bunker

Voltando pra casa

27.07.2007 | 42

Isis destruiu este pobre escriba

Porque foi um mês insano. Semana que vem começo a despejar aflitamente os posts que acumulei aqui. Os colaboradores já se foram. O Bunker agora volta à sua rotina.

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Essa é uma pergunta que muitos, muitos, muitos estão fazendo. Então dou privilégio a esse espaço para informar e comentar a trilha-sonora de meu novo livro, à venda no site Os Vira Lata. O livro, “Virgínia Berlim - Uma Experiência”, vem com um CD de brinde, para quem não sabe. Veja as canções:

1 - “Must I Paint You a Picture” - Billy Bragg

2 - “Opened Once” - Jeff Buckley

3 - “I Don´t Stand a Ghost of a Chance With You” - Chet Baker

4 - “Ennui” - Lou Reed

5 - “Where Were You” - Vic Chesnutt

6 - “Lament” - Nick Cave

7 - “Asshole” - Tom Petty

8 - “Berlin” - Lou Reed

9 - “Be Mine” - Donovan

10 - “Ice” - Daniel Lanois

11 - “Bed” - Lou Reed

12 - “Green Arrow” - Yo La Tengo

É claro que não é à toa que o nome de Virgínia tem “Berlim” - sim, a obra e a trilha são influências diretas do disco clássico de Lou Reed, lançado depois de “Transformer”. Muitas acham que “Transformer” é o disco de estréia solo de Reed, mas não é. O primeiro disco dele depois do Velvet foi um homônimo, fraco. Nele havia uma pequena e boa canção chamada… “Berlin”.  Como “Transformer” fez algum sucesso, Reed podia continuar na mesma linha, lançando “Transformer II”, “Walk on the Wild Side II”, e assim por diante. Porém, ele decidiu fazer algo diferente e cometeu “Berlin”, o disco, onde reaproveitou a boa música do disco de estréia e criou uma história (sim, o disco é conceitual, mas de maneira fragmentada) triste e emocionada, onde se encontra a música talvez mais triste da história do pop-rock mundial, “The Kids” - com um coro arrepiante de crianças chorando.

Bem, a linha de ligação com meu livro começa na alteração de tom. Se Sexo Anal - Uma Novela Marrom era um romance cru, realista, com tom de cinema e algum humor (as pessoas vêem mais humor que eu no livro), decidi que a mudança total de rumo seria o melhor a fazer. Podia fazer a continuação de “Sexo Anal” (que muitos aguardam), mas iria ficar preso a um modelo. Retomei então um romance sem fim, que já havia chegado a 400 páginas e no qual eu trabalhava há 10 anos - e decidi finaliza-lo. Foi “Virgínia Berlim”.

A influência de Reed e do disco Berlim já acontecia no primeiro tratamento - o livro tem um final bastante parecido com o “final” da história do disco. E Reed usa muitas figuras de linguagem, conta histórias dentro da história, faz referências a elementos da cultura geral… Eu também faço isso no livro. E Reed, amante de Chandler, consegue em suas obras, de maneira geral, um tom noir - que eu também queria. Esses talvez sejam os principais elementos de ligação entre o disco de Reed e meu livro.

Curiosamente, nenhuma das duas canções de “Berlin” que aparecem na trilha do livro são da gravação original. “Berlin”, a canção, é do disco de estréia de Reed; e “The Bed” é a gravação do disco “The Raven” - que tem a participação da sensacional Jane Scarpantoni. “Ennui” é de “Sally Can´t Dance” - disco de Reed nunca lançado no País. No embalo, para costurar a história, fui procurar outras canções. Como tecnicamente a última canção do disco é “The Bed” (”Green Arrow” é instrumental, como um “end theme”), pensei que a primeira devesse dialogar com ela. Assim, apareceu “Must I Paint You a Picture?” do Billy Bragg. Com um tom de esperança, a música é uma das mais belas já gravadas, e traz o verso que diz que “as maiores verdades são ditas na cama”.

Na sequência, queria uma música de desesperança sem ranço e surgiu a ambígüa “Opened Once” do Jeff Buckley - mais triste ainda quando sabemos que o cara morreu, certo?

A música do Chet Baker tinha que ser encaixada pois é citada no texto, pelo narrador. E as outras canções, depois dela, alternam justamente as expectativas do narrador no livro sobre o relacionamento com Virgínia. Uma hora ele a ama profundamente, noutra se acha um idiota. Num momento ele quer muito que ela esteja com ela, noutro quer que ela suma. Essa tensão aparece talvez primeiramente no disco na canção de Chesnutt, ampliada nas seguintes, de Cave e Petty.

Ao assumir o amor e pedir que Virgínia seja realmente sua (dele), em “Be Mine”, acontece a tragédia - “Ice”, do Lanois.

E assim, a história, enfim, você deve saber apenas e tão somente lendo o livro. E ouvindo a trilha. 

- Biajoni

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Esta é a segunda parte da minha contribuição para o meme iniciado pelo Noronha, d’O Fim Da Várzea. A primeira parte foi publicada no meu blog.

06 - Francine Terá Sua Vingança Em Curitiba - Sebastião Estiva
Um épico de 8 minutos do mais misterioso artista independente brasileiro, que prometeu gravar um álbum para cada estado brasileiro. No seu quarto trabalho, Paranã - Verdades, Mitos e Falácias, há a canção que remete ao vídeo que vazou na internet em uma garota, Francine, confessa suas taras durante uma festa. Encontrei a música numa coletânea especial para o dia dos namorados, chamada Love Hurts, feita pelo pessoal do Urbanaque. Recomendadíssima.

07 - March Into The Sea - Modest Mouse
O Modest Mouse já havia ganhado o meu carinho depois que eu ouvi “Float On” do disco anterior, Good News For People Who Loves Bad News. Mas essa nova música, que saiu agora em 2007, mostra uma evolução digna de aplausos. O vocal parece que andou bebendo umas com o Frank Black, dos Pixies, e os versos das novas músicas quase sempre são cuspidos gritos tresloucados. Mas uma das coisas que talvez tenha contribuido para o amadurecimento da banda foi a entrada de JOHNNY MARR, ex Smiths, pra banda. Finalmente João encontrou seu lugar ao sol, e isso está bem refletido no som da banda

08 - Adrenaline (DJ Rupture Mix) - Architecture In Helsinki & Mr. Lee G
Eu sempre tive o pé bem atrás com essas coisas de Raggamuffin e congêneres, mas é impossível resistir à desenvoltura vocal de Mr. Lee G aliado aos beats cheio de experimentos sonoros, incluindo os backing vocals dos australianos do Architecture In Helsinki. Música pra ouvir negratizando no sol.

09 - Books From Boxes - Maxïmo Park
Os Strokes construíram toda uma proposta para as bandas independentes dos anos 00. O Maxïmo Park se aproveita dessa influência, mas mesmo assim conseguem soar originais, nessa música que se não é uma das melhores coisas do ano, te faz bater e fazer air guitar, movimentos básicos para os apaixonados por rock.

10 - Two Receivers - Klaxons
Por muito tempo eu mantive um certo preconceito com os Klaxons, achando que fosse mais uma bandinha superestimada como é o Arctic Monkeys. Mas eles tem muito mais méritos, principalmente porque eles cumprem o que prometem, que é divertir com sua música. A escolhida aqui me faz lembrar MUITO a melodia de “Think” do Information Society. Não façam como eu e ouçam agora!!!

- Ian

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Homenagem

08.07.2007 | Geral

Para que comece uma partida, alguém tem de primeiro fazer rolar a bola, e eis que assumo eu esta grande responsabilidade. Mas acredito que falo em nome de todos quando digo que o Renmero é uma persona bastante ilustre e querida por estes lados da blogosfera pensante. Por isso, decidi fazer-lhe uma homenagem, como agora está em voga, reunindo parentes e amigos de infância para prestar a este grande homem alguns minutos de pura emoção e algumas possíveis lágrimas, que ele merece.

Mentira, vou fazer porra nenhuma. (Mas aguardem novidades).

 - Dael

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