Foxhole - Push/Pull
27.02.2007 | Discos
Essa banda quase acabou. Não iria fazer falta pra mim, eles faziam um post-rock em grande parte genérico e nem garantiam a audição completa do disco. Aà em 2006 voltaram com membros novos, casa nova na Burnt Toast Vinyl e um disquinho de pouco mais de meia hora que se não primava pela originalidade tinha três fatores que faziam dele perfeito: o baterista Jason Torrence, o uso de metaleira de forma deliciosoa a produção nÃtida, clara, lÃmpida e sei lá mais quantos adjetivos similares.
O complicado de escrever sobre música, em especial sobre instrumental, é que eu posso ficar aqui pisando no acelerador e entregar metáforas, linhas poéticas e nem ao menos chegaria perto da real sensação que ela causará em você, eu só posso sugerir ou induzir. E não quero fazer isso com esse disco, pois ele apresenta elementos comuns aos gênero que o menos atento ouvinte de bandas como Explosions in The Sky e Mogwai vai perceber. Vou me ater aos três itens que falei ali em cima:
O baterista Torrence possui uma levada rÃtimica única, lembra a batidas do Dave Lombardo (é, o do Slayer) que você pode escutar em qualquer lugar e identificar. A metaleira não atua em primeiro plano na maioria das vezes, sempre aparando as quedas das canções (talvez aà um explicação para o tÃtulo do disco) e criando novas linhas que prendem o ouvinte, fazendo o disco voar nos fones. Cria um sensação boa, dá vontade de escutar outra vez esses caras do Kentucky só pra saber se naquele momento foi um solo de trumpete ou a virada compassada da bateria que me chamou a atenção. Um disco que até apareceu em algumas publicações especializadas no top 2006 mas que como toda a grande maioria desse tipo, não chegam aqui. Baixe aqui neste link.

Sexta [ou] Mantenha o Diabo Lá Em Baixo.
24.02.2007 | 42
Sentei tarde na frente computador. Costumo sentar logo que chego do trabalho pra dar uma nevegada geral, arrumar os downloads e me jogar no sofá pra assistir algo. Hoje demorei no trabalho, apareceu um livro pra editar que além de grande e chato tem milhares de imagens com legendas minuciosas. O meu pesadelo.
Logo que liguei o msn passei os olhos pela lista e chamei o Pedro, tinha uma introdução de uma canção que queria mostrar pra ele, com uma bateria gostosa, bem swing. Logo depois que mando a intro o Velho aparece com um arquivo pra me passar, sem dizer nada. “VirgÃnia Final”. Aceito e me ajeito na cadeira, escolho uns discos pra tocar.
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Sr Galvão
23.02.2007 | 42
Existem poucas coisas que se deve fazer sozinho nesta vida. Uma delas é deitar em um sofá escuro, só você e os milhões de demônios que atormentam a sua consciência, que lhe fazem ter calafrios pela canalhice que você cometeu um pouco antes, pela mulher que você machucou sem que ela merecesse, pelo amigo que você ofendeu. É só ali, naquele sofá, que você pode entender por que sabe que vai magoar uma mulher, sabe que é errado, ao mesmo tempo em que admite que, como um trem desgovernado, você não conseguirá evitar.
Nem preciso dizer nada. Só quem tem o tÃtulo de über-blogueiro tem a manha, vai lá e lê o texto completo, é um presente.
1 ComentárioFratellis [ou] Dos discos que duram cinco minutos
23.02.2007 | Discos
Â
Anteontem eu estava precisando de um disco que me acordasse cedo, ligasse meus neurônios e que me colocasse no caminho da rotina, bem no tranco mesmo. O Castrezana postou sobre Costello Music e tinha enfileirado nos downloads aqui, baixei, carreguei no mp3 player e na caminhada matinal do dia seguinte veria se o disco ia servir.
E serviu, até demais. Sou fã de garageiros, caras que brincam com riffs, quebradas de bateria que estalam na cabeça, coros gritados, linhas de baixo anormais e com o punch não menos que explosivo, incansável. E tem tudo isso nesse disco, misturado com uma cacetada de influências (para o bem e para o mau) que começam em Clash e terminam talvez no Arctic Monkeys, não tem muita coisa original - e os espertões logo apontam o dedo. É um disco que dura cinco minutos, uma semana com sorte. Mas perfeitamente barulhento, grudento e delÃcia nesses cinco. Sabe aquelas linhas vocais bem fab four, aquela bateria que brinca com o jazz? Tem aÃ, para alegria deste escriba, pequeno gafanhoto.
Coloque junto com todos os discos hypados dos últimos anos abarrotados de influências do tipo ame ou odeie que duram cinco minutos. Mas valem cada segundo.
Tomaà um link.Â
1 ComentárioTodo esse alvoroço e só quero me trancar num estúdio, a tocar, a tocar e a tocar. Amanhã é meu aniversário. Se fizer um dia tão gostoso quanto hoje tá delÃcia. 20 anos. Será que alguém ainda me lê desde os meus 16 e um blog porco no Blogger Brasil? Será que alguém aguentou todas as inúmeras trocas de endereço, as ausências, as voltas? Gosto de pensar que umas duas pessoas o fizeram, mas sabem que dizer isso pra mim iria apenas alimentar meu grande ego e ficam quietinhas.
Sempre que lembro a história deste blog digo que umas das coisas que me impelem a continuar escrevendo é que este blog arrogante, confuso, nerdÃstico e modesto me trouxe a garota que fica ao meu lado. É motivo mais do que suficiente.
O último ano pra este blog foi demais, muitas visitas, pessoas novas e cremosidades. Agradecimentos a quem me lê, a quem em divulga e a quem chega comigo e opina. Vocês sabem quem são e merecem agradecimentos, de verdade. Ian, Bia, Nix, Coffe, Bresslau, Helena, Thiago, Dael e mais uma penca de bloguistas que estão na lista ali do lado.
A canção do dia é Brick, do Ben Folds Five. Não é de amor, mas tem tudo que uma canção precisa pra ser perfeita: te derruba, acalenta, pertuba, conforta. O vÃdeo acima é ao vivo num estúdio imenso de uma rádio. Meu presente pra vocês.
5 ComentáriosPride of Baghdad [ou] Rei leão para fanboys
16.02.2007 | Nerdices
Muito se falou sobre essa graphic novel do premiado autor de Y - The Last Man, Brian K. Vaughan. A premissa original de narrar a história de quatro leões que fugiram do zoológio de Baghdad em 2003 por conta de um bombardeiro americano que literalmente derrubou os muros parecia interessante e poderia render uma história com animais que de infantil não teria nada. Aà é que a coisa embolou.
Primeiro a parte bacana da novel: a arte de Niko Henrichon, em muitos momentos é sensacional! Cenários bem pintados com tons fortes de amarelo e vermelho e traços rápidos deixam os animais sem aquela cara Disney. O problema é o roteiro de Brian, que muito promete e no final apenas fica em diálogos fracos, análises infantis e uma sensação de vazio imensa, o que poderia ser uma história bem trabalhada fica só no poderia.A melhor parte da história é a luta entre os leões e um urso que vivia m cativeiro, e é tão boa somente pela arte de Henrichon.
Dessa vez o hype não fez jus ao lançamento.
ComenteMeu Dia de Balboa
15.02.2007 | 42

Lendo por aà as resenhas saudosistas de Rocky Balboa lembrei da minha época de lutador. Não foi boxe e sim uma arte marcial, o Karatê Tradicional. Mas como todo garoto que entra nesse meio de lutas, treinos e provações eu lembrava do Garanhão Italiano e como era divertido quando criança ver os filmes. Passar por algo parecido já era totalmente diferente.
Comecei a treinar por ordem de meu pai, que ao ver meu sedentarismo por anos resolveu dar um jeito nisso, eu queria judô, ele mandou Karatê pois tinha gostado mais do professor. Comecei a treinar junto com meu irmão, eu com 15, ele com 11. Minha idade já não era a ideal, comecei velho. Os treinos inicias foram traumatizantes. O karatê tradicional é uma arte lenta, que exige meses de treinos de repetição até conseguir fazer algum golpe completo.
Mesmo assim alguns anos depois eu já tinha medalhas e troféus, uma faixa preta e um currÃculo que me surpreende até hoje com tÃtulos locais e nacionais. Me encontrei na arte como poucas vezes me encontrei em alguma coisa. No entanto ela exigia muito de mim, podia passar oito meses treinando para atingir um nÃvel, bastava parar por um e todo o trabalho ia embora. Aos poucos fui deixando os treinos de lado, participando de cada vez menos campeonatos - o fato de estar em plena adolescência contribuia diretamente pra isso. Parar de treinar era uma questão de tempo, outras milhares de coisas enchiam minha cabeça.
1 ComentárioOf a Broken Heart
14.02.2007 | Discos
Josh Rouse foi morar na espanha após seu divórcio. Foi pra outro continente tentar começar vez sua vida outra vez. Seu último disco, SubtÃtulo, era um reflexo das mudanças em sua vida, as canções exaltavam eu novo lar ao ao mesmo tempo em que desprendiam o compositor de seus fantasmas pessoais num tom melancólico, mas aliviado. Um disco belo, que escutei por meses, literalmente.

O EP She’s Spanish, I’m American é um dueto com sua namorada, a espanhola Paz Suay e tem cinco canções pop fáceis, com refrões gostosos de escutar e cantarolar. É o homem voltando à forma pop perfeita de seus disco anteriores 1972 e Nashville. A voz de Suay é doce, gostosa e com um sotaque leve e charmoso. O tom cinza de antes nem ao menos passa perto dessa canções, aqui as histórias do casal montam um dia ensolarado, uma aventura num táxi em NY ou apenas uma conversa de fim de tarde, do jeito que deve ser. A canção final ”Answers” é a coisa mais linda e confessional que já escutei de Rouse. É daqueles momentos em que a gente fica quieto, deixando a canção se sobrepor e fazer a sua mágica.
Eis um homem que pode dizer que curou um coração partido.
2 ComentáriosO Ex-Atendente de Locadora
13.02.2007 | Nerdices

O Bia nesta coluna falou sobre como o atendente de locadora (e num aspecto geral qualquer atendente de loja de artigos culturais) é um profissional que carrega uma deficiência há décadas: não sabe atender realmente o cliente.
Como nerd desde criancinha sempre ansiei por trabalhar numa banca de revista ou locadora pra poder pegar tudo de graça e ter a manha de recomendar as coisas. Acabei trabalhando nos dois alguns anos atrás. Tive ótimas experiências, sem contar na tonelada de filmes que assisti e das pessoas que conheci.
6 ComentáriosAssisti as a primeira e segunda temporada de Entourage, série da HBO produzida por Mark (Marky) Wahlberg, sobre a vida de um astro em ascenção em Hollywood com direito a todos os mimos do showbizz e participação de vários convidados especiais como James Cameron e Scarlett Johansson. Para uma lista completa, dá uma olhada aqui.

Pensei que seria mais uma daquelas séries bobas que resolvem narrar o cotidiando dos astros e como eles também são gente yada yada yada - um The O.C em hollywood. E na verdade a série é assim, mas não se leva a sério o suficiente para tentar ir além disso, ponto pros roteiristas. Os episódios voam (30 minutos só, em comparação com os usuais 50 da HBO) e a primeira temporada - que está sendo lançada por aqui esse mês - não deixa outra escolha a não ser continuar assistindo, os personagens são carismáticos e caricatos, gritam demais, discutem demais, e acabam divertindo por conta disso. Acabei viciando, é engraçado demais pra não assistir.
Pros fominhas de estrelas é prato cheio pra sacar um monte de histórias dos astros (cortesia do Whalberg), como funciona o star system nos dias atuais e como a velha relação entre empresário-astro ainda é tumultuada. E por falar em empresário, o melhor personagem disparado da série é Ari Gold, empresário do astro protagonista Vinny Chase (o canastrão Adrian Grenier) interpretado por Jeremy Piven. Caricato, hiperativo e hilariante é o ponto alto de cada episódio quando resolve insultar todo mundo ou liderar reuniões estratégicas. Pense num Kramer em hollywood. Quase isso. Ou melhor, péssimo exemplo. É mais original que isso.
Pensei que seria uma série pra assitir e sair detonando depois, mas já devia ter aprendido que quando se trata de HBO até Wahlberg consegue fazer alguma coisa que preste. A terceira temporada já está na metade e volta em abril. Vou esperar com a pipoca.
1 Comentário
If you walk with Jesus he's gonna save your soul, you gotta keep the devil way down in the hole.
