bunker

Policiais durões

Danny Boyle perdeu o lugar de melhor (ou mais legal, enfim) diretor inglês da atualidade. O maluco do Edgar Wright acaba de subir no ranking com gosto. Já não bastasse a pérola de filmes de zumbi/comédia chamada Shaun of the Dead no currículo agora Wright e seus comparsas Simon Pegg (o inglês baixinho e invocado) e Nick Frost (o gordão nerd) fizeram Hot Fuzz, filme que heroicamente me deixou rouco de rir.

A premissa é ser um filme policial narrando a história do Sergento Nicholas Angel, uma espécie de super policial altamente treinado e que dedicou toda a sua vida à Força (não “A” Força, e sim a Força Policial) e possui os maiores índces em seja qual for a coisa que esses índices meçam. De tão bom ele é convidado a se retirar de Londres - é remanejado para uma cidade do interior, numa tentativa dos chefes de polícia de esconder esse policial exemplar que ofusca todo o resto da Força. O que sobra é uma comédia hilária e sem descanso.

Em sua nova cidade Angel mostra-se um oficial da lei exemplar e logo começa a farejar crime em todos os cantos. Seu novo parceiro é Danny Butterman, nerd viciado em filmes de ação clássicos da testosterona como Caçadores de Emoção e Bad Boys (com ênfase no 2, aquele do megalomaníaco Michel Bay) e aos poucos vai se adptando a rotina.

Porém vários assassinatos brutais começam a ocorrer e por mais que a polícia local queira fazer tudo parecer um acidente Angel sabe que algo está errado e começa a colocar em prática suas super habilidades. Daí pode-se dizer que esse é um filme policial gore, Wright não economiza no sangue e nas referências a clássicos do terror como A Profecia além de um peculiar apuro (leia-se gore) nas cenas de sangue.

Ao longo do filme a edição barulhenta e pretensamente estilosa e que remete diretamente aos filmes policiais recentes do esquemão hollywodiano parece incomodar, mas só na segunda metade do filme que coisa resolve pegar é que a parte hilariante da coisa aparece. É tiroteiro, perseguição, frases de efeito, sangue, tiroteiro, sangue e até referências aqueles filmes antigos do Godzilla (!!) - com uma trilha sonora que inclui Fratellis e Supergrass. O engraçado é que funciona como um filme de ação feito pra esquemão tanto como comédia sacana da melhor qualidade.

Altamente recomendado para quem assiste filmes de ação pra rir e brincar de bangue bangue.

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Compre a merda você também. Eu não me responsabilizo.

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Gregory House

Terminei só agora de assistir a terceira temporada de House, acabei deixando episódios acumularem na empolgação de ver outras coisas. Foi até bom pois pude avaliar calmamente esta terceira temporada.

A desconstrução do personagem que tomou grande parte da segunda temporada deu lugar para um novo ângulo de ver o personagem nos episódios inicias com House “curado” de sua perna e em plena atividade física e consequentemente intelectual e social. Foi um respiro - como se para mostrar uma outra faceta de House só visível sem o empecilho da perna - antes de tudo voltar ao normal. E por normal pode-se dizer com conflitos cada vez mais acirrados, danos irreversíveis nos personagens e tramas dignas de HBO, e ei, isso é um elogio imenso!

Alguns episódios fracos impediram o bom fluxo da temporada. Talvez por ser a primeira vez que acompanhei semanalmente e não em maratonas de dvd pude notar que certos episódios não encaixaram-se bem no contexto geral. Pequenas tramas com conotações dramáticas numa tentativa de quebrar o caráter inabalável de House foram amplamente usadas na segunda temporada e a repetição tornou-se um problema nessa terceira.

Claro que tivemos episódios extraordinários. Dessa vez já conhecemos House e os roteiristas optaram por não desenterrar o passado, coisa comum na TV da gringolâdnia, e sim testar as relações entre os personagens até o máximo. Foi ao mesmo tempo assustador e interessante - em vários momentos um House melancólico tomava lugar na tela. Os diálogos continuaram brilhantes da forma característica da série, com referências pop, sarcasmo impiedoso e a integridade exemplar que os roteiristas tratam os personagens, coisa rara no esquemão de TV norte-americanco.

Não foi uma temporada hiperativa como a segunda ou fundamental com a primeira porém teve momentos belos (ou hilários como a nova bengala de House) e um season finale que mais uma vez colocou na mesa a questão de House versus deus, gerando a melhor frase da temporada: “I better not see you praying! I don’t want to have to fight for credit on this!”.

Continua uma série acima da média, divertida, com roteiros excepcionais e personagens interessantes, porém o abuso de certas manias tradicionais (como sempre criar um “romance” ou a necesidade constante de antagonismo) prejudicou esta terceira temporada. Mas é pouco para atrapalhar um show tão bom. E vamos ao quarto ano.

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Porque amanhã é feriado. Esse vídeo é um pouco recente, o Tweedy já canta com rouquidão forte e a banda é incrivelmente entrosada - a canção bela ajuda. Não canso de assistir, mesmo sabendo que houve um tempo em que a banda era iniciante e Tweedy cantava sorrido a maior parte do tempo.

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Desde semana passada estreou nos cinemas nacionais o 28 Weeks Later, filme que muito me interessa assistir assim como o Zodiac, que dipensa comentários. Mas nenhum dos dois filmes estrearam em Belém ainda. E provavelmente nem irão. Temos dez salas de cinemas divididas entre dois shoppings administradas por uma única empresa, a infame Moviecom.

Robert Downey Jr em Zodiac

Atualmente com quatro filmes em cartaz, sendo dois blockbusters (Homem Aranha e o Piratas do Carilho) e outros dois que nem me dou trabalho de saber o nome. Os filmes dos últimos meses que passam embaixo do radar de retorno garantido simplesmente não chegam mais aqui, parece que estamos num buraco isolado que só recebe cópias de filmes que rendem muito - e não que o mercado regional seja ruim, já tivemos três empresas concorrendo entre várias salas, foram vários tiros no pé seguidos que resultaram em falências. Não foi culpa direta do mercado.

A piada de que moro num mato é infelizmente mais atual que nunca. Belém caduca por cinemas, shows, exposições e até mesmo de livrarias - dias desse fechou mais uma.

Vale dizer que nem sempre foi assim, houveram épocas de formidável programação cultural. Nos últimos anos entretanto a coisa desandou de forma tétrica e a cidade definha. Ainda mais para um eremita de gosto duvidoso como eu que não aprecia besteiras para passar o tempo - pra isso fico em casa com meus brinquedos. A falta de filmes decentes nos cinemas me afeta diretamente pois encerra um hábito antigo. Apesar de ser consumidor caseiro de downloads não troco uma boa sessão no telão por meu sistema de vídeo bem menor. Ainda.

Existem duas salas “alternativas” de projeção administradas pelo governo que tentam manter a diversidade, as sessões não raro são concorridas e até projeções de dvd resultam em casa cheia. Tentativas de manter a diversidade que esbarram em limitações orçamentárias e técnicas.

Cada dia que passa o nome deste blog faz mais sentido pra mim.

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Comentário Tardio

05.06.2007 | 42

Esses dias muito falou-se sobre Guilherme Zaiden, “o brasileiro mais asistido no youtube”. Os números não mentem - apesar de eu ser desconfiado nato - e o garoto tem mesmo uma legião de fãs. Até o Merten escreveu sobre o garoto e fui lá assitir os vídeos do rapaz. Sou um desatualizado mesmo.

Entre sátiras sem graça e piscadelas para o humor capenga nacional só mesmo no último vídeo postado pelo rapaz que pude realmente esboçar um sorriso (você está lendo um homem que passou incólume por um stand up de uma hora do Ricky Gervais) e agora posso engrossar a lista de blogoseiros que elogiaram os vídeos dele. Zaiden encontrou um ponto onde pode crescer como comediante e faz quatro minutos quase irretocáveis da melhor coisa em comédia feita nos últimos tempos em lingua portuguesa, atual, sem amarras e consciente de suas limitações.

Me abstenho da discussões sobre o youtube ser o novo cinema, é entediante demais. Porém se aparecerem mais garotos (e por que não senhores) como o Zaiden, eu abro aquela caixinha onde guardo a minha fé na comédia nacional e penduro no varal.

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