bunker

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300 não é um filme de guerra apesar da temática clara. As referências ao risível Tróia e outros “novos épicos” não é válida, 300 não é dessa categoria. É algo mais pra um filme de terror com um punhado de diálogos e ações que remetem à glória, dever e honra. Ou melhor: é um filme de batalha com putas cenas de sangue e belas coreografias. Sabe a cena do abismo no Senhor dos Anéis? É como se fizessem um filme inteiro só com aquela cena.

No entanto não tem como não se empolgar com o Leônidas de Butler: cada grito é respondido, cada ação é repetida e assim as cenas mostram-se um festival de porrada gráfica delícia de se ver na tela. É mais ou menos como se os lutadores do K1 resolvessem usar escudos e capas pra brigar. E ei, isso é bacana!

Fora o grafismo belo não sobra muita coisa que sustente o roteiro fraco (apesar de algumas inserções em relação à Hq que são bem-vindas numa tentaiva de dar sustância pro filme) o negócio é mostrar porrada mesmo, é sangue e espartanos tocando o terror nas termópilas sem dó. Lutar pela liberdade my ass, nesse filme a coisa é gore mesmo. O que no meu caso, é bom demais. Vou assistir de novo.

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Ainda vou aprender a escutar direito os amigos. O Aldurin recomendou esse tal de Willy Mason, um trovador de voz forte que toca um folk classudo e atemporal faz tempo. Nem prestei muita atenção e coloquei na fila dos discos sem muita prioridade. Grande erro, gafanhoto. Grande erro.

Mason

Hoje carreguei o mp3 player com o disco do rapaz, estava escutando Islands direto e precisava de canções menos cheias de barulhos. Antes de escutar no player o disco nem tinha sido rodado no computador. A primeira canção de If The Ocean Gets Rough me derrubou. Como pode um garoto como esse ter uma voz tão pesada, tão densa e cheia de sabedoria? com 22 anos? Acredito que até o próprio ao sair da puberdade um dia acordou e sentiu o tom mais pesado, pegou o violão cantarolou ecoando sua nova voz grave, assustado deu um sorriso daqueles largos e meio esquizofrênicos que damos às vezes.

Não foi só a voz desse garoto que me impressionou, as letras bem acabadas que caminham sem medo por temas pesados - ah, os grandes temas! - são pra cantar junto, pra decorar e citar pedaços pros amigos. Como se não bastasse ainda tem um instrumental enxuto, com um violino (é sacanagem uma voz dessas amparada por um violino) aparecendo de vez em quando. Lá na sua fazenda de búfalos um idoso Neil Young deve ter exclamado um damm bem caipira ao escutar Willy pela primeira vez.

He’s the kind of guy that was always afraid of affection
and when the walls closed around
he would always respond with aggression
but he woke up today with a pain in his head
remembered a dream oh what was it they said
oh, this was the world that i wanted

- The World That I Wanted

Peço desculpas á quem já havia feito a recomendação do moleque e não fui atrás. A cada audição eu me desculpo e agradeço. Olhando a discografia vejo que ele tem vários discos, pra minha sorte. Já entrou no seleto clube de trovadores que acompanho com afinco.

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Pela quantidade de posts sobre hqs nos últimos tempos dá pra notar que voltei a lerquadrinhos com mais frequência. Tinha esquecido que era tão bacana e que durante os anos que passei lendo esporadicamente a pilha de coisas novas foram aumentando. Voltei agora com tanto material novo pra ler que os autores que conhecia - os que eram da minha época de leitor assíduo - já viraram dinossauros.

E ler quadrinhos é uma atividade que posso juntar imagens, textos, música e ainda estar relaxado ao extremo. Minha primeira leitura nesses moldes foi a alucinante mini de Grant Morrison chamada Kid Eternidade. Naquela época eu nem tinha muitas mp3, ainda escutava discos emprestados e uns poucos comprados em loja e estava engatinhando na leituras de hqs. Um tio meu chegou com o encardenado no mesmo dia em que tinha pego na casa de um amigo uma coletânea genérica do Jimi Hendrix.

E foi com Hendrix tocando um blues elétrico que a trama de Kid Eternidade me dopou, não é preciso elogiar aqui o traço do Duncan Fegredo e de que forma ele contribuiu na minha viajem. Só vendo mesmo a hq pra saber do que tô falando. A primeira página ficou grudada na minha mente por anos. Nunca tinha visto uma história em quadrinhos começar desse jeito.

E agora eu continuo com velhos hábitos, por exemplo na DMZ eu estava escutando Silversun Pickups direto. Não foi uma combinação visceral como a do Kid Eternidade, mas ei, nem tudo é perfeito. Os títulos estão prontos aqui, junto com a minhas traduções e re-leituras obrigatórias. A nerdice nunca acaba.

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Comecei a ler DMZ de Brian Wood, o mesmo autor de Demo. Seus primeiros trabalhos são conhecidos por serem politicamente engajados e para fugir da fama Brian mostrou-se versátil com títulos como a própria Demo onde exercitou - e diga-se de passagem, muito bem - outro estilo de roteiro. Em DMZ ele faz um crossover de ficção de guerra e política, voltando pro que sabe fazer melhor. Coisa fina que une a sua vertente liberal, planfletária e com toques gonzo com seu fanatismo por estados de caos.

A causa da do começo da situação atual não é revelada, mas logo sabemos que os EUA estão divididos e em plena guerra civil entre os auto- proclamados “Estados Livres” (ou a Demilitarized Zone do título) e o oficial “Estados Unidos da América”.

Este cenário está armado numa Manhattan quase destruída por conta das guerrilhas civis e dos conflitos entre o exército e as forças de resistência. A arte de Riccardo Burchielli é suja e rápida com traços pesados monta o ambiente caótico com um quê de filmes do David Fincher que deixa as coisas realmente interessantes de se ver.

No meio disso Matthew Roth segue para a DMZ junto com uma equipe de reportagem durante o “cessar- fogo” como estagiário (não-remunerado) foto-jornalista e responsável por equipamentos. Ao pousar sua equipe é fortemente atacada deixando Roth como único sobrevivente num ambiente ainda hostil. Ignorante e perdido é ajudado por uma espécia de enfermeira local e descobre que os horrores espalhados no outro lado sobre a DMZ são apenas conversa de guerra. É o começo de seu trabalho de verdade.

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Depois de analisar melhor o cenário Roth vê que encontrou uma oportunidade de fazer algo que ele realmente quer fazer e decide utilizar o resto do equipamento e atuar como jornalista independente enviando material para o outro lado - mostrando a realidade dos Estados Livres. Aí que a coisa fica intrincada (e foi aí também que parei de ler pra vir postar aqui).

Um jornalista (ex-estagiário) numa zona de guerra pouco conhecida: é a deixa para Wood escrever diálogos políticos e pop ao mesmo tempo e explorar a atividade de Roth mostrando como é complicado retratar uma guerra, ainda mais uma interna e com o mínimo de tolerância entre os dois lados. São dezesseis edições lançadas, li até a oitava estou gostando demais. Se fechar bem a história logo deve ganhar o selo de essencial aqui em casa.

*update: no Vertigem tem até o número seis em português.

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Antes que este blog vire mais um amontoado de youtubices digo em meu favor que estou entupido de coisas pra fazer e nada como uma sacudida no ambiente de trabalho pra fazer este escriba suar pra receber no fim do mês. Estou na linha tênue que separa o estagiário de um (sic) profissional ativo no mercado.


(só isso mesmo pra terminar com a pilha de trabalho na minha mesa)

E isso é bom e ruim, como tudo nesta andarilha vida, gafanhoto. Se antes eu tinha tempo pra tocar coisa pessoais dentro do estágio agora isso é apenas uma lembrança, mal dá pra abrir duas abas no Opera sem ser chamado. Meus gloriosos dias de slackerismo chegaram ao fim, ou ao menos estão cada vez menos escassos. Agora assumir as pendengas de um profissional garante mais independência: se quero fazer isso naquele papel estranho numa cor berrante, eu faço. Claro que isso foi um exemplo idiota, mas deu pra entender o ponto. Ah, as delícias do mercado de trabalho.

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Hollywood Hotel

20.03.2007 | Música

Quando crescer quero ser baterista de jazz, mama. Devo ter pensado isso pela primeira vez quando assisti aquele filme do The Wonders. Fiquem com quem tem a manha de comandar uma orquestra inteira com as baquetas e ainda fazer graça:


Porque humilhar desse jeito é coisa de espartano.

(estou ocupado pacas esses dias, tem trocentas bandas novas e filmes pra falar sobre mas Pierre Lévy tá me ocupando a cabeça de jeito)

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Saiu hoje no Vertigem a décima segunda e última edição de Demo, que disse estar traduzindo neste post aqui.  Trabalho concluído, senhores.

O que pensei ser apenas um hobby tornou-se um exercício delicioso. Ainda mais quando o título em questão é interessante quanto Demo. Fiz a tradução do número 07 até este final e contei com uma equipe excelente lá no grupo: revisor cauteloso e diagramador profissional. Sem exagero posso dizer que foi a melhor experiência de trabalhos on-line que tive.

Já escolhi o próximo título para traduzir, em breve notícias. Enquanto isso aproveite a Demo, gafanhoto.

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Hehe. De(ath)sign.

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Tem bandas que precisam apenas de um momento pra me conquistar. Um disco inteiro vai depender daquele momento em que serei supreendido e me apaixonarei. Se for uma daquelas surpresas impossíveis de descrever, o disco ganha status de salvador de vidas na hora.

Ef é uma banda da Suécia que ontem me fez o dia. A linha instrumental esparsa da primeira faixa de Give Me Beauty…or Give Me Death! ainda era muito genérica quando largou tudo e tocou o céu no exato momento em que um cello ARREBATADOR veio segurar quebra de ritmo num crescendo que me assustou a ponto de parar no meio da rua por um segundo. Daí eu já estava contente em escutar aquela faixa e provavelmente ficaria com aquela canção na cabeça o dia inteiro.

No entanto veio a bela “Hello Scotland” com seus épicos 12 minutos. Começando timidamente com um piano infantil (ou seja lá qual for o nome desse instrumento) e já apresentando meu amigo cello logo nos primeiros minutos pra deixar aura letárgica que remete a Explosions In The Sky completa. A explosão de guitarras e bateria seca cai lá pelos cinco minutos e o cello choroso vai levando sozinho a melodia. Mais um momento em que me arrepiei. Sem contar que os vocais entram suavemente e vão até o fim da canção acompanhando o cello.

Um disco que se olhado de forma geral é fraco perto de uma beleza irretocável do último do Explosions In The Sky, mas que tem seus momentos e ainda conta com o trunfo de vocais (e do cello!) que poucas bandas instrumentais sabem utilizar. Se abandonarem mais a letargia e investirem nos ótimos vocais, essa banda vai longe.

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Já decidi. No meu top 5 de séries The Wire acaba de ocupar o segundo lugar logo depois de Sopranos. A escalação segue com West Wing, House e Seinfeld. E se tratando de um top 5 tão pessoal e cheio de picuinhas entre seus integrantes uma série vir assim do nada sem antes nem figurar no top 10 é coisa excepcional. Sim, estou soando que nem aqueles freaks.

A segunda temporada de The Wire é espetacular, pega os moldes da primeira e vira para um dos grandes problemas da cidade: as docas, uma das principais formas de entrada de sujeira. Tirando um pouco o foco das ruas e das drogas hand-to-hand a coisa fica em cima dos grandões responsáveis pela entrada no país de literalmente toneladas de drogas, mulheres, carros e todo tipo de contrabando.

Mais uma vez os personagens são um caso à parte: McNulty (protagonista) entra numa fase de auto-destruição e quase perde o emprego de vez (”what the fuck did i do?”), Lester Freamon continua o seu legado de Natural Police, Herc e Carver vão pra rua fazer o que sabem melhor: rip and run. Continuando o império do tráfico em West Baltimore Stringer Bell é o traficante da nova era, que aplica conceitos de mercado no dia a dia de sua organização. Personagens novos como The Greek não ficam atrás com o seu jeito old school de fazer as coisas.

E as relações de cadeia de comando - tanto nas esferas públicas quanto nas do crime - continuam sujas e cada vez mais intrincadas. É tudo tão minucioso e cru que fica suspeito eu tentar resumir aqui sem cair em uma cacetada de clichês.

Pode soar meio estranho pra você, mas esse universo é tão fascinante e pesado que fica difícil não sair comentando. Ótimos atores em grandes personagens, num roteiro clássico por natureza. Sabe aquel história de que a tv é o novo cinema? Não poderia ter um exemplar melhor do que esta série.

Frustrante é saber que essa de quase cinco temporadas nem ao menos uma chegou perto do Brasil. Nem um dvd, nada na HBO, nada de grupos legendando, nada. Um disperdício de material desse nível.

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