Semestre bom para discos, rapaz. Teve Wilco, Adams, Queens of The Stone Age e até o favorito da casa Josh Rouse escolheu a última semana de junho pra lançar mais um belo trabalho. Meu player nestas férias não ficará quieto.
Falando em férias passarei o mês longe de internet - na verdade nem tanto, mas vocês entendem. Convoquei encarecidamente bons amigos para tomar conta da casa e não deixar as moscas tomarem conta. Escreverão aqui Ian, Flávio, Dael e para comandar o circo o velho mestre Bia. Só gente fina e gabaritada que vai movimentar as coisas por enquanto este egocêntrico eremita andará por novas bandas. Vai ser interessante também ter outros pontos de vista por aqui.
Até agosto, meus caros. Vocês estão em boa companhia.
7 ComentáriosPeso certeiro [ou] Pelican
25.06.2007 | Discos

Fica meio complicado falar sobre o Pelican sem escrever que eles tocam uma espécie de metal instrumental - post-metal, talvez? Complicado porque para muitos a palavra Metal passa longe de algo que se deva manter no player junto com o hype da semana. Como sou um ouvinte ocasional de velhos discos de metal sempre de olho em algo mais novo aqui e ali do estilo não tive esse preconceito contra o Pelican na ocasião do lançamento do primeiro EP. Chapei com as camadas sonoras e o peso descomunal de duas guitarras, baixo e uma bateria tão pesada que parece trincar os fones durante uma virada.
O disco fenomenal veio em 2005 com The Fire In Our Throats Will Beckon the Thaw onde o peso aliou-se à uma atmosfera contemplativa e orgânica (por mais que não goste de usar “orgânico” ao falar de música) de beleza melancólica, canções longas com um pé no progressivo - mas bem de leve - e o peso arrebatador que não permitia respiros ocasionais fora do momento certo, dá pra dizer que o disco ditava o ritmo do seu jeito. Foi com esse disco que o Pelican saiu das publicações especializadas e até apareceu em cÃrculos de metal “moderno” como uma possÃvel next big thing. Mas desde o primeiro EP a identidade sonora única da banda estava definida e era uma questão de tempo até sair um disco tão bom quanto esse - ou então caÃsse na mesmice que permeia o estilo.
Há poucas semanas saiu City Of Echoes, que vinha sendo cunhado em shows há um bom tempo e para os fãs já tinha material conhecido. A mudança de atmosfera é logo perceptÃvel: as canções não são tão longas, não há mais tanto espaço para trabalhar as melodias até o peso ensurdecedor cair de uma vez. Mas isso não significa que eles estejam tocando mais rápido ou coisa assim. O espaço para contemplação deu vez ao baque seco dos andamentos menos progressivos e mais focados em riffs altos. Um bom exemplo é a incrÃvel Lost in the Headlights onde a bateria começa barulhenta até ser amparada por riffs oldschool tocados com um quê stoner pra fazer a cabeça balançar sem perceber.
A cozinha é um espetáculo à parte. O baixo possui um tom estranho um pouco agudo e distorcido fácil de identificar e sempre preenche os (poucos) espaços deixados pelas guitarras sem deixar a sensação de “massa sonora” desaparecer. A bateria continua densa e com um ritmo pulsante - quando o bumbo duplo começa a atordoar não tem jeito, é melhor prestar atenção e deixa-se levar pelo peso. City Of Echoes não chega a ser tão belo e completo quanto o disco anterior porém mostra que o poder de fogo do Pelican não está perto do fim e entrosamento perfeito de seus instrumentos ainda é das coisas mais singulares na música atual, é como escutar algo de Josh Homme - dá pra reconhecer na primeira parte de riff.
2 Comentários30 Days of Night [ou] Velhos conhecidos
25.06.2007 | Nerdices
30 Days Of Night é a HQ fundamental da dupla Steve Niles, o atual mestre das histórias em quadrinhos de terror americano e Ben Templesmith, ilustrador favorito deste escriba possuidor do traço mais gore existente atualmente, senão o único. Foi também o tÃtulo que concedeu fama aos dois, coisa que aconteceu por dois fatores - pra ser direto e claro: a arte então inovadora de Templesmith e o roteiro rápido de Niles ao escrever sobre Barrow, uma cidade no Alaska que é atacada por um grupo de vampiros sacanas justamente no perÃodo de 30 dias no inverno em que o sol não nasce.
O clima pesado e opressor numa HQ de terror (obras como Arkham Asylum e Kid Eternity não entram nessa categoria por não serem especificamente de gênero) ainda não havia chegado chegado no nÃvel que 30 Days apresenta. E clima é fundamental, é pouco provável que uma história toda colorida sobre vampiros sanguinários tivesse tanto impacto quanto os tons escuros e o sangue negro jorrante de 30 Days. A arte de Templesmith é um misto de pintura, traços grossos e nenhuma concessão nas cenas de ação. Imagine se o mestre Alex Ross resolvesse deixar os colantes de lado depois de assistir alguns filmes do Rob Zombie e começasse a pintar histórias de terror e dá pra traçar uma comparação pra arte de Templesmith.

A narrativa acompanha tanto os dentuços chupadores de sangue envolvidos em conspirações (vampiro que se preze tem que estar envolvido em várias tramas seculares) quanto os pobres residentes de Barrow liderados pelo casal de xerifes que tentam se proteger como podem no velho american way (com armas grandes e aquelas explosões todas). O único defeito de 30 Days é correr demasiadamente na parte final e antecipar a conclusão que acaba soando um pouco forçada. É uma caracterÃstica dos primeiros trabalhos de Niles conseguir montar uma boa história porém correr em algumas partes e deixar aquela sensação de “já acabou?”. Entretanto no saldo geral dá pra relevar esse deslize final diante das outras qualidades da HQ sem soar muito fanboy, vai por mim que dá pra ficar apreensivo e realmente sentir medo lendo a história.
Depois do sucesso de 30 Days a dupla lançou uma continuação direta chamada Dark Days que ainda apresenta todos os elementos da obra original e vale a leitura. Vieram também outros tÃtulos que levam a marca 30 Days como Dead Space, Spreading the Disease, Bloodsucker Tales, Return to Barrow e um tÃtulo anual que apresenta uma história one-shot dentro do universo de 30 Days. Oscilando entre qualidade atestada e meros caça-nÃquel esses tÃtulos não são necessariamente fundamentais para o leitor curioso - alguns são até bastante ruins - maldita mania de charfurdar em sucesso até o último centavo, tanto que daqui a alguns meses um filme baseado na obra será lançado. O melhor mesmo é ficar com a obra original e apenas a sua continuação direta.
ComenteWe are old despite the years [ou] Easy Tiger
22.06.2007 | Discos
Minha relação com os discos de Ryan Adams é como um velho casamento. E isso não é algo ruim. Desde que me dei por gente e comecei a garimpar os discos que me acompanham todo dia Adams está presente. Pode não ser o artista mais completo e original do mundo, mas como ele estava lá desde o começo de tudo e fez aqueles disquinhos belos o casamento foi inevitável.
É dele que escuto ano após ano dezenas de canções novas, participações em outras bandas e histórias de bebederias homéricas. Tempos atrás deixei de lado suas canções por birra, por não conseguir escutá-las sem a imagem pesada de seu autor megalomanÃaco até que num vÃdeo após um show em Cleveland vi o rapaz andando de skate atrás do palco com fãs e rindo, sem a pose de bardo, aparentando estar à vontade consigo mesmo e falando sobre o novo disco sem querer soar como salvador do rock. Parecia sincero, mas apenas escutando o novo disco poderia tirar a prova.
Adams não tem uma carreira incrivelmente bela como a de Josh Rouse (numa comparação um pouco forçada) e comete erros aqui e ali. Suas experimentaçãos deram tanto certo quanto terrivelmente errado. Já foi frontman de uma banda de garagem e fez barulho. Depois voltou pra Jacksonville pra tocar violão com o Cardinals como se fizesse aquilo a vida inteira, sem mostrar um pingo de vontade de empunhar uma guitarra e faer barulho outra vez. Não se trata de versatilidade, não exatamente - mas também não encontrei aqui algo pra definir. Pode-se dizer Adams só quer fazer as coisas de seu jeito no momento que lhe convém.
No recém-lançado Easy Tiger ecos fortes do tempo de Whiskeytown aparecem. Violão alto, refrão longo e a voz bem dosada de Adams abrem o disco mostrado que dessa vez ele não quer apenas massagear o grande ego. A sensação constante no disco inteiro é de que ideÃa de ser Ryan Adams finalmente agradou o próprio e não há necessidade de aventurar-se em outros caminhos. Poderia chamar de acomodação, e de fato é, mas tão bem-vinda que eu deixo pra lá. Assim como o último disco do Wilco, Easy Tiger tem um tÃtulo perfeito que encaixa exatamente com o que se ouve. Um bardo que se aconchegou no seu estúdio favorito, convidou sua velha banda e alguns amigos e disse pra si mesmo que não é preciso ter pressa, se afobar sem motivo e soltar vários discos por ano para se sentir bem. Easy tiger, easy.
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Sou um melhor tocador de air guitar do que um guitarrista de verdade. Desde os primeiros acordes ouvidos em aparelhos de som analógicos a idéia de tocar guitarra me fascinou, tudo numa guitarra era perfeito pra mim. E um dia, exatamente como naquale cena do Stranger Than Fiction, eu entrei numa loja e comecei a olhar uma por uma, escolhendo com calma qual serviria ao meu propósito musical de garoto apaixonado. Comprei minha primeira guitarra, a que supostamente tomaria o lugar da minha guitarra imaginária.
Mas não consigo enganar a mim mesmo por mais que eu tente e seja bom nisso. Os acordes tocados na Stratocaster nunca soam tão bem quando na minha guitarrinha imaginária que de tudo toca e sempre toca perfeitamente, com direito a corda soltando no meio da música pra fazer o charme de desafinado. É fazendo cara de quem está tocando o som mais potente e belo do mundo que eu toco minha guitarra imaginária sem perdão todo dia, em todo lugar e nos momentos mais improváveis. Sempre estou a tocá-la fazendo aquele som lindo. É uma depêndencia eterna adquirida logo nos primeiros discos escutados.
As guitarras reais não chegam ao pé da minha Gibson ora azul, ora preta, que vira Grestch e depois Fender e por vezes até uma imprevisÃvel Lewis. Guitarras reais não fazem o som único que as cordas invisÃveis da minha guitarra faz.
Por isso sempre vou ser um grande guitarrista imaginário.
1 ComentárioO Retorno de Studio 60
17.06.2007 | Séries

Assistindo os episódios novos de Studio 60 após um longo hiatus penso nos roteiros inacabados (e os poucos acabados) que tenho aqui no pc, mas penso assim, de relance. O mesmo Aaron Sorkin que algum tempo atrás me mostrou que a televisão por ser sensacional em West Wing agora confronta problemas de audiência e boatos negativos em Studio 60. Como se não ligasse pra isso a cada novo episódio escreve melhor, como se pra mostrar que seu ofÃcio não é para qualquer um e que seu show não será derrubado. Vai dizer, eu romantizo demais as coisas.
Contornar todos os problemas enfrentados em Studio 60 e ainda conseguir juntar tom polÃtico ao drama dos personagens nos episódios recentes - mantendo a série num ritmo de crescente qualidade - foi coisa de gente grande, de macaco velho, diria até. Agora vai ser mais interessante assistir o caminho que ele seguirá até o season finale e os boatos de cancelamento que surgirão. Até lá vou assistir cada episódio como quem reza.
2 ComentáriosResponsability Tv [ou] A Bit Of Fry And Laurie
15.06.2007 | Séries
Depois de tantas temporadas de House só agora fui assistir essa série antiga de Hugh Laurie com Stephen Fry. Viciante.
1 ComentárioVÃrginia Berlim.
15.06.2007 | 42
O Velho acaba de botar na roda seu novo livro, VÃrginia Berlim. Já li umas três vezes, na primeira escrevi este post - coisa mais sincera que escrevi em tempos. Vou encomendar os meus, depois do presente que era Sexo Anal vale cada centavo pra ter esse novo livro-experiência, esse livro que como o próprio diz “é pra ser dado de presente”.
É lindo, lindo demais. Faço de bom grado e satisfação imensa a indicação desse livro que desce com um blues cru, impiedoso e belo. Mostrou pra mim a genialidade do Velho de um modo que eu desconhecia. Não é um romance, não é um conto. É um experiência das mais sinceras que já tive.
Comprem, indiquem e façam tudo outra vez.
3 ComentáriosTerceiro round [ou] Entourage
13.06.2007 | Séries

Assistir Entourage é como ver na tela as fantasias de moleque em hollywood que muitos tiveram (pelo menos eu tive), isso é fato. Um programa machista, homofóbico, narrow minded e simplista porém incrivelmente divertido e que nos 28 minutos de cada episódio te leva pra outro lugar que não é de todo ruim. Nesta terceira recém terminada temporada o show continuou com a fórmula e não decepcionou, com direito até a sacrifÃcios de estrela de cinema para realizar o projeto dos sonhos.
É como assistir filmes de terror antigos, você sabe que é ruim e pouca gente vai compartilhar contigo que gosta daquilo e se juntar à festa - mas assiste mesmo assim. É divertido demais e não tem como negar que é o tipo de coisa que de vez em quando a gente precisa assistir pra lembrar que o mundo não é feito só de séries ou filmes sérios ou comédias espertas. Tem horas que é mais divertido desligar o cérebro, com dizem por aÃ, e ser levado pela besteira.
4 ComentáriosBukowski escutaria [ou] Reid Paley
12.06.2007 | Geral

O Nix recomendou esse cara, Reid Paley. Fez uma coletânea e passou o link. Não foi o tipo de música que me agradou no primeiro instante. Nem reparei bem nas letras e acabei notando mais a semelhança com a voz do Tom Waits que outra coisa. Engavetei as mp3 e continuei minhas audições.
Porém a cada dia o Nix escutava mais e mais as canções desse cara e como sempre fiquei de olho nas recomendações dele resolvi escutar mais uma vez. E dessa vez a voz soturna de Paley soou do jeito que devia ser: achapante, pesada e emocionante, um canto rasgado. Uma espécie de blues rústico e barulhento tocado por um homem que possui uma voz tão forte que assusta. Cantando por vezes mastigando as palavras ou então entoando como um trovador solitário de noites noir Paley acabou de ganhar mais um fã.
Só fui pegar um disco inteiro há poucos dias, depois de garimpagens ninja - o Nix já tinha dois dos três discos do homem mas só riparia em mp3 se eu encontrase o Lucky’s Tune, o primeiro que faltava em sua coleção e um pouco difÃcil de encontrar. Como um pusherman musical Nix me fez dar algo em troca de mais canções de Paley. Nada mais justo.
Agora posso dizer que entre os diversos novos discos de ska (gênero que está tomando meus ouvidos há tempos) só mesmo Paley aparece no playlist aqui e acolá para entoar suas já conhecidas letras. Fiquei viciado no barulho ensurdecedor contido nas canções de voz e guitarra do homem.
2 Comentários
If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
