Bytes [ou] Fragmentos de uma segunda-feira
16.04.2007 | 42
- Engoli o seco quando li esse post aqui do Alex. Num fórum que participo as pessoas fizeram parecido, cada usuário ficou de buscar uma história de um sobrevivente e comentar. É o tipo de coisa que eu não tenho nenhum ligação afetiva direta, mas por conhecer bem a segunda guerra, eu sinto um vazio na alma fodido.
- Ajudou a fechar o clima cinza hoje a trilha sonora de Emilie Autumn, que trafega entre o barroco e o melancólico com desenvoltura e ainda soando pop.
- Sempre que vejo alguém no Orkut com 12 fotos no álbum sei que é um idiota.
- Não vai demorar muito para associarem a tragédia de hoje com algum tipo de tecnologia moderna que influencia as pessoas. Dessa vez ao invés de videogames aposto nos sites de relacionamento.
- Eu devia estar fazendo faculdade de História. Nunca me disseram que Gibbon era tão bom e que deveria ser lido como quem reza na minha faculdade atual. Malditos comunicadores leitores de Santaella. Maldita sÃndrome de colocar culpa na faculdade.
- Eu me sinto meio paranóico quando assisto 24. E agorafóbico. Mas de algum modo eu gosto mesmo assim, é a velha sensação de que um dia eu posso resolver tudo na testosterona e no grito quem nem Jack Bauer. Um dia pode ser o meu dia de cão.

Anatomia de um Jornalista
14.04.2007 | Nerdices

Lendo as edições traduzidas de DMZ notei coisas que não tinha percebido antes. Em dado momento Matthew Roth começa a tentar entender como o conflito todo começou, diz que nunca gostou de acompanhar polÃtica e ironicamente está no meio de tudo sem proteção alguma além da palavra PRESS escrita em sua camiseta, ignorante à real razão de uma guerra estar acontecendo.
Um jornalista ignorante no meio de uma guerra. Qual o medo dele? Morrer, é claro. Durante uma conversa um amigo diz “continue apenas com medo de morrer, e não de nenhum dos seus chefes e o teu trabalho saÃrá do seu jeito, será um trabalho seu”. É interessante ver um jornalista se formando dessa maneira, trafegando entre os dois lados do conflito melancolicamente tentando entender tudo numa guerra sem sentido e escrevendo as coisas do seu jeito na medida do possÃvel para sobreviver. Há momentos de rebeldia, de cansaço, de fúria e finalmente de um pouco de satisfação.
Por isso que essa série é demais.
ComenteJust Like The Rain
13.04.2007 | Discos

Para começar a me redimir no Dois Discos um texto sobre o disco mais belo de Richard Hawley. E o deserto se abre na sua frente.
ComenteAtire primeiro, pergunte depois [ou] 100 Balas
11.04.2007 | Nerdices
Por algum tempo tive algumas histórias de Sin City como favoritas, me perdoem pois eu ainda não conhecia 100 Balas e achava que aquele universo misógino e cheio de bravatas másculas vazias poderia ser algo definitivo quando se pensa em histórias em quadrinhos com temática policial. Agora eu só consigo olhar praqueles álbuns luxuosos nas livrarias e simpatizar com alguns desenhos, talvez com Marv e sua carranca. No entanto as histórias viraram lixo.
Queria estabelecer esse parâmetro antes de começar a falar sobre 100 Balas pois muita gente vê aquele universo de Sin City como algo supremo e utiliza adjetivos pomposos, ainda mais por conta do hype do filme. Cometem o mesmo erro que eu e não viram pra uma Hq que realmente é noir, que pode ser chamada de policial e reverenciar aqueles filmes como The French Connection, Bullit e Dirty Harry sem a mentalidade tarantinesca de reverenciar. E acima de tudo, tem qualidade de roteiro, de arte e pesa como uma tonelada nas tuas mãos.
O plot é simples: um agente entrega uma maleta com uma arma, 100 balas não-rastreáveis e garante que enquanto você estiver com a maleta estará acima da lei. Quem recebe a maleta ganha também provas irrefutáveis que esclarecem algo que aconteceu na sua vida. Essas provas incriminam pessoas, revelam segredos e abrem feridas passadas.
Durante o tempo que precisar você ficará com a arma e balas e a imunidade proposta pelo agente, sem perguntas. Com essa chance você se vingaria contra a pessoa que arruinou sua vida? Aà é que o roteirista Brian Azarello não deixa a ótima premissa esfriar. Cada personagem que recebe a maleta é único, com sua história pessoal bem construÃda e personalidade trabalhada em longos e excelentes diálogos. As histórias são bem escritas e dotadas de uma caracterização do cotidiano cruel, minimalista e em alguns momentos bela. São histórias humanas, principalmente. É o melhor adjetivo pra se empregar, são sobre pessoas que carregam aquele ar comum mas que se encontram na linha exata que os separa das outras. E essa linha pode ser apagada com a chance que lhes foi dada. Uma chance de voltar ao que você era. Como o autor diz “a lot of people being mad at other people” e bam! Temos roteiros de fazer inveja aos melhores livros policias.
O argentino Eduardo Risso faz a arte perfeita para a série. Detalhista, transita entre os ambientes urbanos dando o tom fundamental para as histórias. De acordo com a paisagem temos páginas quentes numa manhã em LA, pesadas numa noite agitada em NY e um clima noir com a cidade desenhada como se fosse um personagem traiçoeiro. É história em quadrinhos da forma mais bem desenhada que já vi, uma junção de arte e roteiro Ãmpar. Bela demais, cruel demais e densa quando necessária. Perfeita naquilo que se propõe.
No meu mundo de histórias policiais o espaço de 100 balas é agora garantido entre as fundamentais e melhores. Se você lê scans o grupo Vertigem tem disponÃvel até a edição 41. As edições nacionais estão são da Opera Graphica em encardenados de ótimo preço que montam arcos em cada edição. Deixe Sin City pra lá.
4 ComentáriosPeckinpah, Blues, Domingo e Slasher films.
08.04.2007 | Nerdices
Por incrÃvel que pareça demorei pra assistir Straw Dogs, da conhecida cena do estupro e da “reviravolta do homem pacato” de Dustin Hoffman. Dos poucos filmes de Bloody Sam que vi esse é aquele que carrega mais a mão pesada, até que ponto um homem aguenta antes de virar a mesa? Divertido, icônico e dono de um belo pôster. Mesmo assim ainda fica um gosto estranho nesse filme. As cenas são bem feitas mas os diálogos são terrÃveis, não fluem, não parecem diálogos de verdade, plásticos demais. Pode parecer ataque contra o medalhão, mas não consigo gostar desse modo estranho de filmar diálogos.
Essa semana assisti também o documentário Going To Pieces: The Rise And Fall Of The Slasher Film. Traçando a linhas ascendente do gênero na década de 80 com os clássicos Halloween, Jason e A Nightmare on Elm Street, passando (rapidamente) pelos filmes italianos e mostrando como a indústria banalizou o gênero e praticamente o matou até a sua renovação em meados de 90.
Entrevistas interessantes e egocêntricas com Cronenberg e Wes Craven (que descaradamemte assume que renovou o gênero com Scream). Pra quem tem curiosidade é bacana conhecer um pouco da história do gênero que antes de render milhões era execrado por grandes estúdios. O documentário não mostra bem a parte mais trincada do negócio e fica só passando pelos pontos mais óbvios, porém faz jus á história recente do gênero e seus sub-gêneros.
E por fim, parafraseando Calvin não gosto muito de noites de domingos pela lembranaça que preciso aprontar tudo pra segunda-feira. É agora que costumo carregar o mp3 player com alguns discos que suprirão a semana. Descobri há pouco uma banda que poderá ganhar os fones dessa vez: Clutch. Blues rock ganchudo e delÃcia.
I get satisfaction everywhere I go.
Where I lay my head - that’s where I call home.
Whether barren pines, or the mission stare,
Take tomorrow’s collar and give ‘em back the glare
Como um amigo disse “negócio pra ser realizado é ter um power trio e uma big band”.
ComenteUm sério mundo [ou] Monólogos
02.04.2007 | Nerdices
Senhoras e Senhores! Vocês já o conhecem pelas manchetes dos jornais! Agora tremam ao ver com seus próprios olhos o mais raro e trágico dos mistérios da natureza! Apresento… O ho-mem co-muum! Fisicamente ridÃculo, ele possui por outro lado, uma deturpada visão de valores. Observem o seu repugnante senso de humanidade, a disforme consciência social e o asqueroso otimismo - é mesmo de dar náuseas, não? O mais repulsivo de tudo são suas frágeis e inúteis noções de ordem e sanidade, se for submetido a muita pressão… Ele quebra! Então como ele faz pra viver? Como esse pobre e patético espécime sobrevive ao mundo cruel e irracional de hoje? A triste resposta é… “Não muito bem!” Frente ao inegável fato de que a existência humana é louca, casual e sem finalidade, um em cada oito deles fica piradinho! E quem pode culpá-los? Num mundo psicótico como este… Qualquer outra reação seria loucura!
- Coringa, em A Piada Mortal
Alan Moore é um velho safado.
3 Comentários
If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
