais do que nove canções pra fazer um disco simples, alegre, e por que não, doce.

Fico pensando em quem descobrir este disco agora vai ter mais nove pra escutar e por um bom tempo vai escutar as canções que me acompanham há anos tudo de uma vez, lucky bastards. Eu por outro lado fico na esperança de que qualquer dia desses vou conseguir tocar Nice To Fit In (que o Ian disse que também gostaria de tocar) e ficar contente pra caramba. E que mais dez discos venham por aí.

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Retirado de Hellblazer #141

Foi publicado ontem no Sedentário um email de Artur Tavares, sócio-diretor da HQ Maniacs, que além de site é editora de quadrinhos com alguns títulos como Walking Dead e Estranhos no Paraíso no catálogo. Tavares comenta sobre a os scans de histórias em quadrinhos. Mas não é um email padrão que se espera de um editor, que seria algo como “tirem esses scans do seu blog ou senão eu entrarei na justiça contra vocês, seus pirateadores!”.

Tavares compreende o cenário atual e não condena os scans.  Ao invés de apontar o dedo e bradar contra os pirateadores Tavares vê o scan como um aliado na divulgação pois sabe que uma grande parcela dos leitores de quadrinhos não é adepto de ler no monitor e vai comparar o título em banca. O recente boom do mercado de HQs aqui no Brasil que começou ano passado está aí para mostrar isso. Tavares apenas pede que algumas boas práticas sejam tomadas pelos grupos de scanners (as pessoas que fazem a digitalização das revistas) como incentivar a compra de títulos que tem distribuição nacional colocando avisos nos próprios scans.

Alguns grupos como o Vertigem - que participo como tradutor - fazem isso por padrão em suas edições. Sou leitor de scans há um bom tempo porque a maioria do que leio nunca foi lançado aqui e dificilmente será. No entanto tudo que chegou nas bancas acabei comprando por ser fã  e grande parte dos leitores de quadrinhos que baixam scans fazem o mesmo, ter a revista em mãos é outra coisa. Faço traduções por hobby - como todo nerd gosto de espalhar as coisas que aprecio pra o maior número de pessoas possíveis - e sempre procurarei títulos para divulgar e esperar que sejam publicados por aqui.

Grande parte das editoras de HQs dos Estados Unidos já se pronunciaram sobre os scans e de forma bastante diferente do que aconteceu na época (para exemplo de comparação) do Mp3 e trataram a prática sem ações autoritárias que reultam geralmente em tiros no pé, não teve Lars Ulrich caçando “baixadores ilegais”. Os Editores da Marvel e DC nos Estados Unidos, respectivamente Joe Quesada e Dan Didio, já disseram que o scan não influencia na venda de seus títulos. Aqui no Brasil a discussão está no começo e com ações como a de Tavares parece que o resultado não vai ser tão ruim.

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“It’s an interesting film (…) but it was pretty much killed by a two-second moment on screen where his wife is being raped and she smiles. That was the end of that movie. You can be certain that she’s not going to be smiling in the rape in my film.”

Dito por Rod Lurie ao comentar sobre sua refilmagem de Straw Dogs, de Peckinpah. Mas que enorme idiota esse homem é.

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Tenho inveja de quem consegue escutar música om o botão shuffle ligado, partindo de Cash para Sonic Youth em alguns minutos. Dizem que é melhor assim, a sensação de surpresa quando começa uma canção inesperada é um do grandes motivos de escutar música assim. Mas eu não consigo, jogo alguns discos ou um diretório no Winamp e tento ligar o shuffle mágico e experimentar essa sensação de inesperado (mesmo sabendo os discos que escolhi pra colocar na playlist). O resultado acaba sendo um constatnte uso das teclas especiais do teclado - aquelas que ficam ali em cima e comandam desde o super importante outlook até o tocador de mídia padrão. Vou passando, passando até que perco a vontade de continuar a brincadeira.

Acabei me criando como um ouvinte de discos inteiros, como quem assiste um filme costumo escutar um disco de uma vez, se for bom o repeteco é iminente. Nem sempre dá (vida moderna é foda), é certo, e discos que sejam realmente bons do começo ao fim não são fáceis de encontrar ou aparecem todo dia. Acaba que no final do dia três, quatros discos completos foram rodados e talvez um seja bom, se for um dia generoso talvez seja muito bom. A tragédia, alguém diria, é que um amante de música pop perde bastante ao não conseguir apreciar uma sequência de canções aleatórias - mesmo que as canções sejam boas. Pois é. Talvez seja por isso que implico tanto com djs indies.

Adoro as canções de três minutos perfeitas. Mas é impossível passar incólume por um disco perfeito. E achar um desses de tempos em tempos é o que me faz escutar bandas novas quase sempre. Ia dizer que é minha profissão dos sonhos, mas ei, de fato é.

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Manji

Há um bom tempo namorava as edições nacionais de Mugen no Juunin, conhecida por estas bandas como Blade - a Lâmina do Imortal, lançadas pelada Conrad. Na época do lançamento em bancas deixei passar e só quando o mangá já estava bastante adiantando que fui saber qual era a (alta) qualidade do material. Recentemente tive a oportunidade de comprar 34 das 38 edições lançadas numa tacada só e passar um bom punhado de dias lendo a saga de Manji, o Hyakunin-Guiri (traduzido literalmente como “assassino de cem pessoas”).

Manji é um ronin que assassinou seu superior quando descobriu que cometeu mortes não porque as pessoas não pagavam os impostos, mas sim por não conseguirem pagar as altas quantias exigidas pelo seu suserano que desviava dinheiro. Durante sua fuga assassinou 99 samurais que lhe perseguiram, ganhando então o nome de Hyakunin-Guiri. Tornou-se imortal quando uma sarcedotisa chamada Yaobikuni cuidou de seu corpo debilitado pela batalha come “Kessen-Chu”, vermes simpáticos que curam qualquer ferida em seu corpo instantaneamente. Dessa forma Manji é um um ronin amaldiçoado ao não-morrer e com o peso das mortes cometidas para carregar - morrer para ele será um alívio agora e faz um trato com a Yaobikuni com a condição de que se matar mil pessoas más os vermes serão retirados de seu corpo.

Apesar de plot soar um tanto quanto violento e de fato o mangá ser tão bom em grande parte por conta dos duelos, o roteirista e ilustrador Hiroaki Samura não conta apenas uma história de ronins e samurais de forma tradicional no estilo “encontrar o mais forte e matá-lo em combate sangrento”. Além dos duelos a trama caminha com diálogos bem construídos que questionam o período político e cultural vivido no Japão e subvertem o tão precioso código de conduta dos samurais, o Bushido. Samura inclui vários elementos estranhos a um japão feudal na história, como personagens de nome Jony Uofutsu e Kuroi Sabato, respectivamente Jonny Rotten e Black Sabbath e alguns personagens falam girías e de forma bastante atual enquanto outros são tradicionalmente samurais feudais. Com esse choque da cultura pop moderna com o tradicional que ele transforma o mangá em algo mais do que apenas uma história de violência.

Os traços de lápis (ou ora com páginas finalizadas em nanquim) de Samura são rápidos e detalhistas e chamam a atenção mesmo em meio aos duelos sangrentos de Blade, a costumeira sensação de não compreender o desenrolar das ações poucas vezes ocorre. Alguns quadros prendem a atenção pela fotografia bem trabalhada ou pela sequência extraordinária e dinâmica com que retrata os eventos. Minhas páginas favoritas são as que Samura utiliza vários quadros sequênciais do mesmo tamanho para ilustrar uma cena de combate ágil. No final há splash-pages belas e trabalhadas que encerram o combate.

Uma questão sempre levantada em torno de Blade é a de que os kimonos não raro apresentam estampas chamativas ou de desenhos modernos e Manji carrega uma enorme suástica de duas cores nas costas, o símbolo esse que tornou-se motivo de polêmica quando o título foi publicado na frança (só podia). A história, porém, passa-se aproximadamente nos anos 1782/1783 (segundo ano da Era Tenmei, no meio do Shogunato Tokugawa, de acordo como é mostrado na primeira edição). Bem antes do Partido Nazista adotar o símbolo ancestral do budismo como logomarca. Além do que o símbolo está invertido nas costas de Manji, significando lua. Enfim, nem adianta começar a fazer barulho.

O título encontra-se em pausa na edição 38 aqui no Brasil enquanto a Conrad espera que a edição japonesa ainda em publicação abra uma margem de espaço que permita a publicação mensal por estas bandas. Blade é publicado desde 1994 no japão e desde 1996 nos Estados Unidos, onde já ganhou um prêmio Eisner em 2000, as edições da Conrad são como de costume de acabamento excelente e trazem material extra do próprio Samura além de alguns editoriais explicativos (a questão da suástica é esclarecida logo no primeiro número). Blade agora torna-se o segundo mangá que acompanho com afinco, o outro é Vagabond - nas edições especiais também da Conrad. Indispensável para os apreciadores da arte da espada japonesa, mas sem abdicar do teor pop de cada dia.

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