bunker

Bullshit!

17.05.2007 | Séries

penn_teller0.png

O que mais gosto no programa Penn & Teller: Bullshit! é que os dois pegam temas que sempre achei bullshit e com classe e a malandragem de mágicos de Las Vegas primeiramente dão espaço a quem o defende e daí começam a desmontar com ceticismo e a fúria de quem só quer dizer que aquilo é uma besteira sem tamanho mas antes precisa argumentar até o fatídico momento em que nada resta para argumentar: resta apenas dizer um alto e claro “This Is Bullshit”.

E já se passaram quase cinco temporadas tratando sobre quase tudo que se possa imaginar (aliens, PETA, fengh Shui, bíblia, medicina alternativa, creacionismo, guerra contra as drogas, prostituição e etc) com poucos deslizes - é comum o teor liberal panfletário demais atrapalhar o que poderiam ser argumentos irretocáveis, some a isso também certa falta embasamento científico mais apurado em certos momentos - e fenomenais passagem como a do célebre programa sobre a Histeria Ambiental onde eles conseguem que um abaixo assinado contra o Hidróxido de Oxigênio (um nome fancy para água) ganhe várias assinaturas num protesto de ambientalistas radicais. Simplesmente genial.

A questão que sempre fica é: depois de tantas temporadas, como sempre tem algum idiota que assina os releases e aceita defender seu ponto de vista idiota diante das câmeras de um programa chamado Bullshit que tem fama de sacanear homericamente esse tipo de gente? Penn mesmo responde em certa altura da quarta temporada: eles acham cegamente que estão certos. E para a satisfação de Penn, Teller e minha o mundo é cheio de gente assim.

1 Comentário

hurtmold10.gif

Estava lendo um texto na Rolling Stone (que a cada mês fica mais chata e desinteressante) e não sei porque raios me lembrei de Hurtmold, a única banda brasileira que posso chamar de “melhor”. E prontamente a melodia de Assopro vem lá do fundo da cabeça num crescendo e pronto, o dia inteiro será eu cantarolando, batucando e fingindo assoviar a canção. Coisa que só acontece sei lá, com Teenage Fanclub e aquelas faixas quilométricas do Zeppelin, te mete a escutar discos sem medida e teu cérebro fica assim, gafanhoto.

A primeira vez que escutei Hurtmold foi numa daquelas coletâneas obscuras gringas e lá pelo meio tinha um gingado diferente, uma suíte jazz que me chamou a atenção. Só fui saber que era uma banda brasileira ao ver os títulos dos discos, daí foi um passo pra escutar direto aquela que tomaria o posto de mais sensacional coisa brasileira que escutei em anos. Um post-rock classudo, pop e porque não dançante, coisa fina - que apesar de uma certa ressonância na crítica não chega a um público maior. Pelo menos pra me lembrar disso a Rolling Stone serviu.

Comente

Do or Die

11.05.2007 | Geral

Arrá, não esqueci do vídeo de sexta. Nem tinha como, sabe como é, tarde de sexta ninguém tá muito afim de fazer muita coisa no estágio e o youtube salva. Mr. Curtis Mayfield e aquela canção que não sai da minha cabeça, tryin’ ta get ooveeer …. Surperfly!

Hard to understand
What a hell of a man
This cat of the slum
Had a mind, wasn’t dumb
But a weakness was shown
‘Cause his hustle was wrong
His mind was his own
But the man lived alone

1 Comentário

I Will Not be Angry

11.05.2007 | 42

(este post é em homenagem ao Perifas)

Minha hora do almoço é sagrada. Geralmente eu acabei de sair de uma aula imbecil de uma matéria que não sei porque diabos o meu curso tem com um professor sabe que ninguém tá nem aí pra ele e faz tudo ficar mais difícil cada aula que ele dá. Alomoçar tranquilamente é tudo que quero e o restaurante que aceita meus vales e consegue ser decente (a.k.a não passa Globo Esporte num volume de tv obsceno ou tem uma bruta caixa de som no teu ouvido tocando algo incompreensível pra se escutar comendo e ainda tem comida aceitável) é quase um oásis no meio da cidade. Fica no caminho da faculdade pro estágio, é calmo, nunca está lotado, fica cheio, mas não lotado demais. Sentar ali e comer calmamente, lendo algum bom texto ou revista (livros são um saco pra virar a página e nunca ficam numa posição decente na mesa) durante a hora que tenho é o que posso chamar de momento relaxante.

Hoje tudo ia calmamente, estava lendo um ótimo artigo e comendo devagar minha macaxeira frita com salada coloridinha até que senta esse animal na minha mesa. Devia fazer o mesmo curso que eu, já tinha visto ele na faculdade, típico: vestuário idiota com camisetas cheias de frases cool, all-star estilizado, maneirismos mezzo gays mezzo stud, riquinho e com um senso de sociabilidade deturpado. Até aí tudo bem, sempre senta alguém na minha mesa mesmo, mas aí o incauto olha pro texto do meu lado por alguns segundos e resolve (confirmando todos os meus medos) falar:

- Parece legal isso aí. É sobre o quê?

Levantei os olhos e dei um sorriso cínico cinco estrelas pra mostar que não ia falar alguma coisa nem fodendo.

- Já te vi na faculdade, em que semestre tu estás? Com certeza já te vi lá. Sou o xxxxx, prazer cara.

Ele estava pedindo por isso, levantei os olhos denovo, deixei o garfo escorregar da mão. Respirei fundo, lembrando daquele filme ruim do Jack Nicholson:

- Ok, amigo. Tô almoçando, aproveitando a minha fabulosa hora, e veja bem que falo “hora” pois almoço durante a hora inteira, isso, ela todinha, pra poder digerir bem a comida e ler meus malditos textos que não são obrigatórios na faculdade, mas com certeza deviam ser. Na verdade não estou nem aí. A última coisa que preciso é dum newbie cheirosinho puxando conversa. Se não tivesse figuras nesse texto aqui com certeza nem ias falar nada. Dado que não tenho cara de guei, eu tenho? Não há motivo pra você falar com um cara como eu. Se tiver, por deus, me diz qual é que vou tentar nunca mais dar esse motivo.

Ele fez menção que ia falar alguma coisa. Fiz nã nã com a cara e ele resolveu ir embora. Muito bonito pra mim, insultando alguém na hora do almoço. Grande, agora arrumei mais uma coisa pra esclarecer com o grandão lá de cima quando chegar a minha hora. Já tinha dito que não iria me irritar tão aletoriamente.

Mas fazer o quê.

2 Comentários

- Listen Vanessa Janice Tiffany Amber (in a sing-song voice) Thiessen. I’m gonna go ahead and give ya a little something I call “Perry’s Perspective”. First: If the guy in front of me in the coffee shop can’t decide what he wants in the 30 minutes it takes for him to get to the register, I should be allowed to kill him. Second: I’m fairly sure that if they took all the porn off the Internet, there’d only be one website left and it would be called “Bring Back The Porn”. Third, and most important: to be respected as a doctor, nay, a man, you must be an island. You’re born alone, you damn sure die alone, (turns to a cadaver rolling by) isn’t that right Spike? My point is, and you may want to jot this down: only the weak need help.

- I should have that tattoed on my neck.

Não tem aquele Talk Like a Pirate Day? Devia ter um também no estilo Perry Cox. Assim todo mundo entenderia a piada e eu não soaria tão silly durante os momentos em que falo desse jeito. Oh boy, como é bom falar assim.

1 Comentário

kar wai

Estava vendo as estonteantes imagens do novo filme de Wong Kar Wai e pensando em como vai ser incrível esse filme, pela primeira vez vou poder entender de verdade as pequenas nuances nos diálogos, nas palavras do atores dos atores e que não tem jeito: vai ser de tirar o fôlego.

Mas não foi isso que pensei à princípio, vendo a galeria lembrei que nem conhecia os filmes de Kar Wai até ano passado e que se não fosse por conta da minha namorada talvez tivesse assistido e não gostado, seriam apenas mais uns filmes.

A culpa é dela, foi na saída da sessão de 2046 que ela encontrou uma amiga e as duas desataram a elogiar o filme, eu lá meio carrancudo (devia estar numa fase de filmes hardcore, sei lá) e não vendo muita coisa pra se falar sobre o filme, tinha achado era legal e pronto. Mas em certo momento a minha namorada começou um discurso apaixonado, tão fluído, complexo e belo que me chamou a atenção. Aos poucos ela foi falando sobre cada coisinha que ela achou bela, o que achou genial, foi montando uma crítica tão inesperada e bonita que minha carranca desapareceu. Foi ali que percebi o quão avassalador o filme tinha sido pra ela e acabou me contagiando, calado juntei suas observações às minhas e notei que minha carranca era apenas birra adolescente contra o sistema. O filme era belo, quase genial.

Ela me fez perceber isso sem ao menos falar comigo, estava falando por falar, se expressando lindamente, não tinha a intenção de me convencer de nada. Não preciso dizer que esse foi um dos momentos em que fui derrubado pelo amor que tenho por ela. E que eu sou apenas mais um homem bruto que precisa de alguém como ela pra me mostrar a beleza em certas coisas.

3 Comentários

Larry

Estava com vontade de dar uma olhada nessa série há tempos e como liberei um tempo peguei a primeira temporada. Larry David, o protagonista, para quem não conhece é o comediante co-criador de Seinfeld. A gênese de Curb Your Enthusiasm série vem do mockumentary de quase mesmo título Larry David: Curb Your Enthusiasm que mostra o dia a dia do socialmente inapto Larry e suas desventuras em LA.

Incapaz de se encaixar em algum estreótipo ou comportamento comum (não que isso seja algo ruim), Larry acaba sempre por cometer equívocos e não raro fazendo as coisas piorarem mais ainda. É um show sobre aquelas situações bizarras e chatas que acontecem o tempo todo com pessoas normais mas que em Larry acontecem em níveis extraordinários. Guardadas as devidas proporções (Larry é milionário e recluso por opção, ah se eu pudesse) é claro. É o “sobre nada” elevado ao máximo.

O humor aqui vem das situações inusitadas e constrangedoras (como em The Office) que a cada episódio retratam Larry e sua esposa (a excelente Cheryl Hines) como um casal atípico no meio de LA tentando lidar socialmente com todo tipo de coisa que por natureza são chatas: funerais, festas, vizinhos, jantares e reuniões. Em alguns momentos só mesmo Larry David faz rir com suas observações estupefatas diante de certos comportamentos e situações. A série vai de ordinária a genial em apenas algumas linhas de diálogo.

Atualmente na quinta temporada com previsão de uma sexta ainda este ano, Curb é daquelas séries que demorei pra assistir mas gostei de cada episódio e os dvds vão morar num lugar na estante perto da própria Seinfeld e daqueles filmes velhos do Woody Allen.

Comente

O Aldurin previu (sem muito esforço) a quantidade de rotações que o novo disco do Wilco teria em seus falantes e por consequência nos meus. Agora, meses depois das primeiras semanas de rotações exaustivas me encontro naquele momento em que o disco preenche os espaços essenciais, aqueles momentos em que nenhum outro disco deveria tocar a não ser ele. Depois da euforia o disco acha seu lugar e sempre estará lá pra fazer sua parte. Claro que tem discos que não pertecem a um só lugar ou momento, mas isso é para outro show, como diria Penn.

Sky Blue Sky

Maybe the sun will shine today
The clouds will go away

Assim começa o disco (e essa fase é um mantra, é um slogan, um bordão, duas linhas que assim que começam a tocar no meu player eu só sonsigo cantar junto) . Soa bastante simples se comparado aos últimos do Wilco, a única coisa que se destaca é uma aura soul e 70’s reconfortante. As inovações musicais não são a grande qualidade deste disco. Aqui é melhor prestar atenção ao contexto, desde a capa maravilhosa (que quero num quadro imenso, aliás) até os solos soando como se tivessem sido gravados por um técnico de estúdio louco por valvulados.

As canções vão tocando e tudo que consigo pensar é que se é para acordar com um disco e caminhar com ele até a faculdade, que tenha de ser com discos como esse Sky Blue Sky. Com versos claros entoados pela voz já cansada de Tweedy eu só preciso escutar With the sky blue sky / this ride in time wouldn’t seem so bad to me now / Oh if I didn’t die I should be satisfied I survived / it’s good enough for now para caminhar menos preocupado com o dia que irá acontecer. Não é a genialidade de Yankee Hotel Foxtrot que aparece aqui. É algo parecido com o conforto de um velho livro que você não cansa de ler. São os refrãos singelos e tristes (como sempre) que você não cansa de escutar. Atemporal, talvez. Inerente à minha vida, com certeza.

As canções soam sem começo nem fim em certa parte do disco. E isso é ruim e bom ao mesmo tempo. Você nem repara na aparente falta de unidade e nem na sensação de uma pretensão de faixa interligadas. Apenas acontece. Vai que é melhor assim, você vai apenas escutando os momentos mais brilhantes e não ligando pra aparente falta de originalidade. É um disco pra se usar os botões de ir e voltar no player.

I’m walking all by myself
I’m talking to myself
About you

I was singing this song about you
I was thinking about singin this song about you

E ten o final com On and On and On. Daquelas belas maneiras de terminar um disco o Wilco utiliza a esperançosa, a mais triste. Era de se esperar. Depois de tantas canções sobre cotidiano, sobre as relações perdidas e um refrão romântico ali ou acolá é natural sentir esperança. O dia acaba e eu fico com on and on and on yeah. Daqui pro fim do ano, pro fim dos meus dias ainda vou escutar muitas vezes esse disco (I caught myself thinking once again / I have to try to keep my mind out of this/ Try not to pretend) e vou agradecer pela sua companhia toda vez.

5 Comentários

Como é sexta não poderia faltar um vídeo delícia. Pra comemorar as novas faixas que vazaram.

Fogo no céu rapaz. Josh Homme is here to chew gum and kick ass, and he’s out of gum! Aproveitando a deixa, já viram essa versão épica de No One Knows? (E sim, eu mudo de Coltrane pra Homme de uma semana pra outra, noise overload, gafanhoto).

1 Comentário

arctic-monkeys-blog-trama000.png

Favourite Worst Nightmare é um saco na maioria das faixas, rapaz. E olha que eu gosto do primeiro disco até, mas esse é chatinho, letras meio babas e mesmo assim (insira suspiro aqui) vai tocar em festinhas indies, anotaí. Por isso gosto de ser eremita e ir em shows no velho continente, os djs de lá não sofrem da falta de paudurescência que se vê por aqui. Veja bem, não é o fato do disco ser regular que atrapalha, mas o fato de que os imbecis que tocam nas festas da região vão rodar direto, como fazem com outros trocentos discos chatos. Depois me perguntam o que faço num sábado à noite.

1 Comentário

« Página Anterior